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domingo, 6 de julho de 2025

Melhoria da Qualidade: Gestão do stress liderada por enfermeiros em unidades hospitalares

 

Aliviando o Stress na Enfermagem: Um Projeto Inspirador Liderado por Enfermeiros para o Bem-Estar!

A enfermagem é uma profissão incrivelmente exigente. Já alguma vez pensou no quão pesada pode ser a carga de trabalho, as longas horas e a tensão emocional que os enfermeiros enfrentam diariamente? Tudo isto pode levar a níveis elevados de stress, o que, por sua vez, pode culminar em burnout, reduzir a satisfação profissional e até mesmo comprometer a qualidade dos cuidados prestados aos doentes.

Mas há boas notícias! Os Líderes de enfermagem têm um papel crucial no apoio aos enfermeiros que prestam cuidados diretos, promovendo o seu bem-estar. E é exatamente sobre isso que este projeto de melhoria da qualidade (QI) se focou: introduzir atividades de autocuidado específicas para aliviar o stress e melhorar o bem-estar da equipa de enfermagem.

O Desafio: Cuidar de Quem Cuida

Originalmente, o Instituto para a Melhoria dos Cuidados de Saúde criou o "Triple Aim" para otimizar três dimensões da saúde: experiência do doente, saúde da população e custos dos cuidados de saúde. No entanto, rapidamente se percebeu uma lacuna crucial: faltava uma quarta dimensão – o apoio ao "cuidado para o cuidador" para reduzir o burnout na força de trabalho. O burnout é, essencialmente, um fenómeno de exaustão física e mental devido ao stress contínuo no local de trabalho. Para combater isto, os líderes de enfermagem precisam de investir recursos e envolver as suas equipas num plano estruturado de atividades de autocuidado.

Num centro médico académico de 500 camas, reconhecido com o selo Magnet®, os líderes de enfermagem identificaram esta lacuna no Quadruple Aim nas suas estruturas de governança partilhada. Foi esta identificação que deu o impulso para a criação do Conselho de Bem-Estar (WBC), cujo objetivo era colaborar com os enfermeiros para implementar táticas focadas no bem-estar do cuidador no ambiente de trabalho.

O projeto piloto desenrolou-se numa unidade de cuidados intermédios (uci) com 38 camas, onde os enfermeiros cuidam de doentes de alta complexidade com necessidades intensivas, como ventilação e telemetria. Os desafios são muitos: dinâmicas familiares complexas, stress financeiro dos doentes, barreiras culturais e até mesmo um layout físico grande que dificulta a comunicação. Uma pesquisa de 2022 revelou baixa satisfação profissional, pouca coesão de equipa e insatisfação com o acesso a equipamentos e processos de trabalho. Muitos enfermeiros expressaram intenção de sair e criticaram a liderança do hospital. As preocupações incluíam os rácios enfermeiro-doente (1:4), a perceção de que enfermeiros de agência priorizavam o salário em vez dos cuidados, e a falta de apoio da chefia. Uma elevada rotatividade e uma taxa de vagas de pessoal superior a 50% também contribuíam para o stress diário.

A Solução: Um Refúgio de Paz

A literatura científica aponta que ambientes de trabalho stressantes são uma das principais razões pelas quais os enfermeiros abandonam a enfermagem de cabeceira. O stress relacionado com cargas de trabalho elevadas e desafios de pessoal pode levar a piores resultados para os doentes, incluindo erros de julgamento e medicação. O stress ocupacional prolongado pode afetar a saúde física e mental dos enfermeiros.

A criação de um espaço silencioso e designado, juntamente com a oferta de terapias complementares como aromaterapia, massagem ou música, pode reduzir o stress ocupacional percebido pelos enfermeiros. Um espaço tranquilo encoraja os enfermeiros a fazerem pausas, oferece um refúgio do ambiente agitado e prioriza o bem-estar do enfermeiro, permitindo um regresso às tarefas com a mente clara e concentração aprimorada, o que apoia a prestação de cuidados de qualidade.

Como o Projeto Aconteceu: A Abordagem Melhoria da Qualidade

Este projeto de Melhoria da Qualidade utilizou o ciclo PDCA que representa as quatro etapas do ciclo: Plan (Planejar), Do (Fazer), Check (Verificar) e Act/Adjust (Agir/Ajustar), ideal para testar pequenas mudanças. Os dados foram recolhidos e analisados para determinar o progresso e informar modificações.

O projeto foi implementado num hospital reconhecido pelo seu compromisso com a excelência nos cuidados de saúde e a governança partilhada. Uma sala de consulta privada, perto da sala de descanso da unidade de cuidados intermédios, foi convertida num espaço tranquilo. Foi projetada para ter privacidade e iluminação suave, incluindo uma poltrona reclinável e uma manta. A participação era voluntária, com a garantia de cobertura para os doentes.

Os enfermeiros podiam escolher entre:

  • Aromaterapia: Óleos de lavanda, rosa ou sálvia esclereia. Durante a implementação, a sálvia esclereia, devido ao seu cheiro forte, foi substituída por bolas de algodão com óleo para maior conforto. A lavanda foi a mais utilizada.
  • Massagem: Através de um massajador Shiatsu para pés e pernas. Foi a segunda atividade mais popular.
  • Música: Acedida por códigos QR, com opções como sons de cascata, música para alívio da ansiedade e ondas do oceano. A música foi a menos utilizada em comparação com a aromaterapia e a massagem.
  • Simplesmente relaxar.

Os Resultados: Um Alívio Visível!

O projeto educou 21 enfermeiros sobre o uso da sala e as três atividades de autocuidado. Ao longo de 12 semanas, a sala e as atividades foram utilizadas 28 vezes, embora dados qualitativos indicassem um uso maior sem preenchimento dos inquéritos.

