sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Desabafo - Portugal não aguenta | #SD401


Por mais que tente, não consigo entender tudo aquilo que observo.

Alguém me interpela e “pede” mais fatos de circulação, que os que tem diariamente no serviço não chegam... Diz que - “agora somos chamados mais vezes perto dos doentes e que depois tem de tomar banho… e vestir outro fato

Não resisto a comentar que compreendo que, quando passas 2, 3 ou 4 horas metido num EPI plástico que ficas todo transpirado, mas não compreendo como é que intervenções de 10, 15 ou 20 minutos obriguem ao mesmo procedimento.

Não estamos a tratar ébola.

Não temos fatos de circulação para esse volume de medo, e que é importante que todos estudem o assunto (COVID) e saibam o que devem fazer.

Portugal não aguenta este nível de ignorância.

 

Alguém pede uma bata impermeável com mangas + luvas + barrete (já tinha uma P2).

Apenas quer ir a um dos computadores de um gabinete de consulta (não COVID) consultar algo no SClínico.

Esteve lá menos de 5 minutos a usar o PC.

O EPI foi depois todo para o lixo.

Portugal não tem dinheiro para este nível de medo.

 

Uma Assistente de lar de uma “Santa Casa” (com casos COVID) entra no serviço de consultas externas com um utente para uma consulta.

Aproveita uns segundos em que o Segurança não estava na porta e entrou sem máscara (nem ela nem o utente).

O Segurança apercebesse e alerta. A Sra. é colocada (com o utente) no exterior (são só alguns metros) e repreendida. Vamos buscar umas máscaras para lhe entregar.

Ao regressar perto da mesma já ela colocou uma máscara ao utente e coloca uma nela própria. Sempre teve as máscaras consigo. Apenas optou por não as colocar.

Portugal não aguenta com este nível de iliteracia (?) falta de formação (?) falta de civismo (?) desprezo pelos outros(?)


E isto foi apenas uma pequena parte do dia…


 Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 8 de novembro de 2020

Avaliação do Risco para Abertura de um Serviço COVID | #SD400


Ao considerar a abertura de um serviço ou a transformação de um serviço existente para Doentes (confirmados ou suspeitos) com o novo Sars-CoV-2, deve ser efetuada uma “avaliação do risco” que considere aspetos importantes no âmbito do controlo de infeção, e antecipe entre outras, as seguintes “fonte de risco”:

1.    FONTE DO RISCO: Definição de circuitos
  • Circuito limpo e circuito sujo/contaminado
  • Circuito de doentes suspeitos/confirmados – ponto de entrada e saída (definido de acordo com estratégia institucional;
  • Circuito dos profissionais acesso a vestiários/balneários; Lotação máxima de profissionais em simultâneo;
  • Circuito para sujos (resíduos hospitalares e roupa contaminada) – pontos de recolhas;
  • Circuito para alimentação; rouparia; aprovisionamento e farmácia – ponto de entrega para os profissionais destes serviços com restrição de acesso ao interior;
  • Considerar marcação no corredor central (pavimento) de zona suja/zona limpa – esta definição é facilitadora das boas práticas.

2.    FONTE DO RISCO: Limpeza

  • Avaliar as necessidades para o serviço (nº de horas contratadas);
  • Número de profissionais dedicados;
  • Considerar as opções - limpeza assegurada pelas Assistentes Operacionais do próprio serviço ou limpeza assegurada pela empresa de limpeza;
  • Material/equipamento de apoio de acordo com “Procedimento Interno Para Limpeza De Áreas Com Doente Covid-19” (construir procedimento interno).

3.    FONTE DO RISCO: Espaços para pausa/alimentação

  • Definir local;
  • Definir nº de profissionais em simultâneo;
  • Acondicionamento de lancheiras dos profissionais na unidade.

4.    FONTE DO RISCO: Formação dos profissionais

  • Colocação / Remoção de EPI`s – Disponibilizar prática simulada, cartazes, vídeos tutoriais;
  • Tipologia de máscaras;
  • Procedimentos para limpeza de áreas com doente COVID-19.

5.    FONTE DO RISCO: Fardamento dos profissionais

  • Número de fardamento necessário; Tamanho; Circuito de entrega.

6.    FONTE DO RISCO: Equipamento e Material Clínico

  • Material em quantidade adequada;
  • Tipologia de material específico para tratamento do Doente COVID;
  • EPI’s (nº e tipologia).


Estas são apenas algumas das “fontes do risco” a considerar, que necessariamente variam de serviço para serviço ou de instituição para instituição.

Em resumo, recomenda-se a realização atempada de uma avaliação do risco que permita uma identificação das fontes do risco, a sua hierarquização e a implementação de medidas de tratamento do risco que garantam a segurança dos doentes permitindo aos profissionais prepararem-se de uma forma mais segura para o exercício das suas atividades. 


