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terça-feira, 2 de julho de 2024

OMS emite alerta sobre medicamentos falsificados usados ​​para tratamento de diabetes e perda de peso

 


A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta de produto médico sobre semaglutidas falsificadas, o tipo de medicamento usado para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade em alguns países.

alerta aborda 3 lotes falsificados de produtos da classe de medicamentos semaglutida (da marca específica Ozempic), que foram detetados no Brasil em outubro de 2023, no Reino Unido e Irlanda do Norte em outubro de 2023 e nos Estados Unidos da América em dezembro de 2023.

O Sistema Global de Vigilância e Monitorização (GSMS) da OMS tem observado um aumento nos relatos de produtos falsificados de semaglutida em todas as regiões geográficas desde 2022. 

Este é o primeiro aviso oficial emitido pela OMS após a confirmação de alguns dos relatos.

“A OMS aconselha os profissionais de saúde, autoridades regulatórias e o público a estarem cientes desses lotes falsificados de medicamentos”, disse a Dra. Yukiko Nakatani, Diretora-Geral Assistente da OMS para Acesso a Medicamentos e Produtos de Saúde. “Apelamos às partes interessadas para que parem qualquer uso de medicamentos suspeitos e denunciem às autoridades relevantes”.

Fontehttps://www.who.int/news/item/20-06-2024-who-issues-warning-on-falsified-medicines-used-for-diabetes-treatment-and-weight-loss 

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Fernando Barroso
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domingo, 17 de março de 2024

Extravasamento de meio de contraste em acesso venoso periférico

A imagem ilustra o resultado de um extravasamento de meio de contraste, com recurso a bomba de infusão de alta pressão (muito usado em serviços de imagiologia). 

Este incidente ilustra de forma dramática a necessidade de garantir a permeabilidade do acesso venoso do doente antes de qualquer administração de terapêutica. 

Fica para refletirmos todos em conjunto sobre a competência técnica e os recursos (humanos e materiais) que devem estar assegurados em cada momento, para bem da Segurança do doente

Fonte original: https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7173721868582031362/

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domingo, 10 de março de 2024

LASA - Paracetamol Vs Cloreto de Sódio |#479

 

Mais um quase-incidente com um medicamento LASA (Look Alike - Sound Alike).

“Aquando da preparação de terapêutica EV, nomeadamente de Paracetamol EV, constatou-se que a embalagem de Paracetamol apresenta cores que se assemelham ao Cloreto de Sódio 0,9% 100ml EV.

Uma vez que anteriormente a embalagem era diferente e menos propensa à ocorrência de erros medicamentosos, sentiu-se a necessidade de alertar para este risco presente na Unidade de Urgência Pediátrica.”

Felizmente este "quase-incidente" não teve consequências para o doente. Mas até quando? O profissional conseguiu perceber a semelhança e não cometer um erro de administração que poderia ser fatal.

O que vai ser preciso acontecer para que as empresas farmacêuticas mudem a sua forma de “fazer negócio”?

O que vai ser preciso acontecer para que o INFARMED tenha a capacidade de impor uma mudança?

Sugestão de leitura adicional:  

Medicamento de Alta Vigilância - Norma da DGS 008/2023


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domingo, 14 de janeiro de 2024

Medicamento de Alta Vigilância - Norma da DGS 008/2023

Esta norma (publicada a 19/12/2023) é dirigida aos Medicamentos de Alta Vigilância (MAV) e atualiza informação/orientação sobre os medicamentos LASA (Look-Alike, Sound-Alike - medicamentos com nome ortográfico e/ou fonético e/ou aspeto semelhante) e os medicamentos de alerta máximo (MAM)

É definido um normativo dirigido às Instituições, Profissionais, Doentes e Cuidadores, aos níveis:

do ambiente socio-organizacional,

da informação acerca do medicamento,

da seleção, aquisição e armazenamento,

da prescrição,

da dispensa,

da preparação e administração,

do envolvimento do doente e/ou cuidador,

A presente Norma revoga as Normas Nº 020/2014 de 30-12-2014, atualizada a 14-12-2015 -Medicamentos com nome ortográfico, fonético ou aspeto semelhantes e Nº 014/2015 de 06- 08-2015 - Medicamentos de alerta máximo.

