Fico sempre angustiado quando oiço famílias, com um elemento
internado, a relatar situações de clara falta de cuidados básicos, falhas no
controlo de infeção e, até, atos de desumanidade.
A pergunta impõe-se: para que serve, afinal, um Serviço
de Saúde e qual é o principal objetivo dos profissionais que o compõem?
Não é cuidar? Tratar com zelo e humanidade? Se não estamos
lá para isso, honestamente, não vale a pena estar.
Confesso que me surpreende ouvir os responsáveis pelas
diferentes classes profissionais afirmarem, categoricamente, que os
profissionais de saúde são todos excecionais. Sabemos bem que,
infelizmente, não é assim. E tapar o sol com a peneira não resolve o problema.
É por isso que as chefias têm uma responsabilidade acrescida
neste cenário. As Direções dos Serviços (Diretores de Serviço, Enfermeiros
Gestores, Técnicos Coordenadores) têm o dever e a obrigação de acompanhar de
perto a forma como os utentes são tratados nas suas unidades.
Para além de um olhar atento — e a verdade é que se descobre
quase tudo através de uma observação atenta —, defendo que a hierarquia tem o
dever de falar com os doentes e as famílias. De forma regular, aleatória e sem
outros profissionais por perto.
As lideranças deviam aproximar-se e perguntar, não só
"como se sente?", mas acima de tudo:
"Como está a ser tratado pela equipa? Há algum
aspeto que o incomode ou que gostasse de ver feito de outra forma?"
Aprenderíamos tanto se soubéssemos apenas ouvir os nossos doentes.
E, com toda a certeza, prestaríamos cuidados mais seguros e muito mais humanizados.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!


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