domingo, 31 de maio de 2020

Como garantir a Segurança do Doente quando és tu que precisas de Ajuda? | #SD386

 Eu não sei como tu estás neste momento, mas aposto que todo o teu mundo foi colocado em causa nestes últimos meses.

 Aquilo que era sólido e conhecido deixou de ser, e de repente, todos na área da saúde fomos chamados a fazer mais, a ser mais. Há muitos que chegaram a chamar-nos heróis.

 

Herói - Eu não quero esse titulo.

Aquilo que fiz resultou de todas as minhas experiências anteriores e da minha personalidade:

Lidar com o medo de algo que era desconhecido.

Reorganizar o Serviço quase diariamente.

Trabalhar com uma torrente de informação de hora a hora.

Ver sair metade da equipa para outros Serviços sem saber quando regressariam.

Reorganizar o restante da equipa para o que ficou para fazer e reinventar novas formas de fazer aquilo que não era hábito.

 

Não fiz nada sozinho. Não seria capaz.

Foi a minha equipa, os meus colegas Enfermeiros e Enfermeiras, os Assistentes Operacionais e Assistentes Técnicos, os Médicos e Técnicos que em conjunto fizeram tanto.

Reorganizamos uma Morgue e oferecemos segurança a todos os seus atores, impedindo que fechasse.

Ajudamos a gerir um fluxo constante de pedidos de Equipamentos de Proteção Individual, muitas vezes carregados do medo do desconhecido e da incerteza.

Lidamos com a crítica infundada, baseada no puro desconhecimento e na maldade.

Lidámos com os “peritos de bancada”, quando há anos travamos uma batalha pelo conhecimento em Controlo de Infecção que ninguém queria ouvir.

 

Não sou nenhum herói.

Estou absolutamente farto e cansado das exigências fundamentadas apenas na “categoria profissional” ou na recomendação de uma qualquer sociedade cujo histórico na elaboração de recomendações práticas com base nos princípios das Precauções Básicas e nas Precauções Específicas em Controlo de Infecção era, até agora, inexistente.

Estou farto da arrogância e de muitos acharem que agora tudo é justificado, ou por outro lado, que já não têm que justificar nada.

Estou, acima de tudo, farto da falta de educação e da falta de civismo, características de uma sociedade avançada. Afinal não avançamos nada!


E no meio de tudo isto, o Doente.

O Doente que tem medo e não quer vir ter connosco.

O Doente que foi impedido de vir porque lhe desmarcaram tudo (muito além do razoável).

O Doente que agora querem que regresse, ultrapassando algumas práticas de segurança se assim for conveniente.

 

Nunca como agora, a Segurança do Doente e os seus princípios fizeram tanto sentido.

 

Desculpa-me este desabafo. Mas se não falar contigo, falo com quem?

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

sábado, 18 de abril de 2020

Roteiro para retomar Cirurgias Electivas após a 1ª onda do COVID-19 | #SD385


Quatro importantes grupos de saúde desenvolveram um roteiro para orientar médicos, enfermeiros e instituições de saúde na retomada das cirurgias electivas quando terminar a primeira onda da pandemia do COVID-19.

Este roteiro foi elaborado em conjunto pelo American College of SurgeonsAmerican Society of AnesthesiologistsAssociation of periOperative Registered Nurses e pela American Hospital Association. Este grupo afirma que a disponibilidade das instituições para retomar a cirurgia electiva variará de acordo com a localização geográfica, actividade local do COVID-19 e recursos. O seu roteiro oferece princípios e considerações gerais sobre quando e como retomar com segurança as cirurgias electivas.

Antes de retomar os procedimentos electivos, as instalações de saúde devem:
  • Garantir uma redução sustentada na taxa de novos casos de COVID-19 na sua área de influência, por pelo menos 14 dias;
  • Ter pessoal treinado assim como materiais e equipamentos suficientes para tratar doentes não-eletivos sem recorrer a um padrão de atendimento de nível de crise;
  • Implementar uma política para testar a equipa e os doentes para o COVID-19, considerando a precisão e a disponibilidade dos testes, e estar preparado para responder quando os resultados forem positivos;
  • Estabelecer um comité - incluindo líderes da cirurgia, anestesiologia e enfermagem - para desenvolver uma política de priorização das cirurgias que considere as necessidades imediatas do doente;
  • Adoptar políticas específicas para o COVID-19 para todas as fases do tratamento cirúrgico;
  • Recolher e avaliar dados relacionados com o COVID-19 para reavaliar frequentemente políticas e procedimentos;
  • Desenvolver e implementar uma política de distanciamento social para funcionários, doentes e visitantes em áreas não restritas, a fim de se preparar para uma segunda onda de casos COVID-19



Fernando Barroso
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#segurancadodoente

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Segurança do Uso prolongado Vs Reutilização de um respirador N95 | #SD384



O Instituto ECRI realizou uma avaliação actualizada das evidências clínicas para compreendermos os riscos e benefícios da reutilização dos respiradores N95 durante a pandemia.

O Instituto ECRI (uma organização sem fins lucrativos de segurança e qualidade) examinou 21 estudos de laboratório sobre a reutilização de máscaras durante uma escassez extrema, uma vez que os estudos clínicos sobre o tema ainda não foram publicados.

O ECRI encontrou evidências limitadas que apoiam o uso prolongado de um respirador N95 em vez da sua reutilização, uma vez que vestir e tirar a mesma máscara aumenta o risco de espalhar o COVID-19 através do toque.

Estudos envolvendo mais de 30 modelos do N95 descobriram que cobrir os respiradores com máscaras cirúrgicas não causou efeitos adversos ao utilizador, como por exemplo a limitação da capacidade respiratória ou as trocas gasosas.

O ECRI observou que estas descobertas têm como objectivo fornecer orientação clínica às organizações de saúde e não são uma orientação definitiva à prática.



Fernando Barroso
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domingo, 12 de abril de 2020

Calculadora da Taxa de Consumo de EPI's | SD#383


A “Calculadora da Taxa de Consumo do Equipamento de Proteção Individual (EPI)” é um modelo baseado numa tabela de Excel que ajuda as unidades de saúde a planear e optimizar o uso do EPI na resposta à doença de coronavírus 2019 (COVID-19).

A escassez de EPI's no mercado é assustadora e causa uma enorme pressão sobre os profissionais e sobre aqueles que tem a responsabilidade de garantir que não existe falta (os Serviços de Aprovisionamento).

É crucial que todos compreendam que a gestão criteriosa deste recurso é fundamental para garantir (e dar tempo) ao mercado para fornecer o que for necessário. Até lá teremos todos de ser o mais racionais possível, sem colocar em causa a segurança de todos.

Neste momento é imoral consumir um EPI para uma ação que o não justifique. 


Este é um recurso disponibilizado pelo CDC
Link para a página original para fazer o download da ferramenta
Fernando Barroso
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terça-feira, 24 de março de 2020

Como COLOCAR e REMOVER EPI - Kit de Proteção | #SD382

Vídeo elaborado por:
Ana Botas (Enf.ª)
Diana Sousa (Enf.ª)
Felisbela Barroso (Enf.ª)
Fernando Barroso (Enf.)
Luís Caldas (Enf.)
Verónica Florêncio (Enf.ª)

Fernando Barroso
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domingo, 15 de março de 2020

Checklist de preparação dos hospitais para recepção e atendimento de doentes com covid-19 | #SD381

Tradução e adaptação do documento do ECDC

Checklist para hospitais que se preparam para a recepção e atendimento de doentes com coronavírus 2019 (covid-19).

Esta checklist foi desenvolvida pelo ECDC para apoiar a preparação do hospital para o tratamento de doentes com COVID-19.
Os elementos descritos na lista podem não ser aplicáveis a todos os hospitais e podem precisar de ser adaptados às características específicas do hospital, ao sistema nacional de saúde individual, à legislação e à comunidade onde o hospital está localizado.

Os elementos a serem avaliados foram divididos nas seguintes áreas:
I.   Estabelecer uma Equipa Principal e principais Pontos de Contacto internos e externos
II.  Recursos humanos, materiais e de instalações
III. Comunicação e protecção de dados
IV.  Procedimentos de formação
V.   Higiene das mãos, equipamento de protecção individual (EPI) e gestão de resíduos
VI.  Triagem, primeiro contacto e priorização
VII. Internamento do doente, movimentação dos doentes na instituição e acesso de visitas
VIII. Limpeza ambiental


Se ainda não o fizeram, preparem-se por favor!
Boa sorte a todos.
Fernando Barroso
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#segurancadodoente

domingo, 8 de março de 2020

Política, Dotações Seguras e Segurança do Doente | #SD380



E se, num exercício de pura imaginação, os serviços de saúde estivessem dotados com o número de profissionais adequado ao fluxo de trabalho habitual e existissem planos de contingência flexíveis para aumentar esse número em momentos de crise.

Eu sei. É imaginação. Alguns dirão até que é “uma ilusão”. Mas porque é que, não é assim?

Possíveis motivos:
1. Os responsáveis por libertar a verba necessária para a contratação não compreendem o que significa cuidar de um doente complexo, de um doente em estado grave, ou de um indigente com problemas psiquiátricos que é levado contra a sua vontade para dentro de um serviço de urgência que já não tem sequer macas próprias para o receber com dignidade.

2. Os Conselhos de Administração existem para “executar” da melhor forma possível a política definida pela tutela (ler novamente o ponto 1).

3. Na sua maioria os directores de serviço não compreendem as dificuldades dos outros profissionais sob a sua hierarquia funcional (leia-se Enfermeiros, Técnicos, Assistentes Operacionais, Assistentes Técnicos, entre outros).

4. As chefias intermédias (Enfermeiros Gestores, Técnicos Coordenadores, Encarregados Operacionais, Coordenadores Técnicos) não conseguem (ou não sabem) contabilizar o trabalho produzido, adequar os recursos existentes à carga de trabalho actual e prever as necessidades futuras.

5. Muitos dos profissionais de "primeira linha" desresponsabilizam-se dos seus deveres e não ajudam a resolver os problemas. 

6. As solicitações da população são cada vez maiores. Foi vendida a “falácia da vida eterna” em que os cuidados de saúde resolvem qualquer doença. E por mais que se alerte para as más práticas a maioria da população insiste em comportamentos de risco (comer alimentos pouco saudáveis, beber demasiado, fumar e não praticar exercício físico) negligenciando a sua própria saúde.

O sistema parece não ter solução.

A segurança do doente é definida como a redução do risco de danos desnecessários, relacionados com os cuidados de saúde, para um mínimo aceitável.

Para que esta definição seja aplicada todos temos de dar o nosso contributo.

No meu serviço (Consultas Externas) passaram no dia 03 de Março, pela sala de espera do balcão de atendimento, entre as 8h00 e as 11h00 mais de 300 doentes.

A capacidade instalada, a dotação de profissionais existente e as decisões indirectas tomadas por outros, em conjunto com a literacia em saúde da nossa população colocaram claramente em risco centenas de doentes e profissionais.

A segurança dos doentes deve ser a nossa principal preocupação todos os dias.

É urgente reservamos todos os dias algum tempo para reflectir sobre este assunto e perguntar:
- O que é que eu posso fazer, que esteja ao meu alcance, para melhorar a segurança dos meus doentes?


Fernando Barroso
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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Notícia na Justnews sobre GIARC | (#SD379)

Foi publicada online a notícia sobre os 10 anos do GIARC - Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínicos - (que saiu no jornal Hospital Público), estando igualmente a ser partilhada nas redes sociais.

São 10 anos de forte dedicação à causa da Segurança do Doente, e um orgulho enorme em trabalhar com profissionais tão dedicados.
Um obrigado especial à Dr.ª Ermelinda Pedroso, companheira e pilar nesta caminhada.

Deixo abaixo o link para a notícia:

https://www.justnews.pt/noticias/chs-tem-116-gestores-de-risco-local-com-o-foco-na-qualidade-clinica-e-na-seguranca-do-doente/#.XkxP_Gj7TIV

Fernando Barroso
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#segurancadodoente

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Curso/Video Formativo OMS sobre o Coronavírus nCoV | (#SD378)

Os coronavírus são uma grande família de vírus conhecida por causarem doenças que variam entre a constipação comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

Um novo coronavírus (CoV) foi identificado em 2019 em Wuhan, China. Este é um novo coronavírus que não foi identificado anteriormente em humanos.


Este curso (da OMS) fornece uma introdução geral ao nCoV e vírus respiratórios emergentes e destina-se a profissionais de saúde pública, gestores de risco clínico e pessoal que trabalha para as Nações Unidas, organizações internacionais e ONGs.

Vídeo em inglês



Página original: https://openwho.org/courses/introduction-to-ncov

Fernando Barroso
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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Kit Protecção para o Coronavírus | (#SD377)

A melhor forma de nos protegermos como profissionais de saúde e aos doentes que cuidados é estar preparados para enfrentar as situações de risco.

O novo cononavírus 2019-nCoV volta a colocar-nos em alerta.

Uma das forma de nos prepararmos é possuir nos nossos Serviços, Kit's de protecção, previamente preparados.
Basta ter o material necessário e juntá-lo, por exemplo, num simples saco plástico com a indicação do seu conteúdo (de acordo com as recomendações actualmente existente).

Depois basta definir um local - identificado - que seja do conhecimento de toda a equipa multidisciplinar.

De forma complementar, deve ser promovida informação/formação é equipa.

No meu serviço, os Kits de protecção tem este aspecto:
Kit protecção Coronavírus (frente)

Kit protecção Coronavírus (verso)
Cada Kit contem:

Para o Doente:
1 Máscara Cirúrgica para colocar ao Doente suspeito

Para Profissional
1 Bata impermeável com mangas, descartável
1 Toca
1 Máscara de proteção (Respirador Partículas, P2)
1 Par de óculos de proteção
1 Par de luvas tamanho M
1 Par Protetor de sapatos


E tu, como está a preparar-te no teu Serviço?
Fernando Barroso


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domingo, 26 de janeiro de 2020

Avaliação da Cultura de Segurança - Actualização da Norma nº 005/2018 da DGS | (#SD376)

A Direcção Geral da Saúde Publicou, a 10 de Janeiro de 2020, uma actualização da Norma nº 005/2018 - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais

Após análise desta alteração informo que a única "alteração" que encontrei está no ponto 5, alínea a).

Onde se lia: a) inscrição (fevereiro)
Pode agora ler-se: a) inscrição (janeiro-fevereiro);


Podes aceder à "nova" versão através do link abaixo.

Fernando Barroso

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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

A influência do Skill mix na Segurança do Doente | (#SD375)

Há muitas formas de condicionar (sim, escolhi bem a palavra) a Segurança do Doente nos Serviços (e Instituições). O Skill Mix é uma delas.

Quando falo em skill mix, no contexto da prestação de cuidados de saúde, estou a referir-me (entre outras) a uma combinação de habilidades disponíveis num momento específico.

A competência profissional (a capacidade de desempenhar uma função especifica para a qual se obteve formação qualificada e adequada) é determinante, sendo requerido, num Serviço com múltiplas profissões a interagir entre si, que o skill mix seja adequado ao objectivo da prestação de cuidados.

Ora, quando aceitamos a existência de profissionais a desempenhar funções acima das suas competências formais (e legais), alegando restrições financeiras, tal situação deve ser clara e  denunciada em conformidade.

Se esse evidencia é constatada e nada se faz para se alterar, então existe aceitação (para não escrever conivência) com a situação. E este tipo de situação coloca em risco a Segurança do Doente.

De nada serve alegar que o profissional A ou B recebeu treino "on the job" e que é muito "dedicado e competente". 
A realidade é que não recebeu formação "formal" e não detém as qualificações que a lei prevê. E isso não é aceitável.

A OMS questiona, no seu famoso "Workshop de Segurança do Doente-Aprendendo com o Erro", o seguinte:
De que forma é que você sabe se os seus colegas receberam a formação necessária para realizar o seu trabalho correctamente?

O sentido à volta desta pergunta nem sempre é bem compreendido, mas na sua essência, trata-se de nos fazer compreender - a todos - que a não existência de um skill mix adequado aos cuidados que se querem prestar coloca em causa esses mesmos cuidados e consequentemente a segurança do doente. 

E é por isso que muitos incidentes ocorrem, seja pela existência de profissionais com competências inadequadas, ou seja pela simples inexistência de profissionais em número suficiente.
Fernando Barroso

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sábado, 18 de janeiro de 2020

O que ocorre quando não comunicamos? Menos Segurança do Doente | (#SD374)

Apesar de toda a evolução, do conhecimento e da tecnologia, ainda não aprendemos a comunicar uns com os outros e isso influência negativamente a segurança do doente.

Um sistema de notificação de incidentes é uma ferramenta poderosa. Com um sistema deste tipo podemos facilmente identificar riscos para a Segurança do doente, dos profissionais e da Instituição e com isso antecipar medidas correctivas ou preventivas

Para que o sistema funcione necessitamos, entre outras coisa, de um profissional (ou vários)  que saiba interpretar correctamente toda a informação que lhe é enviada através do sistema de notificação - Gestor de Risco Clínico.

Cada incidente representa uma oportunidade para obter novos dados, para confirmar o conhecimento existente e para nos mostrar o caminho para novas medidas preventivas.

Mas com cada notificação chega um desafio - a informação recebida está correcta? 
A resposta (normalmente) é não.

O mais comum é que a notificação de um incidente tenha em conta apenas o ponto de vista de quem notifica, esquecendo facilmente aquelas que podem ser as dificuldades "do outro lado" da história.

Aquilo que pode parecer um incidente claro de segurança do doente, pode na realidade ser a atitude mais correcta que o profissional (envolvido no incidente) poderia ter tomado. Pode não ter conseguido fazer tudo correctamente, mas na sua essência, estar correcto.

Para o Gestor de Risco o desafio é, em cada incidente recebido, fazer o exercício de raciocínio de nos colocarmos no lugar "do outro" e pedir sempre a opinião da outra parte. Será dessa confrontação e do conhecimento como perito em análise de incidentes que a melhor solução poderá surgir.

Outro aspecto importante, e sempre descurado, é que o profissional que efectua a notificação do incidente quando este incidente envolve outras partes, raramente teve o cuidado de fazer o mesmo raciocínio ou sequer falou com a outra parte. Chama-se a isto "comunicar".
É assim que o texto descritivo de um incidente acaba por ser escrito carregado de informações incompletas ou mesmo incorrectas, quando um simples telefonema poderia ter clarificado o problema.

Resta aos Gestores de Risco Clínico o discernimento e clareza de raciocínio para que não tomem parte sem um cabal esclarecimento dos factores contribuintes de um incidente.
Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Desafios da integração de um novo Gestor de Risco | (#SD373)

Hoje comecei a integrar um colega como GESTOR DE RISCO clínico no Grupo de Indicadores, Auditoria e Risco Clínico (GIARC).

Há dias em que nos sentimos felizes e não sabemos bem porquê. Eu hoje estou feliz e sei bem o motivo.

Este é um enorme desafio, quer para mim quer para o colega (obrigado Luís Caldas por abraçares este projecto).

É verdade que temos construída e publicada uma descrição de funções que em breve iremos rever em conjunto e reconstruir na medida do que for necessário.

Também é verdade que "entrar na carruagem" já em andamento tem aspecto positivos, mas também encerra desafios dos quais ainda não nos apercebemos.

Permitam-me socorrer-me de parte do texto da dissertação de Mestrado em Gestão de Serviços de Saúde de Vânia Gonçalves, intitulada "Gestão do risco nas organizações de saúde: percepção dos profissionais face ao papel do gestor de risco".

Escreve a autora sobre o Gestor de Risco:
"A aplicação de um programa de gestão de risco implica a constante presença de um supervisor experiente e conhecedor de todo o seu processo de implementação, profissional esse que é designado por Gestor do Risco. Mas quais são as suas áreas de saber, quais as suas competências e valências enquanto profissional responsável?

Inicialmente, um gestor de risco focava a sua atenção apenas ao nível da detecção e identificação dos principais riscos da actividade profissional. Contudo, com o aumento das exigências e da complexidade de todo o processo, deverá não só focar a sua atenção nestes aspectos, mas também ao nível da prevenção do risco detectando áreas potencialmente perigosas não só ao nível da prestação de cuidados como ao nível da gestão, ética organizacional, aspectos económico-financeiros, entre outros.

A organização deverá ser analisada como um todo, nos seus vários níveis de actuação, adoptando-se assim uma atitude preventiva e pró-activa perante a organização.
Ou seja, a sua actuação deverá promover uma eficaz gestão dos cuidados prestados, no qual o conceito de segurança se encontra implícito, envolvendo não só os seus utentes, como também os seus profissionais, visitas e colaboradores (internos e externos). Desta forma, é possível minimizar e/ou prevenir qualquer potencial perda para a organização, potenciando-se a performance da organização de saúde.


Dada a complexidade inerente ao cargo e ao desempenho das suas funções, são múltiplas as áreas passíveis de intervenção, o que realça a multiplicidade de saberes e de conhecimentos necessários. (…). Um estudo efectuado em 1999 pela American Society for Healthcare Risk Management (ASHRM) procurou identificar as principais actividades de um gestor do risco para poder definir o corpo de conhecimentos associado, do qual resultou a identificação de seis grandes áreas de actuação: prevenção/redução das perdas, gestão das reclamações, financiamento de riscos, cumprimento da regulamentação/acreditação, operações, e bioética."

Como se percebe, ser "Gestor do Risco" encerra um conjunto de características e competências que constituem, por si só, um verdadeiro desafio. Mas a Segurança do Doente exige essa complexidade que deve estar presente na pessoa (enquanto gestor do risco) e no desenvolvimento das suas competências.

Ser gestor do risco é ser sempre, em cada momento, um curioso de novas formas de cuidar e um defensor incondicional da causa da segurança, trabalhando para prevenir e diminuir o risco associado aos cuidados de saúde.

Faremos juntos esse percurso.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#segurancadodoente

GONÇALVES, Vânia Cristina Nunes Gomes - Gestão do risco nas organizações de saúde: percepção dos profissionais face ao papel do gestor de risco [Em linha]. Lisboa: ISCTE, 2008. Tese de mestrado. [Consult. Dia Mês Ano] Disponível em http://hdl.handle.net/10071/1513.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Alerta de Segurança do Doente – Acidente com Criança e Contentor de Corto Perfurantes (#SD371)


Todos os profissionais de saúde têm algum receio quando eliminam algum tipo de corto perfurante. Agulhas de vários calibres, laminas, perfuradores e ampolas ou frascos de vidro são apenas alguns exemplos de corto perfurantes.

O maior receio é que possa ocorrer um acidente de exposição a sangue (uma picada ou corte acidental) no momento em que se está a eliminar o corto perfurante.

Já tive a experiência (quando trabalhava como Enfermeiro do Trabalho) de cuidar de profissionais de saúde após um deste acidentes. Para além dos aspectos técnicos no cuidar de uma ferida por picada ou corte, a maior angustia é o medo de não saber se algo resultará desse acidente.
- Será que vou ficar infectado?

O Acidente que vou relatar foi-me transmitido por uma colega que trabalha num ACES.

Durante uma consulta de enfermagem a uma Doente, esta fez-se acompanhar pela sua filha – uma criança de cerca de 2/3 anos – que durante a consulta da mãe quis ir para o chão andar.
Durante a consulta, absorvidas pelo tema da consulta, ninguém se apercebeu quando a criança se aproximou da bancada de trabalho e conseguiu alcançar o contentor de corto perfurantes que se encontrava numa plataforma baixa.

Só depois do choro é que, para horror de ambas, viram a criança com a mão com múltiplas picadas. A Criança tinha colocado a mão pela abertura do contentor e “agarrado” o que estava dentro.

Ao contar este episódio, numa sala de formação repleta de profissionais de vários ACES, era obvia a angustia nas palavras de quem contava a história.
E para maior espanto de todos na sala, uma outra profissional de outro ACES acabou por partilhar que também no seu local de trabalho algo semelhante tinha já acontecido.

Temos, pois, que retirar destes incidentes a necessária aprendizagem. Este tipo de incidente pode ser raro (eu nunca tinha ouvido algo semelhante) pelo que temos de estar atentos.

Sugestões de actuação para prevenir a ocorrência/recorrência:
  • Avaliar o risco de ocorrência de incidentes semelhantes no seu local de trabalho
  • Se o local dos cuidados é utilizado para cuidar de crianças ou de adultos que estejam acompanhados por crianças, posicionar o contentor de corto perfurantes numa superfície estável, fora do alcance de crianças.
  • Fechar a tampa do contentor sempre que este não esteja a ser utilizado (todos os contentores têm dois modos de encerramento da tampa – um encerramento provisório e um encerramento definitivo para posterior eliminação).
  • Garantir que o contentor só é utilizado até ao limite de segurança (normalmente 2/3 da capacidade. Normalmente existe sinalética do limite assinalada no próprio contentor).
  • A Equipa deve saber o que fazer em caso de acidente com exposição a sangue. Quais os primeiros socorros? Para onde encaminhar o profissional/Doente que sofre o acidente?
  • Na presença de crianças, esperar o inesperado (esta sugestão só quem já teve crianças pequenas vai perceber 😊).

Por favor, considera estas sugestões e partilha a informação com a tua equipa.

Queres acrescentar alguma outra sugestão? Coloca nos comentários abaixo.

Fernando Barroso
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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Evacuação de Doentes de uma UCI | (#SD370)

As Unidades de Cuidados Intensivos devem estar preparadas para a eventual ocorrência de um acidente grave ou catástrofe, seja de âmbito interno ou externo, que poderá resultar na necessidade de evacuação dos doentes.

Desta forma, as unidades devem dispor de um plano de emergência e autoproteção, onde estejam descritos os procedimentos a realizar.

Evacuar doentes de uma Unidade de Cuidados Intensivos é um processo moroso e complexo, pelo que, os enfermeiros devem estar preparados para agir, face a esta necessidade. Nesse sentido, foi realizado um projecto de intervenção com o objectivo de dar formação sobre esta temática e realizar uma norma de procedimento que todos conheçam e que sirva de orientação face a uma necessidade de evacuação.

Este é um relatório da autoria de Tânia Alexandra Godinho dos Santos, no âmbito do Mestrado em Enfermagem.

O trabalho pode ser consultado através deste link:

Fernando Barroso
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Norma DGS nº 008/2019 de 09/12/2019 | Prevenção e Intervenção na Queda do Adulto em Cuidados Hospitalares | (#SD369)

A DGS publicou hoje a Norma nº 008/2019 de 09/12/2019 - Prevenção e Intervenção na Queda do Adulto em Cuidados Hospitalares.

Ainda não tive muito tempo para ler com atenção todo o documento, mas...

Depois digo...

Fernando Barroso
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