domingo, 4 de abril de 2021

Sistemas de Relato de Incidentes e de Aprendizagem de Segurança do Doente - Mensagem de Sir Liam Donaldson |#SD416

Num mundo ideal, todos os incidentes e ocorrências de um serviço de saúde que causam danos ou têm o potencial de causar danos aos doentes seriam rapidamente reconhecidos e geridos de forma adequada no local onde o cuidado de saúde é prestado, por uma equipa alerta e bem informada. Eles documentariam e comunicariam cuidadosamente as suas observações. Estes profissionais ficariam entusiasmados com o seu envolvimento nesta atividade porque teriam visto muitos exemplos de como esses relatos foram usados para melhorar a segurança dos cuidados.

Os relatos de incidentes seriam revistos e analisados por uma equipa dedicada de especialistas em segurança do doente para identificar os riscos mais importantes para a segurança do doente e para coordenar investigações sistemáticas e não punitivas desses problemas. A investigação resultante seria imparcial e multidisciplinar, envolvendo conhecimentos de especialidades clínicas relevantes, mas, preferencialmente, também de disciplinas não relacionadas com a saúde que contribuem com sucesso para a redução de acidentes noutras outras áreas da segurança.

A investigação seria realizada numa atmosfera de confiança na qual a culpa e o castigo estivessem ausentes, e as ações disciplinares ou sanções penais seriam tomadas apenas em circunstâncias raras e apropriadas. A ação resultante da investigação levaria ao redesenho de políticas, procedimentos de prestação de cuidados, produtos, e a mudanças nas práticas de atendimento clínico e nos estilos de trabalho de indivíduos e equipas. Essas ações geralmente levariam à redução mensurável e sustentada do risco para doentes futuros. Alguns tipos de danos seriam totalmente eliminados. Haveria processos definidos para agregar dados e produzir análises que apontassem para as fraquezas sistêmicas e possibilitassem soluções.

No entanto, muito poucos sistemas de saúde ou unidades de saúde no mundo podem chegar perto deste nível ideal de desempenho na captura e na aprendizagem resultante de incidentes que resultam em danos evitáveis. Isso acontece por todos os tipos de razões, que vão desde uma insuficiência de líderes qualificados e apaixonados o suficiente para envolverem toda a sua força de trabalho numa busca para tornar a prestação de cuidados de saúde mais segura, a falta de transparência, o medo de ser castigado, a incapacidade dos profissionais de saúde em relatar livremente incidentes, erros, quase eventos e riscos, a incapacidade de investigar adequadamente o volume de relatórios gerados, até à fraca base de evidências sobre como reduzir os danos.

Muitos programas de segurança do doente em todo o mundo geraram expectativas muito altas sobre o impacto potencial dos relatos de incidentes e sistemas de aprendizagem. Na verdade, muitos desses programas foram estabelecidos movidos pelo raciocínio de senso comum de que "devemos aprender com as coisas que dão errado", mas não conseguiram corresponder a essa expectativa por causa da crença na inevitabilidade de que "aprenderemos com o que acontece errado". A experiência tem sido dececionante nesse aspeto, bem como em comparação com o histórico de outras indústrias de alto risco, como a indústria da aviação. Algumas instituições e organizações de saúde em todo o mundo mostraram que a análise dos incidentes de segurança do doente pode levar a melhorias na segurança, mas isso está longe de ser a norma. A maior parte da experiência de sistemas de aprendizagem e notificação de incidentes de segurança do doente ocorreu em hospitais de países desenvolvidos. Tem havido menos experiência em países menos desenvolvidos ou subdesenvolvidos e nas áreas dos cuidados de saúde primárias e saúde mental.

Há muitos desafios na tentativa de oferecer maiores benefícios a partir dos relatos de incidente de segurança do doente e sistemas de aprendizagem, mas três deles destacam-se.

Em primeiro lugar, o feedback da equipa na linha da frente em todo o mundo destaca consistentemente a dificuldade que os sistemas de saúde enfrentam para estabelecer uma cultura de segurança baseada em relatos isentos de culpa e na qual a aprendizagem é mais poderosa do que o julgamento. Muitas vezes, os indivíduos são responsabilizados mesmo quando sistemas e processos de atendimento mal projetados resultam em erros por parte de membros conscienciosos da equipa. As consequências de usar um incidente que resulta em dano ou morte para rastrear e punir uma enfermeira ou um médico são claras. Mais doentes morrerão, pois, a equipa estará com muito medo de admitir erros no futuro, nada será aprendido e a fonte de risco estará à espera da chegada do próximo doente inocente.

Em segundo lugar, os dados essenciais de muitos sistemas de notificação de incidentes de segurança do doente são os relatos feitos inicialmente por um membro da equipa, às vezes com recolha adicional de informações locais.

Portanto, a causa do incidente e as perspetivas de aprender com ele são muitas vezes uma questão de opinião local. Uma investigação multidisciplinar detalhada, incluindo contributos de especialistas, entrevistas em profundidade com os envolvidos e reconstituição dos eventos que ocorreram, é realizada de forma menos comum, embora pudesse levar a perceções muito mais profundas sobre questões sistêmicas. Isso ocorre principalmente por razões logísticas (um volume muito alto de incidentes), recursos insuficientes e falta de coordenação para reunir as pessoas certas da maneira certa.

Terceiro, o processo de obtenção de reduções sustentáveis ​​no risco e melhorias na segurança do doente raramente funciona bem. Um fator contribuinte para isto é o reconhecimento de que medidas como a emissão de novas orientações ou procedimentos, iniciativas de formação pontuais e o envio de alertas têm demonstrado, noutros ambientes de alto risco, serem estratégias de mudança relativamente fracas.

Em alguns países, os sistemas e as organizações de saúde têm procurado criar um sistema de notificação de incidentes de segurança do doente e, em seguida, estabelecer e desenvolver uma base de dados de tais incidentes que é usada para: analisar a frequência de fontes específicas de dano; descrever tendências e padrões gerais, bem como tipos específicos de incidentes; e permitir que as causas dos danos e riscos potenciais sejam explorados e sejam encontradas soluções para reduzir os riscos para os doentes. Estes sistemas e organizações de saúde talvez tenham sido mais bem-sucedidos no desenvolvimento de formas de monitorizar padrões e tendências de incidentes e na identificação de grupos de tipos de danos, bem como na identificação de novas fontes de risco para os doentes. A disseminação da aprendizagem obtida, numa base regular e rotineira, provou ser muito mais difícil. (   ).

A minha principal mensagem aos leitores deste documento é exortá-los a compreender o propósito, os pontos fortes e as limitações dos relatos de incidentes de segurança do doente. Os dados obtidos dos relatos de incidentes podem ser muito valiosos para a compreensão da escala e natureza dos danos decorrentes da prestação de cuidados de saúde, desde que as propriedades dos dados sejam revistas cuidadosamente e as conclusões sejam tiradas com cautela. O uso de sistemas de notificação de incidentes para uma verdadeira aprendizagem, a fim de alcançar reduções sustentáveis no risco e melhorias na segurança do doente, ainda está em desenvolvimento. Isso pode ser e tem sido feito, mas ainda não na escala e com a velocidade que se verifica em algumas outras indústrias de alto risco. É por isso que todos nos devemos esforçar (…).

Sir Liam Donaldson
Fonte: Patient safety incident reporting and learning systems: technical report and guidance. Geneva: World Health Organization; 2020

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

domingo, 21 de março de 2021

Qual a estabilidade do Soro Fisiológico após a sua abertura? |#SD415

Uma leitora do blog contactou-me com uma pergunta acerca da estabilidade da solução de soro fisiológico a 0,9%, após a sua abertura.

Quando este tipo de embalagens é aberta mas não é utilizada completamente, o que devemos fazer? Eliminar, ou podemos utilizar posteriormente?

Como em qualquer outra solução, quando iniciamos a sua utilização, deve ser inscrito no frasco (balão de material plástico ou vidro) a data e hora de abertura (a não ser que a vá utilizar completamente de imediato).

Não tenha receio de escrever no frasco de soro. Pode ler a justificação neste artigo: É ou não seguro escrever num frasco de soro? | (#SD334)

Para que a solução se soro fisiológico possa continuar a ser utilizada, é fundamental garantir também a sua esterilidade. Para tal deve ser sempre utilizado uma seringa e agulha esterilizadas (assim como qualquer outro dispositivo médico como perfuradores), tendo o cuidado de desinfetar previamente a zona a perfurar.

Ao pesquisar sobre este assunto, encontrei o artigo que responde exatamente a esta questão:

"Soro Fisiológico: Potencial Risco De Perda Da Estabilidade Após Aberto e Armazenado Por Trinta Dias Em Diferentes Meios" 

Nas conclusões do artigo podemos ler que de acordo com os resultados expressos nas tabelas I e II (avaliação da concentração no momento de abertura, às 24 horas, 7 dias, 15 dias e 30 dias após abertura) pode-se concluir que o soro fisiológico 0,9% é estável quando armazenado em temperatura ambiente ou em frigorifico, não alterando as suas concentrações de cloreto de sódio, portanto, o seu uso é seguro e eficiente durante o período analisado (30 dias).

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

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sábado, 20 de março de 2021

Como garantir a aprendizagem do profissional envolvido num incidente de segurança do doente? | #SD414

Como garantir que a aprendizagem, após análise de um incidente de segurança do doente, chega mesmo ao profissional envolvido nesse incidente?

Esta foi a questão que um colega Gestor de Risco Clínico num hospital me colocou por telefone.

Como sabemos, os principais objetivos de um sistema de notificação de incidentes é recolher informação sobre os incidentes de segurança do doente que ocorrem na instituição, desenvolver a sua análise sempre que tal se justifique e APRENDER com a informação recolhida, implementando medidas corretivas e preventivas sempre que necessário.

Impedir a recorrência do incidente ou diminuir a sua gravidade caso ocorra novamente é algo que só conseguimos alcançar quando implementamos medidas corretivas ou preventivas de acordo com as causas raiz identificadas.

Mesmo quando a notificação de um incidente é feita de forma "descaracterizada", é possível ao Gestor do Risco Clinico durante a investigação/análise do incidente, perceber qual ou quais os profissionais envolvidos mais diretamente nesse incidente.

Mesmo desenvolvendo um plano de ação com medidas corretivas ou preventivas, que posteriormente é enviado à hierarquia do Serviço e outras partes interessadas, corremos o risco de que essa informação não chegue aos profissionais que identificámos como estando envolvidos diretamente nas causas raiz do incidente.

É também aqui que um Gestor do Risco Clínico tem de ser extremamente cuidadoso, garantindo que a identidade dos eventuais envolvidos não seja exposta, mas desenvolvendo esforços para que a mensagem de aprendizagem chegue efetivamente à(s) pessoa(s) pretendida(s).

Então, como é que o Gestor do Risco Clínico pode garantir que a aprendizagem, após análise de um incidente de segurança do doente, chega mesmo ao profissional envolvido nesse incidente?

  • Tenha a certeza sobre qual a informação que quer transmitir;
  • Identifique a pessoa(s) que considera ser imprescindível informar, e que tenha estado envolvida, com base na análise efetuada, no incidente de segurança do doente;
  • Reúna a informação (os factos concretos);
  • Aborde a pessoa e informe que gostaria de discutir uma informação sobre segurança do doente de forma privada e pergunte qual o melhor momento;
  • Reúna com a pessoa, de preferência em ambiente neutro, e de forma simples explique qual é o assunto, como foi conduzida a análise do incidente e porque é que considera que essa pessoa esteve envolvida nas causas raiz do incidente;
  • Se adequado, pode partilhar informação por escrito (use o em papel. Não aconselho a utilização do email);
  • Esteja preparado para ouvir e até mesmo a ser desafiado na lógica da sua análise;
  • Trabalhe para obter a total compreensão da análise efetuada por parte da pessoa abordada e obtenha a sua concordância;
  • Em todo o processo, garanta a confidencialidade e o anonimato de todos os envolvidos (em especial do notificador/a).
É comum um profissional não ter consciência de um incidente em que esteve envolvido, acabando o incidente por ser relatado por outro profissional que observa as consequências do incidente no doente.

Assim sendo, esta informação é por vezes recebida com ceticismo e desconfiança.

É pois importante garantir que a abordagem do profissional é realizada em total segurança para o mesmo e que este sinta que o objetivo não é mais do que garantir que a aprendizagem com o erro possa ocorrer, e com isso, melhorar a segurança do doente.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

sábado, 13 de março de 2021

Semana de Sensibilização para a Segurança do Doente | #SD413


Esta semana, de 14 a 20 de março, celebra-se a Semana de Sensibilização para a Segurança do Doente, uma iniciativa do Institute for Healthcare Improvement (IHI).


A Semana de Sensibilização para a Segurança do Doente é um evento anual de reconhecimento com o objetivo de encorajar todos a aprender mais sobre segurança na saúde.


Durante esta semana, o IHI procura promover discussões importantes a nível local e globalmente e inspirar ações para melhorar a segurança do sistema de saúde - para os Doentes e para a força de trabalho.


A Semana de Sensibilização para a Segurança do Doente serve como um tempo dedicado e uma plataforma para aumentar a sensibilização sobre a segurança do Doente e reconhecer o trabalho já realizado.

 

Encontras uma lista das iniciativas do IHI neste link


Para colaborar e promover esta iniciativa de sensibilização, proponho que assistas ao (ou revejas o) Curso “Segurança do Doente - Conceitos Base”.

Este é um curso on-line completamente grátis, que podes assistir ao teu ritmo.


Não deixes de revisitar o blog e rever alguns dos seus artigos que possam ser do teu interesse.

Todos somos responsáveis pela Segurança do Doente e pela nossa própria segurança.

Desejo-te uma boa Semana de Sensibilização para a Segurança do Doente.


Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

domingo, 7 de março de 2021

Eu não estou na linha da frente, mas… | #SD412


Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias vou cuidar de doentes.