  • Antes da intervenção, 10 enfermeiros completaram um inquérito; após a intervenção, 3 responderam.
  • Após as atividades de autocuidado, os níveis de stress foram reduzidos em 43% (P < 0,05).
  • Os níveis médios de stress caíram de 6,4 para 3,7.

Este projeto confirmou o uso do espaço e a redução dos níveis de stress autorrelatados. Os participantes podiam personalizar a sua experiência combinando as atividades. Os resultados alinham-se com estudos que mediram os efeitos da musicoterapia e aromaterapia. As limitações incluíram o tamanho reduzido da amostra e o facto de a ferramenta de recolha de dados não ter sido formalmente testada quanto à validade e fiabilidade.

Implicações para os Líderes de Enfermagem: Priorizar o Autocuidado

Saber que os líderes de enfermagem são responsáveis pelo ambiente dentro do departamento torna crucial fornecer à equipa de enfermagem acesso a um "kit de ferramentas" de estratégias para lidar com o stress no trabalho. As atividades de autocuidado descritas neste projeto são exemplos de ferramentas úteis. Ao apoiar o envolvimento da equipa de enfermagem em atividades de redução de stress, o líder de enfermagem demonstra um compromisso com a saúde geral da sua equipa. Além disso, apoiar estudantes de pós-graduação durante o processo de QI fortalece a parceria académico-clínica, o que beneficia a formação de novos enfermeiros para a organização.

Este projeto piloto revelou como as atividades de autocuidado, como aromaterapia, massagem e sessões de musicoterapia em espaços tranquilos, podem contribuir para reduzir os níveis de stress autorrelatados dos enfermeiros. Realça a importância de oferecer opções de gestão de stress aos enfermeiros durante o trabalho, mostrando que estas serão utilizadas se disponíveis. Priorizar o autocuidado e criar "refúgios de paz" dentro dos ambientes de saúde pode não só melhorar o bem-estar dos enfermeiros, mas também promover um ambiente de saúde mais solidário e resiliente.

É um passo fundamental para um futuro onde o bem-estar dos nossos enfermeiros é tão prioritário quanto a saúde dos doentes que servem!

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
https://fernandobarroso.gumroad.com/


Referência Bibliográfica:

Woods, R. A., Baur, K., & Wendler, M. C. (Ano de publicação não especificado na fonte). Quality improvement: Nurse-led unit-based stress management. NURSING. doi:10.1097/nmg.0000000000000247

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Nós somos apenas humanos! (menos o Ronaldo claro) | #SD466


Durante todo o dia, observei inúmeras situações em que as atitudes e ações das pessoas revelavam simplesmente o seu lado humano.

Um colega começou com sintomas de covid (que se confirmou), outro falou-me nas suas dificuldades físicas que se acumulam ao longo do tempo e como elas interferem no seu dia-a-dia, um outro referiu a pressão psicológica que sente por ter de ser o cuidador de um familiar.

Todos nós, todos mesmo, estamos sujeitos aos mesmos fatores humanos, e às pressões exercidas seja pelas dificuldades físicas ou mentais. E todas tem o potencial de interferir no nosso dia a dia de trabalho.

São múltiplos os fatores que influenciam a nossa capacidade de pensamento e concentração e as consequentes ações que desenvolvemos.

Quando” a nossa cabeça” está noutro lugar, a ação desenvolvida pelo nosso corpo pode levar ao erro, até nas coisas mais simples.

A nossa capacidade de concentração na ação que estamos a desenvolver num determinado momento é fundamental para o sucesso dessa mesma ação.

Uma e outra vez vejo o resultado da falta de concentração traduzida em relatos de incidente clínico que muitas vezes têm como consequência o dano para um doente e indiretamente para o próprio profissional.

É por isso que conhecer a forma como os fatores humanos influenciam a segurança do doente é tão importante. Todos nós estamos sujeitos aos mesmos fatores.

Este fim de semana uma formanda enviou-me o seguinte comentário:

“Mais uma vez, agradeço-lhe esta oportunidade de formação e permita-me que partilhe consigo que considero que este curso é fundamental e deveria ser de caráter quase obrigatório (para não ser demasiado radical) a todos os enfermeiros, incluindo os gestores.”

Ela tinha acabado de concluir o Curso On-line: A influência dos Fatores Humanos na segurança do doente.

 E tu, sabes identificar as dificuldades que nos rodeiam todos os dias? Quais são os fatores que podem interferir com o teu desempenho ou com o desempenho da tua equipa?

Se quiseres aprender mais e com isso implementar as melhores estratégias para te preparares para um melhor desempenho, vem conhecer o Curso On-line: A influência dos Fatores Humanos na segurança do doente, disponível aqui: https://fernandobarroso.gumroad.com/l/fatoreshumanos?layout=profile

Ou podes estar mais interessado no E-book - A influência dos Fatores Humanos na segurança do doente, https://fernandobarroso.gumroad.com/l/ebookfactoreshumanos?layout=profile

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

Fernando Barroso

sábado, 14 de maio de 2022

Todos erramos na Segurança do Doente | #SD442

"Errar é Humano"

Não só esta é uma frase "feita" como também é o titulo de uma publicação que marcou (e marca) o início de uma consciência global sobre o erro nos cuidados de saúde, sobre a "Segurança do Doente" e sobre como todos nós - profissionais e doentes - estamos sujeitos ao erro, mas também, de forma consciente, podemos melhorar a forma como organizamos o trabalho (os cuidados prestados) para diminuir a probabilidade do erro ocorrer.

Esta semana, ao dirigir-me a pé para o meu local de trabalho, passei por um painel publicitário colocado numa paragem de autocarro. Depois de passar pelo local senti que algo não estava "bem". Voltei atrás e percebi o erro.

O trabalhador que colocou o painel enganou-se e colocou o painel de "pernas para o ar". Errou.

Lembrei-me de uma definição de erro da qual gosto particularmente.

"Errar é fazer a coisa errada, pensando que estou a fazer a coisa certa."

Este trabalhador errou a colocar a publicidade e não percebeu o seu erro. Daí não virá certamente grande mal ao mundo.

Na prestação de cuidados ao Doente, um erro pode ser fatal. 

Um profissional de saúde não se pode dar ao luxo de estar distraído (mas estamos); temos de verificar tudo o que fazemos (mas nem sempre o fazemos); não devemos falhar, mas todos somos humanos e todos estamos sujeitos aos mesmos factores humanos que potenciam o erro.

Falhamos  porque não damos a devida atenção à nossa Carga de trabalho cognitiva e mental, falhamos porque aceitamos as Distrações como algo normal, falhamos porque nos sujeitamos a um Ambiente físico prejudicial ao trabalho, falhamos ao ultrapassar as Exigências físicas do trabalho. Falhamos quando trabalhamos com um Desenho do produto/equipamento defeituoso. Falhamos quando não conseguimos implementar um verdadeiro Trabalho em equipa, e quando nos deixamos levar por um Desenho do processo repleto de complexidade.

Hoje, quando fores trabalhar, pensa nisto, sê vigilante e evita o erro.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

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domingo, 27 de março de 2022

Enfermeira Condenada a 8 anos de Prisão por Erro de Medicação | #SD440

Este é um exemplo assustador de como ao FATORES HUMANOS a que todos estamos sujeitos podem interferir de forma catastrófica na segurança do doente e causar um evento adverso irreversível.

Não, nunca é demais falar na carga de trabalho excessiva, falar na necessidade de dotações seguras, falar na necessária organização dos Serviços, de prescrições de medicamentos corretas e seguras. Nunca é demais falar na dupla-verificação da medicação, em especial dos medicamentos de alto risco.

E não, os sistemas eletrónicos de dispensa de medicamentos não são isentos de erro. O risco “zero” não existe em saúde.

Falei pela primeira vez neste caso aqui no blog em 2019, quando a Enfermeira RaDonda Vaught foi detida. Podes ler esse ARTIGO AQUI.

Entretanto, a história evoluiu, e a Enfermeira RaDonda Vaught enfrenta agora uma provável sentença de prisão de três a seis anos por negligência e de um a dois anos por homicídio culposo.

É importante que todos conheçam esta história e reflitam na sua prática diária.

Enfermeiros, Enfermeiros Gestores, Médicos e Administrações - Todos têm responsabilidade na Segurança do Medicamento e por consequência na Segurança do Doente

ESTES SÃO OS DESENVOLVIMENTOS MAIS RECENTES

Em dezembro de 2017, no hospital mais prestigiado do Tennessee, a enfermeira RaDonda Vaught retirou um frasco de um dispensador automático de medicamentos, administrou a droga a um doente e de alguma forma ignorou os sinais de um erro terrível e mortal.

A doente deveria ter recebido Versed (midazolam), um sedativo destinado a acalmá-la antes de ser submetida a uma ressonância magnética. Mas Vaught acidentalmente preparou vecurónio, um bloqueador neuromuscular paralisante, que interrompeu a respiração da doente e a deixou com morte cerebral antes que o erro fosse descoberto.

Vaught, de 38 anos (que foi detida e acusada de homicídio em 2019), admitiu o seu erro numa audiência do Conselho de Enfermagem do Tennessee no ano passado (2021), dizendo que se tornou "complacente" no seu trabalho e "distraída" por um estagiário enquanto operava o dispensador automático de medicamentos. Ela não se esquivou da responsabilidade pelo erro, mas disse que a culpa não era só dela.

"Eu sei que a razão pela qual esta doente não está mais aqui é por minha causa", disse Vaught, começando a chorar. "Não haverá um dia em que eu não pense no que fiz."

Se a história de Vaught tivesse seguido o caminho da maioria dos erros clínicos, tudo teria terminado horas depois, quando o Conselho de Enfermagem do Tennessee revogou a sua licença e encerrou a sua carreira de enfermeira.

Mas o caso de Vaught é diferente: esta semana, Vaught vai a julgamento em Nashville por acusações criminais de homicídio imprudente, abuso de um adulto deficiente e pelo assassinato de Charlene Murphey, a doente de 75 anos que morreu no Vanderbilt University Medical Center em final de dezembro de 2017.

Os promotores não alegam no processo judicial que Vaught pretendia ferir Murphey ou que estaria sob efeito de alguma droga quando cometeu o erro, por isso a sua acusação é um exemplo raro de um profissional de saúde que enfrenta anos de prisão por um erro clínico.

Erros fatais são geralmente tratados pelos conselhos de regulação profissional e tribunais civis. Os especialistas dizem que processos como o de Vaught são significativos para uma profissão aterrorizada com a criminalização deste tipo de erros – especialmente porque este caso depende de um sistema automatizado de dispensa de medicamentos que muitas enfermeiras usam todos os dias.

O julgamento de Vaught foi assistido por enfermeiros em todo o país (EUA), muitos dos quais temem que uma condenação possa abrir um precedente – já que a pandemia de coronavírus deixa inúmeros enfermeiros exaustos, desmoralizados e provavelmente mais propensos a erros.

Janie Harvey Garner, enfermeira registrada em St. Louis e fundadora do Show Me Your Stethoscope, um grupo de enfermeiras com mais de 600.000 membros no Facebook, disse que o grupo acompanha de perto o caso de Vaught há anos por preocupação com o seu destino – e o deles.

Garner afirmou que a maioria dos enfermeiros conhece muito bem as pressões que contribuem para esse erro: longas horas, hospitais lotados, protocolos imperfeitos e o inevitável aumento da complacência num trabalho com riscos diários de vida ou morte.

Garner confirmou que uma vez trocou medicamentos poderosos assim como Vaught fez e que só percebeu o seu erro numa verificação tripla de última hora.

"Em resposta a uma história como esta, existem dois tipos de enfermeiras", disse Garner. "Você tem as enfermeiras que assumem que nunca cometeriam um erro como este, e geralmente é porque não percebem que poderiam. E o segundo tipo são aqueles que sabem que isto pode acontecer, a qualquer dia, não importa o quão cuidadosos sejam. Esta poderia ser eu. Eu poderia ser RaDonda."

Quando o julgamento começou, os promotores de Nashville argumentaram que o erro de Vaught foi tudo menos um erro comum que qualquer enfermeira poderia cometer. Os promotores disseram que ela ignorou uma série de advertências que levaram ao erro mortal.

O caso depende do uso da enfermeira de um dispensador automático de medicamentos, um dispositivo computadorizado que dispensa uma série de medicamentos. De acordo com documentos arquivados no caso, Vaught inicialmente tentou retirar o Versed do dispensador digitando "VE" através da sua função de pesquisa sem perceber que deveria procurar pelo seu nome genérico, midazolam. Quando o dispensador não produziu Versed, Vaught acionou uma “sobreposição” que desbloqueou o sistema e permitiu-lhe aceder a uma faixa muito maior de medicamentos, depois procurou por "VE" novamente. Desta vez, o gabinete oferecia vecurónio.

Vaught então ignorou ou ignorou pelo menos cinco avisos ou pop-ups dizendo que ela estava retirando um medicamento paralisante, afirmam os documentos. Ela também não reconheceu que Versed é um líquido, mas o vecurónio é um pó que deve ser misturado ao líquido, afirmam os documentos.

Finalmente, pouco antes de injetar o vecurónio, Vaught enfiou uma seringa no frasco, o que exigiria que ela "olhasse diretamente" para uma tampa no frasco que dizia "Aviso: Agente Paralisante", afirmam os documentos da promotoria.

A promotoria aponta essa “sobreposição” do sistema como central para a acusação de homicídio imprudente de Vaught.

Vaught reconhece que ela executou uma “sobreposição” no dispensador. Mas ela e outros dizem que as “sobreposições” são um procedimento operacional normal usado diariamente em hospitais.

Ao testemunhar perante o conselho de enfermagem no ano passado, prenunciando a sua defesa no próximo julgamento, Vaught afirmou que no momento da morte de Murphey, o Hospital de Vanderbilt estava a instruir outras enfermeiras a usar a “sobreposição” para superar atrasos no dispensador e constantes problemas técnicos causados ​​por uma revisão contínua do sistema de registro eletrônico de saúde do hospital.

Para cuidar da doente que veio a falecer exigiu pelo menos 20 “sobreposições” no dispensador de medicamentos em apenas três dias, disse Vaught.

“Realizar uma “Sobreposição” no sistema era algo que fazíamos como parte de nossa prática todos os dias", disse Vaught. "Você não conseguiria obter uma bolsa de fluidos para um doente sem usar uma função de “sobreposição”"

As “sobreposições” também são comuns fora do Hospital de Vanderbilt, de acordo com especialistas que acompanham o caso de Vaught.

Michael Cohen, presidente emérito do Institute for Safe Medication Practices, e Lorie Brown, ex-presidente da American Association of Nurse Attorneys, disseram que é comum que os enfermeiros usem uma “sobreposição” para obter os medicamentos num hospital.

Mas Cohen e Brown enfatizaram que, mesmo com uma substituição, não deveria ter sido tão fácil aceder ao vecurónio.

"Este é um medicamento que nunca deve se obtido com uma “sobreposição” do sistema”, afirmou Brown. "É provavelmente o medicamento mais perigoso que existe."

Cohen disse que, em resposta ao caso de Vaught, os fabricantes de dispensadores automáticos de medicamentos modificaram o software dos dispositivos para exigir que até cinco letras fossem digitadas ao procurar medicamentos durante uma “sobreposição”, mas nem todos os hospitais implementaram essa proteção. Dois anos após o erro de Vaught, a organização de Cohen documentou um incidente "surpreendentemente semelhante" no qual outra enfermeira trocou Versed por outra droga, verapamil, enquanto usava uma “sobreposição” e pesquisava apenas com as primeiras letras. Esse incidente não resultou na morte de um doente ou num processo criminal, disse Cohen.

Maureen Shawn Kennedy, editora-chefe emérita do American Journal of Nursing, escreveu em 2019 que o caso de Vaught era “o pesadelo de qualquer enfermeira”.

E durante a pandemia de COVID-19, afirmou, isto é mais verdadeiro do que nunca.

"Sabemos que quantos mais doentes uma enfermeira tem, mais espaço há para erros", afirmou Kennedy. "Sabemos que quando os enfermeiros trabalham em turnos mais longos, há mais espaço para erros. É por isso que os enfermeiros ficam muito preocupados porque sabem que esta situação pode acontecer com eles."

Artigo original

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A 25 de março de 2022, RaDonda Vaught ouviu o veredicto ser lido no seu julgamento em Nashville, Tennessee. O júri considerou Vaught, uma ex-enfermeira, culpada de homicídio culposo, negligência grosseira de um adulto deficiente, e da morte de um doente a quem ela acidentalmente deu a medicação errada.

Vaught pode receber de três a seis anos de prisão por negligência e de um a dois anos por homicídio culposo como réu sem condenações anteriores.

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Como preparas a medicação dos teus Doentes?

Que medidas de segurança há implementadas no teu Serviço?

Aplicas a “dupla-verificação” sempre que preparas medicação de alto risco?

Não queiras ser tu a estar no banco dos réus.


Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente


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domingo, 12 de setembro de 2021

Um Incidente de Segurança do Doente com uma Agulha de Costura | #SD425

 


O relato de incidente chegou, lacónico:

 “No dia mencionado neste relato de incidente, os auxiliares presentes no turno verificaram a existência de uma agulha de costura ainda com linha espetada no casaco de pijama que foi fornecido a um utente após os cuidados de higiene e conforto”

E estava acompanhado por uma fotografia

O relato informava ainda que “não tinha sido necessário prestar assistência/tratamento ao doente”


Apenas pela informação disponível no relato, não é possível afirmar com certeza se estamos perante um quase evento (near miss) – um incidente que não alcançou o doente, ou um evento sem dano – um incidente em que um evento chegou ao doente mas não resultou em danos discerníveis.

Seja como for, fica-se a pensar:

- Mas como é que uma agulha de costura, ainda com linha, é deixada num pijama? E consegue chegar até junto do doente, colocando-o em risco de uma picada acidental?


Pelo conhecimento que tenho do circuito da roupa hospitalar, posso apresentar talvez o cenário mais provável.

Na maioria das instituições de saúde, os pijamas dos doentes são submetidos a um rigoroso programa de lavagem numa empresa externa de prestação de serviços, num processo de lavagem industrial, em máquinas de lavar enormes.

O programa de lavagem é agressivo (já era antes e ficou ainda mais destrutivo para a roupa com o COVID-19).

Sistematicamente a roupa é danificada no processo, e no caso dos pijamas (e camisas de dormir), os botões são os maiores sacrificados.

Isso significa que é necessário substituir os botões em falta ou danificados. São aos milhares por ano. Este processo é realizado, normalmente, pelos serviços de rouparia da própria instituição, e não na empresa externa.

Há até hospitais que tem máquinas automáticas de pregar botões, tal é o numero de botões que tem de repor.

Para as instituições em que esse equipamento não existe, o processo é manual – com agulha e linha.

Dai a ocorrer uma falha/distração que leve ao esquecimento de uma agulha no pijama do doente, basta apenas perceber um pouco de fatores humanos, e lá segue a agulha – anónima – com o pijama para junto do doente.

Teremos agora de pensar em soluções/estratégias que evitem este tipo de incidente, mas cuja solução seja exequível e custo/aceitável.

Uma coisa é certa, a equipa de costureiras do hospital tem de ser envolvida e ouvida ,a construção da solução.


Sim, é possível um pijama com uma agulha de costura espetada ainda com linha, chegar junto do doente.

Se há coisa que aprendi, é que em Segurança do Doente, tudo pode acontecer.

Temos mesmo de estar atentos, até a agulhas de costura perdidas.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

sábado, 27 de junho de 2020

Como Marcar a Transição da Equipa para o pós-COVID | #SD389

Photo by Perry Grone on Unsplash


Eu sei que é no mínimo polémico falar em "pós-COVID", mas as nossas vidas tem de continuar e devemos o mais rapidamente possível aceitar o "novo normal".

Foi com base neste princípio que, no meu Serviço, realizámos uma reunião/formação de Equipa em que o tema foram os sentimentos e experiências vividas durante o período da pandemia.

Para contextualizar um pouco importa explicar que, de um momento para o outro, a equipa de enfermagem do meu Serviço foi dividida em 3 grupos:
  • As colegas que foram seleccionadas para irem reforçar outros serviços do Centro Hospitalar;
  • As colegas que ficaram no Serviço e asseguraram a continuidade da actividade do Serviço;
  • As colegas que estavam/ficaram ausentes por diversos motivos.
Não é fácil descrever os sentimentos que todos vivenciamos durante este período; Incerteza do que poderíamos esperar. Medo de que nos afectasse directamente ou à nossa família. Coragem e resiliência para fazer "o que tinha de ser feito"

Estes foram apenas alguns dos sentimentos que todos sentimos e com os quais tivemos de aprender a viver.

A nossa reunião foi realizada na primeira semana a seguir a um marco que tínhamos estabelecido em comum. Que todas as colegas que iam sair do Serviço voltassem ao nosso serviço novamente. Esta foi uma promessa cumprida e só assim poderíamos continuar em frente e reforçar o nosso sentimento de equipa e de pertença ao Serviço.

A reunião foi muito simples, mas carregada de significado e partilha. De forma sincera todos partilhámos os nossos sentimentos, experiências (boas e más) e as estratégias desenvolvidas de apoio mútuo.

Ao proporcionar este momento conseguimos estabelecer um marco. Passou a existir um "antes" e um "depois", num período muito difícil para todos.

É claro que todos percebemos que o COVID-19 não desapareceu, e que temos de desenvolver estratégias de prevenção interna que garantam a Segurança do Doente e a Segurança dos Profissionais, mas com esta experiência, conseguimos "arrumar" um período extremamente desafiante para todos, e ter esperança no futuro.

Obrigado Equipa. Vocês são todas fantásticas!
Vamos continuar.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

quinta-feira, 11 de junho de 2020

COVID-19: Equipa e Fatores Humanos para melhorar a Segurança do Doente

A rápida transmissão do COVID-19 resultou numa pandemia internacional, com a taxa de mortalidade acumulada prevista para aumentar ainda mais nos próximos meses. A maioria das mortes até maio de 2020 tem sido altamente concentrada em determinadas áreas geográficas, colocando uma tremenda pressão nos sistemas de saúde locais e nas equipas de saúde.

Dar atenção à nossa condição humana no contexto mais amplo da segurança do doente pode aumentar a consciência sobre como as fraquezas humanas afectam os profissionais de saúde e as equipas ao ponto de poderem degradar a segurança e a qualidade do atendimento e aumentar o risco para os doentes com COVID-19 e para as equipas que cuidam deles.

Estas fraquezas são exacerbadas por fadiga e esgotamento, falta de confiança da equipa, falta de tempo, doenças e baixa segurança psicológica, cada uma das quais pode resultar num desempenho reduzido e contribuir para falhas como diagnósticos incorrectos e eventos adversos.

É aqui que uma equipa forte e a consciência sobre os factores humanos que nos condicionam pode fazer a diferença.

OS PROBLEMAS DE SEGURANÇA

Fadiga e burnout

A fadiga e a exaustão entre os profissionais de saúde e a equipa são predominantes durante o curso normal da prestação de cuidados, e ainda mais em tempos de crise em que a sobrecarga cognitiva e emocional é exacerbada por condições ambientais e situacionais críticas. Estratégias para lidar com o cansaço e a exaustão, cuja implementação requer liderança e adesão organizacional, surgiram de países atingidos desde o início pela pandemia do COVID-19. Estas estratégias concentram-se em melhorar as condições do local de trabalho e incentivar a procura de ajuda.

• um estudo com profissionais de saúde da província de Hunan, na China, descobriu que directrizes explícitas de controle de infecções baseadas em evidências, equipamentos específicos e instalações especializadas para o tratamento do COVID 19 ajudaram a mitigar o desgaste psicológico.

• as recomendações baseadas na experiência italiana do COVID-19 incentivam a remoção do estigma associado à procura de ajuda, estabelecendo infraestruturas e oportunidades prontamente disponíveis para o apoio de colegas durante e após a crise.

Ausência de confiança entre os elementos da equipa de atendimento

O fluxo extraordinário de profissionais de saúde reunidos para reforçar as equipas de atendimento nos “pontos quentes” do COVID-19 exige a formação rápida de equipas e o estabelecimento de confiança nos líderes das equipas, etapas essenciais para garantir práticas seguras. Os processos para apoiar o desenvolvimento da equipa, que já devem estar incorporados nos procedimentos gerais da assistência na saúde, incluem:

pequenas reuniões iniciais (Huddles): estas pequenas reuniões de equipa operacionalizam a partilha direccionada de informações para actualizar os novos membros da equipa sobre a situação, fornecer ajuda com o esclarecimento de funções e as atribuições de tarefas clínicas.

reuniões finais (De-briefings): é um processo através do qual os novos membros da equipa são convidados a compartilhar as suas ideias depois que um episódio de assistência; esses resumos oferecem oportunidades para aprender com as suas experiências e destacam as oportunidades de melhoria.

listas de verificação (Checklist): os novos membros da equipa devem ser incentivados a seguir processos e a desafiar quaisquer lacunas observadas nesses processos, sem a necessidade de levar em consideração hierarquias e convenções com as quais eles não estão familiarizados.

Falta de tempo adequado para o doente e para o autocuidado

A natureza sem precedentes da prestação de cuidados no âmbito do COVID-19 torna as equipas que prestam cuidados directos vulneráveis às pressões de produção, o que pode afectar negativamente a tomada de decisões, a precisão das tarefas, o civismo, a atenção plena, a consciência situacional e a troca de informações – ou seja, todos os comportamentos e actividades essenciais para a segurança do doente. Embora o ritmo do local de trabalho nem sempre esteja sob o controle da equipa, o reconhecimento colectivo do impacto negativo de demandas substanciais, constantes e implacáveis ​​sobre os indivíduos exige maior atenção à saúde da equipa. Como é lógico garantir que os membros da equipa tenham pausas, alimentos e hidratação quando necessário pode ajudar a reduzir o potencial de erro em circunstâncias stressantes.

Falta de segurança psicológica

Em resposta à pandemia do COVID-19, não só as equipas se reúnem com pouco ou nenhum conhecimento umas das outras em comparação com as equipas clínicas estabelecidas, mas muitas dessas novas equipas incluem profissionais de saúde cujas habilidades podem precisar de actualização; as habilidades e competências colectivas dessas novas equipas de atendimento, das quais dependem muitos aspectos das práticas seguras da prestação de cuidados de saúde, podem ser menos do que ideais, acrescentando stressores emocionais, físicos e morais aos membros da equipa que já estão sob condições de stress elevado. A ansiedade associada à prestação de cuidados numa situação incerta também pode reduzir o desempenho do profissional. Por causa do COVID-19, os profissionais de saúde e restante pessoal estão actualmente a trabalhar em ambientes onde está a ocorrer uma perda de vidas sem precedentes; essa grave situação cria uma tensão psicológica individual e colectiva difícil e um sofrimento moral. Além disso, os profissionais podem encontrar-se a trabalhar em situações clínicas que consideram desconfortáveis, o que diminui a confiança na sua produção, a confiança na equipa e no desempenho individual. Os esforços para aumentar a segurança psicológica dos profissionais de saúde, especialmente durante as pandemias, devem idealmente concentrar-se em:

estabelecer uma cultura de segurança: incentivar todos os indivíduos de uma equipa de cuidados a expressar quaisquer preocupações que identifiquem como potencias ameaças à segurança da equipa e/ou doentes é fundamental para aumentar o bem-estar psicológico dos membros da equipa. Isso é mais difícil de conseguir durante os períodos de rápida implantação da equipa em ambientes desconhecidos, porque eles não estão familiarizados com as normas culturais, processos e hierarquia. Além disso, com o estabelecimento de novas unidades ou hospitais inteiros para aumentar a capacidade de resposta à pandemia do COVID-19, as demandas cognitivas, a fadiga e o stress na prestação de cuidados podem tornar este um momento particularmente desafiador para estabelecer ou melhorar a cultura de segurança.

experiência das indústrias de alto risco: as experiências obtidas noutras indústrias de alto risco, como a aviação, prospecção de petróleo em alto mar e energia nuclear nas quais ocorreram desastres em grande escala, enfatizam o valor do pessoal que expõe as condições em tempo real, evitando assim falhas catastróficas. Portanto, embora mais difícil de alcançar durante uma pandemia, promover uma cultura na qual os membros da equipa de cuidados sejam incentivados a expressar suas preocupações é um objectivo que vale a pena perseguir.

suporte organizacional à segurança do trabalhador: a escassez de protecções básicas, como equipamento de protecção individual (EPI), reduz a confiança dos trabalhadores na capacidade de uma organização em mantê-los seguros ao prestar assistência em situações perigosas e afecta adversamente o seu bem-estar físico e psicológico. Portanto, as organizações de saúde devem fazer todo o possível para proporcionar um ambiente de trabalho o mais seguro possível, o que inclui o fornecimento de EPI adequados. A falta de EPI adequado pode contribuir para reduzir a confiança do profissional e da comunidade nas organizações de saúde; para promover a segurança psicológica, as organizações de saúde devem seguir as orientações emitidas pelas entidades nacionais e manter os seus profissionais informados sobre os stocks locais actuais de EPI e os esforços da organização para obter mais. Uma revisão sistemática recente e meta-análise da literatura relacionada com equipas de saúde que trabalham com doentes durante surtos infecciosos relataram que vários factores clínicos, de treino, experiência, psicológicos e relacionados com o serviço (consistentes com os factores mencionados acima) podem aumentar o risco de stress psicológico. Pausas adequadas, maior experiência, feedback positivo, confiança nas medidas de controle de infecção e equipamento de protecção adequado demonstraram diminuir o risco de stress psicológico.

 

Estratégias para Melhorar a Segurança através da Engenharia dos Factores Humanos

A engenharia de factores humanos (HFE) pode ajudar a abordar respostas e mitigar os riscos decorrentes dos desafios discutidos acima. As abordagens de segurança que empregam HFE são cada vez mais aplicadas nos ambientes de saúde para reduzir os possíveis impactos negativos dos comportamentos individuais nos cuidados diários, seja de rotina ou durante uma crise. A HFE pode ajudar a realinhar os fluxos de trabalho para aumentar a confiança do trabalhador sob pressão, projectando processos para o proteger contra as falhas de sistemas decorrentes de erro humano. Conforme vai ser descrito abaixo, as estratégias para reduzir os erros humanos e que exigem recursos relativamente mínimos para serem empregues durante a pandemia do COVID-19 incluem, sinalização proeminente, revisão do fluxo de trabalho para identificar pontos de falha, listas de verificação (checklist) para colocar e retirar o EPI e simulações para testar processos.

sinalização: para reduzir a ansiedade, a ineficiência e as oportunidades de erro, deve ser usada uma sinalização de destaque para as localizações dos equipamentos; lembretes sobre higiene das mãos, uso de equipamentos de protecção individual e higiene e limpeza ambiental para evitar a transmissão de microrganismos; identificação das áreas restritas para tratamento do doente, espaços exclusivos para profissionais e saídas. Por exemplo, quando os espaços precisam de ser reconfigurados e usados ​​de maneiras diferentes para mitigar o risco de exposição e infecção, a sinalética pode ajudar a tranquilizar profissionais e doentes, minimizar as explicações necessárias e alinhar as acções. Os factores humanos e considerações sobre o fluxo de trabalho devem ser aplicados ao determinar o tamanho, a cor e fonte, a terminologia e o local da colocação dos sinais.

revisão e redesenho do fluxo de trabalho: os pontos de falha potenciais devem ser identificados quando estão a ser desenvolvidos fluxos de trabalho para novos processos, a fim de evitar proativamente oportunidades de erros que, de outra forma, poderiam ocorrer enquanto os que seguem os processos estão sob pressão adicional, seja durante uma pandemia ou durante a prática normal. Por exemplo, a metodologia de “avaliação do risco” e outras ferramentas de análise de tarefas podem ser implantadas rapidamente para avaliar a prontidão de uma área para uso seguro. Os resultados da análise podem ser usados ​​para desenvolver processos padronizados para triagem e encaminhamento de doentes, testes de diagnóstico, admissões, tratamentos, coordenação de cuidados e envolvimento do doente e da família.

listas de verificação(Checklist): além de serem úteis para a nova equipa (como mencionado acima), as listas de verificação também podem ser extremamente úteis para garantir que as etapas de segurança sejam executadas adequadamente, mesmo em situações particularmente stressantes, como durante a pandemia do COVID-19. Muitas vezes, as listas de verificação são fáceis de usar no contexto do atendimento, pois podem ser alinhadas e sincronizadas com os fluxos de trabalho e outros processos existentes de atendimento.

simulações: há muito reconhecidas como uma ferramenta de aprendizagem e aprimoramento em indústrias de alto risco, as simulações podem preparar as equipas e as organizações com experiências que podem ser usadas para optimizar a sua preparação para situações de crise, obtidas num ambiente de baixo risco. O conhecimento colectivo criado por meio do uso de simulações pode contribuir para novos métodos de treino, desenvolvimento de protocolos, actividades de colocação e remoção de equipamentos de protecção individual, identificação de problemas na utilização das instalações e fluxos de trabalho.

Este artigo descreve os factores de stress relevantes para a resposta do sector de saúde à pandemia de COVID-19 na perspectiva dos profissionais de saúde. Ele chama a atenção para a pressão significativa a nível pessoal com que a pandemia está a afectar os indivíduos que trabalham no sistema de saúde. As estratégias destacadas neste documento baseiam-se em conceitos fundamentais de segurança do doente, em vez de questões mais amplas (e também importantes) relacionadas com o COVID-19, como a melhoria da qualidade, epidemiologia, cuidados clínicos, e protecção do pessoal. Os profissionais de saúde e as organizações de saúde já estavam a aplicar essas estratégias antes do início da pandemia para reduzir as ameaças aos cuidados seguros, mas a sua implementação é mais importante do que nunca para manter os doentes e profissionais de saúde seguros na era do COVID-19.

Caso queiras saber mais, sugiro que faças o curso - A influência dos Factores Humanos na segurança do doente 

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

Este é um artigo adaptado de Lorri Zipperer, membro da AHRQ PSNet team

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Factores Humanos discutidos nas 1as Jornadas Enfermagem Medicina Évora (#SD366)

A Influência dos Factores Humanos na Segurança do Doente, foi o primeiro tema das 1as Jornadas de Enfermagem do Departamento de Medicina do Hospital Espírito Santo em Évora.

Discutir em equipa multidisciplinar os múltiplos factores humanos (como: Carga de trabalho mental; Distracções; O Ambiente físico; Exigências físicas; O design do dispositivo/produto; Trabalho em equipa; O desenho/fluxo do processo) permite aumentar a consciência colectiva sobre estes factores contribuintes dos incidentes de segurança do doente que ocorrem diariamente nas nossas instituições de saúde.
Foi uma excelente mesa.
Obrigado pela oportunidade.

Caso pretendas aprender mais sobre este tema, podes frequentar o curso A influência dos Factores Humanos na Segurança do Doente, da ESCOLA DE SEGURANÇA DO DOENTE.
Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Usar os relatórios de incidentes para avaliar falhas de comunicação e resultados de doentes (#SD348)


As falhas de comunicação representam uma ameaça significativa à qualidade dos cuidados e segurança dos doentes e são um factor contribuinte comum em eventos adversos. No entanto, pouco se sabe sobre a natureza das falhas de comunicação.

Embora a relação entre as falhas de comunicação e a segurança tenha sido melhor estudada em ambiente de sala de operações, este problema provavelmente contribui para falhas de segurança em todos os ambientes de prestação de cuidados.

Os problemas de comunicação na maioria das vezes levam a atrasos no atendimento sem danos físicos para o doente, destacando desta forma a dificuldade de medir os problemas de comunicação em comparação com outros tipos de eventos de segurança do doente.

Um estudo publicado recentemente (Março de 2019) teve como objectivos identificar e descrever os tipos de falhas de comunicação em que enfermeiros e médicos estavam envolvidos e determinar como os diferentes tipos de falhas de comunicação podem afectar os resultados dos doentes.

Métodos

O método utilizado foi a análise de 16165 relatórios de incidentes arquivados durante o ano fiscal de 2015–2016 no Midwestern Academic Health Care System, de forma a identificar quais os relatos que descreviam falhas de comunicação envolvendo enfermeiros e médicos, tendo dessa forma sido identificados 161 relatos de incidente que correspondiam aos critérios de inclusão.

As falhas foram categorizadas por tipo, usando dois sistemas de classificação: contextual e conceptual.

Foi usada a análise conteúdo para identificar os resultados dos doentes: dano real ou potencial, insatisfação do doente, atraso no atendimento ou nenhum dano.
A frequência dos tipos de falha e os desfechos foram avaliados por meio de estatística descritiva.
As associações entre o tipo de falha e os resultados dos doentes foram avaliadas.

Resultados

Das 211 falhas de comunicação contextual identificadas, os erros de omissão foram os mais comuns (27,0%).

Mais da metade das falhas conceituais foram falhas na transferência de informação (58,4%),

Em 41,6% dos incidentes, ficou demonstrada uma falta de compreensão compartilhada (cada um dos interlocutores tinha uma compreensão diferente da informação).

Relativamente ao resultado para o doente, dos 179 desfechos identificados:
  • 38,0% foram atrasos no atendimento;
  • 20,1% foram danos físicos e;
  • 8,9% foram insatisfação do doente.

Não houve associação estatisticamente significativa entre a categoria do tipo de falha e os desfechos dos doentes.

Conclusão

Verificou-se que os relatórios de incidentes puderam identificar tipos específicos de falhas de comunicação e os resultados dos doentes.
Este trabalho fornece uma base para o futuro desenvolvimento de intervenções para prevenir eventos adversos relacionados com a comunicação, adaptando as intervenções a tipos específicos de falhas.
Todos temos responsabilidade na forma como comunicamos.
Na minha experiência, tenho tido acesso a relatos de incidente em que a comunicação é claramente o foco principal (ou melhor, a falta de comunicação efectiva entre os profissionais envolvidos).
A incapacidade de “parar” por alguns segundos para compreender a mensagem, aliada a factores humanos como, Carga de trabalho cognitiva e mental; Distracções; O ambiente físico; Exigências físicas; Desenho do produto/equipamento; Trabalho em equipa e o Desenho do processo, condicionam a forma como recebemos e interpretamos as mensagens que nos chegam.
Uma correta comunicação é vital para a segurança do doente.
Através deste link podes ficar a saber mais sobre como Aumentar a Segurança da Comunicação
- No teu serviço, como é abordado o tema da comunicação efectiva?

Fernando Barroso


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente




Fonte: Using Incident Reports to Assess Communication Failures and Patient Outcomes | Autores: Elizabeth Umberfield, Amir A. Ghaferi, Sarah L. Krein,e  Milisa Manojlovich. Publicado no The Joint Commission Journal on Quality and Patient Safety. Disponível online a 29 Março 2019