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domingo, 12 de julho de 2026

Cuidar ou apenas "estar"? A urgência da liderança na humanização da saúde

 

Fico sempre angustiado quando oiço famílias, com um elemento internado, a relatar situações de clara falta de cuidados básicos, falhas no controlo de infeção e, até, atos de desumanidade.

A pergunta impõe-se: para que serve, afinal, um Serviço de Saúde e qual é o principal objetivo dos profissionais que o compõem?

Não é cuidar? Tratar com zelo e humanidade? Se não estamos lá para isso, honestamente, não vale a pena estar.

Confesso que me surpreende ouvir os responsáveis pelas diferentes classes profissionais afirmarem, categoricamente, que os profissionais de saúde são todos excecionais. Sabemos bem que, infelizmente, não é assim. E tapar o sol com a peneira não resolve o problema.

É por isso que as chefias têm uma responsabilidade acrescida neste cenário. As Direções dos Serviços (Diretores de Serviço, Enfermeiros Gestores, Técnicos Coordenadores) têm o dever e a obrigação de acompanhar de perto a forma como os utentes são tratados nas suas unidades.

Para além de um olhar atento — e a verdade é que se descobre quase tudo através de uma observação atenta —, defendo que a hierarquia tem o dever de falar com os doentes e as famílias. De forma regular, aleatória e sem outros profissionais por perto.

As lideranças deviam aproximar-se e perguntar, não só "como se sente?", mas acima de tudo:

"Como está a ser tratado pela equipa? Há algum aspeto que o incomode ou que gostasse de ver feito de outra forma?"

Aprenderíamos tanto se soubéssemos apenas ouvir os nossos doentes

E, com toda a certeza, prestaríamos cuidados mais seguros e muito mais humanizados.


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

Fernando Barroso

https://fernandobarroso.gumroad.com/

domingo, 2 de novembro de 2025

Guia Essencial: As Leituras Imprescindíveis para o Enfermeiro Gestor em Início de Funções

 

São múltiplas as solicitações de um Enfermeiro Gestor.

Se não tiveres cuidado, Se não estabeleceres bem as tuas "fronteiras", é muito fácil ficar envolvido todo o dia em microgestão, acabando a questionares-te “- para onde foi o meu dia de trabalho?”, e sem conseguires fazer aquilo que só tu podes fazer.

Mark Twain afirmava que "O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler."

Na minha opinião, um Enfermeiro Gestor que não lê, NUNCA será um grande Gestor

Levanta-se então a questão: “O que deve ler um Enfermeiro Gestor em início de funções?" (e já agora, também para os que já são Enfermeiros Gestores à muito tempo. Também lhes faz falta.)

 

Um Enfermeiro Gestor deve dominar o “básico” (e isso implica ler e estudar):

  •          Legislação da Carreira de Enfermagem e sobre Gestão Hospitalar
  •          Código Deontológico da Enfermagem;
  •          Regulamento do Exercício Profissional da Enfermagem;
  •          Documentos Institucionais com influência na sua prática (no seu Serviço/Unidade e na sua Equipa).

 

Depois, tem de alargar a sua abrangência e ler livros que, ainda que não relacionados com a Enfermagem, são absolutamente decisivos na forma como passará a gerir o seu dia-a-dia.

Deixo aqueles que são, para mim, a esta data, os mais importantes.

 

LIVROS TÉCNICOS

Selecione os livros técnicos que se referem à “especialidade/atividade do seu Serviço/Unidade”. Você é que sabe quais são.

Não, nós não sabemos tudo e quando se lê um livro específico, escrito por peritos da área, retiramos sempre muitas ideias práticas para o nosso Serviço/Unidade.

Passo agora às sugestões.

 

LIDERANÇA - A Prática da Liderança - A Liderança na Prática (3ª Edição revista e atualizada) de Odete Fachada - https://www.wook.pt/livro/lideranca-odete-fachada/29896263?a_aid=4e731cba3ee3f

 

GUIA PRÁTICO PARA A SEGURANÇA DO DOENTE - Fernando Barroso, Susana Ramos, Leila Sales - https://www.wook.pt/livro/guia-pratico-para-a-seguranca-do-doente-fernando-barroso/25403542?a_aid=4e731cba3ee3f - O livro mais brilhante e abrangente sobre múltiplas áreas da segurança do doente alguma vez escrito. E não sou só eu que digo…

 

GERIR COM QUALIDADE EM SAÚDE, de Manuela Frederico e Fernando Sousa - https://www.wook.pt/livro/gerir-com-qualidade-em-saude-manuela-frederico/26989718?a_aid=4e731cba3ee3f

 

DO SILÊNCIO À VOZ - O que as enfermeiras sabem e precisam de comunicar ao público de Bernice Buresh - https://www.wook.pt/livro/do-silencio-a-voz-bernice-buresh/15429095?a_aid=4e731cba3ee3f

 

Livros sobre DESENVOLVIMENTO PESSOAL – Livros com enorme impacto na liderança


ESTOICO TODOS OS DIAS – de Ryan Holiday - https://www.wook.pt/livro/estoico-todos-os-dias-ryan-holiday/25842673?a_aid=4e731cba3ee3f (Apenas uma página por dia)

 

A ÚNICA COISA | Jay Papasan e Gary Keller - A verdade simples e surpreendente por trás dos resultados extraordinários - https://www.wook.pt/livro/a-unica-coisa-jay-papasan/16283604?a_aid=4e731cba3ee3f

Esgotadíssimo. Se encontrar compre

 

PEQUENO MANUAL PARA A VIDA - De Epicteto - https://almadoslivros.pt/products/pequeno-manual-para-a-vida-nova-edicao?srsltid=AfmBOorFjFqZ-LTeNNRz--5LE7FlDP-EzZMUoFc2sUHmHKFO5xpgMBP7

Para aprenderes o que está sob o teu controlo e o que não está.

 

DEEP WORK - A concentração Máxima num mundo de distrações | CAL NEWPORT - https://www.wook.pt/livro/deep-work-cal-newport/19869587?a_aid=4e731cba3ee3f - Se não te consegues concentrar, vais demorar 3 vezes mais a fazer a mesma coisa, ou mais.

 

ESSENCIALISMO De Greg McKeown - https://www.wook.pt/livro/essencialismo-greg-mckeown/31394679?a_aid=4e731cba3ee3f

 

GTD - Fazer Bem as Coisas - A arte de fazer acontecer de David Allen - https://www.wook.pt/livro/gtd-fazer-bem-as-coisas-david-allen/32298389?a_aid=4e731cba3ee3f – Uma metodologia simples e prática para organizares as tuas actividades/assuntos.

 

O Método Bullet Journal – Autor: Ryder Carrol - https://www.wook.pt/livro/o-metodo-bullet-journal-ryder-carroll/22382232?a_aid=4e731cba3ee3f - O método mais simples para escreveres o teu diário (se não tens um provavelmente tens dificuldade em dormir) e para gerires as tuas tarefas.


São estas as minhas sugestões principais, mas que representa apenas uma pequenina lista. Um Enfermeiro Gestor tem de investir na sua formação e no seu desenvolvimento pessoal. Não estou a falar de educação formal (certamente importante) mas de formação para a vida. 

Coragem, Disciplina, Justiça e Sabedoria.

Se seguires estes princípios terás tudo o que queres da tua vida.

Boas leituras, e fico à espera das tuas recomendações nos comentários.


domingo, 6 de julho de 2025

Melhoria da Qualidade: Gestão do stress liderada por enfermeiros em unidades hospitalares

 

Aliviando o Stress na Enfermagem: Um Projeto Inspirador Liderado por Enfermeiros para o Bem-Estar!

A enfermagem é uma profissão incrivelmente exigente. Já alguma vez pensou no quão pesada pode ser a carga de trabalho, as longas horas e a tensão emocional que os enfermeiros enfrentam diariamente? Tudo isto pode levar a níveis elevados de stress, o que, por sua vez, pode culminar em burnout, reduzir a satisfação profissional e até mesmo comprometer a qualidade dos cuidados prestados aos doentes.

Mas há boas notícias! Os Líderes de enfermagem têm um papel crucial no apoio aos enfermeiros que prestam cuidados diretos, promovendo o seu bem-estar. E é exatamente sobre isso que este projeto de melhoria da qualidade (QI) se focou: introduzir atividades de autocuidado específicas para aliviar o stress e melhorar o bem-estar da equipa de enfermagem.

O Desafio: Cuidar de Quem Cuida

Originalmente, o Instituto para a Melhoria dos Cuidados de Saúde criou o "Triple Aim" para otimizar três dimensões da saúde: experiência do doente, saúde da população e custos dos cuidados de saúde. No entanto, rapidamente se percebeu uma lacuna crucial: faltava uma quarta dimensão – o apoio ao "cuidado para o cuidador" para reduzir o burnout na força de trabalho. O burnout é, essencialmente, um fenómeno de exaustão física e mental devido ao stress contínuo no local de trabalho. Para combater isto, os líderes de enfermagem precisam de investir recursos e envolver as suas equipas num plano estruturado de atividades de autocuidado.

Num centro médico académico de 500 camas, reconhecido com o selo Magnet®, os líderes de enfermagem identificaram esta lacuna no Quadruple Aim nas suas estruturas de governança partilhada. Foi esta identificação que deu o impulso para a criação do Conselho de Bem-Estar (WBC), cujo objetivo era colaborar com os enfermeiros para implementar táticas focadas no bem-estar do cuidador no ambiente de trabalho.

O projeto piloto desenrolou-se numa unidade de cuidados intermédios (uci) com 38 camas, onde os enfermeiros cuidam de doentes de alta complexidade com necessidades intensivas, como ventilação e telemetria. Os desafios são muitos: dinâmicas familiares complexas, stress financeiro dos doentes, barreiras culturais e até mesmo um layout físico grande que dificulta a comunicação. Uma pesquisa de 2022 revelou baixa satisfação profissional, pouca coesão de equipa e insatisfação com o acesso a equipamentos e processos de trabalho. Muitos enfermeiros expressaram intenção de sair e criticaram a liderança do hospital. As preocupações incluíam os rácios enfermeiro-doente (1:4), a perceção de que enfermeiros de agência priorizavam o salário em vez dos cuidados, e a falta de apoio da chefia. Uma elevada rotatividade e uma taxa de vagas de pessoal superior a 50% também contribuíam para o stress diário.

A Solução: Um Refúgio de Paz

A literatura científica aponta que ambientes de trabalho stressantes são uma das principais razões pelas quais os enfermeiros abandonam a enfermagem de cabeceira. O stress relacionado com cargas de trabalho elevadas e desafios de pessoal pode levar a piores resultados para os doentes, incluindo erros de julgamento e medicação. O stress ocupacional prolongado pode afetar a saúde física e mental dos enfermeiros.

A criação de um espaço silencioso e designado, juntamente com a oferta de terapias complementares como aromaterapia, massagem ou música, pode reduzir o stress ocupacional percebido pelos enfermeiros. Um espaço tranquilo encoraja os enfermeiros a fazerem pausas, oferece um refúgio do ambiente agitado e prioriza o bem-estar do enfermeiro, permitindo um regresso às tarefas com a mente clara e concentração aprimorada, o que apoia a prestação de cuidados de qualidade.

Como o Projeto Aconteceu: A Abordagem Melhoria da Qualidade

Este projeto de Melhoria da Qualidade utilizou o ciclo PDCA que representa as quatro etapas do ciclo: Plan (Planejar), Do (Fazer), Check (Verificar) e Act/Adjust (Agir/Ajustar), ideal para testar pequenas mudanças. Os dados foram recolhidos e analisados para determinar o progresso e informar modificações.

O projeto foi implementado num hospital reconhecido pelo seu compromisso com a excelência nos cuidados de saúde e a governança partilhada. Uma sala de consulta privada, perto da sala de descanso da unidade de cuidados intermédios, foi convertida num espaço tranquilo. Foi projetada para ter privacidade e iluminação suave, incluindo uma poltrona reclinável e uma manta. A participação era voluntária, com a garantia de cobertura para os doentes.

Os enfermeiros podiam escolher entre:

  • Aromaterapia: Óleos de lavanda, rosa ou sálvia esclereia. Durante a implementação, a sálvia esclereia, devido ao seu cheiro forte, foi substituída por bolas de algodão com óleo para maior conforto. A lavanda foi a mais utilizada.
  • Massagem: Através de um massajador Shiatsu para pés e pernas. Foi a segunda atividade mais popular.
  • Música: Acedida por códigos QR, com opções como sons de cascata, música para alívio da ansiedade e ondas do oceano. A música foi a menos utilizada em comparação com a aromaterapia e a massagem.
  • Simplesmente relaxar.

Os Resultados: Um Alívio Visível!

O projeto educou 21 enfermeiros sobre o uso da sala e as três atividades de autocuidado. Ao longo de 12 semanas, a sala e as atividades foram utilizadas 28 vezes, embora dados qualitativos indicassem um uso maior sem preenchimento dos inquéritos.

  • Antes da intervenção, 10 enfermeiros completaram um inquérito; após a intervenção, 3 responderam.
  • Após as atividades de autocuidado, os níveis de stress foram reduzidos em 43% (P < 0,05).
  • Os níveis médios de stress caíram de 6,4 para 3,7.

Este projeto confirmou o uso do espaço e a redução dos níveis de stress autorrelatados. Os participantes podiam personalizar a sua experiência combinando as atividades. Os resultados alinham-se com estudos que mediram os efeitos da musicoterapia e aromaterapia. As limitações incluíram o tamanho reduzido da amostra e o facto de a ferramenta de recolha de dados não ter sido formalmente testada quanto à validade e fiabilidade.

Implicações para os Líderes de Enfermagem: Priorizar o Autocuidado

Saber que os líderes de enfermagem são responsáveis pelo ambiente dentro do departamento torna crucial fornecer à equipa de enfermagem acesso a um "kit de ferramentas" de estratégias para lidar com o stress no trabalho. As atividades de autocuidado descritas neste projeto são exemplos de ferramentas úteis. Ao apoiar o envolvimento da equipa de enfermagem em atividades de redução de stress, o líder de enfermagem demonstra um compromisso com a saúde geral da sua equipa. Além disso, apoiar estudantes de pós-graduação durante o processo de QI fortalece a parceria académico-clínica, o que beneficia a formação de novos enfermeiros para a organização.

Este projeto piloto revelou como as atividades de autocuidado, como aromaterapia, massagem e sessões de musicoterapia em espaços tranquilos, podem contribuir para reduzir os níveis de stress autorrelatados dos enfermeiros. Realça a importância de oferecer opções de gestão de stress aos enfermeiros durante o trabalho, mostrando que estas serão utilizadas se disponíveis. Priorizar o autocuidado e criar "refúgios de paz" dentro dos ambientes de saúde pode não só melhorar o bem-estar dos enfermeiros, mas também promover um ambiente de saúde mais solidário e resiliente.

É um passo fundamental para um futuro onde o bem-estar dos nossos enfermeiros é tão prioritário quanto a saúde dos doentes que servem!

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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Fernando Barroso
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Referência Bibliográfica:

Woods, R. A., Baur, K., & Wendler, M. C. (Ano de publicação não especificado na fonte). Quality improvement: Nurse-led unit-based stress management. NURSING. doi:10.1097/nmg.0000000000000247

domingo, 29 de junho de 2025

Aumentar o envolvimento na governança profissional, desde o nível da unidade até o nível do sistema

Olá a todos os profissionais de saúde e interessados na excelência dos cuidados de enfermagem!

Neste artigo, vamos mergulhar numa fascinante jornada de transformação que demonstra como a inovação na gestão pode elevar a prática da enfermagem a novos patamares. O nosso foco será a transição do "shared governance" para o "professional governance" num sistema de saúde com quatro hospitais.

O Desafio de Manter o Envolvimento na Enfermagem

Os benefícios da tomada de decisões partilhada, ou "shared decision-making", na enfermagem são amplamente documentados, levando ao desenvolvimento profissional dos enfermeiros e à melhoria dos resultados para o doente. Este sistema de saúde já testemunhava estes benefícios desde 2007, com o "shared governance" profundamente enraizado na sua cultura. Contudo, no final de 2021, o envolvimento na estrutura de "shared decision-making" da organização diminuiu constantemente, em grande parte devido ao aumento da rotatividade de enfermeiros, um problema exacerbado pela pandemia e pela escassez de profissionais.

Para enfrentar este desafio, foi estabelecido em 2021 um departamento de Nursing Excellence ao nível do sistema, com o objetivo claro de padronizar e fortalecer a "shared decision-making" em todos os hospitais, visando aumentar o envolvimento e a eficiência. Anteriormente, cada hospital operava com as suas próprias estruturas e processos de "shared governance".

A Estratégia: Lean Six Sigma e Análise de Pontos Cruciais

Os primeiros passos da equipa de Nursing Excellence incluíram uma avaliação aprofundada da estrutura atual de "shared governance" e uma síntese da literatura existente. Adotaram o Lean Six Sigma como framework de gestão de projetos para padronizar os processos de tomada de decisão da organização, o que prometia aumentar a eficiência e os resultados. Em janeiro de 2022, uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) foi realizada.

Entre as fraquezas internas identificadas, destacam-se a diminuição de conselhos unitários ativos ("unit-based councils"), a falta de envolvimento dos enfermeiros clínicos, a confusão sobre os papéis e propósitos, a inconsistência do apoio dos enfermeiros gestores e a falta de participação. O impacto da COVID-19 e da escassez de enfermeiros foram notados como ameaças externas.

A Mudança de Paradigma: Do "Shared" ao "Professional Governance"

A síntese da literatura sugeriu que o "professional governance" poderia aprimorar o profissionalismo dos enfermeiros através de um ambiente de trabalho mais envolvente. A equipa percebeu que a simples participação em conselhos não garantia apropriação das decisões. A mudança para o "professional governance" visava concentrar-se na responsabilidade dos enfermeiros de se autogovernarem na prática da enfermagem e no compromisso de melhorar continuamente os cuidados. Esta perspetiva foi o pilar para a transição do modelo.

O sistema definiu o "professional governance" como: "O propósito do Roper St. Francis Healthcare Nursing Professional Governance é envolver enfermeiros clínicos, líderes e colegas interprofissionais na tomada de decisões colaborativa e em iniciativas orientadas para a ação, relacionadas com as obrigações profissionais de competência, conhecimento, qualidade e prática e para o aprimoramento do ambiente de trabalho através do avanço e retenção profissional.". Isto significa um foco acrescido na accountability e na obrigação profissional individual.

Intervenções Chave e a Nova Estrutura de Governança

O plano do projeto priorizou o desenvolvimento e aprimoramento dos "unit-based councils" em 2022, identificados como a maior lacuna. O primeiro passo foi educar os enfermeiros gestores, diretores e CNOs sobre a importância e o papel essencial dos conselhos unitários. Para apoiar estas unidades, foi criado um Unit Council Toolkit, que incluía guias para atividades, papéis e responsabilidades, gestão de reuniões e até dicas para reuniões virtuais. Os gestores de programa de Nursing Excellence também ofereceram apoio individualizado e sessões "drop-in".

Em 7 de dezembro de 2022, o departamento de Nursing Excellence introduziu formalmente a transição para o "professional governance" e revelou o novo modelo e estrutura num workshop de liderança. Em 2023, os conselhos hospitalares e de sistema foram padronizados em todos os quatro hospitais.

A nova estrutura de "professional governance" incluiu conselhos a nível de unidade, hospital e sistema. Os "unit councils" foram movidos para o epicentro do modelo, com o propósito de facilitar a comunicação bidirecional e abordar questões específicas da unidade.

Entre os conselhos ao nível hospitalar, destacam-se: o Quality and Practice Council (aprova mudanças na prática, melhoria da qualidade), o Professional Engagement and Advancement Council (fomenta o crescimento e retenção profissional), o Nursing Excellence Champions Council (promove as normas Magnet/Pathway to Excellence), o Night Shift Council (dá voz aos enfermeiros do turno da noite), e o Leadership Advisory Council (LAC, conselho coordenador do hospital).

Ao nível do sistema, foram estabelecidos: o Quality and Practice Council e o Professional Engagement and Advancement Council (ambos incorporando os conselhos hospitalares correspondentes). Uma grande mudança para aumentar a eficiência foi a decisão de que estes conselhos se reuniriam primeiro como conselho hospitalar e, em seguida, juntar-se-iam virtualmente aos outros conselhos hospitalares para a tomada de decisões ao nível do sistema, evitando a necessidade de ir a quatro conselhos diferentes para aprovações. Outros conselhos de sistema incluem o Clinical and Research Excellence Council (CARE, promove excelência clínica, pesquisa), o Clinical Informatics Planning and Advisory Council (CIPAC, rever sistemas de informação clínica), e o CNO Council (liderança de enfermagem de alto nível).

Resultados Impressionantes e Impacto Tangível!

Para medir o impacto, utilizou-se a Verran Professional Governance Scale (VPGS), uma pesquisa de 22 itens. Os resultados do pós-intervenção (outubro de 2023, 10 meses após a reestruturação) foram notáveis:

  • Aumento Drástico da Participação: A taxa de participação na pesquisa pós-intervenção aumentou de 17% para 118% em todo o sistema, demonstrando um envolvimento significativamente melhorado dos enfermeiros que prestam cuidados diretos.
  • Melhoria das Perceções: As médias gerais e por subescala do VPGS melhoraram após a intervenção.
  • Resultados Operacionais Concretos:
    • A rotatividade voluntária de RNs (Registered Nurses) diminuiu de 20,29% (final de 2022) para 17,62% (final de 2023).
    • O envolvimento dos RNs na decisão sobre o seu trabalho melhorou de 3,82 em 2022 para 3,93 em 2023.
    • A satisfação geral dos doentes ("likelihood to recommend") melhorou de 76,78% em 2022 para 78,47% em 2023.
    • A taxa de quedas totais por 1.000 dias-doente diminuiu de 1,96 em 2022 para 1,74 em 2023.
    • Houve uma redução em infeções associadas aos cuidados de saúde.
    • As iniciativas lideradas pela enfermagem através desta estrutura geraram uma poupança de custos potencial de aproximadamente $1.5 milhões em 2023.

Os conselhos também implementaram iniciativas de sucesso, como a revisão e aprovação de 19 mudanças na prática de enfermagem, a criação de uma força-tarefa para o Bedside Shift Report (BSR) que melhorou a experiência do doente, e uma iniciativa de avaliação da pele "four eyes" que reduziu lesões por pressão. O Night Shift Council implementou uma chamada de segurança noturna que diminuiu incidentes de violência e uma iniciativa "quiet at night" que melhorou a experiência do doente.

O Papel Indispensável da Liderança de Enfermagem

A liderança de enfermagem é fundamental para o sucesso da "shared decision-making". O seu papel em fornecer recursos, tempo e apoio é crucial. É vital que os enfermeiros gestores acreditem firmemente na importância do "professional governance" e garantam que o envolvimento seja visto como uma expectativa para os enfermeiros, e não apenas uma obrigação. O fato de o CNO (Chief Nursing Officer) facilitar o Leadership Advisory Council é um sinal claro de que a organização valoriza o "professional governance".

Um Sucesso Contínuo e em Evolução!

Este projeto de melhoria de desempenho demonstrou claramente que organizações com uma estrutura de governação madura podem fazer a transição bem-sucedida do "shared" para o "professional governance", resultando num maior envolvimento dos enfermeiros clínicos em todos os níveis (unidade, hospital e sistema) e numa tomada de decisão mais eficiente dos conselhos. O modelo e os processos de "professional governance" são continuamente revistos, com a adição de novos conselhos, como o Nurse Manager Council e o Clinical Specialist Council em 2024, atendendo a pedidos dos próprios enfermeiros.

Espero que este resumo tenha sido útil para entender a importância e o impacto do "professional governance" na enfermagem! É uma prova de que a colaboração e a responsabilidade individual podem realmente transformar os cuidados de saúde.


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Referência Bibliográfica:

Lott, T. F., & Partridge, A. (2025). Increasing engagement in professional governance from the unit to system level. Publicado por Wolters Kluwer Health, Inc. DOI: 10.1097/nmg.0000000000000245.

domingo, 4 de maio de 2025

10 Sinais de que você Não está preparado para Liderar

 

10 Sinais de que você Não está preparado para Liderar

(e o que fazer em vez disso)

1. Você agrada às pessoas para evitar tensões

O que fazer: Comece a estabelecer limites e a tomar decisões firmes, mesmo que elas são impopulares.


2. Você evita conversas difíceis

O que fazer: Pratique a comunicação direta. A honestidade respeitosa é sempre melhor do que o silêncio.


3. Você transfere a culpa quando as coisas dão errado

O que fazer: Assuma o erro. Partilhe a lição. Ser um exemplo de responsabilidade.


4. Você faz “microgestão” com tudo

O que fazer: Delegue. Deixe que a sua equipa assuma a responsabilidade e cresça, mesmo que no início seja complicado.


5. Perde a calma sob pressão

O que fazer: A disciplina emocional é a moeda da liderança. Aprenda a regular, não a reagir.


6. Diz uma coisa e faz outra

O que fazer: Alinhe as suas ações com as suas palavras. A confiança constrói-se nos intervalos.


7. Ignora o feedback

O que fazer: Convide a crítica. Os grandes líderes são estudantes antes de serem mestres.


8. Deixou de aprender

O que fazer: Mantenha-se curioso. Leia, ouça, faça perguntas. A estagnação mata a liderança.


9. Persegue títulos, não confiança

O que fazer: Concentre-se no serviço, não no estatuto. A influência ganha-se, não se dá.

 

10. Você espera pelo “momento perfeito”

O que fazer: Faça a chamada. Assume o risco. A liderança é uma tendência para a ação.


Lembre-se:

A liderança é conquistada nos momentos difíceis, não nos fáceis.

Ninguém está pronto no início.

Mas aqueles que enfrentam as verdades brutais? 

Eles crescem. Eles elevam-se. Lideram.

Fonte: Luke Tobin

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quinta-feira, 24 de abril de 2025

Gerir com Qualidade em Saúde. Um livro indispensável

 

Gerir com Qualidade em Saúde, de Manuela Frederico e Fernando Sousa

Adorei este livro e a forma simples do seu texto. 

O Conteúdo de cada capitulo está muito bem escrito e é de uma enorme clareza. Vou usá-lo muitas vezes no futuro como referência. 

Considero que é um livro indispensável para qualquer gestor na área da saúde, em especial para os Enfermeiros Gestores.

Faz um favor a ti próprio. Compra este livro https://www.wook.pt/livro/gerir-com-qualidade-em-saude-manuela-frederico/26989718?a_aid=4e731cba3ee3f


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domingo, 20 de abril de 2025

Erros cometidos pelo Avaliador na avaliação SIADAP

"Tendo presente todos os aspetos éticos ligados à avaliação de desempenho, o avaliador deve estar atento a alguns erros que pode cometer no decorrer do processo de avaliação, nomeadamente:

O efeito de halo (tendência em estender uma avaliação positiva ou negativa de um colaborador para todos os itens da avaliação, sem fazer uma análise adequada de cada um dos fatores, isto é, se o colaborador é bom numa função, automaticamente é bom nas demais);

O efeito de tendência central, que consiste na atribuição, por parte do avaliador, de notas muito altas para não prejudicar o avaliado ou evitar notas muito baixas, para não ter de as justificar;

O erro da primeira impressão, ou seja, "a primeira impressão é a que fica". O avaliador não pode recorrer a avaliações passadas, mas sim centrar-se no presente;

O erro de fadiga/rotina, que ocorre quando o avaliador faz muitas avaliações seguidas e chega a um certo ponto em que já não consegue distinguir os avaliados;

O erro de estereótipo, quando o avaliador estabelece um estereótipo em relação ao desempenho do avaliado e esta situação não se altera, nem com o processo de avaliação de desempenho, mesmo que o desempenho seja superior ou inferior ao estereótipo estabelecido pelo avaliador,

O erro da tendência central, que é um erro de classificação de desempenho, em que todos os colaboradores têm classificação média;

O erro de precisão, quase na oposição do erro da tendência central, em que o avaliador tende a dar aos colaboradores classificações excecionalmente boas ou más;

Erro da profecia autoconfirmatória, em que o avaliador gera expectativas fracas sobre o colaborador desde o início do processo de avaliação, as quais podem traduzir-se num mau desempenho;

Inveja, em que o avaliador sabe que o avaliado é bom, mas a avaliação não o demonstra, pois tem medo de criar um concorrente que ocupe a sua posição na organização."

(Fonte: Fernando Sousa e Maria João Mano. Gerir com Qualidade em Saúde. p210; 2022. LIDEL)

O processo de avaliação SIADAP é tudo menos simples. 

O Avaliador tem uma enorme responsabilidade na credibilização de todo o processo. É fundamental deter um conhecimento profundo de todo o processo e capacitar os avaliados com o máximo de informação, e mesmo assim o avaliador correrá sempre o risco de ser catalogado como "injusto". 

A verdade é que todos - Avaliadores e Avaliados - são co-responsáveis em todo o processo.

Trago aqui este tema porque considero que a "avaliação do desempenho" é também uma ferramenta a utilizar para promover a segurança do doente


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domingo, 2 de fevereiro de 2025

ENTREVISTA PARA FICAR - Análise Qualitativa dos Resultados


 Reconhecendo a importância de conhecer os motivos pelos quais um trabalhador resolve abandonar o seu local de trabalho (Instituição/ Serviço/ Unidade/ Empresa), não deixa de ser também muito importante conhecer os motivos pelos quais esses mesmos trabalhadores podem decidir ficar no seu local de trabalho.

Quando ouço falar em “retenção de talentos” observo normalmente um debate em que gestores de topo e peritos apontam e defendem estratégias para que essa retenção aconteça. No entanto parece-me muito mais interessante conhecer aquilo que os profissionais no terreno verdadeiramente desejam, ouvir, as suas críticas e sugestões e construir com base nelas essas condições de retenção para que o trabalhador deseje ficar e continuar onde está.

Foi com base nesse princípio que, em setembro de 2024 propus aos leitores do blog “Segurança do Doente” o desafio de responderem a uma ENTREVISTA PARA FICAR (podes ler o artigo original aqui).

Foi esse o espírito do questionário proposto, com apenas 4 perguntas e completamente anónimo.

Foram estas as 4 perguntas

1 – O que é que te faz vir trabalhar todos os dias?

2 - O que é que um dia pode quer fazer-te ir embora?

3 – Onde é que achas que a Instituição/Serviço está a fazer alguma coisa errada?

4 – O que é que tu precisas do teu Líder que não está a obter hoje?

 

Análise Qualitativa dos Resultados de uma ENTREVISTA PARA FICAR

O questionário foi disponibilizado através do “google Forms”, entre 15 de setembro e 11 de novembro de 2024. Foram recolhidas 30 respostas.

No início do questionário era referido que “Qualquer referência a nomes de pessoas ou instituições seriam eliminados na fase de tratamento dos dados.

Não foi recolhida qualquer informação que permitisse caracterizar os participantes, no entanto, pelas respostas obtidas percebesse tratar-se maioritariamente de profissionais de saúde, principalmente de enfermeiros.

As perguntas eram abertas e sem qualquer limite ao tamanho das respostas.


Pergunta 1 – O que é que te faz vir trabalhar todos os dias?

A partir da análise das respostas fornecidas, foram identificadas diversas categorias temáticas que explicam as motivações dos participantes para comparecer ao trabalho diariamente. As categorias emergentes são apresentadas a seguir:

1. Satisfação e Vocação Profissional

Várias respostas indicam que os participantes sentem prazer e realização no trabalho, destacando o gosto pela profissão e a paixão pela atividade desempenhada. Exemplos:

  • "O gostar do que faço"
  • "Paixão profissional, poder contribuir para melhorar os cuidados de enfermagem/saúde."
  • "Sinto que o meu trabalho é significativo. Que importa."
  • "O amor pela profissão e o sentido de missão ao cuidar do Outro."
  • "Gosto de comunicar com outros."
  • "O compromisso com os doentes."

2. Motivações Financeiras

O fator econômico também é um elemento central na decisão de trabalhar. Muitos participantes mencionam a necessidade de remuneração para cobrir despesas e manter a estabilidade financeira. Exemplos:

  • "Salário para pagar as responsabilidades financeiras."
  • "Ganhar dinheiro e gostar do que faço."
  • "Ser renumerada pelo meu trabalho."
  • "O salário ao fim do mês."
  • "Obrigatoriedade para ter vencimento."
  • "A necessidade de um salário para fazer face aos encargos financeiros."

3. Impacto e Propósito do Trabalho

Outra categoria emergente diz respeito ao impacto positivo que o trabalho tem sobre os outros, principalmente em profissões ligadas ao cuidado e à saúde. Exemplos:

  • "O potencial que eu crio em melhorar de forma positiva e construtiva dos doentes que cuido."
  • "O serviço que presto aos doentes, é por eles que trabalho e por respeito aos colegas da equipa que ficam sobrecarregados caso eu não compareça."
  • "Adoro cuidar dos recém-nascidos internados na Neonatologia, dos seus pais, saber que posso fazer a diferença, que posso tentar diminuir o trauma e promover a esperança para toda a família!"
  • "O gosto de trabalhar com o doente crítico e saber que faço a diferença em vários aspetos no cuidado."

4. Ambiente de Trabalho e Relações Interpessoais

O contexto social e organizacional no local de trabalho também se destaca como fator motivador. Exemplos:

  • "O bom ambiente de trabalho."
  • "O gosto pelo que faço e o ambiente de trabalho."
  • "Adoro trabalhar em equipa e sentir a adrenalina das situações limite."
  • "Bem como o ambiente agradável com alguns elementos da equipa multidisciplinar."

5. Compromisso e Responsabilidade Profissional

Muitos participantes mencionam a responsabilidade profissional como um fator relevante, o que inclui o compromisso com a instituição, a equipa e os doentes. Exemplos:

  • "Compromisso e a vontade."
  • "Responsabilidade."
  • "O propósito da instituição e a necessidade financeira."
  • "A vontade de querer fazer mais e melhor todos os dias."

6. Desafio e Desenvolvimento Pessoal

Por fim, algumas respostas indicam que o trabalho representa um desafio e uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Exemplos:

  • "O desafio da tarefa em si."
  • "A necessidade de ser produtivo, de ter um motivo para me erguer todos os dias."

 

A análise das respostas mostra que as principais motivações para comparecer ao trabalho diariamente podem ser agrupadas em seis categorias principais:

·         satisfação e vocação profissional,

·         motivações financeiras,

·         impacto e propósito do trabalho,

·         ambiente e relações interpessoais,

·         compromisso e responsabilidade, e

·         desafio e desenvolvimento pessoal.

Embora o fator financeiro seja amplamente citado, a satisfação profissional e o impacto social do trabalho também desempenham um papel crucial na motivação dos trabalhadores.

 

Pergunta 2 - O que é que um dia pode quer fazer-te ir embora?

A análise qualitativa dos dados revelou diferentes dimensões que influenciam a decisão de um profissional deixar o seu emprego. As principais categorias identificadas são:

  1. Remuneração e Benefícios Financeiros
    • "Um salário melhor"
    • "Uma proposta melhor em termos de ordenado, mas com o mesmo horário de trabalho"
    • "Uma proposta económica melhor, a fazer o que adoro e ser melhor paga e valorizada"
    • "O escasso ordenado perante toda responsabilidade que assumo e trabalho que executo"
    • "A recompensa financeira não corresponder ao valor profissional de competências"
  2. Reconhecimento e Valorização Profissional
    • "Falta de reconhecimento pelo meu trabalho"
    • "A não valorização do meu trabalho"
    • "Sentir que não passo de um número mecanográfico e que não me sinto valorizada"
    • "Reconhecimento monetário, de progressão e por parte de superiores hierárquicos"
    • "Falta de reconhecimento, ou o reconhecimento tardio, quando a desmotivação já se instalou"
  3. Desenvolvimento e Crescimento Profissional
    • "Falta de crescimento pessoal"
    • "A estagnação na carreira"
    • "A falta de oportunidade de crescer de acordo com as competências continuamente adquiridas"
    • "Falta de apoio para desenvolver o meu potencial/competências"
    • "Não me desafiarem do ponto de vista profissional; não considerarem a minha perspetiva"
  4. Liderança e Gestão Organizacional
    • "A desvalorização das hierarquias"
    • "A ausência de liderança"
    • "A minha gestora não defendeu os seus enfermeiros"
    • "O mau relacionamento entre os diversos elementos da equipa"
    • "Incompatibilidade com a chefia"
  5. Condições de Trabalho e Qualidade de Vida
    • "Trabalho perto de casa"
    • "A falta de profissionais que sobrecarrega as equipas"
    • "Falta de condições no meu serviço para exercer o meu cargo"
    • "Todo o esforço revela-se infrutífero, e foram esgotadas todas as estratégias"
    • "Exaustão e falta de reconhecimento"
  6. Ética e Cultura Organizacional
    • "Organização desacreditada"
    • "Ilegalidade rácios e protocolos"
    • "Se a minha função estiver de tal forma desalinhada com os objetivos da empresa que torne o meu trabalho sem propósito"
  7. Motivação e Desafios Profissionais
    • "Desmotivação"
    • "Projeto inovador/ novos desafios"
    • "Um projeto diferente e entusiasmante com uma remuneração superior"

Análise e Interpretação

  • A remuneração é um fator crucial, mas não o único. Muitos profissionais indicam que a falta de reconhecimento e valorização pesa tanto quanto um salário mais baixo.
  • A falta de crescimento e estagnação são desmotivadores poderosos. Oportunidades de desenvolvimento são um fator determinante na permanência.
  • A liderança fraca ou tóxica surge como uma causa frequente de insatisfação. A relação com superiores diretos e colegas afeta o bem-estar e a motivação.
  • O excesso de carga de trabalho e condições precárias geram frustração e burnout, o que pode levar os profissionais a abandonar o cargo.
  • Questões éticas e desalinhamento com a cultura organizacional também influenciam a decisão de saída, pois a perda de propósito mina o comprometimento.
  • Os profissionais não saem apenas pelo que está errado, mas também pelo que os motiva positivamente, como novos desafios ou melhores condições noutros locais.

Os dados sugerem que as organizações devem investir não apenas em salários competitivos, mas também em reconhecimento, oportunidades de crescimento, boas práticas de liderança e melhorias nas condições de trabalho. A saída dos profissionais não é causada por um único fator, mas sim por um conjunto de elementos que, quando acumulados, tornam a permanência inviável.


Pergunta 3 – Onde é que achas que a instituição/serviço está a fazer alguma coisa errada?

Aqui está uma análise qualitativa dos dados fornecidos, organizada por categorias emergentes a partir das respostas:

1. Falta de valorização e reconhecimento profissional

  • Grande parte dos respondentes referem a falta de valorização dos profissionais, tanto em termos de reconhecimento institucional quanto de recompensas salariais e progressão na carreira.
  • Exemplos:
    • "Não valoriza os profissionais e vai buscar ao mercado externo outros colaboradores que vão ocupar lugares hierarquicamente superiores."
    • "Falta de reconhecimento do papel desempenhado. A valorização é nula, o incentivo é escasso."
    • "Não valorização de talentos."
    • "Pouco investimento nos profissionais mais qualificados (enfermeiros)."

2. Problemas na gestão de recursos humanos

  • A gestão de pessoal parece ser um ponto crítico, nomeadamente a falta de substituição de profissionais que saem, ausência de um plano estratégico e lideranças problemáticas.
  • Exemplos:
    • "Ao não substituir profissionais que saíram e manter as exigências ao mesmo nível."
    • "Focam-se na capitação de novas pessoas perante o turnover e não numa política de cuidar dos profissionais que estão no serviço."
    • "Na liderança, ausência de plano estratégico."
    • "Na minha Instituição, mantêm-se lideranças tóxicas e as pessoas com mais episódio no canal de denúncia mantêm-se intocáveis."

3. Falta de progressão e incentivos

  • Relatos indicam dificuldades na progressão de carreira, falta de reconhecimento monetário e ausência de incentivos à formação e especialização.
  • Exemplos:
    • "Falta de progressão."
    • "Não valorizar as competências como pós-graduação, mestrados, doutoramento no dia a dia e em concursos."
    • "Falta de formação e regulamentação essencial para uma prática de cuidados segura para o doente."

4. Problemas de comunicação interna e tomada de decisão unilateral

  • O distanciamento entre a gestão e os profissionais operacionais reflete-se em dificuldades na comunicação e na falta de envolvimento dos trabalhadores nas decisões.
  • Exemplos:
    • "Não se dá voz aos mais 'pequenos'."
    • "Está a valorizar as pessoas erradas, mas para conhecermos realmente quem trabalha e qual se importa temos de trabalhar lado a lado e os gestores não o fazem."
    • "Não facilitar aspetos importantes para as pessoas quando não implicam com o funcionamento do serviço (ex. Alteração do período de férias, etc.)."

5. Carga de trabalho excessiva e condições inadequadas

  • A sobrecarga de trabalho e a falta de recursos humanos e materiais são pontos críticos mencionados várias vezes.
  • Exemplos:
    • "Continuamos a trabalhar com mais de metade do horário em turnos extraordinários, que não são bem recompensados."
    • "Rácios inadequados com visão unicamente economicista."
    • "Falta de condições de trabalho."
    • "Falta de recursos humanos e materiais."

6. Cultura organizacional e clima laboral negativo

  • Sentimentos de desmotivação, falta de autonomia e assédio moral foram mencionados, contribuindo para um ambiente de trabalho prejudicial.
  • Exemplos:
    • "Não tenho autonomia. Sinto-me a sufocar. Não há evolução."
    • "Há situações de bullying profissional e assédio moral."
    • "Grande dimensão que pode levar a valorizar coisas e não as pessoas."

Os dados analisados mostram que as principais falhas percebidas na instituição/serviço se relacionam com a falta de valorização profissional, más práticas de gestão de recursos humanos e um ambiente de trabalho desmotivador. A sobrecarga de trabalho e a falta de condições também são apontadas como fatores que prejudicam a qualidade dos serviços prestados. Além disso, há uma lacuna na comunicação entre a gestão e os profissionais, levando a decisões que não refletem as reais necessidades dos trabalhadores.

Para melhorar a situação, seria essencial:

  1. Reforçar políticas de reconhecimento e valorização dos profissionais.
  2. Melhorar a gestão de recursos humanos, incluindo a substituição adequada de profissionais.
  3. Criar mecanismos de progressão e incentivos justos.
  4. Estabelecer canais de comunicação mais eficazes e participativos.
  5. Rever as condições de trabalho e dotação de recursos para evitar a sobrecarga.
  6. Combater práticas de liderança tóxicas e promover um ambiente organizacional mais saudável.

Essa análise pode servir como base para um diagnóstico mais aprofundado e para a implementação de estratégias que promovam um ambiente de trabalho mais justo e motivador.


Pergunta 4 – "O que é que tu precisas do teu Líder que não estás a obter hoje?

A análise qualitativa à pergunta 4 revela seis grandes categorias que resumem as necessidades não atendidas dos colaboradores em relação à liderança.

1. Comunicação e Feedback

  • Falta de clareza sobre objetivos e expectativas.
  • Necessidade de mais proximidade, respostas e escuta ativa.
  • Desejo por mais e melhor comunicação aberta e bidirecional.

Exemplos:

"Mais e melhor comunicação. Não sei o que é preciso fazer para ajudar."

"Objetivos concretos, acompanhamento mais próximo e feedback mais frequente."

"Escuta ativa."

2. Reconhecimento e Valorização Profissional

  • Falta de reconhecimento do esforço e competências.
  • Sentimento de desvalorização, especialmente em relação a progressão na carreira.
  • Perceção de desigualdade no tratamento, especialmente em casos específicos (exemplo: impacto da maternidade).

Exemplos:

"Valorização das atividades realizadas pela equipa."

"Não sinto valorização profissional (não está coerente com o percurso e esforço dedicado)."

"Maior reconhecimento."

3. Gestão e Condições de Trabalho

  • Recursos humanos insuficientes para cumprir objetivos.
  • Sobrecarga de trabalho, levando a levar tarefas para casa.
  • Melhores condições de trabalho, incluindo horários adequados e períodos de descanso.

Exemplos:

"Número de trabalhadores na equipa necessários para cumprir todos os objetivos exigidos pela instituição."

"Não ter que levar trabalho para casa!!!"

"Horários adequados e períodos de descanso que favoreçam o bem-estar do profissional."

4. Liderança Inspiradora e Motivacional

  • Necessidade de uma liderança mais humana, com empatia e solidariedade.
  • Desejo por uma liderança que motive e envolva a equipa.
  • Falta de um líder que seja exemplo e promova um ambiente positivo.

Exemplos:

"Empatia e comunicação."

"Reconhecimento; Presença; Ser um(a) promotor(a) de ambientes da prática de enfermagem positivos."

"Comunicação, empatia, espírito de equipa, motivação para trabalhar melhor, reconhecimento, envolvimento de todas para melhoria contínua dos serviços prestados."

5. Desenvolvimento Profissional e Formação

  • Necessidade de apoio nos estudos e progressão profissional.
  • Exigências de formação sem suporte financeiro ou institucional.
  • Falta de abertura à atualização técnico-científica e discussão de casos.

Exemplos:

"Apoio nos estudos e progressão profissional."

"Formação obrigatória para alguns cuidados que me são exigidos, e que tenho a necessidade e a responsabilidade ética e moral de fazer sem qualquer financiamento."

"Abertura à atualização técnico-científica, não promove trabalho em equipa/discussão de estudos de caso."

6. Autonomia e Participação na Tomada de Decisão

  • Desejo de ter mais autonomia e confiança para desempenhar funções.
  • Falta de envolvimento da equipa na definição de objetivos e estratégias.
  • Resistência da liderança a sugestões de melhoria.

Exemplos:

"Autonomia e confiança nas minhas competências para desempenhar as minhas funções."

"Possibilidade de definição de objetivos comuns (organização-serviço-colaborador), feedback, comunicação, exemplo."

"Planos de trabalho e gestão de tarefas desadequados à realidade atual (não aceita sugestões de melhoria)."

 

Conclusões e Implicações

Os dados sugerem uma lacuna significativa entre as necessidades dos colaboradores e o estilo de liderança atual. A ausência de comunicação eficaz, reconhecimento e suporte tem impacto na motivação e na produtividade da equipa. Além disso, a sobrecarga de trabalho e a falta de autonomia geram insatisfação.

Para um ambiente de trabalho mais positivo e produtivo, os líderes devem:

·         Melhorar a comunicação e o feedback contínuo.

·         Reconhecer e valorizar o esforço e competências dos colaboradores.

·         Garantir melhores condições de trabalho e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

·         Desenvolver uma liderança mais empática e inspiradora.

·         Investir em formação e no desenvolvimento profissional da equipa.

·         Dar mais autonomia e envolvimento na tomada de decisões.

Se estas mudanças forem implementadas, há potencial para uma equipa mais empenhada, produtiva e satisfeita.


Resumo e Sugestões Práticas para a Retenção de Profissionais

A análise das respostas dos profissionais revela que a motivação para a permanência no trabalho está fortemente associada à satisfação profissional, à remuneração, ao impacto do trabalho na sociedade, às relações interpessoais, à responsabilidade e ao desejo de desenvolvimento pessoal. Embora o fator financeiro seja importante, outros elementos como reconhecimento, crescimento profissional e ambiente de trabalho também são determinantes para a retenção de talentos.

Principais Problemas Identificados:

  1. Falta de reconhecimento e valorização: Muitos profissionais sentem que seus esforços não são devidamente reconhecidos, o que impacta negativamente na motivação e no comprometimento.
  2. Falta de crescimento e progressão profissional: A ausência de oportunidades de desenvolvimento e formação leva à estagnação e ao desinteresse.
  3. Liderança fraca ou tóxica: A qualidade da gestão e das relações interpessoais tem um impacto direto no bem-estar dos profissionais.
  4. Sobrecarga de trabalho e condições inadequadas: A escassez de recursos e a alta carga de trabalho aumentam os níveis de stress e burnout.
  5. Falta de alinhamento com a cultura organizacional: Questões éticas e valores desalinhados entre profissionais e gestão levam à desmotivação e à saída voluntária.
  6. Comunicação deficiente entre gestão e equipa: Decisões são tomadas sem levar em conta as necessidades reais dos trabalhadores.

Sugestões Práticas para Melhoria:

  1. Implementar políticas de reconhecimento: Criação de incentivos, elogios públicos e programas de premiação para valorizar os esforços dos profissionais.
  2. Oportunidades de crescimento: Desenvolver planos de carreira, oferecer formação contínua e programas de mentoria para aumentar a retenção.
  3. Reforço na gestão de recursos humanos: Garantir a substituição adequada dos profissionais para evitar sobrecarga e melhorar a distribuição de tarefas.
  4. Melhorar a comunicação organizacional: Criar canais de diálogo eficazes, promover reuniões regulares e incluir os profissionais na tomada de decisões.
  5. Revisão das condições de trabalho: Investir em infraestrutura, reduzir carga horária excessiva e proporcionar um ambiente mais seguro e ergonomicamente adequado.
  6. Desenvolvimento de uma liderança mais eficaz e empática: Formar gestores para adotar uma abordagem mais humana, inspiradora e participativa.
  7. Promover o equilíbrio entre vida profissional e pessoal: Incentivar políticas de flexibilidade laboral e bem-estar dos colaboradores.

A implementação destas melhorias pode transformar a instituição num local de trabalho mais motivador, reduzindo a rotatividade e promovendo um ambiente profissional mais produtivo e satisfatório para todos.

Fernando Barroso, fevereiro de 2025.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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Fernando Barroso
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