Os principais problemas de qualidade decorrem do uso excessivo (overuse), uso insuficiente (underuse) e uso inadequado (misuse) de serviços e tecnologias.
Estes três
conceitos — Uso excessivo (overuse), Uso insuficiente (underuse)
e Uso inadequado (misuse) — são fundamentais na gestão da
qualidade em saúde e na segurança do doente. Eles ajudam a identificar falhas
na prestação de cuidados que comprometem os resultados clínicos e a eficiência
dos sistemas.
Estes são alguns exemplos práticos para cada uma destas vertentes, focados no contexto
da prestação de cuidados de saúde:
1. Uso
Excessivo (Overuse)
Ocorre quando
se fornece um cuidado de saúde ou tecnologia sem que haja benefício clínico
demonstrado, ou quando o risco potencial supera os potenciais benefícios.
- Prescrição de Antibióticos: Receitar antibióticos para
infeções virais (como uma constipação comum), onde o medicamento não tem
eficácia e ainda contribui para o aumento das resistências
antimicrobianas.
- Exames de Diagnóstico por Imagem
Redundantes: Realizar
exames de TC (Tomografia Computadorizada) ou Ressonância Magnética para
dores lombares agudas sem sinais de alerta (red flags), ou repetir
exames de imagem apenas por falta de partilha de dados entre instituições.
- Intervenções Cirúrgicas
Desnecessárias:
Indicação para cirurgias (como certas artroscopias do joelho ou partos por
cesariana) sem critérios clínicos estritos que as justifiquem face às
alternativas menos invasivas.
2. Uso
Insuficiente (Underuse)
Caracteriza-se
pela omissão ou não disponibilização de cuidados de saúde e tecnologias que
estão cientificamente provados como eficazes, seguros e necessários para o
doente.
- Falhas na Imunização: Não administrar vacinas
recomendadas (como a da gripe ou pneumonia em grupos de risco), levando a
internamentos evitáveis.
- Submedicação na Gestão de Doenças
Crónicas: Não
prescrever betabloqueadores após um enfarte agudo do miocárdio ou não
otimizar a terapêutica com inaladores em doentes com Asma ou DPOC severe.
- Atrasos no Rastreio Oncológico: Falha em encaminhar utentes
elegíveis para rastreios de base populacional (cancro colorretal, da mama
ou do colo do útero), resultando em diagnósticos tardios e pior
prognóstico.
3. Uso
Inadequado (Misuse)
Acontece
quando um serviço de saúde ou tecnologia apropriado é selecionado, mas ocorre
um erro ou complicação evitável durante a sua execução, impedindo que o doente
receba o benefício total. Está diretamente ligado a falhas nos processos de
trabalho e à segurança do doente.
- Erros de Medicação: Prescrever o fármaco correto
para a patologia do doente, mas com uma dosagem incorreta, via de
administração errada ou ignorando uma interação medicamentosa grave.
- Infeções Associadas aos Cuidados
de Saúde (IACS):
Realizar uma algaliação necessária, mas falhar nas técnicas de assepsia
durante a inserção do cateter urinário, provocando uma infeção do trato
urinário.
- Erros no Local Cirúrgico: Proceder a uma intervenção
cirúrgica indicada, mas falhar na marcação do local correto ou na
verificação da lista de verificação de segurança cirúrgica (checklist),
operando o membro errado.
A
monitorização destas três vertentes através de auditorias clínicas e
indicadores de qualidade permite desenhar intervenções mais robustas para
garantir que cada doente recebe o cuidado certo, na dose certa e no momento
adequado.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso











