sábado, 21 de setembro de 2024
Sugestão - Curso Europeu sobre Segundas Vítimas (em Português)
domingo, 19 de maio de 2024
Como Usar o Notifica - 19/05/2024
Um incidente de SEGURANÇA DO DOENTE que não é notificado “não
existiu”.
É muito importante que todos os incidentes em que estamos
envolvidos, direta ou indiretamente, sejam notificados na plataforma notifica
Sem essa notificação, sem esse conhecimento, a informação
relativa ao incidente, os seus fatores contribuintes, e toda a aprendizagem que
poderia ser feita não vai acontecer.
Notificar é aprender com os erros passados.
Notificar é aumentar a segurança do doente e contribuir para
a qualidade em saúde dos nossos serviços e instituições.
Este é o
link para o notifica. https://notifica.dgs.min-saude.pt/
Copia e cola no desktop do teu PC ou no teu telemóvel. É
muito simples e fácil notificar.
O que achas desta estratégia?
Tens recebido respostas às tuas notificações?
Sabes quem é o GESTOR DE RISCO CLÍNICO da tua instituição?
Deixa os teus comentários abaixo.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
https://fernandobarroso.gumroad.com/
sábado, 3 de fevereiro de 2024
sábado, 16 de dezembro de 2023
O acesso do doente ao sistema de saúde é uma questão de segurança do doente
Esta semana uma cidadã ucraniana dirigiu-se à consulta externa para tentar agendar marcar uma consulta médica, ela tinha pelo menos três questões de saúde que precisava de ver resolvidas
Esta cidadão já está em Portugal há cerca de 2 anos. Ela tem número do SNS mas não consegue acesso ao sistema.
Expliquei-lhe que um utente não pode dirigir-se à consulta externa de um hospital e simplesmente agendar uma consulta.
O acesso às consultas de especialidade no hospital ocorre essencialmente por referência do serviço de urgência ou por referência de um centro de saúde com base num pedido de consulta feito pelo médico de família. Expliquei isso o melhor que consegui.
Ela respondeu de forma muito calma o que já tinha feito até ali.
Explicou que o apoio que tem tido em Portugal tem sido essencialmente conseguido no setor privado.
Explicou que já foi várias vezes ao seu Centro de Saúde mas que atualmente os profissionais - ela não disse quais os profissionais - que num primeiro momento até comunicavam com ela em inglês deixaram de comunicar e simplesmente dizem que não sabem falar inglês.
Esta pessoa estava a ficar desesperada, precisa de medicamentos por causa da sua situação de saúde, precisa de resolver outros assuntos e não consegue acesso ao sistema.
Por mais que eu tentasse pensar numa forma de ajudar, a única coisa que me ocorreu foi dizer-lhe que contactasse a linha de saúde do SNS (808242424).
Há uma opção para as pessoas que só falam inglês e que tentasse para que através daí houvesse a devida referenciação para o sistema com base nas suas necessidades.
Ela ainda me perguntou se poderia ir ao serviço de urgência?
Expliquei que provavelmente caso o fizesse, ser-lhe-ia atribuída uma pulseira com uma cor azul ou verde e mesmo assim correria o risco de quando conseguisse chegar à fala com o médico, deste também dizer que o assunto não era para um serviço de urgência e que teria de dirigir-se ao centro de saúde.
Mesmo sem a resposta que queria, a pessoa simplesmente agradeceu, tomou nota do número para onde deveria ligar e foi embora.
Fiquei a pensar como é que esta pessoa não consegue o acesso que pretende tendo todo o direito de o conseguir.
Somos muito rápidos a dizer que conseguimos falar outras línguas mas depois, na prática, não queremos colocar isso em prática. Existem formas de ultrapassar esta dificuldade quando o doente fala outra língua. Existem sistemas de apoio de tradução que podem e devem ser utilizados.
Mas muito provavelmente O que está por trás desta dificuldade de acesso não é isto
É o nosso julgamento do outro. É nós acharmos que temos um poder que queremos exercer e condicionar aquilo que é a resposta possível.
Decidimos quando não podemos decidir e decidimos errado. Não podemos impedir o acesso se ele é perfeitamente legal - como é este aparentemente o caso.
O facto de se tratar de uma pessoa de outra nacionalidade não nos deve fazer criar barreiras onde elas não devem existir.
Todos aqueles que trabalham na área da saúde percebem perfeitamente que há todos os dias tentativas de "dar volta" ao sistema. Não é isto que está aqui em causa. Trata-se apenas de uma pessoa que quer cuidados de saúde e que tem direito de os receber.
O facto de falar uma outra língua não deve ser impeditivo. É um desafio, é verdade, mas quando estamos a impedir o acesso estamos a impedir a prestação de cuidados de saúde que certamente a pessoa necessita e com isso estamos a pôr a segurança desta pessoa em risco.
Enquanto profissionais de saúde não temos o direito de o fazer. Pelo contrário, temos que fazer tudo para promover a segurança do doente, e isso implica permitir o acesso ao sistema, com maior ou menor dificuldade.
A responsabilidade dos profissionais na área da saúde é cumprir a lei, é cumprir as regras das boas práticas, é atuarmos de forma ética, é sermos atenciosos com os nossos utentes, porque é para isso que ali estamos.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
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domingo, 16 de outubro de 2022
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Uma Série De Falhas: A História De Um Familiar | #SD437
Na primeira reunião do Patient Safety Management Network
(PSMN) de 2022, tivemos o privilégio de ouvir a experiência chocante de um
familiar enlutado, que nos lembrou porque
é importante falar sobre a experiência do Doente e sobre “Segurança do Doente”.
Claire Cox, uma das fundadoras do
PSMN, convidou Susan (nome fictício para proteger a sua confidencialidade) para
compartilhar connosco as causas da morte prematura do seu familiar e a
experiência ruim e vergonhosa quando ela e o seu médico de família começaram a
fazer perguntas. Isso deu início a uma discussão valiosa e perspicaz sobre como
os doentes são atendidos quando as coisas dão errado e sobre a honestidade e a culpa,
envolvimento do doente e da família na tomada de decisões quando os doentes
estão em estado terminal e como precisamos garantir que os sistemas de
notificação de incidentes incorporem boas práticas informadas pela experiência
da vida real dos doentes e profissionais.
A
HISTÓRIA
Dois anos antes do familiar de Susan
morrer, ele realizou exames para uma condição não relacionada que não precisava
de tratamento. Estes exames revelaram,
no entanto, um pequeno tumor que foi registrado e identificado como um alerta
vermelho. O médico que analisou o
exame estava com 16 horas de trabalho no seu turno. Nenhuma ação foi desencadeada
pelo Hospital e nem o doente nem o seu médico foram alertados sobre o tumor e a
necessidade de tratamento imediato. Dezoito
meses depois, o familiar de Susan apresentou sintomas no consultório do seu
médico e foi encaminhado para avaliação urgente. Ele foi diagnosticado com cancro
e um tratamento com quimioterapia e radioterapia foi iniciado, embora tenha
sido posteriormente reconhecido que não
seria possível sobreviver ao tumor e que o doente estava num estado terminal.
O Hospital só percebeu que nenhuma ação tinha sido tomada após o exame
quando os registros médicos do familiar foram solicitados após a sua morte,
cerca de dois anos depois. O processo clinico do doente foi solicitado quando o
médico de família levantou preocupações; o médico não conseguia entender porque
o doente se tinha deteriorado tão rapidamente. Isto foi um verdadeiro choque
para Susan, pois em nenhum momento
durante o intenso tratamento de quimioterapia e radioterapia do seu familiar foi compartilhado com ela que tinha sido
perdida uma oportunidade de diagnosticar e iniciar o tratamento mais cedo.
As
principais preocupações de Susan eram:
• O
diagnóstico incorreto e a falha em agir no primeiro exame. O Hospital
reconheceu que o tumor, se tratado quando foi encontrado pela primeira vez, era
passível de sobrevivência.
• Falha
na honestidade e na partilha de informações. Os clínicos nunca partilharam
com ela os achados do primeiro exame até à investigação, mesmo durante todas as
intervenções e discussões sobre seu prognóstico e tratamento.
• Uma
falha em compartilhar como o seu familiar estava doente. Consequentemente, o
seu familiar não foi informado de que a sua condição era terminal. Foi-lhe,
assim, negado a oportunidade de tomar decisões sobre o seu tratamento. Como a Susan
disse, ele não tinha que suportar o tratamento. Ele poderia ter escolhido viver
os seus meses restantes sem a dor e as consequências da quimioterapia e
radioterapia se soubesse que nunca sobreviveria aos seus tumores.
• A
incapacidade de ouvir os desejos do seu familiar na partilha de informações
e a forma francamente brutal como a sua doença terminal lhe foi comunicada na
presença de uma família jovem e de uma enfermaria repleta de doentes e seus
familiares.
• A
radioterapia foi realizada sem equipamento de proteção deixando o seu familiar
gravemente queimado e quando o seu familiar morreu 10 dias depois e a Susan
perguntou se isso o matou, ela foi informada 'sim'.
• O
processo de investigação foi imperfeito, cheio de garantias que não foram cumpridas,
tais como honrar o compromisso de fornecer informações e apoio a Susan. O
relatório da investigação foi enviado sem aviso prévio pelo correio sem
qualquer explicação e Susan nunca mais teve notícias do investigador. O médico
de família de Susan prestou muito apoio, ajudando-a a interpretar o relatório e
orientando-a sobre as suas opções.
• A
falha em aprender. Um dos principais motivos da Susan em acompanhar o
pedido do seu médico de família dos registros médicos do seu familiar era que
deveria haver aprendizagem pelo erro para evitar danos a outras pessoas. Susan
afirmou vigorosamente que entende perfeitamente que os erros são cometidos, mas
não consegue entender como a equipa não revê regularmente o trabalho do dia,
identificando onde é necessário melhorar e tomar ações informadas sobre isso.
Susan não está convencida de que qualquer aprendizagem tenha sido feita e,
portanto, as mesmas circunstâncias que levaram à morte prematura do seu familiar
podem acontecer novamente. Isso é compreensivelmente muito angustiante
• Uma
falha em usar os recursos de forma eficaz. Ela acredita que o seu familiar,
se tivesse escolha, não concordaria com o tratamento desnecessário. Susan
estava muito consciente dos custos do tratamento, recursos que ela disse que
poderiam ter sido melhor utilizados em outras pessoas, pois não tinham valor
para o seu familiar, pois ele estava num estado terminal (mesmo que isso não
tenha sido compartilhado com a família até depois de sua morte).
Os gestores de risco clinico ficaram
claramente chocados com a história de Susan e a falta de suporte e comunicação
com Susan e o seu familiar. Eles discutiram como os seus papéis são importantes
para garantir que a perceção do doente e
da família seja considerada nas investigações e forneça respostas para as
perguntas que as famílias precisam saber. Discutiram o valor e a importância
do envolvimento dos doentes e familiares e que não deveria ser necessário fazer
denúncias formais; assim que uma
organização estiver ciente de falhas graves, ela deve assumir a liderança da
investigação para descobrir o que está errado, porquê e como evitar que isso
aconteça novamente.
Os gestores de risco clinico refletiram
sobre a experiência de Susan e falaram sobre a melhor forma de compartilhar informações com os familiares,
a sensibilidade e o apoio necessários.
Houve genuína compaixão e tristeza por
Susan e uma enorme expressão de gratidão pela sua coragem em compartilhar a sua
experiência com todos nós. Todos devemos
assumir o compromisso de ouvir, interagir e aprender com os doentes e seus familiares.
Fonte: A series of failures: a relative's story. Publicado pela Patient Safety Learning em 20/01/2022
O Blog: Segurança do Doente completa hoje (04/02/2022) 11 anos de existência.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
A Organização do espaço de trabalho é indispensável à Segurança do Doente | #SD435
Qualquer profissional, ao prestar cuidados num determinado local deve:
- Possuir um conhecimento profundo do espaço físico envolvente e familiarizar-se com todos os equipamentos e materiais;
- Conhecer o mobiliário hospitalar disponível e as suas características;
- Conhecer os equipamentos médicos existentes, a sua forma de funcionamento e quaisquer outras características especificas, quem e como contactar em caso de avaria e qual o plano de manutenção;
- Saber quais os dispositivos médicos existentes (material clínico). As suas quantidades, localização e forma de reposição.
A Equipa que trabalha nesse local deve treinar de forma
recorrente as situações mais complexas que podem ocorrer nesse local de
trabalho específico, antecipando e resolvendo quaisquer dificuldades que consigam identificar.
Devem realizar simulações relacionadas com as
atividades mais complexas, e sempre que adequado, devem realizar reuniões
de Debriefing após qualquer evento (positivo ou negativo) para
recolher a melhor aprendizagem e construir opções para situações futuras.
Todas estas atividades, ajudam a desenvolver a Cultura de Segurança da Equipa, e com isso a prestar cuidados de qualidade e em segurança.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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sexta-feira, 19 de novembro de 2021
O Enfermeiro Gestor influencia a notificação de incidentes de Segurança do Doente? | #SD433
- O Enfermeiro Gestor influencia a notificação de incidentes de Segurança do Doente?
A questão (aqui simplificada) chegou por email. Esta foi a minha resposta:
Definitivamente, o Enfermeiro/a Gestor tem um enorme impacto na cultura de segurança do seu Serviço/Unidade.
Fernando Barroso
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segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Um Abandono na Consulta Externa | #SD426
Hoje, uma doente com mais de 80 anos chegou ao serviço de consulta externa trazida pelos bombeiros. A doente chegou transportada numa cadeira de rodas do lar onde se encontra. Uma cadeira enferrujada, sem apoio de pés, e sem apoio de cabeça.
- “É sempre assim neste lar”,
afirmou.
O Bombeiro dirigiu-se a receção e informou
que ia deixar a senhora na sala de espera.
Foi a Assistente Técnica que impediu
o bombeiro de se ir embora.
- Não se
deixa uma doente incapaz sozinha.
No sistema informático não existia qualquer
consulta prevista para esta doente
Após alguns minutos foi possível descobrir
que a doente tinha afinal agendado para hoje a colheita de sangue para análises
O que fazer?
A doente, aparentemente desorientada,
apenas pedia um apoio para a cabeça e que o leite fosse “fresquinho”. Simplesmente
não sabia onde estava.
Foi dada a indicação ao bombeiro para
levar a senhora de volta ao lar. Sem acompanhante era impossível conseguir que a
doente ficasse na central de colheitas para fazer análises. Sozinha não iria conseguir
e não estava ninguém com ela. Não iria fazer as análises de que provavelmente
muito necessita.
Por muito que os hospitais queiram,
em situações como esta, a segurança do doente começa muito antes do doente chegar
à instituição.
Não consigo entender este jogo do empurra, do horrível "isso não é comigo" ou do "não quero saber, não é minha responsabilidade".
Mas afinal o que é que estamos aqui a fazer?
Sei que muitos dirão que esta história
é comum, até “habitual”
Um dia seremos nós sentados naquela
cadeira.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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sábado, 21 de agosto de 2021
Um Doente Sírio, uma Obra, Comunicação Inadequada e Segurança do Doente
Há coisas que parecem não estar ligadas, mas quando falamos de comunicação percebemos que as ligações existem e que a segurança do doente pode ser colocada em causa.
1 Caso
Por estes dias foi atendido na consulta um
doente sírio. Uma criança acompanhada pelo seu pai. Estas pessoas apenas falam
árabe. Uma família Síria, refugiada em Portugal, que só fala a sua língua de
origem, e que tem um filho com um problema de saúde complexo.
Como profissionais de saúde temos a
obrigação de fazer um esforço acrescido para compreender estas situações
particulares.
De nada serve entrar em conflito, falar em português de forma acelerada, gesticular. É tudo o que não se deve fazer.
Pelo contrário, com calma, utilizando um tradutor online, frases curtas, e empatia, foi possível ultrapassar o desentendimento e programar uma nova consulta para decisão terapêutica. Até lá vamos conseguir ter presente um tradutor que nos vai ajudar a comunicar melhor com a família
Para quem não sabe, existe um serviço de
tradução que pode ser solicitado. Trata-se
da Linha de Tradução Telefónica do ACM (Alto Comissariado para as Migrações).
Deixo o link para obteres mais
informações: https://www.acm.gov.pt/pt/-/servico-de-traducao-telefonica
2 Caso
Esta semana foi necessário dar
continuidade é uma obra. Quem já teve obras num serviço com este a decorrer
sabe como isso pode ser stressante.
O Empreiteiro pediu para, num dia
específico, poder entrar no serviço às 7h00m (antes da hora de abertura normal).
A portaria e o Serviço de Segurança foram informados.
Mas no dia previsto, à hora prevista, ninguém
foi abrir a porta do serviço para que os trabalhadores pudessem entrar e assim executar
mais uma parte importante da obra em curso, sem a presença de doentes.
Como acabaram por entrar mais tarde, os
trabalhos prolongaram-se para além da hora prevista para a chegada dos primeiros
doentes. Apenas com a boa vontade de todos foi possível prestar cuidados em
segurança, ao mesmo tempo que uma obra importante avança.
A comunicação prévia foi feita, no entanto
ela falhou, não ouve proatividade de quem estava presente à 7h, e poucos
perceberam que uma obra que aparentemente nada tem a ver com a prestação de
cuidados pode afinal influenciar e muito a segurança dos doentes.
Estes são apenas dois exemplos de como uma comunicação inadequada interfere
de forma importante na segurança do doente.
A forma e o meio que utilizamos para comunicar, podem ser interpretados de múltiplas formas pelo recetor da mensagem. Assim, esclarecer e pedir confirmação da mensagem nunca é demais.
Também fica evidente que a cultura de segurança de todos os
envolvidos está longe de ser a ideal.
Num serviço de saúde todas as
atividades têm direta ou indiretamente, impacto na prestação de cuidados
e por isso são importantes para a segurança do doente, dos profissionais, e
da própria instituição.
Se esta realidade não é percebida por
todos, isso acaba por colocar em risco todo um trabalho de planeamento e de
gestão do risco.
É preciso empenho, formação e mais e melhor comunicação entre todos. É importante que todos saibam a importância das suas ações para a cultura de segurança da instituição e o seu impacto na segurança do doente.
No final é sempre o doente que sofre as
consequências.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
domingo, 25 de julho de 2021
A Penalização de Enfermeiros por falhas na Segurança do Doente | #SD421
Foram duas as notícias (uma nos EUA e outra em Portugal) que esta semana me chamaram a atenção
sobre a forma como um enfermeiro(a) pode
ser penalizado quando ocorrem falhas
na segurança do doente.
A primeira notícia chega dos EUA e tinha como titulo: Enfermeira da Califórnia entrega licença após morte do doente.
A peça informativa referia que “Uma enfermeira registrada na Califórnia foi condenada a entregar a sua licença de enfermagem após se ter confessado culpada em 14 de julho de abuso de idosos (…).
Emily Beth Jones, 40, cuidadora da Vitas Healthcare, sediada em Miami, estava responsável por um residente
numa casa de repouso com sede em Riverside, Califórnia, em 2017. Ela
supostamente não registrou a descoberta
de uma úlcera aberta numa residente de 69 anos.
A úlcera agravou-se o que obrigou a residente a uma cirurgia de emergência no pé direito, que, entretanto, tinha ficado infetado e gangrenado. Após a cirurgia, a saúde da residente continuou a piorar e ela acabou por morrer.
Os privilégios de enfermeira da Sra. Jones foram suspensos em 12 de junho de 2020, de acordo com o conselho estadual de enfermagem.
A Sra. Jones admitiu a acusação de crime e foi condenada a
24 meses de liberdade condicional. A Sra. Jones também deve cumprir 90 dias num
programa de trabalho comunitário e entregar a sua licença de enfermagem até 16
de agosto. Ela também será condenada a pagar uma indeminização à família da
vitima (a noticia original aqui).
A segunda notícia é nacional (Leiria) e tinha como título: Pena de multa para profissional de enfermagem do hospital de Leiria após morte de utente
A notícia refere que o “Caso remonta a maio de 2020 quando um utente esperou mais de seis horas para ser atendido no Serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André, em Leiria.
Um profissional de enfermagem do hospital de Leiria viu-lhe ser aplicada uma pena de multa na sequência de um processo disciplinar após a morte de um utente nas urgências daquela unidade de saúde, divulgou o Centro Hospitalar de Leiria.
A morte ocorreu em 28 de maio de 2020, alegadamente depois de o utente, de 42 anos, ter esperado seis horas para ser atendido no Serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André, em Leiria, que integra o Centro Hospitalar de Leiria (CHL).
(…), o CHL refere que o seu Conselho de Administração instaurou um processo de inquérito onde concluiu “pela existência de prova indiciária no sentido da eventual responsabilização, designadamente disciplinar, de dois profissionais de saúde intervenientes na assistência ao utente (Um profissional de Enfermagem e um profissional médico)”.
Na sequência desta morte, e após comunicação do Hospital de
Santo André, o Ministério Público
abriu um inquérito, em 28 de maio de 2020, que investiga “factos suscetíveis de
configurar, em abstrato, a prática de um crime
de homicídio por negligência” (a notícia original aqui).
PARA REFLETIR
Nestes dois casos fica claro que a forma como prestamos cuidados aos doentes é (e bem) cada vez mais objeto de escrutínio), mas mais importante ainda, devem servir para nos fazer refletir (profissionais de primeira linha e Gestores) sobre a forma como nos organizamos para garantir a segurança do doente e dos profissionais.
- Como monitorizamos a integridade da pele e valorizamos a identificação precoce de ulceras por pressão?
- Como aplicamos os protocolos de triagem, a retriagem e a comunicação entre diferentes profissionais?
Em ambos os casos, muito mais haverá certamente por detrás de cada uma destas notícias. Muito se pode debater e tentar justificar. Mas no final, dois doentes sofreram o dano maior – a morte- e muito provavelmente algo poderia ter sido feito para que tal fosse evitado.
A Segurança do doente
não é um conceito abstrato. É um conjunto de medidas reais, adaptadas a
cada contexto para proteção do doente e dos profissionais de saúde.
Fechar os olhos a esta realidade será campo fértil para os
tribunais e para o dano de mais doentes.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Fadiga do Alarme | #SD409
A “fadiga do alarme”, que pode levar à dessensibilização e
ameaçar a segurança do doente, é particularmente preocupante em ambientes de cuidados
intensivos.
Esta revisão sistemática concluiu que a “fadiga do alarme”
pode ter consequências graves para os doentes e para a equipa de enfermagem.
Os estudos incluídos relataram que os enfermeiros
consideraram os alarmes pesados, muito frequentes, interferindo no cuidado prestado ao doente e resultando em desconfiança no sistema de alarme.
Essas descobertas apontam para a necessidade de uma estratégia para gestão de alarmes e medição da fadiga do alarme.
Artigo original - Impact of Alarm Fatigue on the Work of Nurses in an Intensive Care Environment—A Systematic Review
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
Webinar: Abordagem à Segunda Vítima de Evento Adverso | #SD403
Fernando Barroso
domingo, 6 de dezembro de 2020
A Influência do Enfermeiro Gestor na Segurança do Doente | #SD402
Participei recentemente num webinar dirigido a alunos de uma pós-graduação em Gestão de Serviços de Saúde, tendo por base a temática da Segurança do Doente. Para além dos aspetos básicos do papel do Enfermeiro Gestor na garantia da Segurança dos Doentes e dos Profissionais, entendi ser fundamental explorar alguns princípios que um Enfermeiro Gestor deve considerar, quer no momento atual de prestação de cuidados a Doentes COVID, quer ao longo do seu percurso como gestor.
Considero que além das necessárias capacidades de gestão de recursos
humanos e materiais, compete ao
Enfermeiro Gestor contribuir para uma comunicação
efetiva dentro da sua equipa.
Podia ter referido muitos outros aspetos, mas foram estes os
4 princípios para os quais chamei a
atenção:
O Enfermeiro Gestor
deve partilhar o máximo de informação possível;
Apenas com uma partilha adequada do fluxo de informação será
possível fazer crescer nos elementos da equipa um sentimento de inclusão e de
partilha da “verdade” a cada momento.
O momento adequado para partilha a informação também é importante. Isso pode
fazer a diferença entre a angustia ou a motivação.
O Enfermeiro Gestor
deve interpretar os sinais da equipa;
Há momentos no dia-a-dia de uma equipa em que a tensão é tão
evidente como um nevoeiro espeço numa manhã de inverno. Compete ao Enfermeiro
gestor intervir para desanuviar essa tenção. Seja através de um maior apoio
pontual, seja através de palavras de incentivo, mas mais importante, através da
sua presença, empatia e liderança.
Mas também existem momentos em que a equipa (ou algum dos
seus elementos) apenas quer ser deixada em paz. Há que saber discernir.
O Enfermeiro Gestor
deve encontrar válvulas de escape para a pressão:
Considero que nos dias que vivemos, há poucas ferramentas
para um enfermeiro gestor mimar a sua
equipa (e uso a palavra no sentido literal de “tratar com mimo, acarinhar”).
Mas os Enfermeiros estão cansados de falsas promessas, pelo que as opções já
não são muitas. Mas restam algumas:
O enfermeiro gestor tem de fazer uma gestão do horário da sua equipa com justiça e equidade, respeitando
a lei em vigor. Todos os enfermeiros, quando recebem o seu horário de trabalho,
avaliam “aquilo que lhes calhou”, mas também o que foi dado aos outros
colegas. A comparação está sempre presente.
O enfermeiro gestor tem de saber identificar e gerir os conflitos internos da equipa. Tal como
um arbitro num campo de futebol, se não existir uma intervenção adequada, o
jogo pode tornar-se muito feio, e todos ficam a perder.
O enfermeiro gestor tem de conversar para entender; como Enfermeiro Gestor sou bombardeado com informação a todo o momento. Mas como diz o ditado, “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. É competência do Enfermeiro Gestor saber ouvir e conversar para entender a posição de todas as partes envolvidas. Nem sempre essa é uma possibilidade real, mas não devemos decidir sem pelo menos tentar obter o máximo de informação possível de todas as partes envolvidas. Só assim seremos justos na decisão.
O Enfermeiro Gestor
deve ser um exemplo, dia após dia.
De pouco serve pedir a alguém que faça aquilo que eu não
estou disposto a fazer.
Se algum elemento da equipa chega frequentemente atrasado à
passagem de turno, mas o Enfermeiro Gestor também lá não está, que mensagem
estamos a transmitir?
Se eu passo o tempo fora do serviço ou no café, que legitimidade
tenho para pedir mais presença e empenho da minha equipa.
O exemplo é a melhor
ferramenta que um Gestor pode usar para formatar a sua equipa para um
desempenho de excelência.
Dificilmente um Enfermeiro Gestor pode ser excelente se a sua
equipa não o acompanhar. Estamos ligados uns aos
outros.
Fernando Barroso