 

Link para a norma: https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0082023-de-19122023-medicamentos-de-alta-vigilancia-pdf.aspx

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sábado, 17 de setembro de 2022

Medicação Sem Dano – 17 Setembro – Dia Mundial da Segurança do Doente | #SD447


Hoje - 17 de Setembro - assinala-se mais um Dia Mundial da Segurança do Doente

Este ano sob o tema "Medicação sem Dano"

Dos profissionais de saúde espera-se que consigam:

  • Manter as suas competências atualizadas em práticas seguras na utilização da medicação
  • Envolver os doentes por meio de tomadas de decisão compartilhadas usando ferramentas como os 5 Momentos para Segurança do Medicamento e implementar ações relacionadas com a campanha “Saber. Verificar. Perguntar”.
  • Fornecer informações claras e completas relacionadas com a medicação a todos os elementos da equipa de saúde durante todo o processo de atendimento
  • Relatar incidentes de segurança do medicamento e compartilhe e aplique as lições aprendidas com a sua equipa e doentes quando possível
  • Estar atento a situações em que o risco com origem nos medicamentos é alto e garanta que as medidas de segurança são seguidas
  • Acompanhar e ser o mentor dos novos membros da sua equipa sobre sistemas e práticas de medicação segura

(OMS, 2022)

Sobre este tema já escrevi vários artigos sobre medicação, e sobre o medicamento ao longo dos anos, e que te convido a revisitar.

Porque os medicamentos não podem ser tratados como guloseimas.

e porque

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Fernando Barroso

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domingo, 27 de março de 2022

Enfermeira Condenada a 8 anos de Prisão por Erro de Medicação | #SD440

Este é um exemplo assustador de como ao FATORES HUMANOS a que todos estamos sujeitos podem interferir de forma catastrófica na segurança do doente e causar um evento adverso irreversível.

Não, nunca é demais falar na carga de trabalho excessiva, falar na necessidade de dotações seguras, falar na necessária organização dos Serviços, de prescrições de medicamentos corretas e seguras. Nunca é demais falar na dupla-verificação da medicação, em especial dos medicamentos de alto risco.

E não, os sistemas eletrónicos de dispensa de medicamentos não são isentos de erro. O risco “zero” não existe em saúde.

Falei pela primeira vez neste caso aqui no blog em 2019, quando a Enfermeira RaDonda Vaught foi detida. Podes ler esse ARTIGO AQUI.

Entretanto, a história evoluiu, e a Enfermeira RaDonda Vaught enfrenta agora uma provável sentença de prisão de três a seis anos por negligência e de um a dois anos por homicídio culposo.

É importante que todos conheçam esta história e reflitam na sua prática diária.

Enfermeiros, Enfermeiros Gestores, Médicos e Administrações - Todos têm responsabilidade na Segurança do Medicamento e por consequência na Segurança do Doente

ESTES SÃO OS DESENVOLVIMENTOS MAIS RECENTES

Em dezembro de 2017, no hospital mais prestigiado do Tennessee, a enfermeira RaDonda Vaught retirou um frasco de um dispensador automático de medicamentos, administrou a droga a um doente e de alguma forma ignorou os sinais de um erro terrível e mortal.

A doente deveria ter recebido Versed (midazolam), um sedativo destinado a acalmá-la antes de ser submetida a uma ressonância magnética. Mas Vaught acidentalmente preparou vecurónio, um bloqueador neuromuscular paralisante, que interrompeu a respiração da doente e a deixou com morte cerebral antes que o erro fosse descoberto.

Vaught, de 38 anos (que foi detida e acusada de homicídio em 2019), admitiu o seu erro numa audiência do Conselho de Enfermagem do Tennessee no ano passado (2021), dizendo que se tornou "complacente" no seu trabalho e "distraída" por um estagiário enquanto operava o dispensador automático de medicamentos. Ela não se esquivou da responsabilidade pelo erro, mas disse que a culpa não era só dela.

"Eu sei que a razão pela qual esta doente não está mais aqui é por minha causa", disse Vaught, começando a chorar. "Não haverá um dia em que eu não pense no que fiz."

Se a história de Vaught tivesse seguido o caminho da maioria dos erros clínicos, tudo teria terminado horas depois, quando o Conselho de Enfermagem do Tennessee revogou a sua licença e encerrou a sua carreira de enfermeira.

Mas o caso de Vaught é diferente: esta semana, Vaught vai a julgamento em Nashville por acusações criminais de homicídio imprudente, abuso de um adulto deficiente e pelo assassinato de Charlene Murphey, a doente de 75 anos que morreu no Vanderbilt University Medical Center em final de dezembro de 2017.

Os promotores não alegam no processo judicial que Vaught pretendia ferir Murphey ou que estaria sob efeito de alguma droga quando cometeu o erro, por isso a sua acusação é um exemplo raro de um profissional de saúde que enfrenta anos de prisão por um erro clínico.

Erros fatais são geralmente tratados pelos conselhos de regulação profissional e tribunais civis. Os especialistas dizem que processos como o de Vaught são significativos para uma profissão aterrorizada com a criminalização deste tipo de erros – especialmente porque este caso depende de um sistema automatizado de dispensa de medicamentos que muitas enfermeiras usam todos os dias.

O julgamento de Vaught foi assistido por enfermeiros em todo o país (EUA), muitos dos quais temem que uma condenação possa abrir um precedente – já que a pandemia de coronavírus deixa inúmeros enfermeiros exaustos, desmoralizados e provavelmente mais propensos a erros.

Janie Harvey Garner, enfermeira registrada em St. Louis e fundadora do Show Me Your Stethoscope, um grupo de enfermeiras com mais de 600.000 membros no Facebook, disse que o grupo acompanha de perto o caso de Vaught há anos por preocupação com o seu destino – e o deles.

Garner afirmou que a maioria dos enfermeiros conhece muito bem as pressões que contribuem para esse erro: longas horas, hospitais lotados, protocolos imperfeitos e o inevitável aumento da complacência num trabalho com riscos diários de vida ou morte.

Garner confirmou que uma vez trocou medicamentos poderosos assim como Vaught fez e que só percebeu o seu erro numa verificação tripla de última hora.

"Em resposta a uma história como esta, existem dois tipos de enfermeiras", disse Garner. "Você tem as enfermeiras que assumem que nunca cometeriam um erro como este, e geralmente é porque não percebem que poderiam. E o segundo tipo são aqueles que sabem que isto pode acontecer, a qualquer dia, não importa o quão cuidadosos sejam. Esta poderia ser eu. Eu poderia ser RaDonda."

Quando o julgamento começou, os promotores de Nashville argumentaram que o erro de Vaught foi tudo menos um erro comum que qualquer enfermeira poderia cometer. Os promotores disseram que ela ignorou uma série de advertências que levaram ao erro mortal.

O caso depende do uso da enfermeira de um dispensador automático de medicamentos, um dispositivo computadorizado que dispensa uma série de medicamentos. De acordo com documentos arquivados no caso, Vaught inicialmente tentou retirar o Versed do dispensador digitando "VE" através da sua função de pesquisa sem perceber que deveria procurar pelo seu nome genérico, midazolam. Quando o dispensador não produziu Versed, Vaught acionou uma “sobreposição” que desbloqueou o sistema e permitiu-lhe aceder a uma faixa muito maior de medicamentos, depois procurou por "VE" novamente. Desta vez, o gabinete oferecia vecurónio.

Vaught então ignorou ou ignorou pelo menos cinco avisos ou pop-ups dizendo que ela estava retirando um medicamento paralisante, afirmam os documentos. Ela também não reconheceu que Versed é um líquido, mas o vecurónio é um pó que deve ser misturado ao líquido, afirmam os documentos.

Finalmente, pouco antes de injetar o vecurónio, Vaught enfiou uma seringa no frasco, o que exigiria que ela "olhasse diretamente" para uma tampa no frasco que dizia "Aviso: Agente Paralisante", afirmam os documentos da promotoria.

A promotoria aponta essa “sobreposição” do sistema como central para a acusação de homicídio imprudente de Vaught.

Vaught reconhece que ela executou uma “sobreposição” no dispensador. Mas ela e outros dizem que as “sobreposições” são um procedimento operacional normal usado diariamente em hospitais.

Ao testemunhar perante o conselho de enfermagem no ano passado, prenunciando a sua defesa no próximo julgamento, Vaught afirmou que no momento da morte de Murphey, o Hospital de Vanderbilt estava a instruir outras enfermeiras a usar a “sobreposição” para superar atrasos no dispensador e constantes problemas técnicos causados ​​por uma revisão contínua do sistema de registro eletrônico de saúde do hospital.

Para cuidar da doente que veio a falecer exigiu pelo menos 20 “sobreposições” no dispensador de medicamentos em apenas três dias, disse Vaught.

“Realizar uma “Sobreposição” no sistema era algo que fazíamos como parte de nossa prática todos os dias", disse Vaught. "Você não conseguiria obter uma bolsa de fluidos para um doente sem usar uma função de “sobreposição”"

As “sobreposições” também são comuns fora do Hospital de Vanderbilt, de acordo com especialistas que acompanham o caso de Vaught.

Michael Cohen, presidente emérito do Institute for Safe Medication Practices, e Lorie Brown, ex-presidente da American Association of Nurse Attorneys, disseram que é comum que os enfermeiros usem uma “sobreposição” para obter os medicamentos num hospital.

Mas Cohen e Brown enfatizaram que, mesmo com uma substituição, não deveria ter sido tão fácil aceder ao vecurónio.

"Este é um medicamento que nunca deve se obtido com uma “sobreposição” do sistema”, afirmou Brown. "É provavelmente o medicamento mais perigoso que existe."

Cohen disse que, em resposta ao caso de Vaught, os fabricantes de dispensadores automáticos de medicamentos modificaram o software dos dispositivos para exigir que até cinco letras fossem digitadas ao procurar medicamentos durante uma “sobreposição”, mas nem todos os hospitais implementaram essa proteção. Dois anos após o erro de Vaught, a organização de Cohen documentou um incidente "surpreendentemente semelhante" no qual outra enfermeira trocou Versed por outra droga, verapamil, enquanto usava uma “sobreposição” e pesquisava apenas com as primeiras letras. Esse incidente não resultou na morte de um doente ou num processo criminal, disse Cohen.

Maureen Shawn Kennedy, editora-chefe emérita do American Journal of Nursing, escreveu em 2019 que o caso de Vaught era “o pesadelo de qualquer enfermeira”.

E durante a pandemia de COVID-19, afirmou, isto é mais verdadeiro do que nunca.

"Sabemos que quantos mais doentes uma enfermeira tem, mais espaço há para erros", afirmou Kennedy. "Sabemos que quando os enfermeiros trabalham em turnos mais longos, há mais espaço para erros. É por isso que os enfermeiros ficam muito preocupados porque sabem que esta situação pode acontecer com eles."

Artigo original

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A 25 de março de 2022, RaDonda Vaught ouviu o veredicto ser lido no seu julgamento em Nashville, Tennessee. O júri considerou Vaught, uma ex-enfermeira, culpada de homicídio culposo, negligência grosseira de um adulto deficiente, e da morte de um doente a quem ela acidentalmente deu a medicação errada.

Vaught pode receber de três a seis anos de prisão por negligência e de um a dois anos por homicídio culposo como réu sem condenações anteriores.

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Como preparas a medicação dos teus Doentes?

Que medidas de segurança há implementadas no teu Serviço?

Aplicas a “dupla-verificação” sempre que preparas medicação de alto risco?

Não queiras ser tu a estar no banco dos réus.


Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

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domingo, 21 de março de 2021

Qual a estabilidade do Soro Fisiológico após a sua abertura? |#SD415

Uma leitora do blog contactou-me com uma pergunta acerca da estabilidade da solução de soro fisiológico a 0,9%, após a sua abertura.

Quando este tipo de embalagens é aberta mas não é utilizada completamente, o que devemos fazer? Eliminar, ou podemos utilizar posteriormente?

Como em qualquer outra solução, quando iniciamos a sua utilização, deve ser inscrito no frasco (balão de material plástico ou vidro) a data e hora de abertura (a não ser que a vá utilizar completamente de imediato).

Não tenha receio de escrever no frasco de soro. Pode ler a justificação neste artigo: É ou não seguro escrever num frasco de soro? | (#SD334)

Para que a solução se soro fisiológico possa continuar a ser utilizada, é fundamental garantir também a sua esterilidade. Para tal deve ser sempre utilizado uma seringa e agulha esterilizadas (assim como qualquer outro dispositivo médico como perfuradores), tendo o cuidado de desinfetar previamente a zona a perfurar.

Ao pesquisar sobre este assunto, encontrei o artigo que responde exatamente a esta questão:

"Soro Fisiológico: Potencial Risco De Perda Da Estabilidade Após Aberto e Armazenado Por Trinta Dias Em Diferentes Meios" 

Nas conclusões do artigo podemos ler que de acordo com os resultados expressos nas tabelas I e II (avaliação da concentração no momento de abertura, às 24 horas, 7 dias, 15 dias e 30 dias após abertura) pode-se concluir que o soro fisiológico 0,9% é estável quando armazenado em temperatura ambiente ou em frigorifico, não alterando as suas concentrações de cloreto de sódio, portanto, o seu uso é seguro e eficiente durante o período analisado (30 dias).

Fernando Barroso

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domingo, 29 de setembro de 2019

22º Encontro Gestores de Risco Clínico do CHS (#SD359)

O Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) realizou o seu 22º Encontro Formativo para Gestores de Risco Clínico da Instituição.

Estiveram também presentes os Gestores de Risco Geral e vários responsáveis dos diferentes Serviços (clínicos e não clínicos) do CHS

Foram abordados os seguintes temas:

  • Avaliação do Risco - Nova metodologia de registo
  • Segurança do Medicamento (Com a colaboração dos Serviços Farmacêuticos)

Avaliação do Risco - Nova metodologia de registo

Foi analisada a nova versão do Procedimento de Identificação e Avaliação de Riscos.
Nesta revisão do procedimento, o mesmo foi adaptado para respeitar a Norma Portuguesa NP ISO 31000.

A grande alteração no entanto diz respeito à metodologia de registo, passando o CHS a contar com um "Mapa Global do Risco" em formato de Folha Excel, disponível na Intranet a todos os utilizadores, e que permite acompanhar todas as fases do processo de avaliação do risco (Clínico e geral), bem como a sua monitorização.



Segurança do Medicamento


A Segurança do Medicamento constitui uma preocupação permanente do CHS. Ela está incluída no objectivo estratégico nº 4 do Plano de Segurança dos Doentes da Instituição (em articulação com o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 15-20).

A apresentação incidiu particularmente sobre as temáticas dos medicamentos LASA, Medicamentos de Alto Risco  e correcta identificação dos medicamentos.
O CHS prepara-se para iniciar um processo de optimização de todo o circuito do medicamento, no que à sua identificação diz respeito.


Este 22º Encontro foi da responsabilidade do Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínicos, com a colaboração da Comissão de Gestão do Risco e dos Serviços Farmacêuticos do CHS.


Este tipo de actividades é fundamental para garantir uma informação/formação permanente aos Gestores de Risco Clínico dos Serviços, disponibilizando apoio e suporte na concretização das diferentes acções, em prol da Segurança do Doente.

Fernando Barroso

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domingo, 25 de agosto de 2019

Erro Terapêutico - O Apelo de uma Enfermeira (#SD357)

À umas semanas atrás recebi por e-mail o apelo de uma Enfermeira.
Em jeito de desabafo, era assumido um erro de administração de terapêutica (um erro que pode acontecer a qualquer um de nós) e que resulta do facto de estarmos todos sujeitos às mesmas regras relacionadas com os Factores Humanos.

Foi esta a mensagem que recebi no meu e-mail (é protegida a identidade o serviço e a Instituição da Colega).

"Desta vez aconteceu comigo...
Uma doente internada num pós-operatório imediato tomou um anticoagulante per os, por engano, que era para a doente internada na cama ao lado com um diagnóstico de trombose venosa profunda.
Um erro grave que felizmente não trouxe consequências para a doente pois a equipa médica foi informada e foram tomadas todas as precauções necessárias.

Mas esta falha fez-me reflectir bastante.
- Porque aconteceu comigo?
Eu que tenho estudado esta temática e lido inúmeros artigos e que conheço as estratégias de prevenção do erro terapêutico, eu que procuro todos os dias melhorar a minha prática.
Pois bem... Eu sou humana e erro e não sou a única, pois após este incidente alguns colegas partilharam comigo situações semelhantes!

A questão é que o erro terapêutico é um fantasma, ele existe, mas ninguém parece vê-lo ou ter a coragem de o assumir, vivemos ainda numa cultura de muito medo e culpa.

A verdade é que cada vez mais se vai dando importância a esta temática e algumas melhorias têm vindo a ser feitas. Por exemplo na área de distribuição de medicação foi criado o sistema de unidose que tantos erros evita, no âmbito da prescrição foi criado o sistema de prescrição informático que tantos erros evita, mas para prevenir erros de preparação e administração de terapêutica que são com certeza os erros que maiores danos podem causar ao doente muito pouco tem sido feito, na minha opinião.

Os enfermeiros preparam a medicação numa sala para esse mesmo efeito para todos os doentes a seu cargo e identificam a medicação preparada com o número da cama do doente e posteriormente é junto do doente que é administrada a medicação já preparada, não tendo acesso à prescrição do doente no momento da administração, o que seria uma grande mais valia. 
As recomendações de vários artigos para a preparação e administração de medicação seguras recomendam que a medicação seja preparada exactamente antes da sua administração, junto do doente. 

Depois deste incidente mais do que me culpabilizar, tentei de imediato implementar estratégias para que tal não volte a acontecer.
Em todos os turnos imprimo a folha de terapêutica do doente e levo-a no carro de medicação e antes de administração faço nova confirmação.
Passei também a escrever informação mais completa acerca do doente no medicamento que preparo. 

Mas uma vez que no meu serviço existem alterações de prescrição muito frequentes penso que esta medida é um pouco dispendiosa pela quantidade de vezes que se tinha de imprimir novas folhas de prescrição e também uma medida pouco amiga do ambiente.

Penso que a colocação de um equipamento informático (um tablet ou PC portátil) nos carros de medicação em que haja acesso ao “sistema de prescrição do medicamento” seria uma medida bastante vantajosa. Seria assim possível preparar a medicação no momento da sua administração, ter acesso à terapêutica prescrita em S.O.S sem ter de percorrer o serviço para ir à sala de terapêutica, o que levaria a menos perda de tempo. 
Tenho conhecimento de alguns hospitais que adoptaram esta prática.
Tenho reflectido bastante sobre este assunto e gostava que algo mudasse na nossa prática.
Obrigada pelo tempo que lhe tomei, precisava de partilhar este desabafo.
Cumprimentos,"

O relato foi sentido, e depois disso já voltamos a conversar sobre o assunto, planeando novas medidas correctivas.

Há certamente muito que podemos e devemos continuar a fazer para permitir que os enfermeiros e outros profissionais não tenham medo de notificar este tipo de incidentes, para que assim seja possível aumentar a segurança do medicamento e promover uma prestação de cuidados de saúde mais segura.


“Os profissionais de saúde não querem causar dano aos doentes, mas muitas vezes acabam por fazer isso mesmo.
Especialização, competência e trabalho duro nem sempre protegem os doentes contra erros e omissões que resultam em danos.
Há momentos em que podemos ver claramente como uma determinada acção resulta num incidente ou quase incidente, mas muitas vezes as nossas acções simplesmente violam as barreiras de defesa, criando condições ocultas de maior risco.

O primeiro passo é aceitar que todos cometemos erros ou esquecemos as coisas, independentemente de nossa experiência, habilidade técnica ou antiguidade.
Pode ser algo tão simples quanto esquecer de pedir um Rx ao doente antes de o levar para o bloco operatório e ter que voltar atrás, ou catastrófico, como seleccionar a seringa errada e administrar uma dose de medicamento fatal.
Cada um de nós é humano e isso significa que nunca somos 100% perfeitos em 100% do tempo.” (Fernando Barroso - A influência dos Factores Humanos na segurança do doente - Um Guia para compreender e implementar a mudança; p23; 2019; 1ª edição).


Fernando Barroso
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Termino recordando um texto publicado na Revista em papel da Ordem dos Enfermeiros nº 17 de 2005, intitulado"Erros de Medicação".
Este é um texto traduzido de um original do International Coucil of Nurses.


sábado, 25 de maio de 2019

ALERTA SEGURANÇA DO DOENTE - Medicamentos LASA (#SD350)


ALERTA DE SEGURANÇA DO DOENTE - Medicamentos LASA

Os medicamentos denominados "LASA" (Look-Alike/Sound-Alike) são Medicamentos com nome ortográfico, fonético ou aspecto semelhante.

Na sequência de relatos de incidente ocorridos em maio de 2019 ALERTAMOS os nossos leitores  para estes novos medicamentos.

Ampolas de Acetilsalicilato de Lisina

Foram recentemente fornecidas em meio hospitalar, ampolas de Acetilsalicilato de Lisina, com rótulo em Francês, com a designação de "Acétylsalicylate de  Lysine".

Estas ampolas apresentam na face frontal do rótulo a indicação de 500mg, enquanto que nas anteriores ampolas fornecidas do mesmo fármaco, em português, a dose indicada é de 900mg.

No entanto, ambas as ampolas correspondem a 500mg de Ácido Acetilsalicílico.

Solicita-se a máxima atenção para que não ocorra administração incorrecta de dose.



Antibiótico com Aspecto Semelhante

Foram identificadas ampolas de Piperacilina e Tazobactam 2,2 e
ampolas de Amoxicilina e Ácido Clavulânico 1,2 fornecidas simultaneamente, e que são muito semelhantes diferindo apenas na cor da tampa protectora, e texto do rótulo (ver imagem abaixo).

A semelhança entre as embalagens potencia o erro, em especial após remoção da tampa.
Solicita-se a máxima atenção aos Profissionais para que não ocorra a troca do medicamento.


Podes saber mais sobre Segurança do Medicamento neste link

Fernando Barroso


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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Culpar é fácil, mas não previne Eventos Adversos (#SD345)


Em dezembro de 2017, um erro catastrófico na administração de medicação levou à morte de uma doente no Centro Médico Universitário de Vanderbilt.

Enquanto aguardava uma PET (tomografia), uma mulher de 75 anos apresentava-se ansiosa, pelo que lhe foi prescrito uma dose de um sedativo, o versed (midazolan). No entanto foi administrada uma dose de vecurônio, um bloqueador neuromuscular paralisante, em vez do sedativo prescrito, versed (midazolan).
 
Vecurônio - Versed
As acusações alegam que a enfermeira pretendia efetivamente administrar o medicamento prescrito, versed (midazolan). No entanto, a enfermeira não conseguiu encontrar o medicamento no dispensador automático de medicamentos (DAM), por isso utilizou uma função de sobreposição do sistema de segurança e digitou as primeiras duas letras da medicação que procurava “VE”, acabando por inadvertidamente retirar o vecurónio do armário.
 
Dispensador Automático de Medicamentos (DAM)
Como o vecurônio suprime a respiração normal e a doente ficou sozinha enquanto aguardava o início do teste, esta sofreu uma paragem cardiorrespiratória.
Apesar da doente ter sido reanimada, já era tarde demais para evitar a morte cerebral e, mais tarde, ela foi retirada do suporte de vida.

Esse caso foi amplamente divulgado na comunicação social como um exemplo de um incidente de segurança do doente evitável que causam dano ou matam muitos doentes, apesar dos nossos esforços para tornar a saúde mais segura.

Ao atingirmos o aniversário de 20 anos do histórico relatório do Institute of Medicine - To Err Is Human, um marco histórico do movimento de segurança do doente nos EUA, devemos humildemente reconhecer que, embora tenhamos feito muitas progressos, ainda há muito mais trabalho para fazer.

domingo, 20 de janeiro de 2019

É ou não seguro escrever num frasco de soro? | (#SD334)

É ou não seguro escrever num frasco de soro?
Esta foi a pergunta genérica a que vou tentar responder.

Para responder à questão, contei com a ajuda de alguns dos meus contactos (no facebook e através de e-mail e a quem desde já agradeço) e também de uma pesquisa (on-line e através da plataforma ClinicalKey). Apenas foram encontrados um total de 5 “artigos”.

O primeiro artigo/informação consultado foi publicado em 2014 e fazia também uma tentativa de resposta às nossas questões iniciais e estava intitulado: Um marcador permanente pode lixiviar para dentro de um Saco de Infusão IV?

Esta mesma questão surgiu porque existe a preocupação entre os profissionais de saúde, nomeadamente dos Enfermeiros, que ao escreverem directamente no saco/bolsa/frasco de soro, que a tinta possa atravessar o material plástico e diluir os seus componentes no líquido do seu interior e consequentemente ser infundido num doente. Pode ler-se no artigo que;

Esta situação enumera várias questões:
1. Devemos escrever em bolsas de soro com um marcador permanente?
2. Existe a possibilidade de difusão de tinta através de sacos de polivinilcloreto (PVC)?
3. Em caso afirmativo, existe algum dano potencial para o doente?

Estas são questões válidas, mas infelizmente as respostas podem ser pouco claras, contraditórias ou mesmo inexistentes (…).

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE | Facto nº 3 | (#SD310)


10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE 
10 facts on patient safety 
Actualizado pela OMS em Março de 2018


Facto #3 - O uso inseguro de medicamentos prejudica milhões e custa biliões de dólares por ano

As práticas de medicação inseguras e erros de medicação são uma das principais causas de danos evitáveis nos sistemas de saúde em todo o mundo.

Globalmente, o custo associado aos erros de medicação é estimado em 42 biliões de dólares/ano, sem contar com os salários perdidos, a produtividade ou os custos com assistência médica.
Isto equivale a quase 1% das despesas globais em saúde.

Os erros de medicação ocorrem quando sistemas de medicação deficientes e/ou factores humanos como a fadiga dos profissionais, más condições de trabalho, interrupções no fluxo de trabalho ou escassez de recursos humanos afectam a prescrição, transcrição, dispensa, administração e monitorização, o que pode resultar em danos graves, incapacidade e até a morte.

Fernando Barroso
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Artigo Revista - Segurança na preparação e administração de medicação pelo enfermeiro: quantos são os "certos"?


De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a ocorrência de eventos relacionados com erros de medicação afeta milhares de pessoas em todo o mundo.

Um erro de medicação pode ocorrer em qualquer processo do Sistema de Medicação, com maior propensão para a ocorrência durante a preparação e a administração de medicamentos.

Realizou-se uma revisão da literatura, partindo da seguinte questão: Quais as regras de segurança na preparação e administração de medicamentos, pelo enfermeiro, em meio hospitalar?

O objetivo foi identificar as regras de segurança ("certos") na preparação e administração da medicação pelo enfermeiro em meio hospitalar.

A pesquisa efetuou-se nas bases de dados Lilacs, Bireme, Cochrane, MEDLINE e CINAHL. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e da leitura dos resumos, obtiveram-se 14 artigos, que compõem a amostra final.

Após a análise, identificaram-se na totalidade 17 "certos", sendo que não existe consenso na literatura sobre o número e quais os "certos" a adotar.

Da análise realizada conclui-se que, para evitar a ocorrência de erros de medicação, os enfermeiros devem adotar estratégias preventivas, garantindo a qualidade da sua prática. Entre elas a confirmação de dados de segurança antes da preparação e administração de medicamentos e devem ser considerados nove certos a verificar na preparação e administração.

Autores do Artigo: Leila Sales, Joana Quintão e Marco Teixeira

O artigo (na integra) pode ser consultado de forma livre (link abaixo) através da Revista Salutis Scientia, uma revista internacional de livre acesso.


Fernando Barroso

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