domingo, 12 de julho de 2026

Cuidar ou apenas "estar"? A urgência da liderança na humanização da saúde

 

Fico sempre angustiado quando oiço famílias, com um elemento internado, a relatar situações de clara falta de cuidados básicos, falhas no controlo de infeção e, até, atos de desumanidade.

A pergunta impõe-se: para que serve, afinal, um Serviço de Saúde e qual é o principal objetivo dos profissionais que o compõem?

Não é cuidar? Tratar com zelo e humanidade? Se não estamos lá para isso, honestamente, não vale a pena estar.

Confesso que me surpreende ouvir os responsáveis pelas diferentes classes profissionais afirmarem, categoricamente, que os profissionais de saúde são todos excecionais. Sabemos bem que, infelizmente, não é assim. E tapar o sol com a peneira não resolve o problema.

É por isso que as chefias têm uma responsabilidade acrescida neste cenário. As Direções dos Serviços (Diretores de Serviço, Enfermeiros Gestores, Técnicos Coordenadores) têm o dever e a obrigação de acompanhar de perto a forma como os utentes são tratados nas suas unidades.

Para além de um olhar atento — e a verdade é que se descobre quase tudo através de uma observação atenta —, defendo que a hierarquia tem o dever de falar com os doentes e as famílias. De forma regular, aleatória e sem outros profissionais por perto.

As lideranças deviam aproximar-se e perguntar, não só "como se sente?", mas acima de tudo:

"Como está a ser tratado pela equipa? Há algum aspeto que o incomode ou que gostasse de ver feito de outra forma?"

Aprenderíamos tanto se soubéssemos apenas ouvir os nossos doentes

E, com toda a certeza, prestaríamos cuidados mais seguros e muito mais humanizados.


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

Fernando Barroso

https://fernandobarroso.gumroad.com/

Sem comentários:

Enviar um comentário