Eu não estou na linha da frente, mas garanto o funcionamento da Urgência de Oftalmologia e de Otorrinolaringologia.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias avalio gravidas e respondo aos seus medos e ansiedades.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias estou na pequena cirurgia a apoiar as injeções intravitreas para que o doente não fique cego.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias colaboro na substituição de uma nefrostomia, um cateter suprapúbico ou um duplo J, para que estes cateteres não calcifiquem e o doente não sofra.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias administro medicação ou faço uma colheita de sangue.

Eu não estou na linha da frente, mas já perdi a conta às zaragatoas que colhi a profissionais do meu hospital.

Eu não estou na linha da frente, mas continuo a fazer pensos, colaborar em biopsias aspirativas ou a remover agrafos de feridas operatórias.

Eu não estou na linha da frente, mas continuo a colaborar na extração de sinais suspeitos na dermatologia. Ouço o Doente: - “Tenho medo que seja maligno Sr. Enfermeiro…”. Não sei o que responder, mas ofereço a minha compaixão e esperança. O Doente compreende.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias envio peças anatómicas para a Anatomia Patológica, e o período de espera pelo resultado começa…

Eu não estou na linha da frente, mas descontamino todo o espaço antes do doente seguinte, para que ele e EU estejamos seguros.

Eu não estou na linha da frente, mas aceito colaborar numa biopsia renal. O doente está internado e não pode esperar, e acima de tudo não merece esperar.

Eu não estou na linha da frente, mas esforço-me para dar esperança ao doente que está comigo naquele momento. Ele é a razão de eu estar ali.

Eu não estou na linha da frente, mas tive de aprender e recordar tudo o que há para fazer, mesmo estando afastado há anos da prática e não ser este o meu posto de trabalho habitual.

Eu não estou na linha da frente, mas reaprendi a fazer os registos no SClínico para que a informação do doente não se perca.

Eu não estou na linha da frente, mas já vacinei centenas de Profissionais de saúde, respondendo às suas dúvidas e receios.

Eu não estou na linha da frente, mas colaboro na avaliação dos Equipamentos de Proteção Individual que os Fornecedores nos querem vender para garantir que os mesmos estão em conformidade com as normas em vigor e para que os profissionais da linha da frente estejam seguros.

Eu não estou na linha da frente, mas colaboro em pareceres sobre Controlo de Infeção para que os que estão na linha da frente tenham a melhor evidência possível. Uns compreendem e aceitam, outros simplesmente ignoram ou desprezam.

Eu não estou na linha da frente, mas colaboro para que os corpos que se acumulam na morgue tenham cuidados dignos e que os agentes funerários compreendam a complexidade do momento que vivemos.

Eu não estou na linha da frente, mas reorganizei um Rouparia e garanti que todos têm um fato, uma farda limpa, todos os dias.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias faço a gestão do meu serviço, ao mesmo tempo que presto cuidados em 4 áreas diferentes do meu serviço, garanto o pedido de material de sutura e penso e reponho material nas diferentes áreas.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias ouço um “obrigado” sincero do doente que acabo de cuidar. Não publicamos fotografias todos equipados dos pés à cabeça nem fazemos vídeos de dança no Tik-Tok, mas muitos doentes têm voltado e reconhecem-nos pelo nome. Estão gratos pelo cuidado técnico que tem recebido, mas acima de tudo, pelo carinho e pela esperança.

Eu não estou na linha da frente, mas todos os dias faço de confidente e ouvinte do meu colega enfermeiro, do assistente operacional, do assistente técnico, do técnico superior de diagnóstico e terapêutica, do médico. Todos ficamos preocupados, choramos e rimos em conjunto. Todos os que estão comigo nesta linha que não é a “da frente”, todos sofremos o mesmo impacto.

Sem eles, eu não era capaz de fazer nada.

Eu não estou na linha da frente, mas sinto que estou no centro de tudo, e ao meu lado  - ombro com ombro - todos os profissionais que fazem acontecer, e bem lá no meio, o Doente.

É para a Segurança do Doente que trabalho, é por ele que eu e muitos outros vamos lá, todos os dias, para uma linha que não é “a da frente”, mas que também salva vidas e dá esperança.

Amanhã, voltarei para essa linha.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

Este texto representa o que EU, a minha Equipa e muitos outros Profissionais com quem trabalho, fazemos no dia-a-dia (e não estará completa).

A minha gratidão para todos os profissionais do Serviço de Consultas Externas, Farmácia, GCLCIPRA, GIARC, Aprovisionamento, Rouparia, Morgue, Informática, Esterilização, Limpeza, Instalações e Equipamentos, Gestores Hospitalares, Seguranças, Alimentação e para todos os outros que eu possa estar a esquecer. 

Obrigado!

Fernando Barroso

sábado, 27 de fevereiro de 2021

DGS inicia trabalhos para o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes (2021-2026) | #SD411


A DGS divulgou a seguinte informação:


A Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Departamento da Qualidade na Saúde (DQS), iniciou os trabalhos para o novo Plano Nacional para a Segurança dos Doentes (PNSD) 2021-2026, dando continuidade a este projeto de melhoria contínua da segurança do doente, dos profissionais de saúde e, consequentemente, do SNS. 

De forma a apoiar e acompanhar o processo de elaboração do PNSD 2021-2026, a DGS estabeleceu uma parceria com a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa e com a Escola Nacional de Saúde Pública, tendo constituído um grupo de trabalho consultivo. 

Pretende-se que este seja um processo conjunto com os diferentes parceiros da saúde, e que daqui resulte um PNSD integrador e agregador que dê resposta às necessidades concretas da Saúde. 

O PNSD 2021-2026 será apresentado em 2021. 

Recorde-se que o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes (PNSD) 2015-2020 foi apresentado em 2015, encontrando-se em fase de avaliação. 

#NovoPNSD2021-2026

DGS inicia trabalhos para o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes (2021-2026)

Esta é uma excelente noticia, embora tenha a certeza que, em inúmeras Instituições de Saúde e por parte de muito profissionais de saúde, o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 nem sequer era discutido ou mesmo conhecido.

Que venha pois o novo plano, renovado, adaptado à nossa realidade e aos novos desafios da Pandemia.

Cá estarei para o divulgar e discutir, fazendo da Segurança do Doente o meu dia-a-dia.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Um Mural em Acrílico para Melhorar a Comunicação com o Doente | #SD410

 

Quando melhoramos a comunicação com o Doente estamos também a melhorar a Segurança do Doente, e são muitas as formas que podemos usar para melhorar essa comunicação

Ao fazê-lo, não devemos esquecer que relativamente ao nível da literacia em saúde no âmbito da promoção da saúde, 51% da população (...) apresenta um nível de literacia entre o problemático e o inadequado (Fonte: ILS-PT, 2014, CIES-IUL/Fundação Calouste Gulbenkian e HLS-EU Consortium (2012)).

Assim, é importante escolher múltiplas formas de comunicação para conseguirmos atingir o nosso objetivo - Comunicar eficazmente com o Doente

A comunicação vertical continua a ter uma expressão importante na forma como comunicamos com os doentes nas instituições de saúde.

Hoje partilho a forma como, no Serviço de Consultas Externas do Centro Hospitalar de Setúbal, Hospital de São Bernardo, transformámos uma parede com informação estática, num mural que permite grande mobilidade da informação sem qualquer esforço.

Começámos com uma parede, junto do principal ponto de passagem do serviço, em que a informação estava "literalmente aparafusada à parede"

Digamos que no mínimo era "difícil" de renovar.


Convidamos a responsável pelo Gabinete de Comunicação do CHS (Dr.ª Sónia Silva) para discutir uma ideia:

- Como transformar esta parede (por onde passam todos os doentes que tem uma consulta no hospital) num ponto de informação apelativo e fácil de renovar?

O resultado:

Um quadro acrílico com bolsas em acrílico de tamanho A4 e A3 de fácil substituição.

E este foi o resultado final.


Com este quadro com bolsas de acrílico, é muito fácil substituir toda a informação ou apenas parte dela e conjugar diferentes mensagens.

Podemos divulgar informação institucional ou por diferentes temáticas.

Podemos divulgar informação centrada num único tema ou dia específico.

O limite será a nossa imaginação.


O que achas desta ideia?

Que formas de comunicação utilizas para comunicar com os teus doentes?

Que informações sugeres que sejam colocadas neste espaço? 

Adorava saber as tuas sugestões.


Fernando Barroso

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#segurancadodoente

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Fadiga do Alarme | #SD409

 


A “fadiga do alarme”, que pode levar à dessensibilização e ameaçar a segurança do doente, é particularmente preocupante em ambientes de cuidados intensivos.

Esta revisão sistemática concluiu que a “fadiga do alarme” pode ter consequências graves para os doentes e para a equipa de enfermagem.

Os estudos incluídos relataram que os enfermeiros consideraram os alarmes pesados, muito frequentes, interferindo no cuidado prestado ao doente e resultando em desconfiança no sistema de alarme.

Essas descobertas apontam para a necessidade de uma estratégia para gestão de alarmes e medição da fadiga do alarme.

Artigo original - Impact of Alarm Fatigue on the Work of Nurses in an Intensive Care Environment—A Systematic Review

Fernando Barroso

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#segurancadodoente

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

10º Aniversário do Blog - Segurança do Doente | #SD407


O Blog “Segurança do Doente” completa hoje o seu 10º Aniversário.

Ao longo destes 10 anos, foram publicados mais de 400 artigos em que a segurança do doente e dos profissionais esteve sempre, de uma ou de outra forma, presente.

Sempre trabalhei para ser fiel ao seu lema - Aprender, Partilhar, Informar.

É muito gratificante perceber, através das mensagens dos leitores do blog que vou recebendo nos comentários, por email e mesmo presencialmente, que este projeto teve um verdadeiro impacto na segurança dos doentes através da informação simples e direta que tenho vindo a partilhar com todos aqueles que querem melhorar a segurança dos seus doentes.

Sei que o blog é lido por milhares de pessoas, e o registo de acessos ultrapassa largamente um milhão de visitas até agora.

Nestes 10 anos tratei múltiplos aspetos da segurança do doente, chamando a atenção para as melhores práticas, para a forma simples de “fazer”, e para o importante papel de profissionais e doentes.

Também falei das dificuldades, dos erros e dos incidentes de segurança em que todos nos envolvemos e de como podemos e devemos aprender com eles.

Abordei a importância da formação nesta área e de como esta é essencial e deve ser repetida uma e outra vez, já que é tão fácil esquecer o básico.

Estrutura Concetual da Classificação Internacional sobre Segurança do Doente define a Segurança do Doente como a redução do risco de danos desnecessários relacionados com os cuidados de saúde, para um mínimo aceitável.

Passados 10 anos de muitas e importantes conquistas, vivemos atualmente um momento critico e marcante da nossa vida coletiva – A pandemia de COVID-19.

Em todas as instituições de saúde, grandes ou pequenas, em praticamente todo o mundo, os profissionais de saúde lutam contra um vírus terrível e contra os nossos próprios medos.

Não são apenas os doentes que morrem sem que muitas vezes nada seja possível fazer por eles. Somos também nós profissionais que sofremos diariamente o seu impacto. No fim do dia, TODOS TEMOS MEDO de que também nós possamos perder esta batalha.

Demasiadas vezes estamos perante uma torrente constante de doentes (em especial os profissionais dos Serviços de Urgência) para os quais não há, por vezes, resposta. Mas todos os dias se fazem milagres.

As Unidade de Cuidados Intensivos multiplicam a sua capacidade muito para além das recomendações de boas práticas. E todos os dias salvam vidas.

Os Serviços de Internamento reinventam-se e readaptam a sua função às novas exigências. E com isso vão dando esperança.

Os profissionais de saúde transformam-se, reinventam-se e readaptam-se a novas realidades e a novos conceitos. Apesar do seu esforço e de uma dedicação inquestionáveis, são já visíveis as consequências físicas e psicológicas em muitos de nós. As marcas vão ficar para o resto das nossas vidas. Todos estamos a pagar um preço muito alto.

E todos os dias nos pedem um pouco mais, mais um esforço, muitas vezes sem se perceberem que para muitos dos profissionais esse pedido já não terá resposta.

E dói muito perceber a perda, sentir que muitos de nós – com quem nos habituámos a trabalhar e a rir - já não vão voltar.

Para os que ficam, no dia a dia, resta-nos (com o empenho de sempre) trabalhar em prol da segurança do doente que está, naquele momento, há nossa responsabilidade, e garantir a sua segurança reduzindo o risco de danos desnecessários relacionados com os cuidados de saúde que lhe estou a prestar, a um mínimo aceitável.

Também eu, passados mais de 17 anos, regressei por estes dias à prestação direta de cuidados. Sinto que em cada técnica, em cada gesto, em cada toque, em cada palavra, eu posso e vou fazer a diferença, pelo menos para aquele doente à minha frente, naquele momento.

Bem hajam a todos os que fazem da “segurança do doente” o seu lema diário.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

 

sábado, 30 de janeiro de 2021

Vídeo OMS - Estou vacinado, o que acontece a seguir? | #SD406

- Existe uma boa resposta imunitária na 2ª semana após a 1ª dose da vacina, mas é pouco tempo após a 2ª dose que existe um aumento significativo da imunidade.
- Durante quanto tempo?
- Isso ainda não sabemos. 


Fernando Barroso

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sábado, 26 de dezembro de 2020

A Família e a Segurança do Doente Internado | #SD405


Num período em que tem sido imposto às Famílias um afastamento dos seus Doentes internados em Hospitais, Unidades de Cuidados Continuados e Lares (mas que aos poucos começa a ser revertida), é importante perceber como é que esta presença pode influenciar a Segurança do Doente.

Deixo o link para o artigo A Família e a Segurança do Doente Internado: revisão integrativa da literatura, que nos ajuda a compreender melhor este fator contribuinte para a segurança dos nossos doentes.

Parabéns pelo artigo Enfermeira Tânia Correia.

Fernando Barroso

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

A Importância das visitas ao Doente Internado | #SD404


A Pandemia COVID-19 veio impor a todos nós medidas extraordinárias. Uma delas foi a restrição das visitas aos doentes internados (em hospitais, unidades de cuidados continuados, lares de 3ª idade). 

A medida, de elementar lógica epidemiológica, trouxe consigo muita ansiedade e desespero para aqueles que tinham nestas visitas um contato com a “vida” e uma hipótese de aliviar um pouco o seu sofrimento.

 

Voltar a permitir visitas nas Unidades Hospitalares é uma medida de elementar justiça, ética e moral. É isso que a recente Orientação DGS nº 038/2020 de 17/12/2020 vem propor (clica no link para ler a norma).

Mas são muitos os desafios de segurança do doente que se colocam.

 

A Orientação refere inúmeros aspetos a respeitar. Por exemplo, a visita terá de:

  • Manter o distanciamento físico entre visitante, utente e profissionais de saúde;
  • Conhecer e aplicar a Etiqueta respiratória;
  • Utilizar corretamente a máscara cirúrgica;
  • Higienizar frequentemente as mãos.

 

Mas existem muitos outros aspetos a considerar, que implicam a realização de um ensino à visita (a maioria só sabe o que vê nas redes sociais e sabemos como essa informação pode ser distorcida). 

A visita vai ter de ser orientada acerca de que circuito deve seguir, como efetuar a higiene das mãos, e como deve usar a máscara, mas também onde pode ou não tocar (não pode em nada), que instalações sanitárias podem usar...

 

Como fazer? Deixo algumas sugestões:

Promover o ensino e o envolvimento da Visita. O ideal seria realizar um pequeno vídeo educativo. Um PowerPoint que depois é transformado em vídeo e é apresentado antes da visita ocorrer (embora nem todos tenham este recurso).

 

Construir um folheto orientador (simples) com as recomendações que a visita deve cumprir (usar imagens simples e pouco texto – Apostar no que a visita tem de saber e tem de fazer. O folheto deve ser simples (não sei se já tinha dito que deve ser simples).

 

Antes da visita entrar, perguntar – Para a segurança do seu familiar/amigo eu quero ter a certeza de que compreendeu as regras, por isso, pode por favor dizer-me quais são as regras que vai cumprir?

Com esta estratégia (Teache-back) estamos a confirmar a informação que foi compreendida pela visita e poderemos corrigir o que for necessário.

 

Criar um documento de registo simples (documento em A4) que permita registar (conforme a Orientação sugere) a identificação da data, hora, e nome do doente visitado, bem como nome e contacto telefónico do visitante. Cada Serviço terá de decidir onde e como guarda e depois elimina esta informação.


Caberá a cada Instituição definir em concreto as suas regras, mas há um aspeto essencial – Para a pessoa doente, a possibilidade de ter uma visita é absolutamente fundamental (digo isto com experiencia própria), e tudo devemos fazer para que tal ocorra.


E tu, na tua Instituição/Serviço, que estratégias são usadas e que possas aqui partilhar para que todos possam aprender com as diferentes experiencias?

Fernando Barroso

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Webinar: Abordagem à Segunda Vítima de Evento Adverso | #SD403

Sempre que ocorre um evento adverso (um incidente de segurança do doente que causa dano ao doente) estão envolvidos profissionais de saúde, que também sofrem com esse incidente. São as "segundas vítimas" desses incidentes.

Para ver, e aprender, com atenção.


Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 6 de dezembro de 2020

A Influência do Enfermeiro Gestor na Segurança do Doente | #SD402

 


Participei recentemente num webinar dirigido a alunos de uma pós-graduação em Gestão de Serviços de Saúde, tendo por base a temática da Segurança do Doente. Para além dos aspetos básicos do papel do Enfermeiro Gestor na garantia da Segurança dos Doentes e dos Profissionais, entendi ser fundamental explorar alguns princípios que um Enfermeiro Gestor deve considerar, quer no momento atual de prestação de cuidados a Doentes COVID, quer ao longo do seu percurso como gestor.

 

Considero que além das necessárias capacidades de gestão de recursos humanos e materiais, compete ao Enfermeiro Gestor contribuir para uma comunicação efetiva dentro da sua equipa.

Podia ter referido muitos outros aspetos, mas foram estes os 4 princípios para os quais chamei a atenção:

 

O Enfermeiro Gestor deve partilhar o máximo de informação possível;

Apenas com uma partilha adequada do fluxo de informação será possível fazer crescer nos elementos da equipa um sentimento de inclusão e de partilha da “verdade” a cada momento.

O momento adequado para partilha a informação também é importante. Isso pode fazer a diferença entre a angustia ou a motivação.

 

O Enfermeiro Gestor deve interpretar os sinais da equipa;

Há momentos no dia-a-dia de uma equipa em que a tensão é tão evidente como um nevoeiro espeço numa manhã de inverno. Compete ao Enfermeiro gestor intervir para desanuviar essa tenção. Seja através de um maior apoio pontual, seja através de palavras de incentivo, mas mais importante, através da sua presença, empatia e liderança.

Mas também existem momentos em que a equipa (ou algum dos seus elementos) apenas quer ser deixada em paz. Há que saber discernir.

 

O Enfermeiro Gestor deve encontrar válvulas de escape para a pressão:

Considero que nos dias que vivemos, há poucas ferramentas para um enfermeiro gestor mimar a sua equipa (e uso a palavra no sentido literal de “tratar com mimo, acarinhar”). Mas os Enfermeiros estão cansados de falsas promessas, pelo que as opções já não são muitas. Mas restam algumas:

O enfermeiro gestor tem de fazer uma gestão do horário da sua equipa com justiça e equidade, respeitando a lei em vigor. Todos os enfermeiros, quando recebem o seu horário de trabalho, avaliam “aquilo que lhes calhou”, mas também o que foi dado aos outros colegas. A comparação está sempre presente.

O enfermeiro gestor tem de saber identificar e gerir os conflitos internos da equipa. Tal como um arbitro num campo de futebol, se não existir uma intervenção adequada, o jogo pode tornar-se muito feio, e todos ficam a perder.

O enfermeiro gestor tem de conversar para entender; como Enfermeiro Gestor sou bombardeado com informação a todo o momento. Mas como diz o ditado, “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. É competência do Enfermeiro Gestor saber ouvir e conversar para entender a posição de todas as partes envolvidas. Nem sempre essa é uma possibilidade real, mas não devemos decidir sem pelo menos tentar obter o máximo de informação possível de todas as partes envolvidas. Só assim seremos justos na decisão.

 

O Enfermeiro Gestor deve ser um exemplo, dia após dia.

De pouco serve pedir a alguém que faça aquilo que eu não estou disposto a fazer.

Se algum elemento da equipa chega frequentemente atrasado à passagem de turno, mas o Enfermeiro Gestor também lá não está, que mensagem estamos a transmitir?

Se eu passo o tempo fora do serviço ou no café, que legitimidade tenho para pedir mais presença e empenho da minha equipa.

O exemplo é a melhor ferramenta que um Gestor pode usar para formatar a sua equipa para um desempenho de excelência.

Dificilmente um Enfermeiro Gestor pode ser excelente se a sua equipa não o acompanhar. Estamos ligados uns aos outros.


Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Desabafo - Portugal não aguenta | #SD401


Por mais que tente, não consigo entender tudo aquilo que observo.

Alguém me interpela e “pede” mais fatos de circulação, que os que tem diariamente no serviço não chegam... Diz que - “agora somos chamados mais vezes perto dos doentes e que depois tem de tomar banho… e vestir outro fato

Não resisto a comentar que compreendo que, quando passas 2, 3 ou 4 horas metido num EPI plástico que ficas todo transpirado, mas não compreendo como é que intervenções de 10, 15 ou 20 minutos obriguem ao mesmo procedimento.

Não estamos a tratar ébola.

Não temos fatos de circulação para esse volume de medo, e que é importante que todos estudem o assunto (COVID) e saibam o que devem fazer.

Portugal não aguenta este nível de ignorância.

 

Alguém pede uma bata impermeável com mangas + luvas + barrete (já tinha uma P2).

Apenas quer ir a um dos computadores de um gabinete de consulta (não COVID) consultar algo no SClínico.

Esteve lá menos de 5 minutos a usar o PC.

O EPI foi depois todo para o lixo.

Portugal não tem dinheiro para este nível de medo.

 

Uma Assistente de lar de uma “Santa Casa” (com casos COVID) entra no serviço de consultas externas com um utente para uma consulta.

Aproveita uns segundos em que o Segurança não estava na porta e entrou sem máscara (nem ela nem o utente).

O Segurança apercebesse e alerta. A Sra. é colocada (com o utente) no exterior (são só alguns metros) e repreendida. Vamos buscar umas máscaras para lhe entregar.

Ao regressar perto da mesma já ela colocou uma máscara ao utente e coloca uma nela própria. Sempre teve as máscaras consigo. Apenas optou por não as colocar.

Portugal não aguenta com este nível de iliteracia (?) falta de formação (?) falta de civismo (?) desprezo pelos outros(?)


E isto foi apenas uma pequena parte do dia…


 Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente