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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Um Profissional de Saúde Pode Recusar ser Auditado?

Um Profissional de Saúde Pode Recusar ser Auditado?

A resposta curta é NÃO!

A segurança do doente é o pilar invisível que sustenta a confiança entre os cidadãos e as instituições de saúde. No entanto, no quotidiano clínico, surgem frequentemente dúvidas sobre os mecanismos que garantem essa segurança — nomeadamente as auditorias clínicas.

Uma das questões mais pertinentes que recebi recentemente reflete uma dúvida comum nas equipas: Pode um profissional de saúde recusar ser auditado durante a prestação de cuidados?

Neste artigo, exploro o enquadramento legal e ético que torna a auditoria uma parte integrante (e obrigatória) da prática profissional.

1. A Auditoria como Ferramenta de Segurança e não de Punição

Ao contrário do que o termo possa sugerir a alguns, a auditoria não tem uma natureza punitiva. Trata-se de uma ferramenta metodológica essencial para:

  • Identificar desvios entre o que foi planeado e o que é efetivamente executado;
  • Garantir que os cuidados são baseados na evidência científica;
  • Promover uma cultura de aprendizagem colaborativa e melhoria contínua.

2. A Obrigatoriedade dos Standards da DGS

O Ministério da Saúde, através da Direção-Geral da Saúde (DGS), estabelece standards de certificação que são de cumprimento obrigatório.

Por exemplo, o Standard 05.12_01 obriga as instituições a cumprir as regras de higiene das mãos, o que inclui a observação direta. Quando um profissional recusa ser auditado, inviabiliza a capacidade da instituição em demonstrar conformidade perante os organismos reguladores e, acima de tudo, coloca em causa a segurança do doente.

3. O Dever Ético e a Gestão de Risco

Legalmente, o profissional de saúde não se pode recusar a ser auditado. Esta atividade faz parte do sistema de gestão de risco a que todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde estão vinculadas.

Além disso:

  • Responsabilidade Profissional: Médicos e enfermeiros têm o dever ético de prestar cuidados seguros.
  • Verificação de Conformidade: A auditoria interna é o meio pelo qual o hospital garante que as funções definidas para cada posto de trabalho (Standard 01.04_01) estão a ser devidamente cumpridas.

4. Observação Direta e Privacidade

Uma dúvida frequente prende-se com a entrada em quartos ou gabinetes para observação direta (como na auditoria de manutenção de cateteres venosos).

Embora a privacidade e intimidade do doente devam ser sempre respeitadas (conforme o Standard 03.01_02), a entrada em áreas de prestação de cuidados para fins de auditoria é permitida e necessária para avaliar a prática real.

Conclusão: O Foco é o Coletivo

É importante reforçar que os resultados das auditorias são, regra geral, divulgados de forma agregada. O objetivo não é a penalização individual, mas sim a proteção de todos: do doente, que recebe melhores cuidados, e do profissional, que vê a sua prática normalizada e protegida por padrões de qualidade reconhecidos.

A segurança do doente não é um ato isolado, mas o resultado de uma vigilância constante e transparente.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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Fernando Barroso
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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Se a AUDITORIA é uma FARSA, então não faças!

Em conversa informal com uma formanda do curso de auditoria clínica, ela comentou:

- Quando se faz auditoria à higiene das mãos, os profissionais ainda gozam e fazem um teatro a cumprirem as boas práticas. Quando ninguém está a auditar, muitos deixam de higienizar as mãos

Este tipo de atitude é revelador do nível de cultura de segurança do doente deste serviço.

As boas práticas existem suportadas em saber científico e na melhor evidência e prática clínica.

Saber como se deve proceder e não o fazer é um ato negligente, que coloca em risco o doente.

Não basta fazer bem algumas vezes. Temos de fazer bem sempre.

Para ultrapassar esta dificuldade há que encontrar outras formas de auditar, menos exuberantes, para conseguir recolher evidências da realidade, e com os seus resultados consciencializar os profissionais.

Também não devemos esquecer a necessidade de uma maior intervenção do superior hierárquico, que detém responsabilidades específicas na defesa e garantia da segurança do doente, sempre que isso se revelar necessário.

Não basta defender uma cultura de segurança também temos de implementar uma cultura justa. Saber elogiar quem cumpre e penalizar quem simplesmente “não quer saber”.

Se a AUDITORIA é uma FARSA, então não faças!


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Fernando Barroso
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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

22º Curso Auditoria Clínica para Profissionais de Saúde

Está a decorrer mais uma edição (é já a 22ª) do Curso de Auditoria Clínica para profissionais de saúde.

É incrível a capacidade de trabalho destes profissionais de saúde (Médicos, Enfermeiros, TSDT) que em "apenas" uma semana já construíram as "grelhas de auditoria", elaboraram os "planos de auditoria" e conseguiram obter as necessárias autorizações para iniciarem a recolha de evidências no terreno.


A metodologia de auditoria obedece a regras simples que todos (com dedicação) podem aprender e implementar nos seus serviços.

A Norma Portuguesa - NP EN ISO 19011 2019, define “Auditoria” como um: Processo sistemático, independente e documentado para obter evidência objetiva e respetiva avaliação objetiva com vista a determinar em que medida os critérios da auditoria são cumpridos.

Muito mais do que uma definição formal (ISO) o que importa é verificar a conformidade dos cuidados prestados ao doente, tendo por base a melhor evidência cientifica, o melhor cuidado de saúde possível.

É este cuidado de excelência que procuramos quando desenvolvemos uma auditoria. Identificar o que fazemos bem (a conformidade) mas também o que não fazemos bem (a não conformidade) que a seguir transformamos num plano de ação (oportunidades de melhoria).

Em equipa, é possível melhorar e prestar um melhor cuidado. Um cuidado de qualidade.
A auditoria é uma ferramenta que permite exatamente isso.

O próximo curso (o 23º) vai ser em outubro de 2024 nos Açores, e em breve on-line, na ESCOLA DE SEGURANÇA DO DOENTE.

Para acompanhares a divulgação do curso podes subscrever a newsletter da ESD neste link.

Espero por ti.

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Fernando Barroso
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Erros de diagnóstico em adultos hospitalizados que morreram ou foram transferidos para cuidados intensivos

Foto de Matías Ramos na Unsplash

Quase um quarto dos doentes que são transferidos para unidades de cuidados intensivos ou que morrem em hospitais são mal diagnosticados ou têm diagnósticos atrasados, de acordo com uma investigação publicada a 8 de janeiro no JAMA. 

Num estudo de mais de 2400 registos de doentes, os investigadores recorreram a médicos com formação na identificação de erros para auditar cada processo clínico relativamente à admissão e aos eventos que conduziram a uma transferência para a UCI ou à morte em 90 hospitais.

Os investigadores trabalham na UCSF Health em São Francisco, no Zuckerberg San Francisco General Hospital, na University of Colorado School of Medicine em Aurora, no Brigham and Women's Hospital em Boston e na Vizient. 

Eles descobriram que os erros de diagnóstico contribuíram para danos temporários, danos permanentes ou morte em 436 pacientes - quase 80% de todos os doentes da coorte que foram considerados como tendo erros de diagnóstico. 

Dos 2428 registos, 550 doentes, ou seja, 23%, sofreram um erro de diagnóstico.

Entre os 1863 doentes que morreram, considerou-se que os erros de diagnóstico contribuíram para 121 mortes. No grupo de doentes que morreram e tiveram um erro de diagnóstico, o erro contribuiu para 29,4% das mortes, de acordo com o estudo. 

Os dois tipos mais comuns de erros de diagnóstico foram os problemas de avaliação, como o reconhecimento de complicações, e os testes, incluindo a escolha do teste correto, o pedido do teste em tempo útil ou a interpretação correcta dos resultados.

"Embora as mortes e as transferências de UCI sejam estatisticamente infrequentes e provavelmente representem uma população de pessoas gravemente doentes, a importância desses eventos nos esforços de segurança do doente é fundamental", concluíram os autores, "tornando os nossos resultados imediatamente úteis para os hospitais focados em abordar esses eventos".

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Fernando Barroso
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domingo, 30 de outubro de 2022

Auditoria Clínica - O Coordenador é um Médico ou um Enfermeiro? #SD450

Recebi um pedido de parecer em que era colocada a seguinte questão: Faço parte da Comissão de Auditorias Clínicas Internas do Hospital (…), à qual pertencem profissionais médicos e enfermeiros e temos um coordenador. (...) O coordenador desta equipa pode ser um médico ou enfermeiro, ou por se tratar de auditorias de âmbito clínico tem de ser médico?

É este o meu parecer: 

Do meu ponto de vista, existem 2 questões. Uma questão relaciona-se com a Coordenação da Comissão de Auditorias Clínicas, e outra questão relaciona-se com a atribuição da coordenação de uma determinada auditoria.

E estas não são a mesma coisa.

A atividade de auditoria, está bem enquadrada na Norma ISO NP EN ISO 19011 2019 (Linhas de Orientação para auditorias a sistemas de gestão).

A Direção Geral da Saúde, através da Orientação nº 002/2017, atualizada a 03/06/2022 (Preparação e Condução de Auditorias da Qualidade e Segurança da Prestação de Cuidados de Saúde) resume, para acesso livre, a referida NP EN ISO 19011 2019.

Nesta Orientação, está claramente definido o papel e requisitos de competência do Coordenador da Auditoria. A saber:

O Auditor Coordenador deve possuir "Qualificação e idoneidade (...) para a atividade/área a auditar" (Orientação nº 002/2017, ponto 5.2)

Sempre que a equipa auditora é constituída por mais de um elemento, a responsabilidade de coordenação da auditoria é atribuída a um auditor coordenador com comprovada experiência na metodologia de auditoria, nos critérios de auditoria, no referencial e nos processos em questão. (Orientação nº 002/2017, ponto 5.2)

No ponto 5.10 (sobre “Conhecimento e saber fazer”) da referida Orientação, pode ainda ler-se:  Para que os auditores possam ter os conhecimentos e saber fazer necessários às funções que desempenham nas diferentes auditorias devem ter participado numa formação de auditores, reconhecida e ministrada por formadores qualificados eles próprios como auditores.

Esta exigência incide com maior relevância sobre os auditores coordenadores, pois estes têm, cumulativamente, de ter conhecimentos e saber fazer para coordenar toda a atuação da equipa auditora e para apoiar os auditores com menor experiência. (Orientação nº 002/2017, ponto 5.10)

Eu compreendo a exigência da DGS, pois eu ministro este tipo de formação, que não é fácil para o formando, e nem todos conseguem alcançar os objetivos propostos.

Apesar de todas as referências existentes na Orientação nº 002/2017 em nenhum momento está explicito se o auditor coordenador tem de ser de uma ou outra categoria profissional.

O importante é a sua competência, no âmbito do conhecimento de como realizar uma auditoria e também a competência técnica relativa ao âmbito da própria auditoria.

Assim sendo, e imaginando por exemplo uma auditoria ao trabalho realizado por Enfermeiros numa área de atuação específica, percebe-se claramente que um coordenador, apenas por ser médico, dificilmente teria a "competência técnica adequada".

O mesmo se pode dizer para uma auditoria específica a um campo de atuação médico. Dificilmente um Enfermeiro poderia argumentar estar capacitado tecnicamente para o fazer.

Não se trata, pois, de uma questão de categoria profissional, mas da competência para executar corretamente uma auditoria. E isso só pode ser decidido "auditoria-a-auditoria".


Outra questão que entendo ter sido colocada é o assunto da Coordenação da Comissão de Auditorias Clínicas.

Sobre isto, entendo que não existe efetivamente uma orientação formal da tutela, embora seja conhecida a tendência nacional de atribuir a profissionais médicos a coordenação deste tipo de comissões.

O meu entendimento é que, quem coordena uma Comissão de Auditoria Clínica (eu colocaria no singular), deve ser antes de mais, uma pessoa de reconhecido mérito, no seu trabalho, no âmbito da Qualidade em Saúde e da Segurança do Doente, com capacidade de intervenção e com Autoridade reconhecida pela Equipa Multidisciplinar, nomeada pelo Órgão Máximo de Gestão da Instituição e contando com o seu suporte para planear e implementar um Plano de Auditorias abrangente na Instituição.

Não existe - salvo melhor opinião - obrigatoriedade desta pessoa ser de uma ou de outra profissão da área da saúde, desde que cumpra os requisitos expostos anteriormente.

É este o meu parecer.

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Fernando Barroso

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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Auditoria Clínica - parte 1 | #SD444

 

Photo by Stephen Dawson on Unsplash

São inúmeros os desafios com que hoje nos deparamos numa instituição de saúde. Os cuidados de saúde nunca foram tão complexos, seja pela evolução verificada com a introdução de novas tecnologias e avanços no conhecimento científico, seja por constrangimentos de vária ordem que condicionam a forma como os cuidados de saúde são prestados aos cidadãos. A Pandemia de COVID-19 veio agravar e evidenciar estes desafios e ao mesmo tempo colocou o sistema de saúde à prova.

Apesar da enorme evolução verificada nos cuidados de saúde, ainda não conseguimos encontrar um equilíbrio definitivo entre esse avanço e a garantia de uma prestação de cuidados de qualidade e eficiente.

Continuamos a debater-nos com problemas relacionados com questões “antigas”, como seja por exemplo a implementação de medidas básicas de higienização das mãos que garantam um cuidado seguro, sem risco de propagação de microrganismos multirresistentes entre doentes.

Desenvolvemos “programas de integração”, mas existem profissionais nas instituições de saúde sem formação adequada (em todas as categorias profissionais), a quem é exigido um desempenho exemplar ou mesmo acima das suas competências. A supervisão desses profissionais é por vezes entendida como uma atividade menor ou que “pode esperar”, e os mecanismos existentes para fazer face à necessidade de mudança são escassos ou encontram-se demasiadas vezes reféns da burocracia, da legislação laboral ou do corporativismo.

Os recursos materiais disponíveis são por vezes escassos ou de menor qualidade. Escolher um dispositivo médico é um verdadeiro desafio quando, para escolher, existe como critério principal o artigo “ao mais baixo preço” ficando excluídos dessa forma todos os materiais (dispositivos médicos, material de penso, etc.) a que estávamos acostumados e que davam garantia do resultado esperado à primeira utilização.

Os recursos humanos são igualmente um desafio. Reajustamos continuamente os profissionais atuais às tarefas e funções já existentes, evitando reduzir a oferta de serviços, ou cortando (inevitavelmente) onde é necessário.

Para quem gere (a todos os níveis) o desafio é enorme. Ser criativo já não é suficiente. Há que encontrar formas de analisar, quantificar e fundamentar todas as decisões tomadas. O envolvimento nos cuidados e principalmente o conhecimento dos seus resultados, baseados na eficiência clínica, têm de estar na primeira linha de quem tem responsabilidades de gestão. E a verdade é que todos nós individualmente, mesmo que não o compreendamos, somos responsáveis pela gestão do nosso trabalho diário.

A auditoria clínica é uma ferramenta que devemos compreender e utilizar sem receio. Ela permite conhecer, pormenorizadamente, como são prestados os cuidados (seja ao nível da estrutura, do processo ou dos resultados) aos doentes à nossa responsabilidade. Uma coisa é certa, um profissional apenas poderá prestar um “cuidado de qualidade e eficiente” se tiver disponível um conjunto de conhecimentos, recursos e uma organização adequados.

A Auditoria Clínica permite identificar quais os fatores que carecem de mudança e de quais nos devemos orgulhar. Com a Auditoria Clínica promove-se a deteção sistemática de pontos fracos no processo, a identificação de oportunidades de melhoria, promovendo o refinamento da organização e a sofisticação da prestação de cuidados.

Para concretizar uma auditoria existem um conjunto de metodologias que devem ser conhecidas, desenvolvidas e aplicadas e ao contrário do que possa por vezes pensar-se, a auditoria não é um processo inalcançável. Com a orientação, e empenho adequados, a maioria dos processos pode ser auditado.

Não podemos esquecer a importância e a interligação entre a qualidade em saúde e a segurança do doente, a governação clinica e a eficiência clínica e como a auditoria clinica as pode potenciar.

Vamos discutir (ao longo dos próximos artigos) os passos que nos vão colocar no melhor caminho para concretizar uma auditoria, e com os seus resultados, melhorar os processos, alcançando mais qualidade dos cuidados e melhor segurança do doente (dos profissionais e da instituição).

Fernando Barroso

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Quando percebes que estás atrasado nas auditorias sobre Segurança do Doente | #SD436


A Auditoria é indiscutivelmente uma das melhores ferramentas de Segurança do Doente que podemos usar.

Para que a auditoria seja representativa e estatisticamente significativa, é importante conseguir uma amostra volumosa. Dito isto, o "volume" pode variar muito tendo em consideração o foco da auditoria.

A "higiene das mãos" é um desses focos.

O problema é quando percebes que deixas-te passar o tempo (e as oportunidades) para fazer em tempo útil 200 observações. É claro que posso ir sentar-me numa sala de tratamentos e observar a atividade de 2 ou 3 profissionais durante uma manhã, mas isso não vai traduzir-se necessariamente numa amostra "diversificada e representativa".

Vou implementar outro método. 

Já agendei um primeiro momento de observação para dia 04/01/2022 (uma terça-feira). O segundo momento será na quarta-feira da semana seguinte. O terceiro momento será na quinta-feira da semana seguinte e assim sucessivamente até atingir (ou ultrapassar) as 200 observações. Desta forma consigo também alcançar a desejável diversidade, uma vez que serão observadas equipas diferentes e locais diferentes, sem tornar a experiencia (auditoria) em algo pesado.

Com esta estratégia sigo aquele principio em que "um pouco de cada vez vai transformar-se em muito".

Fernando Barroso

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Auditoria Clínica - Mais um curso concluído (#SD367)

É sempre com um sentimento de orgulho nos meus Formandos que assisto às apresentações finais dos trabalhos realizados em mais um Curso de Auditoria Clínica - Uma Ferramenta para a Qualidade dos Cuidados.


Invariavelmente o início é algo assustador. Todos chegam com ideias pré-concebidas sobre o que é uma auditoria e como "deve" ser difícil.

Mas não é 😃. Apenas tens de ter as ferramentas certas.

E no final, é fantástico ver como todos cresceram com a experiência.

Como foi possível (com a mesma ferramenta que aprenderam durante o curso) construir uma grelha de auditoria de raiz, aplicarem essa grelha em contexto real e realizarem auditorias todas diferentes e em diferentes contextos, que todos entendem como transformadoras e determinantes para a segurança do doente de cada Serviço.

Neste último curso foram realizadas as seguintes auditorias:
  • Auditoria Clínica - Verificação da conformidade da Norma de Procedimento: Registo de Manutenção dos Equipamentos, PAT-CLI / LAB HHFI – 3410.
  • Auditoria Clínica ao processo de identificação do doente no Serviço de Patologia Clínica
  • Auditoria Clínica à Norma 1068/2017 – Prevenção e controlo de colonização e infeção por MRSA
  • Auditoria Clínica - Norma 019/2015 -“Feixe de Intervenções” de Prevenção de Infeção Urinária Associada a Cateter Vesical (Direção Geral de Saúde, 2017)
  • Auditoria Clínica - Identificação do utente submetido a cirurgia de ambulatório; Política Interna - Identificação de doentes – 0115; Política Interna – Segurança do doente – 0127
  • Auditoria Clínica no âmbito do protocolo clínico 4002 – gestão da diabetes / glicémia capilar no adulto internado
  • Auditoria Clínica à utilização dos quartos de isolamento respiratório do Serviço de Infeciologia
  • Auditoria Clínica - Registos Administração Transfusão
  • Auditoria Clínica - Identificação do risco Nutricional em Internamento e aplicação integral do disposto no Despacho nº 6634/2018


Os meus parabéns a todos os Formandos. Vocês foram fantásticos.
Fernando Barroso

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

VI Curso de Auditoria Clínica - Queres saber quais as auditorias que construímos de raiz? - SD270

Foi com entusiasmo que realizei mais um Curso de Auditoria Clínica (o 6º) desta vez para Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA).

O primeiro dia constitui sempre um momento de aprendizagem intenso mas também (pela componente prática do workshop de construção da grelha de auditoria) uma consciencialização de que nem sempre os documentos orientadores da prática dos profissionais - Normas de Orientação; Procedimentos, etc. – estão construídos da forma mais correta não sendo sequer, em alguns dos seus aspectos, passíveis de serem auditados.

Segue-se um período de intenso trabalho autónomo com supervisão do formador em que cada formando de forma individual ou em grupo:
  • Expande o seu conhecimento;
  • Experimenta no terreno a nova metodologia e ferramenta que criou, realizando uma auditoria em contexto real, e;
  • Se surpreende com os resultados que obtém e o conhecimento que adquire.

O segundo dia (que ocorre 3 semanas depois do 1º dia) é um dia fantástico com apresentação do trabalho realizado e intensa discussão dos dados obtidos.
Invariavelmente todos aprendem com o partilhar das experiências e com o volume incrível de dados concretos (evidências) que não podem, a partir daí, ser ignoradas.

Neste curso foram realizadas as seguintes auditorias:

domingo, 3 de setembro de 2017

As ferramentas da Qualidade em Saúde e da Segurança do Doente são aplicáveis aos Cuidados de Saúde Primários? -SD265

Será que as ferramentas actuais relacionadas com a Qualidade em Saúde e a Segurança do Doente são aplicáveis aos Cuidados de Saúde Primários?

Esta é uma pergunta que têm surgido sistematicamente e que está relacionada com a aplicação dos princípios da qualidade em saúde, da segurança do doente ou da Avaliação do Risco aos Cuidados de Saúde Primários (CSP).

Falo várias vezes com colegas que trabalham nos CSP e quase todos referem que as ferramentas relacionadas com a segurança do doente e a qualidade em saúde não estão adaptadas aos seus locais de trabalho, ou que todos os exemplos disponíveis têm como origem nos cuidados hospitalares.

Eu considero que todos os princípios e ferramentas que existem se podem adaptar aos CSP respeitando a realidade de cada local de trabalho.

É possível atender aos mesmos problemas, às mesmas dificuldades aos mesmos desafios com ferramentas que estão actualmente disponíveis:
Com estas ferramentas é possível, em cada um dos locais onde são prestados cuidados de saúde, desenvolver um plano de qualidade com vista à segurança do doente e à melhoria da prestação de cuidados.

Considero que não é correcta a alegação de que os instrumentos disponíveis não são aplicáveis aos cuidados de saúde primários. Aquilo que tem efectivamente de ser feito é adaptar as perguntas, instrumentos e metodologias existentes a cada um dos diferentes contextos de trabalho.

Tem de realizar-se um esforço de aplicação das ferramentas existentes. Mas acima de tudo na documentação, aplicação e divulgação dessas experiências para que possam ser partilhadas com outros colegas do mesmo nível de cuidados.
Todos temos a responsabilidade de desenvolver esse esforço.

É imperioso documentar o que está a acontecer publicando artigos, histórias, pequenas informações  e tudo aquilo que seja possível com o objectivo da partilha.

Neste âmbito, o Blog Segurança do Doente estará sempre disponível para colaborar, publicando toda a informação relevante.


Pessoalmente, eu próprio tenho feito um esforço na divulgação de questões mais adaptadas aos CSP e irei continuar a fazê-lo.

Para isso, conto também com a vossa ajuda, com as vossas sugestões e perguntas.

Quais as ferramentas que utilizas no teu contexto de CSP? e como?

Que dificuldades encontras na sua aplicação?

Quais as ferramentas que gostavas de ver aqui analisadas numa óptica de CSP?

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Checklist Procedimentos de Segurança da ERS 2017 - SD263


A Entidade Reguladora da Saúde actualizou a sua  Checklist Procedimentos de Segurança destinada a integrar a avaliação da qualidade dos estabelecimentos hospitalares no âmbito da dimensão Segurança do Doente do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde – SINAS@Hospitais.

Mesmo que o teu Hospital não esteja envolvido na avaliação SINAS@Hospitais, esta checklist pode ser utilizada para realizar uma "auditoria interna" aos procedimentos de segurança preconizados, e com isso identificar áreas a melhorar.


Fernando Barroso

sexta-feira, 24 de março de 2017

SD246 - Vídeo Transparência na Prática Clínica


A Hofstra North Shore-LIJ School of Medicine realizou um estudo onde foi monitorizado, de forma aleatória através de câmaras de vídeo, a implementação de actividades chave de segurança do doente (por exemplo, checklist cirúrgica), dando feedback em tempo real.

Com esta actividade foi observado um aumento de 14% na conformidade com as políticas e procedimentos de segurança do doente. Este aumento da conformidade perdurou após a conclusão do estudo.

Se hoje não nos surpreende que as forças de segurança gravem as suas actividades, seria possível fazer o mesmo na prática clínica e nas nossas instituições de saúde?
Partilhado inicialmente por Gonzalo Carreño (Manager na Antares Consulting) 
Resumo do estudo disponível em:
e
http://qualitysafety.bmj.com/content/qhc/early/2016/01/28/bmjqs-2015-005058.full.pdf

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

IV Curso de Auditoria Clínica – Auditorias Realizadas

A Segurança do Doente começa na atitude e empenho de cada um de nós.
Quando associamos a estas características um conhecimento estruturado baseado em evidência, estamos definitivamente no bom caminho.

Este foi um grupo variado com origens em serviços bem diferentes.
Esteve representada a Pediatria, o Bloco Operatório, a Urgência Geral, a Obstetrícia , a Cirurgia Geral e as Especialidades Cirúrgicas. A Ortopedia e a Cardiologia. A Patologia Clínica, o Serviço de Formação e a Imuno-Alergologia.

Estiveram presentes Enfermeiros, Médicos e Técnicos de Diagnóstico e terapêutica. Todos percorreram o seu caminho e o resultado foi, uma vez mais, fantástico.

Com a ferramenta AUDITORIA, todos "descobriram" uma realidade do seu serviço que desconheciam, e que agora podem "transformar" para melhor.
Estamos todos de parabéns.

Auditorias (construídas e) realizadas:

No âmbito deste curso e de acordo com o plano de formação, os formandos desenvolveram e aplicaram as seguintes auditorias:

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Como preparar uma auditoria clínica no meu serviço

 Auditoria Clínica
Esta semana vamos realizar mais uma auditoria clínica no Centro Hospitalar. Vamos auditar a prevenção de quedas; a correta identificação do doente, o doente com imobilização, e a segurança das camas/macas.

Mas para que uma auditoria tenha sucesso, são necessários alguns passos simples, mas que podem fazer toda a diferença:

1) Definir o objecto da auditoria. Esta definição pode ter origem na necessidade de confirmar a correcta execução de um procedimento clínico, para verificar condições de segurança clínica, ou como uma forma de tornar evidente um problema ainda não correctamente caracterizado.

2) Planear a execução da auditoria. Qualquer tempo gasto no planeamento da auditora tem sempre um retorno exponencial positivo e facilitador da execução. Nunca devemos avançar para uma auditoria sem esta estar claramente planeada nos seus vários aspectos. Alguns pontos que não podemos esquecer: