sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Desabafo - Portugal não aguenta | #SD401


Por mais que tente, não consigo entender tudo aquilo que observo.

Alguém me interpela e “pede” mais fatos de circulação, que os que tem diariamente no serviço não chegam... Diz que - “agora somos chamados mais vezes perto dos doentes e que depois tem de tomar banho… e vestir outro fato

Não resisto a comentar que compreendo que, quando passas 2, 3 ou 4 horas metido num EPI plástico que ficas todo transpirado, mas não compreendo como é que intervenções de 10, 15 ou 20 minutos obriguem ao mesmo procedimento.

Não estamos a tratar ébola.

Não temos fatos de circulação para esse volume de medo, e que é importante que todos estudem o assunto (COVID) e saibam o que devem fazer.

Portugal não aguenta este nível de ignorância.

 

Alguém pede uma bata impermeável com mangas + luvas + barrete (já tinha uma P2).

Apenas quer ir a um dos computadores de um gabinete de consulta (não COVID) consultar algo no SClínico.

Esteve lá menos de 5 minutos a usar o PC.

O EPI foi depois todo para o lixo.

Portugal não tem dinheiro para este nível de medo.

 

Uma Assistente de lar de uma “Santa Casa” (com casos COVID) entra no serviço de consultas externas com um utente para uma consulta.

Aproveita uns segundos em que o Segurança não estava na porta e entrou sem máscara (nem ela nem o utente).

O Segurança apercebesse e alerta. A Sra. é colocada (com o utente) no exterior (são só alguns metros) e repreendida. Vamos buscar umas máscaras para lhe entregar.

Ao regressar perto da mesma já ela colocou uma máscara ao utente e coloca uma nela própria. Sempre teve as máscaras consigo. Apenas optou por não as colocar.

Portugal não aguenta com este nível de iliteracia (?) falta de formação (?) falta de civismo (?) desprezo pelos outros(?)


E isto foi apenas uma pequena parte do dia…


 Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 8 de novembro de 2020

Avaliação do Risco para Abertura de um Serviço COVID | #SD400


Ao considerar a abertura de um serviço ou a transformação de um serviço existente para Doentes (confirmados ou suspeitos) com o novo Sars-CoV-2, deve ser efetuada uma “avaliação do risco” que considere aspetos importantes no âmbito do controlo de infeção, e antecipe entre outras, as seguintes “fonte de risco”:

1.    FONTE DO RISCO: Definição de circuitos
  • Circuito limpo e circuito sujo/contaminado
  • Circuito de doentes suspeitos/confirmados – ponto de entrada e saída (definido de acordo com estratégia institucional;
  • Circuito dos profissionais acesso a vestiários/balneários; Lotação máxima de profissionais em simultâneo;
  • Circuito para sujos (resíduos hospitalares e roupa contaminada) – pontos de recolhas;
  • Circuito para alimentação; rouparia; aprovisionamento e farmácia – ponto de entrega para os profissionais destes serviços com restrição de acesso ao interior;
  • Considerar marcação no corredor central (pavimento) de zona suja/zona limpa – esta definição é facilitadora das boas práticas.

2.    FONTE DO RISCO: Limpeza

  • Avaliar as necessidades para o serviço (nº de horas contratadas);
  • Número de profissionais dedicados;
  • Considerar as opções - limpeza assegurada pelas Assistentes Operacionais do próprio serviço ou limpeza assegurada pela empresa de limpeza;
  • Material/equipamento de apoio de acordo com “Procedimento Interno Para Limpeza De Áreas Com Doente Covid-19” (construir procedimento interno).

3.    FONTE DO RISCO: Espaços para pausa/alimentação

  • Definir local;
  • Definir nº de profissionais em simultâneo;
  • Acondicionamento de lancheiras dos profissionais na unidade.

4.    FONTE DO RISCO: Formação dos profissionais

  • Colocação / Remoção de EPI`s – Disponibilizar prática simulada, cartazes, vídeos tutoriais;
  • Tipologia de máscaras;
  • Procedimentos para limpeza de áreas com doente COVID-19.

5.    FONTE DO RISCO: Fardamento dos profissionais

  • Número de fardamento necessário; Tamanho; Circuito de entrega.

6.    FONTE DO RISCO: Equipamento e Material Clínico

  • Material em quantidade adequada;
  • Tipologia de material específico para tratamento do Doente COVID;
  • EPI’s (nº e tipologia).


Estas são apenas algumas das “fontes do risco” a considerar, que necessariamente variam de serviço para serviço ou de instituição para instituição.

Em resumo, recomenda-se a realização atempada de uma avaliação do risco que permita uma identificação das fontes do risco, a sua hierarquização e a implementação de medidas de tratamento do risco que garantam a segurança dos doentes permitindo aos profissionais prepararem-se de uma forma mais segura para o exercício das suas atividades. 


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 25 de outubro de 2020

domingo, 18 de outubro de 2020

O Covid-19 expôs os buracos no queijo suíço das estratégias de segurança do doente | #SD399


A Epidemia de Covid-19 expôs os grandes buracos existentes no queijo suíço das estratégias de segurança do doente – Entrevista a Santiago Tomás

Esta é uma entrevista ao Dr. Santiago Tomás. Pela sua clareza e lucidez neste período tão difícil para todos, decidi traduzir e aqui publicar. Recomendo a sua leitura atenta, especialmente a todos os GESTORES DE RISCO, em prol da Segurança do Doente.

ENTREVISTA

A epidemia de Covid-19 colocou o sistema de saúde à prova. O Dr. Santiago Tomás, com base na sua experiência pessoal na assistência a doentes afetados pela Covid-19, compartilha as suas reflexões sobre a situação da segurança do doente proveniente desta epidemia.

“Há vários meses que vivemos uma situação que mudou todo o paradigma da saúde, da atividade econômica e da vida social em todo o mundo. A pandemia causada pela infeção pelo vírus Covid-19 colocou todos os sistemas de saúde em tensão, sem exceção. Vivemos uma situação inusitada, com um número muito elevado de pessoas afetadas, falta de materiais de proteção e equipamentos suficientes para o atendimento dos doentes, grande necessidade de consumo de medicamentos e riscos de não fornecimento que ameaçam diversas áreas. Ao mesmo tempo, devemos agregar o pouco conhecimento que, progressivamente, vamos adquirindo sobre as características do vírus e a infeção que ele causa. Todos estes são fatores que estão a condicionar a resposta da saúde neste momento.

A tudo isto devemos somar três condições latentes que estavam ocultas aparecendo agora como uma dura realidade: em primeiro lugar, os deficits organizacionais dos sistemas de saúde, que considerávamos excelentes (e no qual acreditávamos!) e cuja gestão é responsabilidade de políticos e gestores de saúde que não conseguiram ver bem, ou subestimaram, o que estava por vir; em segundo lugar, o número de profissionais de saúde, claramente insuficientes para fazer face à pressão sanitária que aumenta dia a dia (e que há anos são “maltratados” em condições profissionais limitadas por cortes, apesar das suas reivindicações) e em cujas costas temos depositado todo o peso da batalha apesar de não terem recebido meios para se protegerem ou mesmo da própria irresponsabilidade de não se ter tomado os devidos cuidados no início da epidemia e, em terceiro lugar, o mais grave de tudo: a existência de uma população que confiava no sistema, numa sociedade de bem-estar, com uma elevada idade de sobrevivência, e que agora se encontra totalmente vulnerável, a qual não conseguimos atender nas melhores condições que merecem, e sobre a qual os médicos têm que tomar decisões eticamente muito difíceis para salvar o máximo de vidas de uma sociedade que, agora, está doente e sem recursos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Segurança do Doente Vs Bom dia | #SD398


O que é que um "Bom dia" tem a ver com a "Segurança do Doente"?

Sei que é um título estranho, mas tenho de partilhar esta experiência.

Esta semana, ao entrar numa área de espera do meu Serviço fiz aquilo que faço sempre

- Bom dia a todos!

E segui o meu caminho. Ao regressar, um Senhor que esperava na sala dirigiu-se a mim com voz alta dizendo:

- O Senhor é a única pessoa educada aqui!

Esta frase apanhou-me de surpresa, parei e olhei para ele. O Senhor estava claramente incomodado e continuou então a falar:

- Já passaram aqui muitos médicos, enfermeiros e empregadas, mas o Senhor foi o único que disse "bom dia". Nós somos pessoas que estamos aqui.

Agradeci, ao mesmo tempo que tentei explicar que se isso aconteceu que não foi por mal, que todos estamos muito atarefados, que existe muito trabalho...

Bem cá dentro de mim sei que não é assim.

Não dizemos bom dia porque não queremos dizer.

Não reconhecemos o "outro" porque optamos por não o fazer.

Estamos tão embrenhados nos nossos próprios pensamentos, problemas e dramas que nem percebemos que só existimos porque existe o outro.

Primeiro que tudo, na saúde, está a pessoa que nos procura e que merece toda a nossa atenção.

É para eles que trabalhamos e é por eles que existimos. É por eles que vale a pena lutar por melhores condições de trabalho, por dotações seguras, por equipamentos que funcionem, pela limpeza e higiene do espaço, por formação adequada.

Mas se não dizemos sequer "bom dia" ao nosso Doente, valemos muito pouco.

Mais humanidade precisa-se!

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 27 de setembro de 2020

3ªedição - Pós-Graduação Literacia em Saúde no ISPA


Celebramos a nova Pós Graduação de Especialização em Literacia em Saúde na prática- ISPA, totalmente DIGITAL, que abriu as inscrições com aquilo que temos de MELHOR: os nossos alunos, brilhantes profissionais de saúde e hoje com o título de, ESPECIALISTAS DE LITERACIA EM SAÚDE.

Quem quer dar o verdadeiro salto para uma prática integrada deve fazer esta especialização.

Consideramos cada vez mais que devemos ter ORGANIZAÇÕES LITERADAS. São estas que de forma agregada permitem também uma sociedade com maior literacia em saúde e melhores resultados em saúde, com forte influência na redução de custos.

Consideramos todas as grandes áreas de atividade que são trabalhadas em investigação e na prática a nível nacional e internacional.

 

Por isso temos módulos com os melhores peritos na área de:

  • LITERACIA EM SAÚDE NA PRÁTICA, MODELOS, ESTRATÉGIAS E INTERVENÇÃO
  • COMUNICAÇÃO EM SAÚDE
  • MARKETING EM SAÚDE E MARKETING SOCIAL
  • SEGURANÇA DO DOENTE
  • MÉTRICAS E DADOS
  • PSICOLOGIA DA SAÚDE
  • LITERACIA ALIMENTAR
  • CRIATIVIDADE
  • INOVAÇÃO
  • CASOS PRÁTICOS REAIS

 

Oiça e leia os testemunhos dos nossos especialistas que fizeram este curso.

Associada a esta especialização está um forte sentido de grupo e de apoio da estrutura docente e da capacidade de criação conjunta de projetos.

É de fato muito bom este reconhecimento. (Inicio a 30 novembro 2020)

 

http://fa.ispa.pt/pagina/testemunhos-formandos-1-edicao-pg-literacia-e-saude

 

Inscreva-se e esteja connosco nesta próxima especialização.


Inscrições AQUI


Cristina Vaz de Almeida

 

Testemunho Marta Barroca - 1.ª edição PG Literacia e Saúde

“A pós-graduação em Literacia em Saúde foi uma experiência fundamental que me ajudou a consolidar e adquirir novos conhecimentos sobre comunicação, gestão de expectativas, redução de barreiras à mudança, resolução de problemas, gestão de conflitos, melhoria das relações interpares. Embora tivesse à partida começado esta pós-graduação com o intuito de adquirir novas estratégias para aumentar a literacia em saúde dos meus doentes, apercebi-me que mais do que isso, ela também me estava a dar ferramentas para a minha vida pessoal e com os colegas de trabalho. Aprendi que a chave para fomentar literacia no outro é a sua compreensão como um todo, a comunicação positiva e persuasão, o trabalho motivacional e de reforço. E estas capacidades são transversais a todas as outras tarefas da nossa vida diária, fazendo dos objetivos desta pós-graduação algo que vai muito mais além do que intervir na literacia em saúde. Sem dúvida que, apesar de ser mais uma experiência acrescentadora de trabalho, tem sido uma mais-valia para ultrapassar os desafios do dia-a-dia.”

Marta Barroca, Médica, Medicina Geral e Familiar


Testemunho Cecília Nunes - 1.ª edição PG Literacia e Saúde

Estes 9 meses de pós graduação em Literacia em Saúde  foram um misto de emoções...No entanto, houve algumas mais fortes e marcantes de outras.. A cumplicidade alunos/ professores e alunos/alunos, a flexibilidade, disponibilidade e ajuda dos professores em todos os momentos, os conteúdos dos módulos, o espírito de grupo, foram na minha opinião os motivos de grande alegria e emoção para mim. Sentir que fiz parte de um grupo de pessoas que tem como objectivo comum contribuir para um mundo mais justo, não tem preço! Nunca estamos completos e por isso digo que acabo a PG com a clara certeza que dei mais uns passos em frente na minha formação como pessoa...Por isto e muito mais que fica por escrever, o ISPA, o seu corpo docente, a sua credibilidade e os Senhores Directores desta pós-graduação, estão todos de Parabéns! Voltarei com certeza para novas experiências académicas.”

Cecília Nunes, Responsável pro Ensaios Clínicos

Testemunho Diana Pinheiro - 1.ª edição PG Literacia e Saúde

“Ter frequentado esta pós-graduação, resultou para mim, num conjunto precioso de conhecimentos, competências e boas práticas em Literacia e Comunicação em Saúde, que já estou ativa e frequentente a utilizar no meu dia a dia profissional e pessoal. Em cada unidade curricular surgiram momentos de profundas reflexões, insights, pontes e articulação de informação muito útil e importante.

Agradeço a todos os professores e colegas pela oportunidade de, em conjunto, partilharmos do imenso que ainda é possível fazer no que toca à capacitação de profissionais e utentes nesta matéria ”

Diana Pinheiro – Acupunctora ; Docente na ESMTC – Escola de Medicina Tradicional Chinesa

Testemunho Sara Henriques - 1.ª edição PG Literacia e Saúde

“Hoje, depois de finalizar a pós-graduação, tenho a certeza de que fiz uma ótima escolha! Esta pós-graduação ensinou-me, não só novos conteúdos e conhecimentos interessantes nesta área e áreas associadas, bem como me despertou novas ideias, novas perspetivas, novas formas de pensar e refletir que podem ser aplicadas nos mais diversos contextos socias, culturais, profissionais, capacitando-me e oferecendo-me ferramentas para ser melhor no futuro. O corpo docente  é de elevada qualidade e a Direção pedagógica igualmente, envolvendo-se profissional  e emocionalmente com a turma e apoiando os alunos de forma muito próxima, pessoal e carinhosa. Levo desta pós-graduação, não apenas conhecimentos, mas emoções e incentivos e uma grande força para continuar o meu caminho e ser melhor em cada novo passo rumo ao meu futuro! 

Sara Henriques, Investigadora

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Vamos comemorar o Dia Mundial para a Segurança do Doente - 2020 | #SD397


Hoje comemoramos o DIA MUNDIAL PARA A SEGURANÇA DO DOENTE. Este ano, esta iniciativa da OMS tem como tema foco a SEGURANÇA DOS PROFISSIONAIS.

A premissa é simples - Sem Segurança dos Profissionais não é possível alcançar a Segurança dos Doentes.


Coloca-se assim uma questão pertinente.

Como garantir a Segurança do Profissional de Saúde?


Para que um profissional de saúde se sinta seguro, existem um conjunto de requisitos. Estes são apenas alguns desses requisitos:

  • Segurança no Conhecimento
  • Segurança nos Equipamentos de Proteção Individual
  • Segurança nos Dispositivos Médicos e Materiais
  • Segurança na Equipa
  • Segurança na Instituição
  • Segurança no Serviço de Saúde Ocupacional

 

Segurança no Conhecimento

Para que a atuação do profissional seja segura, e ao mesmo tempo para que o profissional se sinta segura nos atos que pratica, é indispensável que o profissional detenha e aplique o conhecimento necessário à sua actuação.

Esta parece ser uma afirmação óbvia e que dispensaria mais considerações, mas a pandemia da COVID-19 veio demonstrar que não é bem assim.

Não só esta nova doença nos veio colocar novos desafios na forma como tratar os Doentes, como também tornou evidente as lacunas de muitos profissionais, nomeadamente no que diz respeito ao conhecimento das medidas de controlo de infeção que os poderiam proteger.

É assim indispensável voltar a estudar, aprender tudo o que for necessário não só para conseguirmos tratar eficientemente os nossos doentes, mas também para garantir a nossa própria segurança quando estamos a prestar cuidados de saúde.

 

Segurança nos Equipamentos de Proteção Individual

Até há pouco tempo atrás, os EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) não tinham o protagonismo que hoje apresentam.

Era comum constatar a forma relutante como alguns profissionais se equipavam para cuidar de um doente, por exemplo, com MRSA, uma KPC (Carbapenemase de Klebsiella pneumoniae) ou uma vulgar gripe. O EPI recomendado, em tudo semelhante ao actual na COVID-19, via-se inúmeras vezes limitado ao simples avental descartável e um par de luvas.

A COVID-19 veio mudar tudo.

Desde as imagens alarmantes, cuidadosamente coreografadas pelo regime chinês, e que rapidamente se espalharam como “única verdade”, os EPI´s transformaram-se no símbolo do esforço que muitos profissionais de saúde têm de efetuar para cuidar dos doentes ao seu cuidado.

Mas para utilizarem corretamente os EPI’s é necessário; Conhecer o tipo de EPI a usar e quando; Saber como colocar e remover o EPI; Quais as diferenças entre o tipo de máscaras recomendadas e quais as mais eficientes?. Estes são apenas alguns dos desafios de conhecimento colocados aos profissionais de saúde.

 

Segurança nos Dispositivos Médicos e Materiais

Os dispositivos médicos (DM) e materiais usados nas instituições de saúde são um desafio constante para os profissionais.

Muitas vezes habituados a uma determinada “marca” e “modelo”, o advento da centralização das compras e a busca pelo mais barato ou simplesmente aquele que está disponível no mercado veio colocar em causa a qualidade de alguns DM´s e materiais que chegam efetivamente às mãos dos trabalhadores e consequentemente aos doentes.

Como a sabedoria popular nos ensina – o barato sai caro. Já assistimos a isso inúmeras vezes. Cabe ao profissional conhecer os DM´s com que trabalha e perceber de que forma deve atuar para resolver os desafios colocados por DM’s de qualidade duvidosa e que colocam em risco a segurança dos doentes, notificando os incidentes de segurança do doente de que tenha conhecimento.

 

Segurança na Equipa

Como seres sociais, dependemos em grande medida do nosso grupo para suportar o nosso modo de vida. É assim também nos serviços da saúde.

Pertencemos a uma equipa, e a nossa segurança está intimamente ligada ao conhecimento global da nossa equipa. Se, como grupo, tivermos o conhecimento suficiente para enfrentar os desafios que a prestação de cuidados de saúde complexos coloca, estaremos enquanto indivíduos mais preparados e seguros.

Também a gestão do “medo” da equipa é fundamental. Haverá profissionais mais assustados que outros. Este medo pode colocar o profissional e os doentes em risco. É importante ajudar os colegas que se encontram mais assustados e mais desconfiados.

 

Segurança na Instituição

Há vários anos que a “Cultura de Segurança do Doente” é avaliada nos hospitais.

Os resultados destas avaliações (ver imagem abaixo) ao longo do tempo tem colocado algumas das suas dimensões, consistentemente, com percentagens baixas. Por exemplo:

Dimensão 12 – Resposta ao erro não punitiva (com 26%)

Dimensão 10 – Dotação dos Profissionais (com 34%)

Não só os profissionais percecionam que ao relatarem incidentes de segurança do doente que tal informação pode voltar-se contra os próprios, como a recorrente falta de recursos humanos é um fator presente e também ele influenciador da segurança do doente e consequentemente dos próprios profissionais.

É urgente mudar ambas as coisas.


Segurança no Serviço de Saúde Ocupacional

Talvez nunca como agora, com a pandemia COVID-19, se percebe a importância do Serviço de Saúde Ocupacional numa instituição de saúde.

Criar modelos de apoio aos profissionais, não só na resposta a situações de saúde física, mas também emocional, psicológica e (diria mesmo sem medos) psiquiátrica, é fundamental para a segurança dos profissionais.

Confiar sem reservas nas indicações do Serviço de Saúde Ocupacional é algo que não estamos habituados a fazer.

Mas aqui são os próprios profissionais que detém uma enorme responsabilidade. Quando foi a última vez que, consistentemente, exigimos a existência e competência destes serviços nas nossas instituições? A maioria nunca.

Tirando honrosas exceções, a maioria destes serviços existirá com recursos a tempo parcial e pouco preparados (talvez como todos nós estávamos) para responder aos desafios da pandemia COVID-19, incumprindo inclusivamente com a legislação vigente.[LC1] 

Ao invés de criticar temos de ajudar, construindo positivamente um serviço de profissionais para profissionais.

Possivelmente será esse, e apenas esse, o apoio formal que teremos.

 

Estes são apenas alguns pontos que merecem a nossa reflexão neste DIA MUNDIAL DA SEGURANÇA DO DOENTE.

 

E tu, como vais assinalar este dia? Partilha connosco nos comentários outros temas que consideres importante discutir. Termos todo o gosto em dar-te a nossa opinião.

Fica Bem – Fica Seguro!

Fernando Barroso; Luís Caldas

 UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Ajude o seu sistema imunológico - Vacine-se contra a gripe neste inverno

Help your immune system by getting vaccinated against influenza this winter

Ajude o seu sistema imunológico. Vacine-se contra a gripe neste inverno.


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Parabéns a todas as Enfermeiras/os e Parteiras


Celebrating nurses and midwives across the WHO European Region


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 13 de setembro de 2020

A Descaracterização dos Profissionais de Saúde | #SD396


A Pandemia de COVID-19 tem sido usada como desculpa para muitas coisas.

Uma delas é a descaracterização dos profissionais.

Não digo isto de ânimo leve!

Não só a necessária utilização de Equipamentos de Proteção individual (EPI’s) veio “esconder” o rosto e as fardas dos profissionais, como muitos profissionais passaram a usar apenas fatos de circulação.


Esta opção tem, obviamente, inúmeros aspectos positivos:

Permite aos profissionais vestir um fato limpo no início de cada turno (o que nem sempre acontecia anteriormente), assim como a troca de fato durante o mesmo turno caso tal se revele necessário (e é certamente depois de várias horas vestido com EPI completo).

A utilização de fatos de circulação dá ao trabalhador uma sensação de segurança acrescida, e esse é um aspecto que não deve ser desprezado.


Mas a utilização massiva de fatos de circulação em detrimento do fardamento oficial de cada Instituição também tem aspectos negativos:

A tal sensação de segurança pode ser enganadora se o profissional não compreender que o fundamental é cumprir com as medidas de precaução básicas e especificas em controlo de infecção.

Um fato de circulação não é uma armadura impenetrável.

Um fato de circulação só deveria ser usado em situações especificas de alto risco de contaminação, em Serviços Cirúrgicos (Blocos) ou Unidades Especiais (p.ex: Técnicas de Gastro), e não deve ser utilizado fora dos serviços onde esses cuidados são prestados.

Os fatos de circulação não devem ser descartados como lixo, mas sim colocados para reprocessamento em locais predefinidos para que possam ser lavados e reintroduzidos novamente no circuito.

Os fatos de circulação (e já agora, também as fardas e Batas) não devem ser usados no momento de sair da instituição para voltar a casa (e continua a ver-se, mesmo nestes dias, esta prática que todos sabem estar errada).

Os fatos de circulação são um recurso finito. Os profissionais devem respeitar a sua utilização.

Os fatos de circulação de uma instituição (que os comprou e colocou a uso para os seus Profissionais) não devem ser “desviados” para outras instituições de saúde.

Mas o pior de tudo, pelo menos para mim é a descaracterização dos profissionais.

Um fato de circulação (igual a quase todos os outros) em conjunto com uma máscara, uma touca e por vezes óculos (sejam os pessoais ou outros) transforma rostos e pessoas conhecidos em perfeitos estranhos.

A maioria dos profissionais deixou até de usar o seu cartão de identificação. Porquê?

Se os doentes já ficam confusos com as fardas normais, imaginem agora quando à sua volta, todos são iguais.

Observo profissionais que, por detrás deste anonimato recém-criado, adotam práticas de verdadeiro desprezo por quem está há sua volta. Não pode ser.

O COVID-19 não é desculpa para este tipo de comportamento.

Estamos perto das comemorações do DIA MUNDIAL DA SEGURANÇA DO DOENTE, este ano dedicado à Segurança dos Profissionais de Saúde.

A Segurança dos Profissionais é fundamental, como já tive oportunidade de expressar, mas os Profissionais de Saúde também tem de reconhecer o esforço que as instituições fazem para lhes proporcionar EPI’s e outro equipamento (fatos de circulação incluídos), respeitando a sua utilização de forma criteriosa e acima de tudo respeitando os Doentes que cuidamos e com quem nos cruzamos nos corredores das nossas instituições.

Todos temos uma identidade própria, mas numa instituição não nos representamos apenas a nós próprios. Representamos a Instituição e um Grupo Profissional.

É em busca desta identidade que os Doentes olham para nós, nos procuram e nos reconhecem.

Não sejas anónimo.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente