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sábado, 1 de agosto de 2026

Da Fábrica para o Hospital: Como a Metodologia Toyota Revolucionou o Virginia Mason

 

No início dos anos 2000, o Virginia Mason Medical Center (VMMC), em Seattle, enfrentava uma crise silenciosa, mas profunda. Apesar de ser considerada uma instituição de prestígio, a liderança percebeu que os erros médicos eram endémicos e que a qualidade dos cuidados não atingia os padrões desejados. O novo CEO na altura, o Dr. Gary Kaplan, compreendeu que o status quo era inaceitável e que o hospital precisava de um método de gestão que colocasse, verdadeiramente, o doente em primeiro lugar.

A Inspiração Inesperada: "As pessoas não são carros"

A grande mudança começou com um encontro fortuito num avião entre o então presidente do Virginia Mason, Mike Rona, e um especialista em metodologia Lean. A ideia de aplicar os princípios da Toyota à saúde gerou ceticismo inicial — afinal, "as pessoas não são carros". Contudo, Kaplan e a sua equipa rapidamente perceberam que, embora os doentes sejam únicos, os processos de saúde são repletos de desperdícios que podem ser eliminados.

A metodologia foca-se na eliminação de sete tipos de desperdício, como o desperdício de movimento (quando um enfermeiro perde tempo à procura de material) ou o de defeitos (erros derivados de caligrafia ilegível). Ao eliminar estas falhas, o hospital conseguiu criar processos estandardizados que aumentam a segurança e reduzem custos.

"Parar a Linha": O Sistema de Alerta de Segurança do Doente (PSA)

Uma das ferramentas mais potentes importadas da Toyota foi o sistema andon, adaptado no VMMC como o Patient Safety Alert System™ (PSA). Na Toyota, qualquer trabalhador da linha de montagem tem o poder de parar a produção se detetar um defeito. No Virginia Mason, esta filosofia foi implementada para que qualquer colaborador — desde o médico ao pessoal da limpeza — possa "parar a linha" e reportar um risco imediato para o doente.

Esta mudança exigiu uma transformação cultural profunda. Historicamente, a saúde vivia uma cultura de culpa e hierarquia. Com o VMPS (Virginia Mason Production System), passou-se a ver o erro não como uma falha individual, mas como um problema de processo que a organização tem a responsabilidade de corrigir.

A Importância do Respeito e da Transparência

A transformação não foi isenta de dor. Em 2004, a morte trágica e evitável da doente Mary McClinton tornou-se um catalisador para a transparência total. Em vez de ocultar o erro, a administração utilizou o evento para solidificar o compromisso com a segurança.

Influenciada por Lucian Leape, a organização lançou a iniciativa "Respeito pelas Pessoas". Percebeu-se que a segurança do doente está intrinsecamente ligada a um ambiente de trabalho respeitoso, onde todos se sentem seguros para falar sem medo de retaliação.

Resultados Impressionantes

Os números desta década de transformação falam por si:

  • Envolvimento da Equipa: A participação nos inquéritos de cultura de segurança saltou de 16% em 2004 para 88% em 2013.
  • Segurança e Economia: Houve uma redução de 74% nos pedidos de indemnização por responsabilidade civil entre 2005 e 2015.
  • Eficiência: Workshops de melhoria reduziram o tempo de espera dos doentes em cerca de 69% em áreas específicas.

Conclusão: Uma Jornada Contínua

A experiência do Virginia Mason demonstra que a excelência clínica não depende apenas de competência ou recursos, mas de um sistema de gestão rigoroso focado na melhoria contínua (kaizen). Como afirma o Dr. Gary Kaplan, cada alerta de segurança não protege apenas um indivíduo, mas oferece a oportunidade de melhorar o processo para todos os doentes, todas as vezes.


Este artigo foi baseado em estudos de caso e materiais do Virginia Mason Institute.

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Fernando Barroso

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Importância de uma Taxonomia em Segurança do Doente

 

A Torre de Babel Conceptual

Historicamente, a falta de consenso sobre termos como "erro" ou "evento adverso" criou uma verdadeira "Torre de Babel" na saúde, dificultando a investigação e a comparação de dados entre diferentes instituições e países. Para resolver este problema, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou a Aliança Mundial para a Segurança do Doente em 2004, desenvolvendo a Classificação Internacional de Segurança do Doente(CISD). Este sistema organiza a informação em dez classes principais, focando-se na identificação, prevenção e redução de riscos.

 

Definições Fundamentais

A taxonomia da OMS estabelece definições rigorosas para os pilares da segurança:

  • Segurança do doente: É a redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde.
  • Dano: Refere-se a qualquer prejuízo na estrutura ou função do corpo, incluindo sofrimento físico, social ou psicológico, doença, incapacidade ou morte.
  • Incidente: É um evento ou circunstância que resultou, ou poderia ter resultado, em dano desnecessário ao doente.

 

A Tipologia dos Incidentes

Para facilitar a compreensão e a gestão do risco, os incidentes são classificados em quatro categorias principais:

  1. Circunstância notificável: Uma situação com potencial significativo de dano, mas onde não ocorreu um incidente (ex: um equipamento avariado antes do uso).
  2. Near miss (Quase evento): Um incidente que não chegou a atingir o doente (ex: uma troca de medicação detetada antes da administração).
  3. Incidente sem dano: Um evento que atingiu o doente, mas não causou lesão discernível.
  4. Evento adverso: Um incidente que resulta efetivamente em dano para o doente.

 

Erro versus Violação

A taxonomia faz uma distinção crucial entre falhas humanas:

  • Erro: É uma falha não intencional na execução de um plano ou a aplicação de um plano incorreto. Pode ocorrer por omissão (não fazer o que é certo) ou por comissão (fazer a coisa errada).
  • Violação: É um desvio deliberado e intencional de um procedimento, norma ou regra estabelecida, como a não higienização das mãos.

 

Fatores Contribuintes e Resiliência

A ocorrência de um incidente é geralmente o resultado de múltiplos fatores contribuintes, que podem ser humanos (comportamento da equipa), do sistema (ambiente de trabalho) ou externos (legislação). A resiliência do sistema é, portanto, a sua capacidade de impedir, detetar ou atenuar danos de forma contínua.

 

A adoção desta taxonomia uniformizada permite que as organizações de saúde aprendam com os erros de forma sistémica, abandonando a cultura da culpabilização individual para focar na melhoria contínua e na segurança clínica.

Podes fazer o download da Classificação Internacional de Segurança do Doente (CISD) neste link da Direcção-Geral da Saúde.

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Fernando Barroso

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domingo, 19 de maio de 2024

Como Usar o Notifica - 19/05/2024


Um incidente de SEGURANÇA DO DOENTE que não é notificado “não existiu”.

É muito importante que todos os incidentes em que estamos envolvidos, direta ou indiretamente, sejam notificados na plataforma notifica

Sem essa notificação, sem esse conhecimento, a informação relativa ao incidente, os seus fatores contribuintes, e toda a aprendizagem que poderia ser feita não vai acontecer.

Notificar é aprender com os erros passados.

Notificar é aumentar a segurança do doente e contribuir para a qualidade em saúde dos nossos serviços e instituições.

Este é o link para o notifica. https://notifica.dgs.min-saude.pt/

Copia e cola no desktop do teu PC ou no teu telemóvel. É muito simples e fácil notificar.

O que achas desta estratégia?

Tens recebido respostas às tuas notificações?

Sabes quem é o GESTOR DE RISCO CLÍNICO da tua instituição?

Deixa os teus comentários abaixo.

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domingo, 17 de março de 2024

Extravasamento de meio de contraste em acesso venoso periférico

A imagem ilustra o resultado de um extravasamento de meio de contraste, com recurso a bomba de infusão de alta pressão (muito usado em serviços de imagiologia). 

Este incidente ilustra de forma dramática a necessidade de garantir a permeabilidade do acesso venoso do doente antes de qualquer administração de terapêutica. 

Fica para refletirmos todos em conjunto sobre a competência técnica e os recursos (humanos e materiais) que devem estar assegurados em cada momento, para bem da Segurança do doente

Fonte original: https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7173721868582031362/

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Erros de diagnóstico em adultos hospitalizados que morreram ou foram transferidos para cuidados intensivos

Foto de Matías Ramos na Unsplash

Quase um quarto dos doentes que são transferidos para unidades de cuidados intensivos ou que morrem em hospitais são mal diagnosticados ou têm diagnósticos atrasados, de acordo com uma investigação publicada a 8 de janeiro no JAMA

Num estudo de mais de 2400 registos de doentes, os investigadores recorreram a médicos com formação na identificação de erros para auditar cada processo clínico relativamente à admissão e aos eventos que conduziram a uma transferência para a UCI ou à morte em 90 hospitais.

Os investigadores trabalham na UCSF Health em São Francisco, no Zuckerberg San Francisco General Hospital, na University of Colorado School of Medicine em Aurora, no Brigham and Women's Hospital em Boston e na Vizient. 

Eles descobriram que os erros de diagnóstico contribuíram para danos temporários, danos permanentes ou morte em 436 pacientes - quase 80% de todos os doentes da coorte que foram considerados como tendo erros de diagnóstico

Dos 2428 registos, 550 doentes, ou seja, 23%, sofreram um erro de diagnóstico.

Entre os 1863 doentes que morreram, considerou-se que os erros de diagnóstico contribuíram para 121 mortes. No grupo de doentes que morreram e tiveram um erro de diagnóstico, o erro contribuiu para 29,4% das mortes, de acordo com o estudo. 

Os dois tipos mais comuns de erros de diagnóstico foram os problemas de avaliação, como o reconhecimento de complicações, e os testes, incluindo a escolha do teste correto, o pedido do teste em tempo útil ou a interpretação correcta dos resultados.

"Embora as mortes e as transferências de UCI sejam estatisticamente infrequentes e provavelmente representem uma população de pessoas gravemente doentes, a importância desses eventos nos esforços de segurança do doente é fundamental", concluíram os autores, "tornando os nossos resultados imediatamente úteis para os hospitais focados em abordar esses eventos".

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sábado, 6 de maio de 2023

10 motivos pelos quais a VIOLÊNCIA contra profissionais é INTOLERÁVEL nos serviços de saúde (podia arranjar 1000)

A Violência contra Profissionais nos Serviços de Saúde é INTOLERÁVEL 

Estes são apenas 10 motivos pelos quais a VIOLÊNCIA contra profissionais é INTOLERÁVEL nos serviços de saúde (podia arranjar 1000)

1. Direito à segurança: Todo trabalhador tem o direito à segurança no trabalho e isso inclui profissionais de saúde. A violência no local de trabalho é inaceitável e pode colocar em risco a vida e o bem-estar do profissional.

2. Dificuldade na prestação de serviços: A violência pode impedir os profissionais de saúde de prestar serviços adequados e eficazes aos doentes, o que pode levar a resultados negativos na saúde.

3. Trauma emocional: A violência pode causar trauma emocional duradouro nos profissionais de saúde que a experienciam, levando a problemas de saúde mental como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

4. Perda de profissionais: A violência pode levar à perda de profissionais de saúde que optam por deixar o serviço/instituição devido a experiências traumáticas, o que pode levar a uma escassez de profissionais e dificultar o acesso aos cuidados de saúde.

5. Perda de confiança: A violência pode minar a confiança dos profissionais de saúde nos doentes, o que pode dificultar o estabelecimento de um relacionamento de confiança e a prestação de cuidados eficazes.

6. Prejuízos econômicos: A violência pode levar a custos financeiros significativos para os serviços de saúde, incluindo despesas com tratamento médico e compensação por danos.

7. Ameaça à saúde pública: A violência nos serviços de saúde pode representar uma ameaça à saúde pública, especialmente quando os profissionais de saúde são incapazes de prestar serviços adequados devido à violência.

8. Violação dos direitos humanos: A violência contra profissionais de saúde é uma violação dos direitos humanos e deve ser tratada como tal.

9. Impacto na qualidade dos cuidados: A violência pode impactar negativamente a qualidade dos cuidados de saúde prestados, pois pode impedir a comunicação adequada entre doentes e profissionais de saúde.

10. Prejuízos sociais: A violência nos serviços de saúde pode ter prejuízos sociais significativos, incluindo a perda de confiança na capacidade do sistema de saúde de prestar serviços de qualidade e o aumento da polarização e tensão na sociedade.

A violência contra profissionais de saúde é intolerável, inaceitável, degradante e repugnante.

Não te cales. Denuncia. Faz uma queixa formal na polícia.

Conhece a legislação:  Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde

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Fernando Barroso

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Nova Versão do NOTIFICA está on-line | #SD454

 

Foi hoje (19/12/2022) disponibilizada a nova versão do NOTIFICASistema Nacional de Notificação de Incidentes - Segurança do Doente.

Link de acesso: https://notifica.dgs.min-saude.pt/ 


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Fernando Barroso

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sábado, 14 de maio de 2022

Todos erramos na Segurança do Doente | #SD442

"Errar é Humano"

Não só esta é uma frase "feita" como também é o titulo de uma publicação que marcou (e marca) o início de uma consciência global sobre o erro nos cuidados de saúde, sobre a "Segurança do Doente" e sobre como todos nós - profissionais e doentes - estamos sujeitos ao erro, mas também, de forma consciente, podemos melhorar a forma como organizamos o trabalho (os cuidados prestados) para diminuir a probabilidade do erro ocorrer.

Esta semana, ao dirigir-me a pé para o meu local de trabalho, passei por um painel publicitário colocado numa paragem de autocarro. Depois de passar pelo local senti que algo não estava "bem". Voltei atrás e percebi o erro.

O trabalhador que colocou o painel enganou-se e colocou o painel de "pernas para o ar". Errou.

Lembrei-me de uma definição de erro da qual gosto particularmente.

"Errar é fazer a coisa errada, pensando que estou a fazer a coisa certa."

Este trabalhador errou a colocar a publicidade e não percebeu o seu erro. Daí não virá certamente grande mal ao mundo.

Na prestação de cuidados ao Doente, um erro pode ser fatal. 

Um profissional de saúde não se pode dar ao luxo de estar distraído (mas estamos); temos de verificar tudo o que fazemos (mas nem sempre o fazemos); não devemos falhar, mas todos somos humanos e todos estamos sujeitos aos mesmos factores humanos que potenciam o erro.

Falhamos  porque não damos a devida atenção à nossa Carga de trabalho cognitiva e mental, falhamos porque aceitamos as Distrações como algo normal, falhamos porque nos sujeitamos a um Ambiente físico prejudicial ao trabalho, falhamos ao ultrapassar as Exigências físicas do trabalho. Falhamos quando trabalhamos com um Desenho do produto/equipamento defeituoso. Falhamos quando não conseguimos implementar um verdadeiro Trabalho em equipa, e quando nos deixamos levar por um Desenho do processo repleto de complexidade.

Hoje, quando fores trabalhar, pensa nisto, sê vigilante e evita o erro.

Fernando Barroso

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E-book Factores Humanos

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Uma Série De Falhas: A História De Um Familiar | #SD437

Na primeira reunião do Patient Safety Management Network (PSMN) de 2022, tivemos o privilégio de ouvir a experiência chocante de um familiar enlutado, que nos lembrou porque é importante falar sobre a experiência do Doente e sobre “Segurança do Doente”.

 

Claire Cox, uma das fundadoras do PSMN, convidou Susan (nome fictício para proteger a sua confidencialidade) para compartilhar connosco as causas da morte prematura do seu familiar e a experiência ruim e vergonhosa quando ela e o seu médico de família começaram a fazer perguntas. Isso deu início a uma discussão valiosa e perspicaz sobre como os doentes são atendidos quando as coisas dão errado e sobre a honestidade e a culpa, envolvimento do doente e da família na tomada de decisões quando os doentes estão em estado terminal e como precisamos garantir que os sistemas de notificação de incidentes incorporem boas práticas informadas pela experiência da vida real dos doentes e profissionais.

 

A HISTÓRIA

Dois anos antes do familiar de Susan morrer, ele realizou exames para uma condição não relacionada que não precisava de tratamento. Estes exames revelaram, no entanto, um pequeno tumor que foi registrado e identificado como um alerta vermelho. O médico que analisou o exame estava com 16 horas de trabalho no seu turno. Nenhuma ação foi desencadeada pelo Hospital e nem o doente nem o seu médico foram alertados sobre o tumor e a necessidade de tratamento imediato. Dezoito meses depois, o familiar de Susan apresentou sintomas no consultório do seu médico e foi encaminhado para avaliação urgente. Ele foi diagnosticado com cancro e um tratamento com quimioterapia e radioterapia foi iniciado, embora tenha sido posteriormente reconhecido que não seria possível sobreviver ao tumor e que o doente estava num estado terminal.

 

O Hospital só percebeu que nenhuma ação tinha sido tomada após o exame quando os registros médicos do familiar foram solicitados após a sua morte, cerca de dois anos depois. O processo clinico do doente foi solicitado quando o médico de família levantou preocupações; o médico não conseguia entender porque o doente se tinha deteriorado tão rapidamente. Isto foi um verdadeiro choque para Susan, pois em nenhum momento durante o intenso tratamento de quimioterapia e radioterapia do seu familiar foi compartilhado com ela que tinha sido perdida uma oportunidade de diagnosticar e iniciar o tratamento mais cedo.

 

As principais preocupações de Susan eram:

O diagnóstico incorreto e a falha em agir no primeiro exame. O Hospital reconheceu que o tumor, se tratado quando foi encontrado pela primeira vez, era passível de sobrevivência.

Falha na honestidade e na partilha de informações. Os clínicos nunca partilharam com ela os achados do primeiro exame até à investigação, mesmo durante todas as intervenções e discussões sobre seu prognóstico e tratamento.

Uma falha em compartilhar como o seu familiar estava doente. Consequentemente, o seu familiar não foi informado de que a sua condição era terminal. Foi-lhe, assim, negado a oportunidade de tomar decisões sobre o seu tratamento. Como a Susan disse, ele não tinha que suportar o tratamento. Ele poderia ter escolhido viver os seus meses restantes sem a dor e as consequências da quimioterapia e radioterapia se soubesse que nunca sobreviveria aos seus tumores.

A incapacidade de ouvir os desejos do seu familiar na partilha de informações e a forma francamente brutal como a sua doença terminal lhe foi comunicada na presença de uma família jovem e de uma enfermaria repleta de doentes e seus familiares.

A radioterapia foi realizada sem equipamento de proteção deixando o seu familiar gravemente queimado e quando o seu familiar morreu 10 dias depois e a Susan perguntou se isso o matou, ela foi informada 'sim'.

O processo de investigação foi imperfeito, cheio de garantias que não foram cumpridas, tais como honrar o compromisso de fornecer informações e apoio a Susan. O relatório da investigação foi enviado sem aviso prévio pelo correio sem qualquer explicação e Susan nunca mais teve notícias do investigador. O médico de família de Susan prestou muito apoio, ajudando-a a interpretar o relatório e orientando-a sobre as suas opções.

A falha em aprender. Um dos principais motivos da Susan em acompanhar o pedido do seu médico de família dos registros médicos do seu familiar era que deveria haver aprendizagem pelo erro para evitar danos a outras pessoas. Susan afirmou vigorosamente que entende perfeitamente que os erros são cometidos, mas não consegue entender como a equipa não revê regularmente o trabalho do dia, identificando onde é necessário melhorar e tomar ações informadas sobre isso. Susan não está convencida de que qualquer aprendizagem tenha sido feita e, portanto, as mesmas circunstâncias que levaram à morte prematura do seu familiar podem acontecer novamente. Isso é compreensivelmente muito angustiante

Uma falha em usar os recursos de forma eficaz. Ela acredita que o seu familiar, se tivesse escolha, não concordaria com o tratamento desnecessário. Susan estava muito consciente dos custos do tratamento, recursos que ela disse que poderiam ter sido melhor utilizados em outras pessoas, pois não tinham valor para o seu familiar, pois ele estava num estado terminal (mesmo que isso não tenha sido compartilhado com a família até depois de sua morte).

 

Os gestores de risco clinico ficaram claramente chocados com a história de Susan e a falta de suporte e comunicação com Susan e o seu familiar. Eles discutiram como os seus papéis são importantes para garantir que a perceção do doente e da família seja considerada nas investigações e forneça respostas para as perguntas que as famílias precisam saber. Discutiram o valor e a importância do envolvimento dos doentes e familiares e que não deveria ser necessário fazer denúncias formais; assim que uma organização estiver ciente de falhas graves, ela deve assumir a liderança da investigação para descobrir o que está errado, porquê e como evitar que isso aconteça novamente.

 

Os gestores de risco clinico refletiram sobre a experiência de Susan e falaram sobre a melhor forma de compartilhar informações com os familiares, a sensibilidade e o apoio necessários.

 

Houve genuína compaixão e tristeza por Susan e uma enorme expressão de gratidão pela sua coragem em compartilhar a sua experiência com todos nós. Todos devemos assumir o compromisso de ouvir, interagir e aprender com os doentes e seus familiares.


Fonte: A series of failures: a relative's story. Publicado pela Patient Safety Learning em 20/01/2022


O Blog: Segurança do Doente completa hoje (04/02/2022) 11 anos de existência. 
Obrigado a todos os que contribuem para a causa da Segurança do Doente

Fernando Barroso

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domingo, 12 de setembro de 2021

Um Incidente de Segurança do Doente com uma Agulha de Costura | #SD425

 


O relato de incidente chegou, lacónico:

 “No dia mencionado neste relato de incidente, os auxiliares presentes no turno verificaram a existência de uma agulha de costura ainda com linha espetada no casaco de pijama que foi fornecido a um utente após os cuidados de higiene e conforto”

E estava acompanhado por uma fotografia

O relato informava ainda que “não tinha sido necessário prestar assistência/tratamento ao doente”


Apenas pela informação disponível no relato, não é possível afirmar com certeza se estamos perante um quase evento (near miss) – um incidente que não alcançou o doente, ou um evento sem dano – um incidente em que um evento chegou ao doente mas não resultou em danos discerníveis.

Seja como for, fica-se a pensar:

- Mas como é que uma agulha de costura, ainda com linha, é deixada num pijama? E consegue chegar até junto do doente, colocando-o em risco de uma picada acidental?


Pelo conhecimento que tenho do circuito da roupa hospitalar, posso apresentar talvez o cenário mais provável.

Na maioria das instituições de saúde, os pijamas dos doentes são submetidos a um rigoroso programa de lavagem numa empresa externa de prestação de serviços, num processo de lavagem industrial, em máquinas de lavar enormes.

O programa de lavagem é agressivo (já era antes e ficou ainda mais destrutivo para a roupa com o COVID-19).

Sistematicamente a roupa é danificada no processo, e no caso dos pijamas (e camisas de dormir), os botões são os maiores sacrificados.

Isso significa que é necessário substituir os botões em falta ou danificados. São aos milhares por ano. Este processo é realizado, normalmente, pelos serviços de rouparia da própria instituição, e não na empresa externa.

Há até hospitais que tem máquinas automáticas de pregar botões, tal é o numero de botões que tem de repor.

Para as instituições em que esse equipamento não existe, o processo é manual – com agulha e linha.

Dai a ocorrer uma falha/distração que leve ao esquecimento de uma agulha no pijama do doente, basta apenas perceber um pouco de fatores humanos, e lá segue a agulha – anónima – com o pijama para junto do doente.

Teremos agora de pensar em soluções/estratégias que evitem este tipo de incidente, mas cuja solução seja exequível e custo/aceitável.

Uma coisa é certa, a equipa de costureiras do hospital tem de ser envolvida e ouvida ,a construção da solução.


Sim, é possível um pijama com uma agulha de costura espetada ainda com linha, chegar junto do doente.

Se há coisa que aprendi, é que em Segurança do Doente, tudo pode acontecer.

Temos mesmo de estar atentos, até a agulhas de costura perdidas.

Fernando Barroso

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domingo, 4 de abril de 2021

Sistemas de Relato de Incidentes e de Aprendizagem de Segurança do Doente - Mensagem de Sir Liam Donaldson |#SD416

Num mundo ideal, todos os incidentes e ocorrências de um serviço de saúde que causam danos ou têm o potencial de causar danos aos doentes seriam rapidamente reconhecidos e geridos de forma adequada no local onde o cuidado de saúde é prestado, por uma equipa alerta e bem informada. Eles documentariam e comunicariam cuidadosamente as suas observações. Estes profissionais ficariam entusiasmados com o seu envolvimento nesta atividade porque teriam visto muitos exemplos de como esses relatos foram usados para melhorar a segurança dos cuidados.

Os relatos de incidentes seriam revistos e analisados por uma equipa dedicada de especialistas em segurança do doente para identificar os riscos mais importantes para a segurança do doente e para coordenar investigações sistemáticas e não punitivas desses problemas. A investigação resultante seria imparcial e multidisciplinar, envolvendo conhecimentos de especialidades clínicas relevantes, mas, preferencialmente, também de disciplinas não relacionadas com a saúde que contribuem com sucesso para a redução de acidentes noutras outras áreas da segurança.

A investigação seria realizada numa atmosfera de confiança na qual a culpa e o castigo estivessem ausentes, e as ações disciplinares ou sanções penais seriam tomadas apenas em circunstâncias raras e apropriadas. A ação resultante da investigação levaria ao redesenho de políticas, procedimentos de prestação de cuidados, produtos, e a mudanças nas práticas de atendimento clínico e nos estilos de trabalho de indivíduos e equipas. Essas ações geralmente levariam à redução mensurável e sustentada do risco para doentes futuros. Alguns tipos de danos seriam totalmente eliminados. Haveria processos definidos para agregar dados e produzir análises que apontassem para as fraquezas sistêmicas e possibilitassem soluções.

No entanto, muito poucos sistemas de saúde ou unidades de saúde no mundo podem chegar perto deste nível ideal de desempenho na captura e na aprendizagem resultante de incidentes que resultam em danos evitáveis. Isso acontece por todos os tipos de razões, que vão desde uma insuficiência de líderes qualificados e apaixonados o suficiente para envolverem toda a sua força de trabalho numa busca para tornar a prestação de cuidados de saúde mais segura, a falta de transparência, o medo de ser castigado, a incapacidade dos profissionais de saúde em relatar livremente incidentes, erros, quase eventos e riscos, a incapacidade de investigar adequadamente o volume de relatórios gerados, até à fraca base de evidências sobre como reduzir os danos.

Muitos programas de segurança do doente em todo o mundo geraram expectativas muito altas sobre o impacto potencial dos relatos de incidentes e sistemas de aprendizagem. Na verdade, muitos desses programas foram estabelecidos movidos pelo raciocínio de senso comum de que "devemos aprender com as coisas que dão errado", mas não conseguiram corresponder a essa expectativa por causa da crença na inevitabilidade de que "aprenderemos com o que acontece errado". A experiência tem sido dececionante nesse aspeto, bem como em comparação com o histórico de outras indústrias de alto risco, como a indústria da aviação. Algumas instituições e organizações de saúde em todo o mundo mostraram que a análise dos incidentes de segurança do doente pode levar a melhorias na segurança, mas isso está longe de ser a norma. A maior parte da experiência de sistemas de aprendizagem e notificação de incidentes de segurança do doente ocorreu em hospitais de países desenvolvidos. Tem havido menos experiência em países menos desenvolvidos ou subdesenvolvidos e nas áreas dos cuidados de saúde primárias e saúde mental.

Há muitos desafios na tentativa de oferecer maiores benefícios a partir dos relatos de incidente de segurança do doente e sistemas de aprendizagem, mas três deles destacam-se.

Em primeiro lugar, o feedback da equipa na linha da frente em todo o mundo destaca consistentemente a dificuldade que os sistemas de saúde enfrentam para estabelecer uma cultura de segurança baseada em relatos isentos de culpa e na qual a aprendizagem é mais poderosa do que o julgamento. Muitas vezes, os indivíduos são responsabilizados mesmo quando sistemas e processos de atendimento mal projetados resultam em erros por parte de membros conscienciosos da equipa. As consequências de usar um incidente que resulta em dano ou morte para rastrear e punir uma enfermeira ou um médico são claras. Mais doentes morrerão, pois, a equipa estará com muito medo de admitir erros no futuro, nada será aprendido e a fonte de risco estará à espera da chegada do próximo doente inocente.

Em segundo lugar, os dados essenciais de muitos sistemas de notificação de incidentes de segurança do doente são os relatos feitos inicialmente por um membro da equipa, às vezes com recolha adicional de informações locais.

Portanto, a causa do incidente e as perspetivas de aprender com ele são muitas vezes uma questão de opinião local. Uma investigação multidisciplinar detalhada, incluindo contributos de especialistas, entrevistas em profundidade com os envolvidos e reconstituição dos eventos que ocorreram, é realizada de forma menos comum, embora pudesse levar a perceções muito mais profundas sobre questões sistêmicas. Isso ocorre principalmente por razões logísticas (um volume muito alto de incidentes), recursos insuficientes e falta de coordenação para reunir as pessoas certas da maneira certa.

Terceiro, o processo de obtenção de reduções sustentáveis ​​no risco e melhorias na segurança do doente raramente funciona bem. Um fator contribuinte para isto é o reconhecimento de que medidas como a emissão de novas orientações ou procedimentos, iniciativas de formação pontuais e o envio de alertas têm demonstrado, noutros ambientes de alto risco, serem estratégias de mudança relativamente fracas.

Em alguns países, os sistemas e as organizações de saúde têm procurado criar um sistema de notificação de incidentes de segurança do doente e, em seguida, estabelecer e desenvolver uma base de dados de tais incidentes que é usada para: analisar a frequência de fontes específicas de dano; descrever tendências e padrões gerais, bem como tipos específicos de incidentes; e permitir que as causas dos danos e riscos potenciais sejam explorados e sejam encontradas soluções para reduzir os riscos para os doentes. Estes sistemas e organizações de saúde talvez tenham sido mais bem-sucedidos no desenvolvimento de formas de monitorizar padrões e tendências de incidentes e na identificação de grupos de tipos de danos, bem como na identificação de novas fontes de risco para os doentes. A disseminação da aprendizagem obtida, numa base regular e rotineira, provou ser muito mais difícil. (   ).

A minha principal mensagem aos leitores deste documento é exortá-los a compreender o propósito, os pontos fortes e as limitações dos relatos de incidentes de segurança do doente. Os dados obtidos dos relatos de incidentes podem ser muito valiosos para a compreensão da escala e natureza dos danos decorrentes da prestação de cuidados de saúde, desde que as propriedades dos dados sejam revistas cuidadosamente e as conclusões sejam tiradas com cautela. O uso de sistemas de notificação de incidentes para uma verdadeira aprendizagem, a fim de alcançar reduções sustentáveis no risco e melhorias na segurança do doente, ainda está em desenvolvimento. Isso pode ser e tem sido feito, mas ainda não na escala e com a velocidade que se verifica em algumas outras indústrias de alto risco. É por isso que todos nos devemos esforçar (…).

Sir Liam Donaldson
Fonte: Patient safety incident reporting and learning systems: technical report and guidance. Geneva: World Health Organization; 2020

Fernando Barroso

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sábado, 21 de dezembro de 2019

Alerta de Segurança do Doente – Acidente com Criança e Contentor de Corto Perfurantes (#SD371)


Todos os profissionais de saúde têm algum receio quando eliminam algum tipo de corto perfurante. Agulhas de vários calibres, laminas, perfuradores e ampolas ou frascos de vidro são apenas alguns exemplos de corto perfurantes.

O maior receio é que possa ocorrer um acidente de exposição a sangue (uma picada ou corte acidental) no momento em que se está a eliminar o corto perfurante.

Já tive a experiência (quando trabalhava como Enfermeiro do Trabalho) de cuidar de profissionais de saúde após um deste acidentes. Para além dos aspectos técnicos no cuidar de uma ferida por picada ou corte, a maior angustia é o medo de não saber se algo resultará desse acidente.
- Será que vou ficar infectado?

O Acidente que vou relatar foi-me transmitido por uma colega que trabalha num ACES.

Durante uma consulta de enfermagem a uma Doente, esta fez-se acompanhar pela sua filha – uma criança de cerca de 2/3 anos – que durante a consulta da mãe quis ir para o chão andar.
Durante a consulta, absorvidas pelo tema da consulta, ninguém se apercebeu quando a criança se aproximou da bancada de trabalho e conseguiu alcançar o contentor de corto perfurantes que se encontrava numa plataforma baixa.

Só depois do choro é que, para horror de ambas, viram a criança com a mão com múltiplas picadas. A Criança tinha colocado a mão pela abertura do contentor e “agarrado” o que estava dentro.

Ao contar este episódio, numa sala de formação repleta de profissionais de vários ACES, era obvia a angustia nas palavras de quem contava a história.
E para maior espanto de todos na sala, uma outra profissional de outro ACES acabou por partilhar que também no seu local de trabalho algo semelhante tinha já acontecido.

Temos, pois, que retirar destes incidentes a necessária aprendizagem. Este tipo de incidente pode ser raro (eu nunca tinha ouvido algo semelhante) pelo que temos de estar atentos.

Sugestões de actuação para prevenir a ocorrência/recorrência:
  • Avaliar o risco de ocorrência de incidentes semelhantes no seu local de trabalho
  • Se o local dos cuidados é utilizado para cuidar de crianças ou de adultos que estejam acompanhados por crianças, posicionar o contentor de corto perfurantes numa superfície estável, fora do alcance de crianças.
  • Fechar a tampa do contentor sempre que este não esteja a ser utilizado (todos os contentores têm dois modos de encerramento da tampa – um encerramento provisório e um encerramento definitivo para posterior eliminação).
  • Garantir que o contentor só é utilizado até ao limite de segurança (normalmente 2/3 da capacidade. Normalmente existe sinalética do limite assinalada no próprio contentor).
  • A Equipa deve saber o que fazer em caso de acidente com exposição a sangue. Quais os primeiros socorros? Para onde encaminhar o profissional/Doente que sofre o acidente?
  • Na presença de crianças, esperar o inesperado (esta sugestão só quem já teve crianças pequenas vai perceber 😊).

Por favor, considera estas sugestões e partilha a informação com a tua equipa.

Queres acrescentar alguma outra sugestão? Coloca nos comentários abaixo.

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 6 de outubro de 2019

Formação em Análise das Causas Raiz (#SD361)

A convite da ARS Norte desenvolvi uma formação para capacitar os profissionais (Médicos, Enfermeiros, Técnicos Superiores Diagnostico e Terapêutico) para a aplicação da ferramenta de segurança do doente - ANALISE DAS CAUSAS RAIZ.
O grupo multidisciplinar foi constituído por 28 profissionais de vários locais de trabalho da ARS Norte, o que enriqueceu bastante a discussão com diferentes perspectivas e realidades de trabalho.

Foram estes os objectivos para a formação definidos pela ARS NORTE:
Com uma componente teórica inicial fundamental, exploramos em conjunto os conceitos necessários associados à Segurança do Doente.

Revemos também alguns dados sobre a Prevalência de Incidentes nos Cuidados de Saúde Primários:
Exploramos também a forma com devemos promover junto dos profissionais a notificação de incidentes de Segurança do Doente, como analisar a informação recolhida e fugir às armadilhas na sua interpretação.

Abordámos de forma partilhada como os múltiplos FACTORES CONTRIBUINTES complicam a análise de um incidente, mas também como um diagrama de Ishikawa ou diagrama em espinha de peixe nos permite perceber melhor como um incidente ocorre.

Exploramos com pormenor a Orientação da DGS 011/2012 - Análise de Incidentes e de Eventos Adversos

Aprendemos ainda como elaborar um fluxograma, recorrendo de forma simples ao programa EXCEL.

Simulamos a análise de situações recorrendo à metodologia dos "5 porquês?"

E finalmente avançamos para uma componente prática fundamental.

Todos tiveram oportunidade de realizar uma ACR a um incidente por si escolhido (individualmente ou em grupo). Todos os trabalhos foram partilhados no último dia. Um dia de enorme partilha e de construir da confiança na capacidade do grupo ficar a "saber fazer"

Como sempre, esta também foi uma experiência de aprendizagem para mim. Por isso agradeço à ARS Norte esta oportunidade e a todos os Formandos o meu obrigado por toda a partilha.
Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente