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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Uma Série De Falhas: A História De Um Familiar | #SD437

Na primeira reunião do Patient Safety Management Network (PSMN) de 2022, tivemos o privilégio de ouvir a experiência chocante de um familiar enlutado, que nos lembrou porque é importante falar sobre a experiência do Doente e sobre “Segurança do Doente”.

 

Claire Cox, uma das fundadoras do PSMN, convidou Susan (nome fictício para proteger a sua confidencialidade) para compartilhar connosco as causas da morte prematura do seu familiar e a experiência ruim e vergonhosa quando ela e o seu médico de família começaram a fazer perguntas. Isso deu início a uma discussão valiosa e perspicaz sobre como os doentes são atendidos quando as coisas dão errado e sobre a honestidade e a culpa, envolvimento do doente e da família na tomada de decisões quando os doentes estão em estado terminal e como precisamos garantir que os sistemas de notificação de incidentes incorporem boas práticas informadas pela experiência da vida real dos doentes e profissionais.

 

A HISTÓRIA

Dois anos antes do familiar de Susan morrer, ele realizou exames para uma condição não relacionada que não precisava de tratamento. Estes exames revelaram, no entanto, um pequeno tumor que foi registrado e identificado como um alerta vermelho. O médico que analisou o exame estava com 16 horas de trabalho no seu turno. Nenhuma ação foi desencadeada pelo Hospital e nem o doente nem o seu médico foram alertados sobre o tumor e a necessidade de tratamento imediato. Dezoito meses depois, o familiar de Susan apresentou sintomas no consultório do seu médico e foi encaminhado para avaliação urgente. Ele foi diagnosticado com cancro e um tratamento com quimioterapia e radioterapia foi iniciado, embora tenha sido posteriormente reconhecido que não seria possível sobreviver ao tumor e que o doente estava num estado terminal.

 

O Hospital só percebeu que nenhuma ação tinha sido tomada após o exame quando os registros médicos do familiar foram solicitados após a sua morte, cerca de dois anos depois. O processo clinico do doente foi solicitado quando o médico de família levantou preocupações; o médico não conseguia entender porque o doente se tinha deteriorado tão rapidamente. Isto foi um verdadeiro choque para Susan, pois em nenhum momento durante o intenso tratamento de quimioterapia e radioterapia do seu familiar foi compartilhado com ela que tinha sido perdida uma oportunidade de diagnosticar e iniciar o tratamento mais cedo.

 

As principais preocupações de Susan eram:

O diagnóstico incorreto e a falha em agir no primeiro exame. O Hospital reconheceu que o tumor, se tratado quando foi encontrado pela primeira vez, era passível de sobrevivência.

Falha na honestidade e na partilha de informações. Os clínicos nunca partilharam com ela os achados do primeiro exame até à investigação, mesmo durante todas as intervenções e discussões sobre seu prognóstico e tratamento.

Uma falha em compartilhar como o seu familiar estava doente. Consequentemente, o seu familiar não foi informado de que a sua condição era terminal. Foi-lhe, assim, negado a oportunidade de tomar decisões sobre o seu tratamento. Como a Susan disse, ele não tinha que suportar o tratamento. Ele poderia ter escolhido viver os seus meses restantes sem a dor e as consequências da quimioterapia e radioterapia se soubesse que nunca sobreviveria aos seus tumores.

A incapacidade de ouvir os desejos do seu familiar na partilha de informações e a forma francamente brutal como a sua doença terminal lhe foi comunicada na presença de uma família jovem e de uma enfermaria repleta de doentes e seus familiares.

A radioterapia foi realizada sem equipamento de proteção deixando o seu familiar gravemente queimado e quando o seu familiar morreu 10 dias depois e a Susan perguntou se isso o matou, ela foi informada 'sim'.

O processo de investigação foi imperfeito, cheio de garantias que não foram cumpridas, tais como honrar o compromisso de fornecer informações e apoio a Susan. O relatório da investigação foi enviado sem aviso prévio pelo correio sem qualquer explicação e Susan nunca mais teve notícias do investigador. O médico de família de Susan prestou muito apoio, ajudando-a a interpretar o relatório e orientando-a sobre as suas opções.

A falha em aprender. Um dos principais motivos da Susan em acompanhar o pedido do seu médico de família dos registros médicos do seu familiar era que deveria haver aprendizagem pelo erro para evitar danos a outras pessoas. Susan afirmou vigorosamente que entende perfeitamente que os erros são cometidos, mas não consegue entender como a equipa não revê regularmente o trabalho do dia, identificando onde é necessário melhorar e tomar ações informadas sobre isso. Susan não está convencida de que qualquer aprendizagem tenha sido feita e, portanto, as mesmas circunstâncias que levaram à morte prematura do seu familiar podem acontecer novamente. Isso é compreensivelmente muito angustiante

Uma falha em usar os recursos de forma eficaz. Ela acredita que o seu familiar, se tivesse escolha, não concordaria com o tratamento desnecessário. Susan estava muito consciente dos custos do tratamento, recursos que ela disse que poderiam ter sido melhor utilizados em outras pessoas, pois não tinham valor para o seu familiar, pois ele estava num estado terminal (mesmo que isso não tenha sido compartilhado com a família até depois de sua morte).

 

Os gestores de risco clinico ficaram claramente chocados com a história de Susan e a falta de suporte e comunicação com Susan e o seu familiar. Eles discutiram como os seus papéis são importantes para garantir que a perceção do doente e da família seja considerada nas investigações e forneça respostas para as perguntas que as famílias precisam saber. Discutiram o valor e a importância do envolvimento dos doentes e familiares e que não deveria ser necessário fazer denúncias formais; assim que uma organização estiver ciente de falhas graves, ela deve assumir a liderança da investigação para descobrir o que está errado, porquê e como evitar que isso aconteça novamente.

 

Os gestores de risco clinico refletiram sobre a experiência de Susan e falaram sobre a melhor forma de compartilhar informações com os familiares, a sensibilidade e o apoio necessários.

 

Houve genuína compaixão e tristeza por Susan e uma enorme expressão de gratidão pela sua coragem em compartilhar a sua experiência com todos nós. Todos devemos assumir o compromisso de ouvir, interagir e aprender com os doentes e seus familiares.


Fonte: A series of failures: a relative's story. Publicado pela Patient Safety Learning em 20/01/2022


O Blog: Segurança do Doente completa hoje (04/02/2022) 11 anos de existência. 
Obrigado a todos os que contribuem para a causa da Segurança do Doente

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

sábado, 4 de dezembro de 2021

Funções do Gestor de Risco | #SD434

O Gestor de Risco de um serviço é um profissional nomeado pelo Serviço para aí assumir um conjunto de responsabilidades relacionadas com a gestão do risco (clinico e não clinico) de forma articulada com os grupos ou comissões que detêm a nível institucional a responsabilidade da gestão do risco, segurança do doente, controlo de infeção, etc.

A iniciativa de nomeação deste elemento(s) pode ocorrer por iniciativa do próprio serviço, ou como é mais comum, após solicitação institucional.

O profissional nomeado deve ser escolhido atendendo às suas características pessoais e gosto pela área. O seu empenho no estudo e desenvolvimento da temática serão determinantes para o sucesso do seu trabalho e isso terá consequências positivas para o serviço.

As funções de um gestor de risco (clinico e/ou não clinico) pode (entre outras) abranger as seguintes:

  • Promover a avaliação regular do risco (clínico e não clínico);
  • Incentivar e acompanhar o relato de incidentes;
  • Promover a formação em serviço sobre prevenção de riscos e relato de incidentes;
  • Colaborar com o processo de auditoria do serviço e partilhar essa informação com as entidades com responsabilidade na área da gestão do risco da Instituição;
  • Implementar Planos de Ação, com o objetivo da melhoria nos cuidados ao doente e na prestação de serviços.
  • Participar nas reuniões institucionais regulares com todos os Gestores de Risco para partilha de resultados e transferência interpares de experiências e conhecimento;
  • Recolher resultados de indicadores específicos desenvolvidos localmente pelo Serviço e partilhar essa informação com as entidades com responsabilidade na área da gestão do risco da Instituição;
  • Conhecer o plano de evacuação para o serviço e para o Hospital;
  • Promover internamente a divulgação do plano de evacuação do serviço e do Hospital;
  • Conhecer a localização de escadas, botões manuais de alarme, extintores de incêndio, boca-de-incêndio e pontos de encontro/reunião, do seu serviço;
  • Conhecer os membros das diversas equipas de emergência do serviço;
  • Divulgar aos profissionais do serviço as Normas Gerais de Segurança contra incêndios, de evacuação do serviço e o fluxograma de atuação perante Emergência/Catástrofe Interna;
  • Informar o Diretor/Responsável do Serviço sobre qualquer anomalia que possa vir a provocar um sinistro ou que possa comprometer a segurança da evacuação;
  • Articular-se funcionalmente com todas as entidades com responsabilidade na área da gestão do risco da Instituição;
  • Ser o elemento de ligação entre os Responsáveis do seu serviço/unidade e as entidades com responsabilidade na área da gestão do risco da Instituição;

A estas funções, acrescem certamente outras. Quais são as que tu sugeres ou tens implementadas no teu serviço?

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

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sábado, 20 de março de 2021

Como garantir a aprendizagem do profissional envolvido num incidente de segurança do doente? | #SD414

Como garantir que a aprendizagem, após análise de um incidente de segurança do doente, chega mesmo ao profissional envolvido nesse incidente?

Esta foi a questão que um colega Gestor de Risco Clínico num hospital me colocou por telefone.

Como sabemos, os principais objetivos de um sistema de notificação de incidentes é recolher informação sobre os incidentes de segurança do doente que ocorrem na instituição, desenvolver a sua análise sempre que tal se justifique e APRENDER com a informação recolhida, implementando medidas corretivas e preventivas sempre que necessário.

Impedir a recorrência do incidente ou diminuir a sua gravidade caso ocorra novamente é algo que só conseguimos alcançar quando implementamos medidas corretivas ou preventivas de acordo com as causas raiz identificadas.

Mesmo quando a notificação de um incidente é feita de forma "descaracterizada", é possível ao Gestor do Risco Clinico durante a investigação/análise do incidente, perceber qual ou quais os profissionais envolvidos mais diretamente nesse incidente.

Mesmo desenvolvendo um plano de ação com medidas corretivas ou preventivas, que posteriormente é enviado à hierarquia do Serviço e outras partes interessadas, corremos o risco de que essa informação não chegue aos profissionais que identificámos como estando envolvidos diretamente nas causas raiz do incidente.

É também aqui que um Gestor do Risco Clínico tem de ser extremamente cuidadoso, garantindo que a identidade dos eventuais envolvidos não seja exposta, mas desenvolvendo esforços para que a mensagem de aprendizagem chegue efetivamente à(s) pessoa(s) pretendida(s).

Então, como é que o Gestor do Risco Clínico pode garantir que a aprendizagem, após análise de um incidente de segurança do doente, chega mesmo ao profissional envolvido nesse incidente?

  • Tenha a certeza sobre qual a informação que quer transmitir;
  • Identifique a pessoa(s) que considera ser imprescindível informar, e que tenha estado envolvida, com base na análise efetuada, no incidente de segurança do doente;
  • Reúna a informação (os factos concretos);
  • Aborde a pessoa e informe que gostaria de discutir uma informação sobre segurança do doente de forma privada e pergunte qual o melhor momento;
  • Reúna com a pessoa, de preferência em ambiente neutro, e de forma simples explique qual é o assunto, como foi conduzida a análise do incidente e porque é que considera que essa pessoa esteve envolvida nas causas raiz do incidente;
  • Se adequado, pode partilhar informação por escrito (use o em papel. Não aconselho a utilização do email);
  • Esteja preparado para ouvir e até mesmo a ser desafiado na lógica da sua análise;
  • Trabalhe para obter a total compreensão da análise efetuada por parte da pessoa abordada e obtenha a sua concordância;
  • Em todo o processo, garanta a confidencialidade e o anonimato de todos os envolvidos (em especial do notificador/a).
É comum um profissional não ter consciência de um incidente em que esteve envolvido, acabando o incidente por ser relatado por outro profissional que observa as consequências do incidente no doente.

Assim sendo, esta informação é por vezes recebida com ceticismo e desconfiança.

É pois importante garantir que a abordagem do profissional é realizada em total segurança para o mesmo e que este sinta que o objetivo não é mais do que garantir que a aprendizagem com o erro possa ocorrer, e com isso, melhorar a segurança do doente.

Fernando Barroso

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domingo, 18 de outubro de 2020

O Covid-19 expôs os buracos no queijo suíço das estratégias de segurança do doente | #SD399


A Epidemia de Covid-19 expôs os grandes buracos existentes no queijo suíço das estratégias de segurança do doente – Entrevista a Santiago Tomás

Esta é uma entrevista ao Dr. Santiago Tomás. Pela sua clareza e lucidez neste período tão difícil para todos, decidi traduzir e aqui publicar. Recomendo a sua leitura atenta, especialmente a todos os GESTORES DE RISCO, em prol da Segurança do Doente.

ENTREVISTA

A epidemia de Covid-19 colocou o sistema de saúde à prova. O Dr. Santiago Tomás, com base na sua experiência pessoal na assistência a doentes afetados pela Covid-19, compartilha as suas reflexões sobre a situação da segurança do doente proveniente desta epidemia.

“Há vários meses que vivemos uma situação que mudou todo o paradigma da saúde, da atividade econômica e da vida social em todo o mundo. A pandemia causada pela infeção pelo vírus Covid-19 colocou todos os sistemas de saúde em tensão, sem exceção. Vivemos uma situação inusitada, com um número muito elevado de pessoas afetadas, falta de materiais de proteção e equipamentos suficientes para o atendimento dos doentes, grande necessidade de consumo de medicamentos e riscos de não fornecimento que ameaçam diversas áreas. Ao mesmo tempo, devemos agregar o pouco conhecimento que, progressivamente, vamos adquirindo sobre as características do vírus e a infeção que ele causa. Todos estes são fatores que estão a condicionar a resposta da saúde neste momento.

A tudo isto devemos somar três condições latentes que estavam ocultas aparecendo agora como uma dura realidade: em primeiro lugar, os deficits organizacionais dos sistemas de saúde, que considerávamos excelentes (e no qual acreditávamos!) e cuja gestão é responsabilidade de políticos e gestores de saúde que não conseguiram ver bem, ou subestimaram, o que estava por vir; em segundo lugar, o número de profissionais de saúde, claramente insuficientes para fazer face à pressão sanitária que aumenta dia a dia (e que há anos são “maltratados” em condições profissionais limitadas por cortes, apesar das suas reivindicações) e em cujas costas temos depositado todo o peso da batalha apesar de não terem recebido meios para se protegerem ou mesmo da própria irresponsabilidade de não se ter tomado os devidos cuidados no início da epidemia e, em terceiro lugar, o mais grave de tudo: a existência de uma população que confiava no sistema, numa sociedade de bem-estar, com uma elevada idade de sobrevivência, e que agora se encontra totalmente vulnerável, a qual não conseguimos atender nas melhores condições que merecem, e sobre a qual os médicos têm que tomar decisões eticamente muito difíceis para salvar o máximo de vidas de uma sociedade que, agora, está doente e sem recursos.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Notícia na Justnews sobre GIARC | (#SD379)

Foi publicada online a notícia sobre os 10 anos do GIARC - Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínicos - (que saiu no jornal Hospital Público), estando igualmente a ser partilhada nas redes sociais.

São 10 anos de forte dedicação à causa da Segurança do Doente, e um orgulho enorme em trabalhar com profissionais tão dedicados.
Um obrigado especial à Dr.ª Ermelinda Pedroso, companheira e pilar nesta caminhada.

Deixo abaixo o link para a notícia:

https://www.justnews.pt/noticias/chs-tem-116-gestores-de-risco-local-com-o-foco-na-qualidade-clinica-e-na-seguranca-do-doente/#.XkxP_Gj7TIV

Fernando Barroso
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sábado, 22 de fevereiro de 2020

Curso/Video Formativo OMS sobre o Coronavírus nCoV | (#SD378)

Os coronavírus são uma grande família de vírus conhecida por causarem doenças que variam entre a constipação comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

Um novo coronavírus (CoV) foi identificado em 2019 em Wuhan, China. Este é um novo coronavírus que não foi identificado anteriormente em humanos.


Este curso (da OMS) fornece uma introdução geral ao nCoV e vírus respiratórios emergentes e destina-se a profissionais de saúde pública, gestores de risco clínico e pessoal que trabalha para as Nações Unidas, organizações internacionais e ONGs.

Vídeo em inglês



Página original: https://openwho.org/courses/introduction-to-ncov

Fernando Barroso
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#segurancadodoente

sábado, 18 de janeiro de 2020

O que ocorre quando não comunicamos? Menos Segurança do Doente | (#SD374)

Apesar de toda a evolução, do conhecimento e da tecnologia, ainda não aprendemos a comunicar uns com os outros e isso influência negativamente a segurança do doente.

Um sistema de notificação de incidentes é uma ferramenta poderosa. Com um sistema deste tipo podemos facilmente identificar riscos para a Segurança do doente, dos profissionais e da Instituição e com isso antecipar medidas correctivas ou preventivas

Para que o sistema funcione necessitamos, entre outras coisa, de um profissional (ou vários)  que saiba interpretar correctamente toda a informação que lhe é enviada através do sistema de notificação - Gestor de Risco Clínico.

Cada incidente representa uma oportunidade para obter novos dados, para confirmar o conhecimento existente e para nos mostrar o caminho para novas medidas preventivas.

Mas com cada notificação chega um desafio - a informação recebida está correcta? 
A resposta (normalmente) é não.

O mais comum é que a notificação de um incidente tenha em conta apenas o ponto de vista de quem notifica, esquecendo facilmente aquelas que podem ser as dificuldades "do outro lado" da história.

Aquilo que pode parecer um incidente claro de segurança do doente, pode na realidade ser a atitude mais correcta que o profissional (envolvido no incidente) poderia ter tomado. Pode não ter conseguido fazer tudo correctamente, mas na sua essência, estar correcto.

Para o Gestor de Risco o desafio é, em cada incidente recebido, fazer o exercício de raciocínio de nos colocarmos no lugar "do outro" e pedir sempre a opinião da outra parte. Será dessa confrontação e do conhecimento como perito em análise de incidentes que a melhor solução poderá surgir.

Outro aspecto importante, e sempre descurado, é que o profissional que efectua a notificação do incidente quando este incidente envolve outras partes, raramente teve o cuidado de fazer o mesmo raciocínio ou sequer falou com a outra parte. Chama-se a isto "comunicar".
É assim que o texto descritivo de um incidente acaba por ser escrito carregado de informações incompletas ou mesmo incorrectas, quando um simples telefonema poderia ter clarificado o problema.

Resta aos Gestores de Risco Clínico o discernimento e clareza de raciocínio para que não tomem parte sem um cabal esclarecimento dos factores contribuintes de um incidente.
Fernando Barroso

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Desafios da integração de um novo Gestor de Risco | (#SD373)

Hoje comecei a integrar um colega como GESTOR DE RISCO clínico no Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínico (GIARC).

Há dias em que nos sentimos felizes e não sabemos bem porquê. Eu hoje estou feliz e sei bem o motivo.

Este é um enorme desafio, quer para mim quer para o colega (obrigado Luís Caldas por abraçares este projecto).

É verdade que temos construída e publicada uma descrição de funções que em breve iremos rever em conjunto e reconstruir na medida do que for necessário.

Também é verdade que "entrar na carruagem" já em andamento tem aspecto positivos, mas também encerra desafios dos quais ainda não nos apercebemos.

Permitam-me socorrer-me de parte do texto da dissertação de Mestrado em Gestão de Serviços de Saúde de Vânia Gonçalves, intitulada "Gestão do risco nas organizações de saúde: percepção dos profissionais face ao papel do gestor de risco".

Escreve a autora sobre o Gestor de Risco:
"A aplicação de um programa de gestão de risco implica a constante presença de um supervisor experiente e conhecedor de todo o seu processo de implementação, profissional esse que é designado por Gestor do Risco. Mas quais são as suas áreas de saber, quais as suas competências e valências enquanto profissional responsável?

Inicialmente, um gestor de risco focava a sua atenção apenas ao nível da detecção e identificação dos principais riscos da actividade profissional. Contudo, com o aumento das exigências e da complexidade de todo o processo, deverá não só focar a sua atenção nestes aspectos, mas também ao nível da prevenção do risco detectando áreas potencialmente perigosas não só ao nível da prestação de cuidados como ao nível da gestão, ética organizacional, aspectos económico-financeiros, entre outros.

A organização deverá ser analisada como um todo, nos seus vários níveis de actuação, adoptando-se assim uma atitude preventiva e pró-activa perante a organização.
Ou seja, a sua actuação deverá promover uma eficaz gestão dos cuidados prestados, no qual o conceito de segurança se encontra implícito, envolvendo não só os seus utentes, como também os seus profissionais, visitas e colaboradores (internos e externos). Desta forma, é possível minimizar e/ou prevenir qualquer potencial perda para a organização, potenciando-se a performance da organização de saúde.


Dada a complexidade inerente ao cargo e ao desempenho das suas funções, são múltiplas as áreas passíveis de intervenção, o que realça a multiplicidade de saberes e de conhecimentos necessários. (…). Um estudo efectuado em 1999 pela American Society for Healthcare Risk Management (ASHRM) procurou identificar as principais actividades de um gestor do risco para poder definir o corpo de conhecimentos associado, do qual resultou a identificação de seis grandes áreas de actuação: prevenção/redução das perdas, gestão das reclamações, financiamento de riscos, cumprimento da regulamentação/acreditação, operações, e bioética."

Como se percebe, ser "Gestor do Risco" encerra um conjunto de características e competências que constituem, por si só, um verdadeiro desafio. Mas a Segurança do Doente exige essa complexidade que deve estar presente na pessoa (enquanto gestor do risco) e no desenvolvimento das suas competências.

Ser gestor do risco é ser sempre, em cada momento, um curioso de novas formas de cuidar e um defensor incondicional da causa da segurança, trabalhando para prevenir e diminuir o risco associado aos cuidados de saúde.

Faremos juntos esse percurso.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

GONÇALVES, Vânia Cristina Nunes Gomes - Gestão do risco nas organizações de saúde: percepção dos profissionais face ao papel do gestor de risco [Em linha]. Lisboa: ISCTE, 2008. Tese de mestrado. [Consult. Dia Mês Ano] Disponível em http://hdl.handle.net/10071/1513.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

10º Aniversário do Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínicos (GIARC) (#SD363)

O Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínicos (GIARC), comemorou o seu 10º aniversário no dia 12 de Outubro de 2019.

 

Sempre com o foco na Qualidade Clínica e na Segurança do Doente no Centro Hospitalar de Setúbal, o GIARC conta actualmente com 116 gestores de risco clínico em todos os serviços.

Com o lema “Segurança do Doente” o grupo aponta como objectivo a redução de riscos e danos desnecessários relacionados com os cuidados de saúde dos utentes para um mínimo aceitável. Se em 2009 foram registados 68 relatos de incidente em 2019 são já 585.

O GIARC, através da monitorização destes dados, consegue alertar os profissionais do CHS para a implementação de medidas correctivas para que os mesmos não voltem a repetir-se.

Entre outras iniciativas, decorreu, na Sala de Sessões do Hospital de São Bernardo, uma sessão comemorativa onde foi apresentada uma resenha histórica da actividade do grupo ao longo de uma década.    

Actualmente o GIARC é constituído pelos seguintes elementos: Dr.ª Ermelinda Pedroso; Enf. Fernando Barroso; Dr.ª Bárbara Lobão; Enf.ª Diana Sousa; Dr. João Mangualde; Dr.ª Lúcia Parreira; Enf. Luís Caldas; Dr.ª Cristina Lourenço; Enf.ª M.ª Jesus Bernardo; Enf. Pedro Contreiras; Dr.ª Rita Ricardo e Enf.ª Teresa Lopes.



A todos quantos contribuíram para esta caminhada, o meu muito obrigado.

Fernando Barroso

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quarta-feira, 10 de abril de 2019

21ª Reunião com os Gestores do Risco Clínico do CHS (#SD346)


Promover a formação em Segurança do Doente, publicitar o trabalho realizado, discutir diferentes realidades de outros Serviços, e projectar o trabalho e actividades futuras foi o mote para a 21ª Reunião dos Gestores do Risco Clínico do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS).

Esta é uma prática que está já na rotina da Instituição, como facilmente se percebe pelo titulo deste artigo.

Embora o GIARC (Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínicos) seja o promotor, a verdade é que conseguiríamos muito pouco sem a colaboração dos Gestores Do Risco Clínico (GRC) de cada um dos Serviços da Instituição.
21ª Reunião GIARC/GRC ( CHS - 10-04-2019)
É nestes elementos que depositamos muita da responsabilidade de serem os primeiros promotores da Segurança do Doente nos Serviços e de difundirem as ferramentas de segurança que vão sendo implementadas.
São eles os elementos da linha da frente do sistema de notificação de incidentes (ou do sistema de aprendizagem com o erro como também gosto de chamar-lhe), que nos permite estar sempre a melhorar.

PROGRAMA
Desta vez o programa incluiu:
  • a discussão dos resultados de 3 auditorias realizadas no 1º trimestre de 2019.
  • Foi partilhada a experiência do 1º Curso de formação inicial dos GRC.
  • O Serviço de Cardiologia partilhou a sua experiência interna na gestão de incidentes e divulgação de informação.
  • E terminamos com a partilha de informação, nomeadamente a referência ao novo Procedimento para evitar conexões incorrectas de cânulas, caracteres ou tubos no doente.


E passadas 21 reuniões, estamos prontos e motivados para continuar, pela Segurança do Doente.

Obrigado a todos os Gestores do Risco Clínico do CHS
Fernando Barroso
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Iº ENCONTRO DE GESTORES DO RISCO NA SAÚDE | 25-09-2018| Um momento Histórico | (SD#311)

Decorreu em Santa Maria da Feira, no Europarque, a 25-09-2018 o
I ENCONTRO DE GESTORES DO RISCO NA SAÚDE.
Este foi um encontro histórico pelo facto de, pela 1ª vez, estarem reunidos na mesma sala um conjunto alargado de Gestores de Risco com o objectivo comum de partilhar o seu conhecimento, dificuldades e acima de tudo ferramentas e estratégias para as ultrapassar. O dia foi, como já referi, de partilha de experiências e do caminho percorrido.

Bem cedo o encontro ficou marcado por uma palavra comum – ESPERANÇA.
Esperança no nosso futuro comum e num caminho que, embora não seja fácil, terá sempre o apoio mútuo de todos os presentes e de todos aqueles que (mesmo não tendo conseguido ir) partilham connosco o objectivo comum de desenvolver a Segurança do Doente em cada um dos locais onde são prestados cuidados de saúde.

Estiveram presentes, de forma entusiasta, profissionais de vários pontos do País (ver mapa), dos Cuidados de Saúde Primários, Hospitais, Públicos e Privados. Todos juntos com um objectivo comum.
Foi possível estabelecer contactos que de outra forma não ocorreriam.

Estiveram representados os distritos de Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e Porto.

O Encontro teve o seguinte programa:
O Gestor do Risco nas Equipas de Saúde: Desafios e Inovação (Susana Ramos)

Avaliação do Risco em Contextos Clínicos: Que caminhos? (Sílvia Oliveira)
HFMEA: Dos Failure Modes às Ações – Impacto no Risco (Luísa Caldas)

Gestão de Incidentes: A importância de analisar e tipos de análise. (Maria João Lage)
Análise causa raiz: Porquê, quando e como? (Ana Azevedo, Ana Marinho e Manuel Valente)

Literacia e Envolvimento do Cidadão na Segurança do Doente (Susana Ramos, Sílvia Oliveira, Elsa Guimarães e uma participação “especial” de Margarida Eiras)

Termino com uma palavra de agradecimento especial ao Eng. Joaquim Correia da empresa RISI, que patrocinou este encontro e que tudo fez para que todos se sentissem “em casa”. Obrigado.

Queremos mais!👍👍👍

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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