quarta-feira, 1 de julho de 2026

O Contexto da Qualidade na Saúde

 

O Contexto da Qualidade na Saúde

A discussão atual sobre a qualidade é impulsionada por pressões como o alto custo dos cuidados, a rápida incorporação tecnológica, o envelhecimento da população e o aumento da carga de trabalho dos profissionais. Nesse cenário, as organizações procuram a melhoria contínua e a responsabilização (accountability).

Os principais problemas de qualidade decorrem do uso excessivo (overuse), uso insuficiente (underuse) e uso inadequado (misuse) de serviços e tecnologias. Além disso, persiste uma variação injustificável na prática clínica que não se explica pela gravidade da doença ou pela preferência do doente, mas sim por falhas na aplicação de evidências científicas.

A Multidimensionalidade do Conceito

A qualidade é um conceito subjetivo e multidimensional, variando conforme a perspetiva do doente, do profissional ou do gestor. Historicamente, o foco centrava-se na eficiência e efetividade, mas evoluiu para incluir a segurança, a centralidade no doente e o respeito pelos seus direitos.

Os Contributos de Avedis Donabedian

Donabedian, autor seminal na área, define o cuidado de qualidade como aquele que maximiza o bem-estar do doente após equilibrar ganhos e perdas. Ele propôs os "sete pilares" da qualidade:

  1. Eficácia: capacidade de produzir impacto em situações ideais.
  2. Efetividade: melhoria real da saúde alcançada na prática quotidiana.
  3. Eficiência: redução de custos sem comprometer o nível de saúde.
  4. Otimização: balanço entre melhorias e custos envolvidos.
  5. Aceitabilidade: conformidade com os desejos e valores dos doentes e famílias.
  6. Legitimidade: conformidade com preferências sociais e normas éticas.
  7. Equidade: distribuição justa e equânime dos benefícios do cuidado.

A Tríade: Estrutura, Processo e Resultado

Para avaliar a qualidade, Donabedian estabeleceu uma abordagem clássica baseada em três componentes inter-relacionados:

  • Estrutura: condições sob as quais o cuidado é prestado (recursos físicos, humanos e financeiros).
  • Processo: conjunto de atividades desenvolvidas diretamente com o doente (diagnóstico, tratamento e educação).
  • Resultado: mudanças no estado de saúde, satisfação ou conhecimento do doente atribuíveis ao cuidado recebido.

Segurança como Dimensão da Qualidade

A partir da publicação do relatório "To Err is Human" (1999) pelo Institute of Medicine (IOM), a segurança do doente passou a ser vista como um atributo indissociável da qualidade. O IOM (2001) consolidou seis dimensões da qualidade: segurança, efetividade, centralidade no doente, oportunidade, eficiência e equidade.

A segurança é definida como a redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário associado ao cuidado. Eventos adversos são compreendidos como mudanças indesejáveis no estado de saúde do doente resultantes da assistência prestada, e não da doença de base.

Conclusão

Melhorar a qualidade e a segurança é uma tarefa complexa que exige o envolvimento de toda a organização. A segurança é um elemento sine qua non para um cuidado de qualidade, mas não é o único; um cuidado de excelência deve ser também efetivo, oportuno e respeitoso com as preferências do doente.

 UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

Fernando Barroso

https://fernandobarroso.gumroad.com/

Sem comentários:

Enviar um comentário