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sábado, 15 de dezembro de 2018

Prevenir e Controlar as Infeções e as Resistências aos Antimicrobianos | PNSD-15-20 | (#SD328)


Prevenir e Controlar as Infeções e as Resistências aos Antimicrobianos é o 9º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
METAS PARA O 4º OBJECTIVO
ACÇÕES A DESENVOLVER
ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) dificultam o tratamento adequado do doente e são causa de significativa morbilidade e mortalidade, bem como de consumo acrescido de recursos hospitalares e comunitários. No entanto, cerca de um terço são, seguramente, evitáveis.

O controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde está associado à prevenção da resistência aos antimicrobianos. (…). Contudo, o seu uso maciço, e frequentemente inadequado, promoveu a emergência e seleção de bactérias resistentes e multirresistentes, (…).
É crescente, a nível mundial, a resistência aos antimicrobianos, existindo bactérias apenas suscetíveis a poucos antibióticos e, como tal, causadoras de infeções de tratamento extremamente difícil.

Assim, o antibiótico, essencial para a realização, em segurança, de muitas intervenções e processos de saúde e determinante do aumento da esperança de vida verificado na segunda metade do século XX, passou a estar ameaçado de perda de eficácia. Há que reduzir a pressão antibiótica, prevenindo todas as infeções evitáveis, não usando antibióticos quando não existe infeção bacteriana e reduzindo a duração da terapêutica ao mínimo indispensável para curar a infeção e evitar a recidiva.  
(…)

Portugal apresenta (…) consumo excessivo de quinolonas na comunidade, um elevado consumo hospitalar de carbapenemes, uma excessiva duração da profilaxia antibiótica cirúrgica e, provavelmente, uma excessiva prescrição e duração de terapêutica antimicrobiana.

A taxa de infeção hospitalar em Portugal é mais elevada do que a média europeia e há infeções do local cirúrgico, como a cesariana e a infeção do local cirúrgico associada a cirurgia da vesícula biliar que apresentam tendência crescente. 
(…)

A adesão dos hospitais portugueses à vigilância epidemiológica de IACS é ainda pouco significativa, sobretudo em termos de vigilância de infeção do local cirúrgico.

Na realidade, controlo de infeção e prevenção de resistências aos antimicrobianos são duas faces da mesma moeda, (…) Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos, conforme Despacho do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde n.º 2902/2013, de 22 de fevereiro.

Os objetivos gerais deste Programa prioritário são a redução da taxa de infeção associada aos cuidados de saúde, a promoção do uso correto de antimicrobianos e a diminuição da taxa de microrganismos com resistência a antimicrobianos, (…)


METAS PARA O 9º OBJECTIVO

1) Atingir uma taxa de prevalência de infeção hospitalar de 8%.
2) Reduzir em 50% face a 2014, o consumo de antimicrobianos.
3) Atingir uma taxa de MRSA de 20%.
4) Reduzir em 50% face a 2014, o consumo de carbapenemes.
5) Reduzir em 50% face a 2014, o consumo de quinolonas


ACÇÕES A DESENVOLVER (pelas Instituições prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde e com ele convencionado)
  • Monitorizar as infeções associadas a cuidados de saúde, o consumo de antibióticos em ambulatório e em meio hospitalar e a resistência a antibióticos
  •  Reportar anualmente à Direção-Geral da Saúde os resultados das monitorizações realizadas.

ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

Não haverá alterações sem uma consciência global de todos os envolvidos nas estratégias há muito conhecidas. A roda já foi inventada. É só aplicar:
  • Cumprir com as recomendações básicas de controlo de infecção;
  • Garantir práticas adequadas de isolamento;
  • Formar os Profissionais e educar Doentes e Famílias.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

domingo, 9 de dezembro de 2018

Assegurar a prática sistemática de Notificação, Análise e Prevenção de Incidentes | PNSD-15-20 | (#SD327)


Assegurar a prática sistemática de Notificação, Análise e Prevenção de Incidentes é o 8º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
METAS PARA O 4º OBJECTIVO
ACÇÕES A DESENVOLVER
ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
A OMS e a Comissão Europeia recomendam (…) o desenvolvimento de sistemas de notificação de incidentes de segurança, independentes dos sistemas de reclamações e ou disciplinares, que promovam a aprendizagem com o erro e a consequente implementação de ações de melhoria.