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 18 de outubro de 2020

O Covid-19 expôs os buracos no queijo suíço das estratégias de segurança do doente | #SD399


A Epidemia de Covid-19 expôs os grandes buracos existentes no queijo suíço das estratégias de segurança do doente – Entrevista a Santiago Tomás

Esta é uma entrevista ao Dr. Santiago Tomás. Pela sua clareza e lucidez neste período tão difícil para todos, decidi traduzir e aqui publicar. Recomendo a sua leitura atenta, especialmente a todos os GESTORES DE RISCO, em prol da Segurança do Doente.

ENTREVISTA

A epidemia de Covid-19 colocou o sistema de saúde à prova. O Dr. Santiago Tomás, com base na sua experiência pessoal na assistência a doentes afetados pela Covid-19, compartilha as suas reflexões sobre a situação da segurança do doente proveniente desta epidemia.

“Há vários meses que vivemos uma situação que mudou todo o paradigma da saúde, da atividade econômica e da vida social em todo o mundo. A pandemia causada pela infeção pelo vírus Covid-19 colocou todos os sistemas de saúde em tensão, sem exceção. Vivemos uma situação inusitada, com um número muito elevado de pessoas afetadas, falta de materiais de proteção e equipamentos suficientes para o atendimento dos doentes, grande necessidade de consumo de medicamentos e riscos de não fornecimento que ameaçam diversas áreas. Ao mesmo tempo, devemos agregar o pouco conhecimento que, progressivamente, vamos adquirindo sobre as características do vírus e a infeção que ele causa. Todos estes são fatores que estão a condicionar a resposta da saúde neste momento.

A tudo isto devemos somar três condições latentes que estavam ocultas aparecendo agora como uma dura realidade: em primeiro lugar, os deficits organizacionais dos sistemas de saúde, que considerávamos excelentes (e no qual acreditávamos!) e cuja gestão é responsabilidade de políticos e gestores de saúde que não conseguiram ver bem, ou subestimaram, o que estava por vir; em segundo lugar, o número de profissionais de saúde, claramente insuficientes para fazer face à pressão sanitária que aumenta dia a dia (e que há anos são “maltratados” em condições profissionais limitadas por cortes, apesar das suas reivindicações) e em cujas costas temos depositado todo o peso da batalha apesar de não terem recebido meios para se protegerem ou mesmo da própria irresponsabilidade de não se ter tomado os devidos cuidados no início da epidemia e, em terceiro lugar, o mais grave de tudo: a existência de uma população que confiava no sistema, numa sociedade de bem-estar, com uma elevada idade de sobrevivência, e que agora se encontra totalmente vulnerável, a qual não conseguimos atender nas melhores condições que merecem, e sobre a qual os médicos têm que tomar decisões eticamente muito difíceis para salvar o máximo de vidas de uma sociedade que, agora, está doente e sem recursos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Segurança do Doente Vs Bom dia | #SD398


O que é que um "Bom dia" tem a ver com a "Segurança do Doente"?

Sei que é um título estranho, mas tenho de partilhar esta experiência.

Esta semana, ao entrar numa área de espera do meu Serviço fiz aquilo que faço sempre

- Bom dia a todos!

E segui o meu caminho. Ao regressar, um Senhor que esperava na sala dirigiu-se a mim com voz alta dizendo:

- O Senhor é a única pessoa educada aqui!

Esta frase apanhou-me de surpresa, parei e olhei para ele. O Senhor estava claramente incomodado e continuou então a falar:

- Já passaram aqui muitos médicos, enfermeiros e empregadas, mas o Senhor foi o único que disse "bom dia". Nós somos pessoas que estamos aqui.

Agradeci, ao mesmo tempo que tentei explicar que se isso aconteceu que não foi por mal, que todos estamos muito atarefados, que existe muito trabalho...

Bem cá dentro de mim sei que não é assim.

Não dizemos bom dia porque não queremos dizer.

Não reconhecemos o "outro" porque optamos por não o fazer.

Estamos tão embrenhados nos nossos próprios pensamentos, problemas e dramas que nem percebemos que só existimos porque existe o outro.

Primeiro que tudo, na saúde, está a pessoa que nos procura e que merece toda a nossa atenção.

É para eles que trabalhamos e é por eles que existimos. É por eles que vale a pena lutar por melhores condições de trabalho, por dotações seguras, por equipamentos que funcionem, pela limpeza e higiene do espaço, por formação adequada.

Mas se não dizemos sequer "bom dia" ao nosso Doente, valemos muito pouco.

Mais humanidade precisa-se!

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Vamos comemorar o Dia Mundial para a Segurança do Doente - 2020 | #SD397


Hoje comemoramos o DIA MUNDIAL PARA A SEGURANÇA DO DOENTE. Este ano, esta iniciativa da OMS tem como tema foco a SEGURANÇA DOS PROFISSIONAIS.

A premissa é simples - Sem Segurança dos Profissionais não é possível alcançar a Segurança dos Doentes.


Coloca-se assim uma questão pertinente.

Como garantir a Segurança do Profissional de Saúde?


Para que um profissional de saúde se sinta seguro, existem um conjunto de requisitos. Estes são apenas alguns desses requisitos:

  • Segurança no Conhecimento
  • Segurança nos Equipamentos de Proteção Individual
  • Segurança nos Dispositivos Médicos e Materiais
  • Segurança na Equipa
  • Segurança na Instituição
  • Segurança no Serviço de Saúde Ocupacional

 

Segurança no Conhecimento

Para que a atuação do profissional seja segura, e ao mesmo tempo para que o profissional se sinta segura nos atos que pratica, é indispensável que o profissional detenha e aplique o conhecimento necessário à sua actuação.

Esta parece ser uma afirmação óbvia e que dispensaria mais considerações, mas a pandemia da COVID-19 veio demonstrar que não é bem assim.

Não só esta nova doença nos veio colocar novos desafios na forma como tratar os Doentes, como também tornou evidente as lacunas de muitos profissionais, nomeadamente no que diz respeito ao conhecimento das medidas de controlo de infeção que os poderiam proteger.

É assim indispensável voltar a estudar, aprender tudo o que for necessário não só para conseguirmos tratar eficientemente os nossos doentes, mas também para garantir a nossa própria segurança quando estamos a prestar cuidados de saúde.

 

Segurança nos Equipamentos de Proteção Individual

Até há pouco tempo atrás, os EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) não tinham o protagonismo que hoje apresentam.

Era comum constatar a forma relutante como alguns profissionais se equipavam para cuidar de um doente, por exemplo, com MRSA, uma KPC (Carbapenemase de Klebsiella pneumoniae) ou uma vulgar gripe. O EPI recomendado, em tudo semelhante ao actual na COVID-19, via-se inúmeras vezes limitado ao simples avental descartável e um par de luvas.

A COVID-19 veio mudar tudo.

Desde as imagens alarmantes, cuidadosamente coreografadas pelo regime chinês, e que rapidamente se espalharam como “única verdade”, os EPI´s transformaram-se no símbolo do esforço que muitos profissionais de saúde têm de efetuar para cuidar dos doentes ao seu cuidado.

Mas para utilizarem corretamente os EPI’s é necessário; Conhecer o tipo de EPI a usar e quando; Saber como colocar e remover o EPI; Quais as diferenças entre o tipo de máscaras recomendadas e quais as mais eficientes?. Estes são apenas alguns dos desafios de conhecimento colocados aos profissionais de saúde.

 

Segurança nos Dispositivos Médicos e Materiais

Os dispositivos médicos (DM) e materiais usados nas instituições de saúde são um desafio constante para os profissionais.

Muitas vezes habituados a uma determinada “marca” e “modelo”, o advento da centralização das compras e a busca pelo mais barato ou simplesmente aquele que está disponível no mercado veio colocar em causa a qualidade de alguns DM´s e materiais que chegam efetivamente às mãos dos trabalhadores e consequentemente aos doentes.

Como a sabedoria popular nos ensina – o barato sai caro. Já assistimos a isso inúmeras vezes. Cabe ao profissional conhecer os DM´s com que trabalha e perceber de que forma deve atuar para resolver os desafios colocados por DM’s de qualidade duvidosa e que colocam em risco a segurança dos doentes, notificando os incidentes de segurança do doente de que tenha conhecimento.

 

Segurança na Equipa

Como seres sociais, dependemos em grande medida do nosso grupo para suportar o nosso modo de vida. É assim também nos serviços da saúde.

Pertencemos a uma equipa, e a nossa segurança está intimamente ligada ao conhecimento global da nossa equipa. Se, como grupo, tivermos o conhecimento suficiente para enfrentar os desafios que a prestação de cuidados de saúde complexos coloca, estaremos enquanto indivíduos mais preparados e seguros.

Também a gestão do “medo” da equipa é fundamental. Haverá profissionais mais assustados que outros. Este medo pode colocar o profissional e os doentes em risco. É importante ajudar os colegas que se encontram mais assustados e mais desconfiados.

 

Segurança na Instituição

Há vários anos que a “Cultura de Segurança do Doente” é avaliada nos hospitais.

Os resultados destas avaliações (ver imagem abaixo) ao longo do tempo tem colocado algumas das suas dimensões, consistentemente, com percentagens baixas. Por exemplo:

Dimensão 12 – Resposta ao erro não punitiva (com 26%)

Dimensão 10 – Dotação dos Profissionais (com 34%)

Não só os profissionais percecionam que ao relatarem incidentes de segurança do doente que tal informação pode voltar-se contra os próprios, como a recorrente falta de recursos humanos é um fator presente e também ele influenciador da segurança do doente e consequentemente dos próprios profissionais.

É urgente mudar ambas as coisas.


Segurança no Serviço de Saúde Ocupacional

Talvez nunca como agora, com a pandemia COVID-19, se percebe a importância do Serviço de Saúde Ocupacional numa instituição de saúde.

Criar modelos de apoio aos profissionais, não só na resposta a situações de saúde física, mas também emocional, psicológica e (diria mesmo sem medos) psiquiátrica, é fundamental para a segurança dos profissionais.

Confiar sem reservas nas indicações do Serviço de Saúde Ocupacional é algo que não estamos habituados a fazer.

Mas aqui são os próprios profissionais que detém uma enorme responsabilidade. Quando foi a última vez que, consistentemente, exigimos a existência e competência destes serviços nas nossas instituições? A maioria nunca.

Tirando honrosas exceções, a maioria destes serviços existirá com recursos a tempo parcial e pouco preparados (talvez como todos nós estávamos) para responder aos desafios da pandemia COVID-19, incumprindo inclusivamente com a legislação vigente.[LC1] 

Ao invés de criticar temos de ajudar, construindo positivamente um serviço de profissionais para profissionais.

Possivelmente será esse, e apenas esse, o apoio formal que teremos.

 

Estes são apenas alguns pontos que merecem a nossa reflexão neste DIA MUNDIAL DA SEGURANÇA DO DOENTE.

 

E tu, como vais assinalar este dia? Partilha connosco nos comentários outros temas que consideres importante discutir. Termos todo o gosto em dar-te a nossa opinião.

Fica Bem – Fica Seguro!

Fernando Barroso; Luís Caldas

 UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Ajude o seu sistema imunológico - Vacine-se contra a gripe neste inverno

Help your immune system by getting vaccinated against influenza this winter

Ajude o seu sistema imunológico. Vacine-se contra a gripe neste inverno.


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Parabéns a todas as Enfermeiras/os e Parteiras


Celebrating nurses and midwives across the WHO European Region


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 13 de setembro de 2020

A Descaracterização dos Profissionais de Saúde | #SD396


A Pandemia de COVID-19 tem sido usada como desculpa para muitas coisas.

Uma delas é a descaracterização dos profissionais.

Não digo isto de ânimo leve!

Não só a necessária utilização de Equipamentos de Proteção individual (EPI’s) veio “esconder” o rosto e as fardas dos profissionais, como muitos profissionais passaram a usar apenas fatos de circulação.


Esta opção tem, obviamente, inúmeros aspectos positivos:

Permite aos profissionais vestir um fato limpo no início de cada turno (o que nem sempre acontecia anteriormente), assim como a troca de fato durante o mesmo turno caso tal se revele necessário (e é certamente depois de várias horas vestido com EPI completo).

A utilização de fatos de circulação dá ao trabalhador uma sensação de segurança acrescida, e esse é um aspecto que não deve ser desprezado.


Mas a utilização massiva de fatos de circulação em detrimento do fardamento oficial de cada Instituição também tem aspectos negativos:

A tal sensação de segurança pode ser enganadora se o profissional não compreender que o fundamental é cumprir com as medidas de precaução básicas e especificas em controlo de infecção.

Um fato de circulação não é uma armadura impenetrável.

Um fato de circulação só deveria ser usado em situações especificas de alto risco de contaminação, em Serviços Cirúrgicos (Blocos) ou Unidades Especiais (p.ex: Técnicas de Gastro), e não deve ser utilizado fora dos serviços onde esses cuidados são prestados.

Os fatos de circulação não devem ser descartados como lixo, mas sim colocados para reprocessamento em locais predefinidos para que possam ser lavados e reintroduzidos novamente no circuito.

Os fatos de circulação (e já agora, também as fardas e Batas) não devem ser usados no momento de sair da instituição para voltar a casa (e continua a ver-se, mesmo nestes dias, esta prática que todos sabem estar errada).

Os fatos de circulação são um recurso finito. Os profissionais devem respeitar a sua utilização.

Os fatos de circulação de uma instituição (que os comprou e colocou a uso para os seus Profissionais) não devem ser “desviados” para outras instituições de saúde.

Mas o pior de tudo, pelo menos para mim é a descaracterização dos profissionais.

Um fato de circulação (igual a quase todos os outros) em conjunto com uma máscara, uma touca e por vezes óculos (sejam os pessoais ou outros) transforma rostos e pessoas conhecidos em perfeitos estranhos.

A maioria dos profissionais deixou até de usar o seu cartão de identificação. Porquê?

Se os doentes já ficam confusos com as fardas normais, imaginem agora quando à sua volta, todos são iguais.

Observo profissionais que, por detrás deste anonimato recém-criado, adotam práticas de verdadeiro desprezo por quem está há sua volta. Não pode ser.

O COVID-19 não é desculpa para este tipo de comportamento.

Estamos perto das comemorações do DIA MUNDIAL DA SEGURANÇA DO DOENTE, este ano dedicado à Segurança dos Profissionais de Saúde.

A Segurança dos Profissionais é fundamental, como já tive oportunidade de expressar, mas os Profissionais de Saúde também tem de reconhecer o esforço que as instituições fazem para lhes proporcionar EPI’s e outro equipamento (fatos de circulação incluídos), respeitando a sua utilização de forma criteriosa e acima de tudo respeitando os Doentes que cuidamos e com quem nos cruzamos nos corredores das nossas instituições.

Todos temos uma identidade própria, mas numa instituição não nos representamos apenas a nós próprios. Representamos a Instituição e um Grupo Profissional.

É em busca desta identidade que os Doentes olham para nós, nos procuram e nos reconhecem.

Não sejas anónimo.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Webinar - 3º ENCONTRO DE GESTORES DO RISCO NA SAÚDE - 25 Setembro 2020

 A RISI promove o 3º ENCONTRO DE GESTORES DO RISCO NA SAÚDE


Para mais informações sobre o evento, contacte geral@risi.pt

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

sábado, 5 de setembro de 2020

Sem Segurança dos Profissionais não há Segurança dos Doentes | #SD395


Escreve José Saramago no seu romance "Ensaio sobre a cegueira":

Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara


E eu acrescento, Se puderes ajudar, não deixes de o fazer.

Vivemos todos um momento crítico, em que sentimos que colocamos a nossa própria vida em risco sempre que saímos de casa, mas há alguns de nós que o fazem com empenho redobrado. E não, não somos heróis.

Esta semana fui ajudar de uma forma diferente.
Em 3 horas fiz zaragatoas a 47 profissionais (naso e oro faringe) para pesquisa de COVID-19.

Quando retiras o equipamento de protecção individual é que percebes que está encharcado. A tua túnica pode torcer-se. Sentes dor, tens sede e só pensas em descansar um pouco.
Mas nunca se perde o sorriso, mesmo debaixo da máscara.

Perceber o esforço daqueles que diariamente se submetem a este tipo de condições só está ao alcance de alguns. Muitos nunca vão entender.


Sem Segurança dos Profissionais não há Segurança dos Doentes.


Que todos possamos entender quando devemos ajudar, deixando de lado o medo irracional e o desconhecimento. Se puderes ajuda, seja de que forma for. Estuda, informa-te e prepara-te. Não sedas ao medo.
É a segurança do todos que está em causa.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 30 de agosto de 2020

A Gestão do Coronavírus Representa o maior Fracasso das Políticas Científicas da nossa geração | #SD394


O editor da prestigiada revista científicaThe Lancet” (Richard Horton) contribui com a sua visão crítica sobre a gestão da epidemia.

Ele afirma que "Nesta ocasião, os especialistas e cientistas deram como certo alguns fatos que mais tarde se mostraram não verdadeiros"

Nós sabíamos que isto iria acontecer.


Em 1994, Laurie Garrett publicou um livro clarividente, um aviso. “The Coming Plague” (A próxima praga). A sua conclusão foi: "Enquanto a raça humana luta entre si, o jogo fica do lado dos micróbios, que ganham terreno. Eles são os nossos predadores e vencerão se nós, Homo sapiens, não aprendermos a viver numa aldeia global que deixe poucas oportunidades para os micróbios."

 Se você acha que esta forma de se expressar é hiperbólica, considere uma análise mais sóbria realizada pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos em 2004. As lições retiradas do surto de Sars de 2003 foram avaliadas citando Goethe: “Saber não é suficiente; devemos aplicar. Querer não é suficiente, devemos agir.” Esta análise concluía ainda que "a contenção rápida da Sars é um sucesso de saúde pública, mas também um aviso ... se a Sars acontecer novamente ... os sistemas de saúde em todo o mundo estarão sob extrema pressão ... a vigilância contínua é de vital importância".

O mundo ignorou os avisos.

Ian Boyd, que foi assessor científico do governo britânico entre 2012 e 2019, lembrou recentemente que “uma simulação realizada para um cenário de uma pandemia de gripe em que cerca de 200.000 pessoas morriam, deixou-me em frangalhos”.

- Isso ajudou algum governo a agir?

Aprendemos o que funcionaria se tivéssemos que aplicá-lo, mas as lições aprendidas não foram necessariamente colocadas em prática.”


As políticas de austeridade colocaram fim à ambição e ao compromisso dos governos de proteger os seus cidadãos. O objectivo político foi o de reduzir o papel do Estado, que passou a ter menor capacidade de intervenção: o resultado foi deixar o país gravemente ferido. Quaisquer que sejam as razões pelas quais as lições do Sars e as simulações de gripe não foram aplicadas, o fato é que –resumiu Ian Boyd - "a nossa preparação era deficiente".


A resposta global ao Sars-CoV-2 é o maior fracasso da política científica de nossa geração. Os sinais estavam lá. Hendraem 1994, Nipah em1998, Sars em 2003, Mers em 2012 e Ebola em 2014; todas estas grandes epidemias que afectaram os humanos foram causadas por vírus que nascem em animais e se propagam para os humanos. O Covid-19 é causado por uma nova variante do vírus que causou a Sars.


Ninguém está surpreendido por as bandeiras vermelhas terem passado despercebidas. Poucos de nós temos a experiência de uma pandemia e todos somos parcialmente culpados por termos ignorado informações que não reflectem a nossa própria experiência do mundo. As catástrofes revelam a fraqueza da memória humana. Como se pode planear perante um evento aleatório e estranho, especialmente quando o sacrifício exigido é tão intenso?


Como argumenta a sismóloga Lucy Jones no seu livro de 2018, The Big Ones, "Os riscos naturais são inevitáveis, mas o desastre não".


O primeiro dever de um governo é proteger seus cidadãos. 

Os riscos de uma pandemia podem ser medidos e quantificados. Como Garrett e o Instituto de Medicina demonstraram, os perigos de uma nova epidemia eram conhecidos e compreendidos desde o surgimento do HIV na década de 1980. Desde então, pelo menos 75 milhões de pessoas foram infectadas com esse vírus, e morreram 32 milhões de pessoas.

Pode não se ter espalhado pelo planeta à velocidade do Sars-CoV-2, mas a sua longa sombra deveria ter colocado os governos em alerta para que fossem tomadas as medidas necessárias em face do surto de um novo vírus.


Durante uma crise, é compreensível que tanto os cidadãos quanto os políticos se tornem especialistas. Mas, nesta ocasião, os especialistas, os cientistas que criaram modelos e simularam futuros possíveis, assumiram como certas algumas realidades que mais tarde se mostraram não verdadeiras.

O Reino Unido presumiu que esta pandemia se pareceria muito com a gripe. O vírus da gripe não é benigno, o número de pessoas que morrem de gripe a cada ano no Reino Unido varia muito, com um pico recente de 28.330 mortes em 2014-2015, mas a gripe não é o Covid-19.

 

Em contraste, a China foi marcada pela sua experiência com a Sars.

Quando o governo chinês percebeu que existia um novo vírus em circulação, as autoridades chinesas não recomendaram lavar as mãos, tossir mais educadamente ou ter cuidado onde os lenços de papel eram descartados. Eles colocaram cidades inteiras em quarentena e fecharam a economia. Como me disse um ex-secretário de saúde inglês, os nossos cientistas sofreram um ataque de "viés cognitivo" em face do risco médio representado pela gripe.

 

Talvez por isso, o comité mais importante do governo inglês nesta crise, o recém-criado grupo consultivo de ameaças de vírus respiratórios (Nrevtag), chegou a uma conclusão a 21 de Fevereiro de 2020, três semanas após a Organização Mundial de Saúde ter declarado esta uma crise de emergência de saúde pública de âmbito internacional: não se opôs à avaliação de risco "moderado" para a saúde pública da população do Reino Unido.

Eles cometeram um grande erro.

O fracasso em não elevar o nível de risco resultou num atraso mortal na preparação do sistema de saúde para a onda de infecções que estava a chegar.


É doloroso reler os apelos desesperados por ajuda do pessoal da linha de frente do sistema de saúde público do Reino Unido;

“O esgotamento da equipe de enfermagem nunca foi tão alto e muitas de nossas heróicas enfermeiras estão à beira de um colapso nervoso.”

“É doentio ver isto acontecer e que, de alguma forma, o país acredite que é correto deixar alguns trabalhadores adoecerem, serem ventilados e morrerem”.

“Sinto-me como um soldado que vai para a guerra desarmado.”

“É um suicídio.”

“Estou farto de ser chamado de herói porque, se tivesse escolha, não viria trabalhar.”


A disponibilidade e o acesso a equipamentos de protecção individual falharam terrivelmente para muitos profissionais de saúde, médicos e enfermeiras. Alguns gestores hospitalares fizeram o planeamento correto. Mas muitos não foram capazes de fornecer o equipamento de protecção necessário às suas equipas na linha de frente.


Em cada conferência de imprensa, o porta-voz do governo inglês inclui a mesma frase: "Temos seguido os conselhos médicos e científicos".

A frase é boa. Mas é apenas parcialmente verdade.

Os políticos sabiam que o sistema de saúde não estava preparado. Eles sabiam que não havia capacidade suficiente para prestar cuidados intensivos perante um aumento de casos e necessidades como os actuais.

Um médico escreveu-me a dizer o seguinte: "Parece que ninguém quer aprender com a tragédia humana da Itália, China, Espanha ... É muito triste ... Os médicos e cientistas não conseguiram aprender uns com os outros."


Estamos a viver no 'Antropoceno', uma era em que a actividade humana impõe a sua influência sobre o meio ambiente.

O conceito de antropoceno evoca uma certa ideia da omnipotência humana. Mas o Covid-19 revela a surpreendente fragilidade de nossas sociedades. Ele expôs a nossa incapacidade de cooperar, coordenar e agir em conjunto. Talvez não sejamos capazes de controlar o reino do natural de forma alguma. Podemos não ter a capacidade de controle que antes pensávamos ter.


Se o Covid-19 for capaz de imbuir os seres humanos com algum grau de humildade, é possível que, afinal, acabemos por mostrando alguma recetividade às lições desta pandemia mortal. Ou talvez voltemos a mergulhar na nossa cultura de complacência e excepcionalidade até a próxima praga chegar. O que acontecerá certamente.

E a história recente mostra-nos isso, e mais cedo do que tarde.


Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

sábado, 22 de agosto de 2020

Como comemorar o Dia Internacional da Segurança do Doente em 2020 | #SD393

A OMS publicou no seu site (https://www.who.int/campaigns/world-patient-safety-day/2020/campaign-essentials ) alguns aspectos essenciais a considerar para a Campanha Do Dia Mundial Da Segurança Do Doente Para 2020.

O tema da campanha em 2020 é: 

Segurança do Profissional de Saúde: Uma Prioridade para a Segurança do Doente

A OMS vai assinalar o Dia Mundial da Segurança do Doente a 17 de Setembro de 2020 e lançará uma campanha global para enfatizar a importância da SEGURANÇA DO PROFISSIONAL DE SAÚDE como uma prioridade para a segurança do doente.

A OMS exorta todos os seus parceiros e países a desenvolverem campanhas nacionais e locais com base nesta campanha global, a apoiar e assinalar este dia em todo o mundo para torná-lo um sucesso e a estabelecer um compromisso para que se tomem medidas urgentes e sustentáveis para reconhecer a segurança do profissional de saúde como um pré-requisito para a segurança do doente.

A campanha visa mobilizar doentes, profissionais de saúde, líderes de saúde, legisladores, académicos, investigadores, redes profissionais, o sector privado e a indústria da saúde para falar pela segurança do profissional de saúde para melhorar a segurança dos cuidados de saúde e reduzir o risco de danos, tanto para os profissionais de saúde quanto para os doentes.

Objectivos do Dia Mundial da Segurança do Doente 2020:

Aumentar a consciência global sobre a importância da segurança do profissional de saúde e as suas interligações com a segurança do doente

Envolver as várias partes interessadas e adoptar estratégias multimodais para melhorar a segurança dos profissionais de saúde e dos doentes

Implementar acções urgentes e sustentáveis por todas as partes interessadas que reconheçam e invistam na segurança dos profissionais da saúde, como prioridade para a segurança do doente

Fornecer o devido reconhecimento pela dedicação e trabalho árduo dos profissionais de saúde, particularmente no momento de actual luta contra o COVID-19

A OMS faz ainda as seguintes sugestões a diferentes actores

Profissionais de Saúde

A sua própria segurança começa com você: Cuide da sua saúde física e psicológica

Proteja a sua segurança e a das pessoas de quem cuida

Certifique-se de que você tem formação e está ciente da prevenção e controlo de infecções e que implementa as medidas adequadas

Contribua de forma proactiva para construir e fortalecer uma cultura de segurança no trabalho

Aperfeiçoe os seus conhecimentos, habilidades e competências sobre segurança no trabalho

Conheça os seus direitos e responsabilidades e solicite um ambiente de trabalho seguro

Relate sempre os riscos de segurança, violência, assédio ou ameaças às autoridades

Promova e implemente práticas de segurança inovadoras na sua organização

 

Legisladores, Reguladores, Parlamentares, Seguradoras e Pessoas Jurídicas, Organizações de Avaliação Externa (Sectores da Saúde, Trabalho, Meio Ambiente e Segurança)

Formular, actualizar e implementar políticas e legislação para garantir a segurança dos profissionais de saúde e doentes

Desenvolver e promover legislação para a protecção dos direitos dos profissionais de saúde e direitos dos doentes

Garantir equipamentos de protecção individual adequados e suficientes e materiais para a higiene das mãos, bem como a existência de um ambiente de trabalho seguro e que apoie o profissional e existência de recursos suficientes para melhorar a segurança das condições de trabalho em ambientes de cuidados de saúde

Aumentar os níveis de pessoal e criar os meios para capacitar os profissionais de saúde: isso irá prevenir infecções, melhorar a qualidade do atendimento e garantir uma cultura de segurança do doente

Desenvolver programas de segurança em parceria com associações profissionais, profissionais de saúde, organizações de doentes, organizações da sociedade civil, comunidades e sindicatos

Implementar princípios éticos para gestores e legisladores que incluem o dever de fornecer cuidados de saúde seguros e o dever de proteger a segurança dos profissionais da saúde e dos doentes

Promulgar legislação e regulamentos que proíbem a violência contra profissionais de saúde e doentes

 

Líderes, Administradores e Gestores de Saúde

Crie uma cultura de segurança aberta, equitativa e transparente para os profissionais de saúde e doentes, que permita relatar incidentes de segurança em tempo útil

Crie um ambiente de trabalho favorável e seguro e implemente práticas de segurança inovadoras com base nos factores humanos e numa abordagem ergonómica

Capacite os profissionais de saúde a fornecer cuidados seguros

Garanta formação e orientação adequados na prevenção e controlo de infecções

Forneça recursos suficientes para melhorar a segurança das condições de trabalho nas instituições de saúde

Envolva os profissionais de saúde, doentes e suas famílias em práticas de melhoria contínua da segurança

Priorize o investimento em saúde e segurança ocupacional para melhorar a segurança do doente

Implemente actividades de promoção da saúde mental para aliviar o stress no local de trabalho

Garanta que mecanismos de recompensa e motivação dos profissionais de saúde estejam em vigor e sejam usados de forma adequada

 

Instituições académicas e de investigação

Produzir evidências na área da segurança do trabalho e segurança do doente, incluindo a prevenção e controlo de infecções, para informar a política, regulamentos e padrões de prática

Incorporar a segurança do trabalho, a segurança do doente e a prevenção e controlo de infecções nos currículos educacionais e no desenvolvimento profissional contínuo, com foco em factores humanos e princípios de design ergonómico

Desenvolver módulos de e-learning para fornecer formação apropriada para profissionais de saúde e doentes

Priorizar a pesquisa sobre segurança nos cuidados de saúde primários e em ambientes com recursos baixos ou médios.

Realizar pesquisas para identificar estratégias para apoiar o bem-estar mental e emocional dos profissionais de saúde

Desenvolver indicadores para medir o progresso e melhorias na segurança do profissional de saúde e segurança do doente, incluindo a prevenção e controlo de infecções

 

Doentes, Famílias, Cuidadores, Comunidades e Público em Geral

Forneça informações precisas sobre o seu estado de saúde e historial médico

Um cuidado mais seguro para você começa consigo: esteja atento e exija práticas adequadas de prevenção e controlo de infecções

Aperfeiçoe o seu conhecimento sobre segurança em cuidados de saúde

Discuta questões de segurança com o profissional de saúde que lhe presta cuidados

Seja um defensor da segurança e protecção dos profissionais de saúde nas instituições de saúde e na comunidade

Envolva-se activamente no seu próprio cuidado

É bom fazer perguntas: cuidados de saúde seguros começam com uma boa comunicação

 

Associações Profissionais, Organizações Internacionais, Parceiros de Desenvolvimento, Sindicatos

Trabalhar com os governos para desenvolver e promover legislação para a protecção dos direitos dos profissionais de saúde e dos doentes

Trabalhar com os governos para desenvolver e promover legislação para a implementação de programas de prevenção e controlo de infecções, incluindo o acesso a equipamentos de protecção individual adequados e suficientes

Priorizar e investir na segurança do profissional de saúde e segurança do doente

Promover e proteger a segurança dos profissionais de saúde por meio de capacitação, defesa e assistência na implementação de padrões de segurança

Denunciar condições de trabalho inseguras e a violência contra os profissionais de saúde

Apoiar os profissionais de saúde no seu direito de ter um ambiente de trabalho seguro

Monitorizar sistematicamente o cumprimento das regulamentações relacionadas com a saúde e segurança dos profissionais de saúde

 

Associações de Doentes e da Sociedade Civil

Envolva diferentes partes interessadas e defenda mudanças nos sistemas, práticas e políticas para alcançar cuidados de saúde mais seguros

Promova a voz dos doentes na sua própria segurança e a segurança dos profissionais de saúde

Um cuidado mais seguro para você, com você: fique atento e exija a implementação de práticas adequadas de prevenção e controlo de infecção

Defenda a segurança nos cuidados de saúde, incluindo condições de trabalho seguras para todos os profissionais de saúde e em todas as instituições de cuidados de saúde, como requisito mínimo

Defenda a prevenção e o controlo de infecções, incluindo a existência de equipamento de protecção individual para os profissionais de saúde, bem como a higiene das mãos

Mobilize a comunidade local para fornecer apoio aos profissionais de saúde da comunidade e proteger a sua segurança

Defenda mais investigação na área da segurança em saúde

 

Indústria/Sector Privado (p. Ex: Indústria Farmacêutica, Fabricantes de Dispositivos Médicos, Industria de Software)

Investir na inovação de intervenções económicas para melhorar a segurança de doentes e profissionais de saúde

Garantir a gestão contínua e regular da cadeia de abastecimento para evitar ruturas de stock de produtos de segurança

Garantir a gestão contínua e regular da cadeia de abastecimento de equipamentos de protecção individual e de solução de base alcoólica para a higiene das mãos

Desenhar dispositivos médicos em parceria com os profissionais de saúde e doentes com base em factores humanos e numa abordagem ergonómica, para garantir a segurança

Fornecer acesso a dados (p. ex: sobre o uso seguro de dispositivos médicos) para promover as intervenções de segurança


A OMS disponibiliza ainda uma página com sugestões e ideias sobre como podes planear a comemoração deste dia na tua instituição/localidade.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente