A comunicação
eficaz entre equipas de saúde é um dos pilares fundamentais da segurança do
doente, tendo as ferramentas de mensagens instantâneas revolucionado esta
interação. No entanto, um estudo recente realizado com 3.239 médicos
revela que o aumento desregrado do volume de mensagens está diretamente
associado a um maior risco de erros, especificamente no envio de
solicitações para o doente errado.
O IMPACTO
DO VOLUME DE MENSAGENS
A
investigação, que acompanhou profissionais em 14 hospitais, concluiu que
aqueles que enviavam mais mensagens (os 25% no topo da lista) apresentavam uma
probabilidade 10% superior de cometer erros de identificação do doente.
Entre os grupos analisados, os médicos assistentes foram os mais
afetados, com um risco de erro 20% mais elevado.
Este fenómeno
explica-se por três fatores principais:
• O aumento
substancial da carga cognitiva dos profissionais;
• A maior
probabilidade de confusão na identificação dos doentes;
• A
complexidade clínica dos casos, que exige uma coordenação mais intensa entre
equipas.
OS PERIGOS
DAS FERRAMENTAS NÃO-ESPECÍFICAS
Embora o uso
de aplicações como o WhatsApp seja comum para ultrapassar barreiras geográficas
e facilitar a resposta em situações de emergência, estas ferramentas não foram
desenhadas para o contexto da saúde. Segundo Lucas Zambon, diretor científico
do IBSP, a utilização destas plataformas digitais sem o devido controlo pode
conduzir a erros de medicação, falhas na indicação de exames e problemas de
priorização.
RECOMENDAÇÕES
PARA UMA PRÁTICA SEGURA
Para mitigar
estes riscos, os especialistas sugerem que os gestores hospitalares e as
equipas adotem as seguintes medidas:
1. Monitorizar
o tráfego de mensagens como um indicador de sobrecarga de trabalho.
2. Implementar
protocolos rígidos de identificação, utilizando sempre o nome completo e o
número do processo clínico em todas as interações.
3. Privilegiar
soluções integradas no registo clínico eletrónico, que garantam a
mobilidade da tecnologia, mas com barreiras de segurança que ajudem a erradicar
erros de identificação.
A tecnologia
deve ser uma aliada da segurança, mas a sua utilização exige consciência,
protocolos estruturados e foco constante na proteção do doente.

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