Recomendam, ainda, que seja garantida a confidencialidade ao notificador e o anonimato da informação notificada e reportada.

A notificação de incidentes (…) é considerada (…) uma das ferramentas para identificar os riscos, perigos e vulnerabilidades de uma organização, sendo a que melhor possibilita a partilha de aprendizagens com o erro.
(…)

A subnotificação de incidentes de segurança é uma realidade internacional, sendo, portanto, necessário melhorar, (…) o nível da cultura de notificação e de aprendizagem com o erro.
(…)

O sistema de notificação de incidentes de segurança é designado, atualmente, por “notific@” (mais sobre o notific@ aqui) (…)

O apoio à notificação por parte dos dirigentes das instituições prestadoras de cuidados de saúde, reforçando o propósito da aprendizagem organizacional com os incidentes em detrimento da identificação da autoria desses incidentes, é fundamental para aumentar a segurança dos doentes.
Só assim cada instituição pode desenhar um plano interno dos riscos clínicos e não clínicos existentes que permita implementar medidas preventivas de ocorrência de incidentes de segurança.

Do mesmo modo, é fundamental que seja dada informação de retorno ao notificador sobre a análise da notificação realizada e a descrição da implementação das respetivas medidas corretoras levadas a cabo, para que a causa que motivou o incidente não se volte a repetir. Estas medidas, por uma questão de transparência e de aumento de confiança nos serviços de saúde, devem ter visibilidade pública.

META PARA O 8º OBJECTIVO
  • Aumentar, em 20%/ano, o n.º de notificação de incidentes de segurança no notific@.

ACÇÕES A DESENVOLVER (pelas Instituições prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde e com ele convencionado)
  • Promover a adesão dos profissionais à notificação de incidentes no Notific@.
  • Analisar as causas dos incidentes.
  • Implementar medidas preventivas de recorrência de incidentes.
  • Auditar, semestralmente, as práticas realizadas na análise de incidentes.

ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

Um incidente não notificado “não existe”!
A principal recomendação que posso fazer é a constituição de um grupo/comissão para análise dos incidentes da instituição, sempre numa perspetiva de aprendizagem e de melhoria da Segurança do Doente.

Sem este estrutura, não é possível implementar com sucesso uma “prática sistemática de Notificação, Análise e Prevenção de Incidentes”

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Prevenir a ocorrência de Úlceras por Pressão| PNSD-15-20 | (#SD326)


Prevenir a ocorrência de Úlceras por Pressão é o 7º objectivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
METAS PARA O 4º OBJECTIVO
ACÇÕES A DESENVOLVER
ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
As úlceras de pressão são um problema de saúde pública mundial e um indicador da qualidade dos cuidados prestados.

As úlceras de pressão, em particular, e as feridas crónicas, em geral, causam sofrimento, aumentam a prevalência de infecções, diminuem a qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores podendo, em situações extremas, levar à morte.
(…)
As úlceras de pressão podem ocorrer não só em doentes geriátricos, mas em todos os doentes com algum ou todos os factores de risco associados.

Estes fatores (…) de risco associados são:
  • imobilidade, frequentemente associada à permanência numa (…);
  • estado nutricional,
  • integridade da pele,
  • idade
  • nível de oxigenação do sangue.


Uma úlcera de pressão pode começar a desenvolver-se em qualquer contexto assistencial, incluindo num bloco operatório ou numa unidade de cuidados intensivos.

Apesar da evidência internacional indicar que cerca de 95% das úlceras de pressão são evitáveis através da identificação precoce do grau de risco, é reconhecido que a utilização dessas práticas não é sistemática nas unidades prestadoras de cuidados de saúde.

De acordo com o International Pressure Ulcer Prevalence Survey (…)2011,
um em cada dez doentes em hospital de agudos desenvolve uma úlcera de pressão. Em unidades de cuidados continuados, o risco aumenta para cerca de um em cada quatro doentes.
  • (…) a taxa de prevalência global de úlceras de pressão foi de 10,8%
  • (…) a taxa de prevalência de úlceras associadas aos cuidados de saúde hospitalares foi de 4,5%.
  • Em unidades de cuidados continuados a taxa de prevalência foi de 8,4%.
  • (…) em doentes com idade igual ou superior a 80 anos de idade, a taxa de prevalência de úlceras adquiridas em hospital ascendeu a 7,3%
  • (…) nos doentes com idade igual ou superior a 90 anos, ascendeu para 9,6%.

A prevenção de úlceras de pressão é um desafio organizacional, pois requer uma abordagem interdisciplinar e adaptada ao risco específico de cada doente, sendo, também, necessário existir uma cultura organizacional que promova o trabalho em equipa e a comunicação eficaz.

(…) as instituições (…) devem ter
  • sistemas e estruturas de governação para a prevenção e a gestão de úlceras de pressão,
  • (…) a implementação de procedimentos e protocolos baseados na melhor evidência (…) avaliação do risco e
  • sistemas de notificação para identificar, investigar e atuar com prontidão para reduzir a frequência e a severidade das úlceras de pressão.

As instituições devem (…)
  • implementar planos de gestão do tratamento da úlcera de pressão
  • e de comunicação/educação ao doente e ao cuidador.

A identificação de fatores de risco deve realizar-se utilizando um dos instrumentos de avaliação recomendados (…) como é o caso (…) da escala de Braden e da escala de Norton. (…)

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde emitiu, em 2011, orientações sobre a avaliação do risco de desenvolvimento de úlcera de pressão nos doentes, em todos os contextos assistênciais (…).

É necessário que as instituições realizem, de forma sistemática;
  • a avaliação do risco,
  • a prevenção e o
  • tratamento das úlceras de pressão(…)
  • e que realizem auditorias internas para assegurar a melhoria contínua destas práticas. (…)

META PARA O 7º OBJECTIVO
  • 95% das instituições prestadoras de cuidados de saúde implementaram práticas para avaliar, prevenir e tratar úlceras de pressão.
  • Reduzir em 50% face a 2014 o número de úlceras de pressão adquiridas nas instituições do Serviço Nacional de Saúde ou com ele convencionado. 

ACÇÕES A DESENVOLVER (pelas Instituições prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde e com ele convencionado)
  • Implementar práticas para avaliar, prevenir e tratar úlceras de pressão;
  • Auditar, semestralmente, as práticas para a avaliação, prevenção e tratamento de úlceras de pressão.

ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR
Provavelmente a medida com maior impacto numa instituição de saúde seja a Criação de um Grupo/Comissão cujo foco especifico seja a prevenção e tratamento das Feridas e Úlceras por pressão
A este Grupo/Comissão competirá:
  • definir as melhores estratégias institucionais,
  • desenvolver normas e procedimentos internos,
  • Liderar a formação interna,
  • funcionar como consultores, e
  • auditar as boas práticas.

Apenas com uma estratégia transversal, que promova o conhecimento efectivo dos profissionais cuidadores será possível diminuir as taxas de incidência de úlceras por pressão nas instituições.

Para saber mais, podes ainda fazer o download do Guia de Consulta Rápida - Prevenção e Tratamento de Úlceraspor Pressão do National Pressure Ulcer Advisory Panel, European Pressure Ulcer Advisory Panel and Pan Pacific Pressure Injury Alliance. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers: Quick Reference Guide. Emily Haesler (Ed.). Cambridge Media: Osborne Park, Western Australia; 2014.

Aqui no blog também encontras mais informação sobre Úlceras por Pressão



Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

domingo, 25 de novembro de 2018

Prevenir a ocorrência de quedas| PNSD-15-20 | (#SD325)


Prevenir a ocorrência de quedas é o 6º objectivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
METAS PARA O 4º OBJECTIVO
ACÇÕES A DESENVOLVER
ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
As quedas ocorrem devido à perda de equilíbrio ou à incapacidade em recuperá-lo. Ocorrem em todas as faixas etárias, contudo, é na população mais idosa que a prevalência do risco de queda e os danos daí resultantes têm sido maiores.
As quedas estão na origem de uma significativa morbilidade ou mortalidade, sendo uma das principais causas de internamento hospitalar. (…)

A literatura internacional refere que as quedas são a causa subjacente de cerca de 10 a 15% de todos os episódios que acorrem aos serviços de urgência.(…)

Estima-se, ainda, que a estadia hospitalar varie entre quatro a 15 dias e que cerca de 20% da população idosa com fratura da anca provocada por uma queda, morra após um ano.

domingo, 28 de outubro de 2018

Assegurar a Identificação Inequívoca dos Doentes| PNSD-15-20 | (#SD320)


Assegurar a Identificação Inequívoca dos Doentes é o 5º objectivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
  • O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
  • METAS PARA O 4º OBJECTIVO
  • ACÇÕES A DESENVOLVER
  • ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
O elevado número de doentes e de profissionais da saúde envolvidos na prestação de cuidados de saúde e a necessidade de resposta imediata às situações agudas ou de crise, como as de urgência ou emergência, potenciam a probabilidade de ocorrência de incidentes relacionados com a identificação dos doentes.

(…) a identificação incorrecta do doente pode resultar na troca de tratamentos invasivos ou potencialmente perigosos, como são exemplos a troca de medicação, de transfusões de sangue, de análises clínicas e de intervenções cirúrgicas.

(…) nos serviços prestadores de cuidados de saúde, a identidade dos doentes deve ser sempre confirmada através de dados fidedignos, como é o caso do nome, da data de nascimento e do número único de processo clínico na instituição, sendo prática segura o recurso a, pelo menos, dois destes dados. O número do quarto ou da cama de um doente internado não pode ser considerado um dado de identificação fidedigno.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Apresentação Congresso APEGEL - O Enfermeiro Gestor e Segurança (#SD319)

Esta foi a minha apresentação ao 8º Congresso Internacional da APEGEL, que decorreu de 18 a 20 de Outubro de 2018 no Funchal, Madeira.
Espero que gostes.


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente

sábado, 13 de outubro de 2018

10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE | Facto nº 7 | (#SD315)


10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE 
10 facts on patient safety 
Actualizado pela OMS em Março de 2018
 Facto # 7 – Mais de um milhão de doentes morrem anualmente devido a complicações cirúrgicas

Dados recolhidos pela OMS sugerem que a cirurgia ainda resulta em altas taxas de morbilidade e mortalidade em todo o mundo, com pelo menos 7 milhões de pessoas por ano a sofrerem complicações cirúrgicas incapacitantes, das quais mais de 1 milhão morrem.

Embora as taxas de mortalidade perioperatória e relacionada com a anestesia tenham diminuído progressivamente nos últimos 50 anos, em parte como resultado de esforços para melhorar a segurança do doente, elas ainda permanecem duas a três vezes maiores em países de baixo ou médio rendimento do que em países de rendimento alto.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Aumentar a Segurança na Utilização da Medicação| PNSD-15-20 | Segurança do Doente 291


Aumentar a Segurança na Utilização da Medicação é o 4º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
·                O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
·                METAS PARA O 4º OBJECTIVO
·                ACÇÕES A DESENVOLVER
·                ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

domingo, 11 de março de 2018

Aumentar a Segurança Cirúrgica| PNSD-15-20 | Segurança do Doente 286

Aumentar a Segurança Cirúrgica é o 3º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
  • O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
  • METAS PARA O 3º OBJECTIVO
  • ACÇÕES A DESENVOLVER
  • ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

A Organização Mundial da Saúde estima que, pelo menos, metade dos incidentes decorrentes da prestação de cuidados de saúde ocorre durante o ato cirúrgico, num universo em que o número de cirurgias major, realizadas no mundo, é superior ao número de nascimentos.
Estima, ainda, que 50% das complicações associadas à prática cirúrgica são evitáveis.

É no bloco operatório que parece constatar-se um dos ambientes de trabalho mais complexos da prestação de cuidados de saúde.

A tecnologia sofisticada, de acordo com o procedimento cirúrgico a realizar e a multidisciplinaridade a que obriga, constituída por anestesistas, cirurgiões, enfermeiros e outros técnicos, obriga a uma interacção perfeita num contexto de elevada complexidade.

Como a segurança cirúrgica não era reconhecida como um problema de saúde pública e os sistemas de informação, quando existentes, não permitiam monitorizar os procedimentos nem avaliar os resultados e, ainda, como não existia padronização dos procedimentos de garantia da segurança cirúrgica na maioria dos países, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu, em 2007, o projecto “Cirurgia Segura Salva Vidas”.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Aumentar a Segurança da Comunicação | PNSD-15-20 | Segurança do Doente 283

Aumentar a Segurança da Comunicação é o 2º objectivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).
Neste artigo partilho contigo sugestões para implementar este objectivo no terreno.
 
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
 
Sendo a comunicação um pilar fundamental para a segurança do doente, em especial quando existe transferência de responsabilidade da prestação de cuidados de saúde, como é o caso das transições, como as mudanças de turno e as transferência ou altas dos doentes, as instituições prestadoras de cuidados de saúde devem implementar procedimentos normalizados para assegurar uma comunicação precisa e atempada de informações entre os profissionais de saúde, evitando lacunas na comunicação, que podem causar quebras graves na continuidade de cuidados e no tratamento adequado, potenciando, assim, os incidentes com dano para o doente.
 
O texto do PNSD 15-20 continua depois referindo áreas de especial atenção, a saber:
  • “assegurar o diálogo seguro entre sistemas electrónicos de informação e a integração de múltiplos desses sistemas
  • partilha interprofissional, interinstitucional e entre nível de cuidados, do conhecimento na área da qualidade e da segurança dos doentes.
  • difusão de orientações e de normas nacionais de boa prática profissional”.
  • informação disponibilizada aos profissionais de saúde e aos cidadãos (que) permita a comparação entre produtos, técnicas, práticas profissionais, estruturas ou modelos de organização.”
  • “os doentes sejam informados e integrados na equipa que lhes presta cuidados de saúde”.
  • informação e esclarecimento do cidadão, (…), procurando garantir que, para além de receber informação sobre os riscos e benefícios potenciais de cada procedimento diagnóstico ou terapêutico que lhe é dirigido, o doente dê o seu consentimento informado, esclarecido e livre para a sua prestação.”
  • “(…) promover acções locais de sensibilização e de informação ao cidadão, em especial nas áreas da prevenção e controlo da infecção, da resistência aos antibióticos, do uso seguro da medicação e do consentimento informado.”
No PNSD-15-20, para este 2.º objectivo estratégico (Aumentar a Segurança da Comunicação) foram definidas as seguintes Metas para o final de 2020:
 
  1. 90% dos sistemas informáticos dos Serviços de Urgência e dos Serviços de Internamento das instituições hospitalares intercomunicam.
  2. 100% das instituições prestadoras de cuidados de saúde têm plano de contingência de recuperação das aplicações e dados/processo clínico dos doentes em situações extremas (disaster recovery).
  3. 100% das instituições prestadoras de cuidados de saúde têm de garantir disponibilidade dos sistemas de informação superior a 99,9%, para garantir que não ocorram paragens de funcionamento.
  4. 90% dos Agrupamentos de Centros de Saúde têm acesso às notas de alta das entidades hospitalares de referência.
É verdade que estas metas estão relacionadas com sistemas informáticos, mas ao analisar as acções propostas encontramos orientação para, como profissionais de saúde no terreno, contribuir para o aumento da segurança da comunicação com os nossos doentes e colegas de trabalho. As acções propostas às “Instituições prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde e com ele convencionadas” são:
  • Executar acções de sensibilização e de informação ao cidadão
  • Realizar auditorias internas à transferência de informação nas transições, transferências e altas dos doentes.
SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS OU ACÇÕES CONCRETAS QUE PODEMOS IMPLEMENTAR
 
  • Divulgar a norma na Instituição/Serviços.
  • Promover acções de formação institucional em grupos multiprofissionais.
  • Criar um modulo de formação interna replicável pelos diferentes Serviços de forma autónoma.
  • Auditar a aplicação da norma (nota, o documento já contem uma grelha de auditoria pronta a utilizar.

- Promover reuniões estruturadas nos serviços sobre a temática da “Comunicação”.
 
- Promover reuniões periódicas entre as Comissões da Qualidade e Segurança das Instituições da mesma área de influencia (Hospitais e Agrupamentos de Centros de Saúde) para partilha de informação/boas práticas em segurança do doente.

- Difundir técnicas de melhoria da comunicação via telefone, por exemplo o “readback” (ler de volta: leia o que você escreveu ou reler) em que o objectivo é que seja confirmada a informação recebida, após a sua anotação.
 
- Implementar um processo normalizado para os momentos de transição (passagem de turno) que promova uma comunicação clara entre os profissionais (podemos por exemplo utilizar checklists para que não se esqueçam aspectos importantes). (Já publicámos um artigo sobre este tema que podes reler AQUI)
 
- Garantir a existência de procedimentos internos na Instituição que orientem a transferência e alta do doente.
Para esta tarefa não devemos esquecer o Despacho (do Gabinete do Secretário de Estado da Saúde) nº 2784/2013 de 20 de Fevereiro, que determina que “A partir de 1 de julho de 2013, as notas de alta médica e de enfermagem, bem como as notas de transferência das unidades de cuidados intensivos, em formato digital, contemplam obrigatoriamente os dados referidos no número anterior, (…)”.
Os dados referidos no despacho são extensos e não os irei aqui reproduzir pelo que recomendo a sua leitura atenta (podes aceder ao documento AQUI)
 
- Realizar acções de sensibilização e de informação aos doentes, por exemplo, através da distribuição de folhetos informativos ou a passagem de vídeos nas salas de espera com informação sobre as temáticas sugeridas (prevenção e controlo da infecção, da resistência aos antibióticos, uso seguro da medicação e consentimento informado).
 
Estas são as sugestões.
E na tua instituição que acções ou estratégias são implementadas para aumentar a segurança da comunicação?
Partilha connosco as tuas ideias, comentários e sugestões.
Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

domingo, 14 de janeiro de 2018

Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno | SD279


Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno é o 1º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Na parte final deste artigo encontras quais as estratégias que desenvolvemos para promover a participação dos profissionais do CHS.

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

O PNSD-15-20 refere que “A melhoria da cultura de segurança do ambiente interno das instituições prestadoras de cuidados de saúde é um imperativo e uma prioridade consignada na Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde.”

Para alcançar esta melhoria, é adotada a recomendação da Organização Mundial de Saúde do Conselho da União Europeia para que os Estados-Membros procedam à avaliação da perceção dos profissionais de saúde sobre a cultura de segurança da instituição onde trabalham, como condição essencial para a introdução de mudanças nos seus comportamentos e para o alcance de melhores níveis de segurança e de qualidade nos cuidados que prestam aos doentes.

“A cultura de segurança de uma instituição prestadora de cuidados de saúde é, segundo a Organização Mundial da Saúde, para além de um estilo e de uma competência de gestão, um produto de valores individuais e de grupo, de atitudes, de perceções e de padrões de comportamento, que determinam o compromisso dessa instituição para com a segurança dos doentes.”

Ou seja, a segurança do Doente de uma instituição resulta do conjunto da “cultura individual de segurança do doente” de cada um dos seus profissionais, desde o profissional de “1ª linha”, aos profissionais dos serviços de apoio e á gestão do topo da instituição. Assim, cada instituição possui a sua própria cultura de segurança.

Podemos argumentar que essa cultura de segurança é mais ou menos propicia à promoção de cuidados seguros para o doente. O que não podemos afirmar é que “não existe” uma cultura de segurança.

O PNSD-15-20 determina que “A avaliação da cultura de segurança dos doentes, em Portugal, irá decorrer anualmente, de forma alternada, nos hospitais e nos agrupamentos de centros de saúde. Em 2018 esta avaliação vai ocorrer nos hospitais.

Esta avaliação é realizada com base na aplicação do Hospital Survey on Patient Safety Culture da Agency for Healthcare Research and Quality dos Estados Unidos da América, traduzido e adaptado ao contexto português.
Trata‐se de um questionário autopreenchido, com uma distribuição multidimensional (12 dimensões), composto por 42 itens, incluindo, ainda, duas variáveis de item único: Grau de Segurança do Doente e Número de Eventos Notificados nos últimos 12 meses.

As dimensões avaliadas são:
1. Trabalho em equipa
2. Expectativas do supervisor/gestor e acções que promovam a segurança do doente
3. Apoio à segurança do doente pela gestão
4. Aprendizagem organizacional - melhoria contínua
5. Percepções gerais sobre a segurança do doente
6. Feedback e comunicação acerca do erro
7. Abertura na comunicação
8. Frequência da notificação de eventos
9. Trabalho entre as unidades
10. Dotação de Profissionais
11. Transições
12. Resposta ao erro não punitiva.

No PNSD-15-20, é enfatizada a necessidade duma ampla adesão dos profissionais das instituições de saúde a esta metodologia.

É solicitado de forma directa às direcções clínicas, aos conselhos clínicos e de saúde e às comissões da qualidade e segurança, que promovam a adesão dos seus profissionais à avaliação da cultura de segurança dos doentes. Em 2014 (últimos dados disponíveis), a taxa de adesão nacional foi de 18,3%.

À DGS foi atribuída a competência de definir os valores-padrão das taxas de adesão das instituições à avaliação da cultura de segurança dos doentes e dos valores-padrão nacionais para as várias dimensões.
À Administração Central do Sistema de Saúde compete incluir os valores-padrão nas metas dos contratos programa das instituições prestadoras de cuidados de saúde.

No PNSD-15-20 foram definidas as seguintes Metas para o final de 2020:

1). Atingir uma taxa de adesão nacional à avaliação da cultura de segurança ≥ 90%.
2). Atingir uma média nacional ponderada de todas as dimensões do questionário da avaliação da cultura de segurança do doente ≥ 50%.


QUAL A EXPERIÊNCIA DO CENTRO HOSPITALAR DE SETÚBAL, E.P.E.

No Centro Hospitalar de Setúbal E.P.E. realizámos um primeiro estudo em 2013, tendo os dados obtidos sido aceites pela DGS, após validação da metodologia utilizada. Nesse estudo, obtivemos uma taxa de adesão por parte dos profissionais de 30,45%.
A estratégia de divulgação interna envolveu vários componentes:
  • Divulgação inicial do estudo do através da Circular Interna do CHS, na qual era divulgado o link de acesso para resposta ao questionário;
  • A informação foi também divulgada através de uma mensagem interna dirigida a todos os Profissionais do CHS com correio electrónico institucional;

Como estratégias de divulgação/promoção adicionais:
  • Foi solicitado às hierarquias dos Serviços do CHS colaboração na divulgação do estudo e apoio no acesso a um computador para os profissionais que não utilizam este equipamento regularmente no desempenho das suas funções;
  • Para maximizar a taxa de respostas, relembrar e incentivar à participação no estudo, foram enviados a cada semana lembretes (por correio eletrónico e mensagem na intranet do CHS);
  • O grupo de trabalho esteve sempre disponível para apoiar todos os profissionais/serviços no preenchimento do questionário;
  • O questionário esteve disponível para preenchimento durante o mês de outubro de 2013 nos dois hospitais que constituem o CHS.

A recolha e análise dos questionários foi feita pelo grupo de trabalho, através de um link para um formulário on-line, o qual garante a confidencialidade e o anonimato de todas as respostas.

OS RESULTADOS POR DIMENSÃO FORAM OS SEGUINTES:
Dimensão 1 Trabalho em Equipa (68%);
Dimensão 2 Expetativas do supervisor/gestor e ações que promovem a Segurança do Doente (62%);
Dimensão 3 Apoio à Segurança do Doente pela gestão (45%);
Dimensão 4 Aprendizagem Organizacional – melhoria contínua (70%).
Dimensão 5 Perceções gerais sobre a Segurança do Doente (57%);
 Dimensão 6 Comunicação e feedback acerca do erro (59%).
Dimensão 7 Abertura na Comunicação (55%);
Dimensão 8 Frequência da notificação (48%);
Dimensão 9 Trabalho entre unidades (46%);
Dimensão 10 Dotação de profissionais (39%);
Dimensão 11 Transições (50%);
Dimensão 12 Resposta ao erro não punitiva (34%);

De salientar que os resultados obtidos estavam perfeitamente “em linha” com os resultados de outros estudos (nacionais e internacionais) conhecidos.

Sobre a questão do nível de adesão, já em 21 de Janeiro de 2017 publiquei um artigo (que vos convido a ler ou a reler) com a minha análise - SD240- Baixa Participação dos Profissionais na Avaliação da Cultura de Segurança doDoente. Devo ficar preocupado? – considerando que na verdade, a percentagem de adesão pode não ser assim tão importante.

Mas mais do que a “taxa de adesão” era importante implementar as medidas sugeridas de promoção da cultura de segurança.
Para além de várias recomendações por dimensão, e com base em toda a informação recolhida, o Grupo de Trabalho identificou como prioritárias as seguintes recomendações a implementar no Centro Hospitalar de Setúbal:
  • Promover os instrumentos institucionais existentes (Normas de Orientação Clínica, Políticas e Procedimentos) que contribuem para a promoção da Segurança do Doente, garantindo a sua divulgação, aplicação, auditoria e revisão regulares;
  • Incentivar a notificação dos incidentes e a sua discussão multidisciplinar nos Serviços/Unidades numa perspectiva positiva de aprendizagem com o erro, identificação de oportunidades de melhoria e implementação de medidas correctivas;
  • Promover a formação interna de todos/as os profissionais, sensibilizando e desenvolvendo competências em segurança do doente, gestão do risco e melhoria da comunicação;
  • Abordar o tema da Segurança do Doente como uma oportunidade de melhoria da equipa multidisciplinar, destacando a importância da comunicação interna e entre Serviços/Unidades;
  • Promover o envolvimento e informação do doente/família.


Este é o caminho que temos vindo a realizar.

Estamos assim no ano (2018) em que deveremos reavaliar a nossa cultura de segurança do doente.
É com expectativa que o faremos, revendo as nossas estratégias de divulgação para conseguirmos aumentar a nossa taxa de participação.

E agora solicito a tua participação:
  • Na tua instituição já procederam à aplicação do estudo?
  • Qual o resultado da taxa de adesão?
  • Que estratégias consideras terem sido mais eficazes para promover a participação dos profissionais?


Partilha connosco as tuas ideias, comentários e sugestões.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso