domingo, 2 de fevereiro de 2025

ENTREVISTA PARA FICAR - Análise Qualitativa dos Resultados


 Reconhecendo a importância de conhecer os motivos pelos quais um trabalhador resolve abandonar o seu local de trabalho (Instituição/ Serviço/ Unidade/ Empresa), não deixa de ser também muito importante conhecer os motivos pelos quais esses mesmos trabalhadores podem decidir ficar no seu local de trabalho.

Quando ouço falar em “retenção de talentos” observo normalmente um debate em que gestores de topo e peritos apontam e defendem estratégias para que essa retenção aconteça. No entanto parece-me muito mais interessante conhecer aquilo que os profissionais no terreno verdadeiramente desejam, ouvir, as suas críticas e sugestões e construir com base nelas essas condições de retenção para que o trabalhador deseje ficar e continuar onde está.

Foi com base nesse princípio que, em setembro de 2024 propus aos leitores do blog “Segurança do Doente” o desafio de responderem a uma ENTREVISTA PARA FICAR (podes ler o artigo original aqui).

Foi esse o espírito do questionário proposto, com apenas 4 perguntas e completamente anónimo.

Foram estas as 4 perguntas

1 – O que é que te faz vir trabalhar todos os dias?

2 - O que é que um dia pode quer fazer-te ir embora?

3 – Onde é que achas que a Instituição/Serviço está a fazer alguma coisa errada?

4 – O que é que tu precisas do teu Líder que não está a obter hoje?

 

Análise Qualitativa dos Resultados de uma ENTREVISTA PARA FICAR

O questionário foi disponibilizado através do “google Forms”, entre 15 de setembro e 11 de novembro de 2024. Foram recolhidas 30 respostas.

No início do questionário era referido que “Qualquer referência a nomes de pessoas ou instituições seriam eliminados na fase de tratamento dos dados.

Não foi recolhida qualquer informação que permitisse caracterizar os participantes, no entanto, pelas respostas obtidas percebesse tratar-se maioritariamente de profissionais de saúde, principalmente de enfermeiros.

As perguntas eram abertas e sem qualquer limite ao tamanho das respostas.


Pergunta 1 – O que é que te faz vir trabalhar todos os dias?

A partir da análise das respostas fornecidas, foram identificadas diversas categorias temáticas que explicam as motivações dos participantes para comparecer ao trabalho diariamente. As categorias emergentes são apresentadas a seguir:

1. Satisfação e Vocação Profissional

Várias respostas indicam que os participantes sentem prazer e realização no trabalho, destacando o gosto pela profissão e a paixão pela atividade desempenhada. Exemplos:

  • "O gostar do que faço"
  • "Paixão profissional, poder contribuir para melhorar os cuidados de enfermagem/saúde."
  • "Sinto que o meu trabalho é significativo. Que importa."
  • "O amor pela profissão e o sentido de missão ao cuidar do Outro."
  • "Gosto de comunicar com outros."
  • "O compromisso com os doentes."

2. Motivações Financeiras

O fator econômico também é um elemento central na decisão de trabalhar. Muitos participantes mencionam a necessidade de remuneração para cobrir despesas e manter a estabilidade financeira. Exemplos:

  • "Salário para pagar as responsabilidades financeiras."
  • "Ganhar dinheiro e gostar do que faço."
  • "Ser renumerada pelo meu trabalho."
  • "O salário ao fim do mês."
  • "Obrigatoriedade para ter vencimento."
  • "A necessidade de um salário para fazer face aos encargos financeiros."

3. Impacto e Propósito do Trabalho

Outra categoria emergente diz respeito ao impacto positivo que o trabalho tem sobre os outros, principalmente em profissões ligadas ao cuidado e à saúde. Exemplos:

  • "O potencial que eu crio em melhorar de forma positiva e construtiva dos doentes que cuido."
  • "O serviço que presto aos doentes, é por eles que trabalho e por respeito aos colegas da equipa que ficam sobrecarregados caso eu não compareça."
  • "Adoro cuidar dos recém-nascidos internados na Neonatologia, dos seus pais, saber que posso fazer a diferença, que posso tentar diminuir o trauma e promover a esperança para toda a família!"
  • "O gosto de trabalhar com o doente crítico e saber que faço a diferença em vários aspetos no cuidado."

4. Ambiente de Trabalho e Relações Interpessoais

O contexto social e organizacional no local de trabalho também se destaca como fator motivador. Exemplos:

  • "O bom ambiente de trabalho."
  • "O gosto pelo que faço e o ambiente de trabalho."
  • "Adoro trabalhar em equipa e sentir a adrenalina das situações limite."
  • "Bem como o ambiente agradável com alguns elementos da equipa multidisciplinar."

5. Compromisso e Responsabilidade Profissional

Muitos participantes mencionam a responsabilidade profissional como um fator relevante, o que inclui o compromisso com a instituição, a equipa e os doentes. Exemplos:

  • "Compromisso e a vontade."
  • "Responsabilidade."
  • "O propósito da instituição e a necessidade financeira."
  • "A vontade de querer fazer mais e melhor todos os dias."

6. Desafio e Desenvolvimento Pessoal

Por fim, algumas respostas indicam que o trabalho representa um desafio e uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Exemplos:

  • "O desafio da tarefa em si."
  • "A necessidade de ser produtivo, de ter um motivo para me erguer todos os dias."

 

A análise das respostas mostra que as principais motivações para comparecer ao trabalho diariamente podem ser agrupadas em seis categorias principais:

·         satisfação e vocação profissional,

·         motivações financeiras,

·         impacto e propósito do trabalho,

·         ambiente e relações interpessoais,

·         compromisso e responsabilidade, e

·         desafio e desenvolvimento pessoal.

Embora o fator financeiro seja amplamente citado, a satisfação profissional e o impacto social do trabalho também desempenham um papel crucial na motivação dos trabalhadores.

 

Pergunta 2 - O que é que um dia pode quer fazer-te ir embora?

A análise qualitativa dos dados revelou diferentes dimensões que influenciam a decisão de um profissional deixar o seu emprego. As principais categorias identificadas são:

  1. Remuneração e Benefícios Financeiros
    • "Um salário melhor"
    • "Uma proposta melhor em termos de ordenado, mas com o mesmo horário de trabalho"
    • "Uma proposta económica melhor, a fazer o que adoro e ser melhor paga e valorizada"
    • "O escasso ordenado perante toda responsabilidade que assumo e trabalho que executo"
    • "A recompensa financeira não corresponder ao valor profissional de competências"
  2. Reconhecimento e Valorização Profissional
    • "Falta de reconhecimento pelo meu trabalho"
    • "A não valorização do meu trabalho"
    • "Sentir que não passo de um número mecanográfico e que não me sinto valorizada"
    • "Reconhecimento monetário, de progressão e por parte de superiores hierárquicos"
    • "Falta de reconhecimento, ou o reconhecimento tardio, quando a desmotivação já se instalou"
  3. Desenvolvimento e Crescimento Profissional
    • "Falta de crescimento pessoal"
    • "A estagnação na carreira"
    • "A falta de oportunidade de crescer de acordo com as competências continuamente adquiridas"
    • "Falta de apoio para desenvolver o meu potencial/competências"
    • "Não me desafiarem do ponto de vista profissional; não considerarem a minha perspetiva"
  4. Liderança e Gestão Organizacional
    • "A desvalorização das hierarquias"
    • "A ausência de liderança"
    • "A minha gestora não defendeu os seus enfermeiros"
    • "O mau relacionamento entre os diversos elementos da equipa"
    • "Incompatibilidade com a chefia"
  5. Condições de Trabalho e Qualidade de Vida
    • "Trabalho perto de casa"
    • "A falta de profissionais que sobrecarrega as equipas"
    • "Falta de condições no meu serviço para exercer o meu cargo"
    • "Todo o esforço revela-se infrutífero, e foram esgotadas todas as estratégias"
    • "Exaustão e falta de reconhecimento"
  6. Ética e Cultura Organizacional
    • "Organização desacreditada"
    • "Ilegalidade rácios e protocolos"
    • "Se a minha função estiver de tal forma desalinhada com os objetivos da empresa que torne o meu trabalho sem propósito"
  7. Motivação e Desafios Profissionais
    • "Desmotivação"
    • "Projeto inovador/ novos desafios"
    • "Um projeto diferente e entusiasmante com uma remuneração superior"

Análise e Interpretação

  • A remuneração é um fator crucial, mas não o único. Muitos profissionais indicam que a falta de reconhecimento e valorização pesa tanto quanto um salário mais baixo.
  • A falta de crescimento e estagnação são desmotivadores poderosos. Oportunidades de desenvolvimento são um fator determinante na permanência.
  • A liderança fraca ou tóxica surge como uma causa frequente de insatisfação. A relação com superiores diretos e colegas afeta o bem-estar e a motivação.
  • O excesso de carga de trabalho e condições precárias geram frustração e burnout, o que pode levar os profissionais a abandonar o cargo.
  • Questões éticas e desalinhamento com a cultura organizacional também influenciam a decisão de saída, pois a perda de propósito mina o comprometimento.
  • Os profissionais não saem apenas pelo que está errado, mas também pelo que os motiva positivamente, como novos desafios ou melhores condições noutros locais.

Os dados sugerem que as organizações devem investir não apenas em salários competitivos, mas também em reconhecimento, oportunidades de crescimento, boas práticas de liderança e melhorias nas condições de trabalho. A saída dos profissionais não é causada por um único fator, mas sim por um conjunto de elementos que, quando acumulados, tornam a permanência inviável.


Pergunta 3 – Onde é que achas que a instituição/serviço está a fazer alguma coisa errada?

Aqui está uma análise qualitativa dos dados fornecidos, organizada por categorias emergentes a partir das respostas:

1. Falta de valorização e reconhecimento profissional

  • Grande parte dos respondentes referem a falta de valorização dos profissionais, tanto em termos de reconhecimento institucional quanto de recompensas salariais e progressão na carreira.
  • Exemplos:
    • "Não valoriza os profissionais e vai buscar ao mercado externo outros colaboradores que vão ocupar lugares hierarquicamente superiores."
    • "Falta de reconhecimento do papel desempenhado. A valorização é nula, o incentivo é escasso."
    • "Não valorização de talentos."
    • "Pouco investimento nos profissionais mais qualificados (enfermeiros)."

2. Problemas na gestão de recursos humanos

  • A gestão de pessoal parece ser um ponto crítico, nomeadamente a falta de substituição de profissionais que saem, ausência de um plano estratégico e lideranças problemáticas.
  • Exemplos:
    • "Ao não substituir profissionais que saíram e manter as exigências ao mesmo nível."
    • "Focam-se na capitação de novas pessoas perante o turnover e não numa política de cuidar dos profissionais que estão no serviço."
    • "Na liderança, ausência de plano estratégico."
    • "Na minha Instituição, mantêm-se lideranças tóxicas e as pessoas com mais episódio no canal de denúncia mantêm-se intocáveis."

3. Falta de progressão e incentivos

  • Relatos indicam dificuldades na progressão de carreira, falta de reconhecimento monetário e ausência de incentivos à formação e especialização.
  • Exemplos:
    • "Falta de progressão."
    • "Não valorizar as competências como pós-graduação, mestrados, doutoramento no dia a dia e em concursos."
    • "Falta de formação e regulamentação essencial para uma prática de cuidados segura para o doente."

4. Problemas de comunicação interna e tomada de decisão unilateral

  • O distanciamento entre a gestão e os profissionais operacionais reflete-se em dificuldades na comunicação e na falta de envolvimento dos trabalhadores nas decisões.
  • Exemplos:
    • "Não se dá voz aos mais 'pequenos'."
    • "Está a valorizar as pessoas erradas, mas para conhecermos realmente quem trabalha e qual se importa temos de trabalhar lado a lado e os gestores não o fazem."
    • "Não facilitar aspetos importantes para as pessoas quando não implicam com o funcionamento do serviço (ex. Alteração do período de férias, etc.)."

5. Carga de trabalho excessiva e condições inadequadas

  • A sobrecarga de trabalho e a falta de recursos humanos e materiais são pontos críticos mencionados várias vezes.
  • Exemplos:
    • "Continuamos a trabalhar com mais de metade do horário em turnos extraordinários, que não são bem recompensados."
    • "Rácios inadequados com visão unicamente economicista."
    • "Falta de condições de trabalho."
    • "Falta de recursos humanos e materiais."

6. Cultura organizacional e clima laboral negativo

  • Sentimentos de desmotivação, falta de autonomia e assédio moral foram mencionados, contribuindo para um ambiente de trabalho prejudicial.
  • Exemplos:
    • "Não tenho autonomia. Sinto-me a sufocar. Não há evolução."
    • "Há situações de bullying profissional e assédio moral."
    • "Grande dimensão que pode levar a valorizar coisas e não as pessoas."

Os dados analisados mostram que as principais falhas percebidas na instituição/serviço se relacionam com a falta de valorização profissional, más práticas de gestão de recursos humanos e um ambiente de trabalho desmotivador. A sobrecarga de trabalho e a falta de condições também são apontadas como fatores que prejudicam a qualidade dos serviços prestados. Além disso, há uma lacuna na comunicação entre a gestão e os profissionais, levando a decisões que não refletem as reais necessidades dos trabalhadores.

Para melhorar a situação, seria essencial:

  1. Reforçar políticas de reconhecimento e valorização dos profissionais.
  2. Melhorar a gestão de recursos humanos, incluindo a substituição adequada de profissionais.
  3. Criar mecanismos de progressão e incentivos justos.
  4. Estabelecer canais de comunicação mais eficazes e participativos.
  5. Rever as condições de trabalho e dotação de recursos para evitar a sobrecarga.
  6. Combater práticas de liderança tóxicas e promover um ambiente organizacional mais saudável.

Essa análise pode servir como base para um diagnóstico mais aprofundado e para a implementação de estratégias que promovam um ambiente de trabalho mais justo e motivador.


Pergunta 4 – "O que é que tu precisas do teu Líder que não estás a obter hoje?

A análise qualitativa à pergunta 4 revela seis grandes categorias que resumem as necessidades não atendidas dos colaboradores em relação à liderança.

1. Comunicação e Feedback

  • Falta de clareza sobre objetivos e expectativas.
  • Necessidade de mais proximidade, respostas e escuta ativa.
  • Desejo por mais e melhor comunicação aberta e bidirecional.

Exemplos:

"Mais e melhor comunicação. Não sei o que é preciso fazer para ajudar."

"Objetivos concretos, acompanhamento mais próximo e feedback mais frequente."

"Escuta ativa."

2. Reconhecimento e Valorização Profissional

  • Falta de reconhecimento do esforço e competências.
  • Sentimento de desvalorização, especialmente em relação a progressão na carreira.
  • Perceção de desigualdade no tratamento, especialmente em casos específicos (exemplo: impacto da maternidade).

Exemplos:

"Valorização das atividades realizadas pela equipa."

"Não sinto valorização profissional (não está coerente com o percurso e esforço dedicado)."

"Maior reconhecimento."

3. Gestão e Condições de Trabalho

  • Recursos humanos insuficientes para cumprir objetivos.
  • Sobrecarga de trabalho, levando a levar tarefas para casa.
  • Melhores condições de trabalho, incluindo horários adequados e períodos de descanso.

Exemplos:

"Número de trabalhadores na equipa necessários para cumprir todos os objetivos exigidos pela instituição."

"Não ter que levar trabalho para casa!!!"

"Horários adequados e períodos de descanso que favoreçam o bem-estar do profissional."

4. Liderança Inspiradora e Motivacional

  • Necessidade de uma liderança mais humana, com empatia e solidariedade.
  • Desejo por uma liderança que motive e envolva a equipa.
  • Falta de um líder que seja exemplo e promova um ambiente positivo.

Exemplos:

"Empatia e comunicação."

"Reconhecimento; Presença; Ser um(a) promotor(a) de ambientes da prática de enfermagem positivos."

"Comunicação, empatia, espírito de equipa, motivação para trabalhar melhor, reconhecimento, envolvimento de todas para melhoria contínua dos serviços prestados."

5. Desenvolvimento Profissional e Formação

  • Necessidade de apoio nos estudos e progressão profissional.
  • Exigências de formação sem suporte financeiro ou institucional.
  • Falta de abertura à atualização técnico-científica e discussão de casos.

Exemplos:

"Apoio nos estudos e progressão profissional."

"Formação obrigatória para alguns cuidados que me são exigidos, e que tenho a necessidade e a responsabilidade ética e moral de fazer sem qualquer financiamento."

"Abertura à atualização técnico-científica, não promove trabalho em equipa/discussão de estudos de caso."

6. Autonomia e Participação na Tomada de Decisão

  • Desejo de ter mais autonomia e confiança para desempenhar funções.
  • Falta de envolvimento da equipa na definição de objetivos e estratégias.
  • Resistência da liderança a sugestões de melhoria.

Exemplos:

"Autonomia e confiança nas minhas competências para desempenhar as minhas funções."

"Possibilidade de definição de objetivos comuns (organização-serviço-colaborador), feedback, comunicação, exemplo."

"Planos de trabalho e gestão de tarefas desadequados à realidade atual (não aceita sugestões de melhoria)."

 

Conclusões e Implicações

Os dados sugerem uma lacuna significativa entre as necessidades dos colaboradores e o estilo de liderança atual. A ausência de comunicação eficaz, reconhecimento e suporte tem impacto na motivação e na produtividade da equipa. Além disso, a sobrecarga de trabalho e a falta de autonomia geram insatisfação.

Para um ambiente de trabalho mais positivo e produtivo, os líderes devem:

·         Melhorar a comunicação e o feedback contínuo.

·         Reconhecer e valorizar o esforço e competências dos colaboradores.

·         Garantir melhores condições de trabalho e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

·         Desenvolver uma liderança mais empática e inspiradora.

·         Investir em formação e no desenvolvimento profissional da equipa.

·         Dar mais autonomia e envolvimento na tomada de decisões.

Se estas mudanças forem implementadas, há potencial para uma equipa mais empenhada, produtiva e satisfeita.


Resumo e Sugestões Práticas para a Retenção de Profissionais

A análise das respostas dos profissionais revela que a motivação para a permanência no trabalho está fortemente associada à satisfação profissional, à remuneração, ao impacto do trabalho na sociedade, às relações interpessoais, à responsabilidade e ao desejo de desenvolvimento pessoal. Embora o fator financeiro seja importante, outros elementos como reconhecimento, crescimento profissional e ambiente de trabalho também são determinantes para a retenção de talentos.

Principais Problemas Identificados:

  1. Falta de reconhecimento e valorização: Muitos profissionais sentem que seus esforços não são devidamente reconhecidos, o que impacta negativamente na motivação e no comprometimento.
  2. Falta de crescimento e progressão profissional: A ausência de oportunidades de desenvolvimento e formação leva à estagnação e ao desinteresse.
  3. Liderança fraca ou tóxica: A qualidade da gestão e das relações interpessoais tem um impacto direto no bem-estar dos profissionais.
  4. Sobrecarga de trabalho e condições inadequadas: A escassez de recursos e a alta carga de trabalho aumentam os níveis de stress e burnout.
  5. Falta de alinhamento com a cultura organizacional: Questões éticas e valores desalinhados entre profissionais e gestão levam à desmotivação e à saída voluntária.
  6. Comunicação deficiente entre gestão e equipa: Decisões são tomadas sem levar em conta as necessidades reais dos trabalhadores.

Sugestões Práticas para Melhoria:

  1. Implementar políticas de reconhecimento: Criação de incentivos, elogios públicos e programas de premiação para valorizar os esforços dos profissionais.
  2. Oportunidades de crescimento: Desenvolver planos de carreira, oferecer formação contínua e programas de mentoria para aumentar a retenção.
  3. Reforço na gestão de recursos humanos: Garantir a substituição adequada dos profissionais para evitar sobrecarga e melhorar a distribuição de tarefas.
  4. Melhorar a comunicação organizacional: Criar canais de diálogo eficazes, promover reuniões regulares e incluir os profissionais na tomada de decisões.
  5. Revisão das condições de trabalho: Investir em infraestrutura, reduzir carga horária excessiva e proporcionar um ambiente mais seguro e ergonomicamente adequado.
  6. Desenvolvimento de uma liderança mais eficaz e empática: Formar gestores para adotar uma abordagem mais humana, inspiradora e participativa.
  7. Promover o equilíbrio entre vida profissional e pessoal: Incentivar políticas de flexibilidade laboral e bem-estar dos colaboradores.

A implementação destas melhorias pode transformar a instituição num local de trabalho mais motivador, reduzindo a rotatividade e promovendo um ambiente profissional mais produtivo e satisfatório para todos.

Fernando Barroso, fevereiro de 2025.

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

2 ANOS PARA O FIM DO PNSD

 ⏳2 ANOS PARA O FIM DO PNSD

Foto de Martha Dominguez de Gouveia na Unsplash

O PNSD – Plano Nacional para a Segurança do Doente - termina em 2026🚨. Estás a concretizar os seus objetivos no teu Serviço/Instituição?


Porque é que isso interessa:

  • Concretizar os objetivos do PNSD 21-26 tem um impacto direto na segurança do doente, na qualidade em saúde e no desenvolvimento e satisfação dos profissionais de saúde.
  • Tens pouco tempo. Começa já. Tu consegues!
  • O PNSD tem 5 Pilares e 14 Objetivos


4 Objetivos que não podes ignorar:

  1. Promover a formação dos profissionais de saúde no âmbito da segurança do doente.
  2. Melhorar a comunicação e segurança no processo de transição de cuidados.
  3. Aumentar a cultura e transparência da notificação de incidentes de segurança do doente no Notifica.
  4. Reduzir as infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) e as resistências aos antimicrobianos (RAM).


Para Saberes mais:

 

CURIOSIDADE # Um incidente de Segurança do doente que não é relatado “não existe”!

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domingo, 8 de dezembro de 2024

Chefias Vs Chefiados


Se apenas trabalhamos para nós próprios, sem atender ao bem comum, não vamos longe. 

A ideia não é nova claro, os mais antigos filósofos debruçaram-se sobre este tema.

Não faz sentido produzir, criar apenas para nos próprios.

Somos seres de comunidade, de partilha. Apenas alcançámos o desenvolvimento atual fruto de um esforço comum, de partilha, de investimento naquilo que pode beneficiar o "todo" e não apenas a "nossa" parte.

É por isso que a empatia é tão importante e necessária a orientar o nosso dia-a-dia. É através da empatia que encontramos verdadeiramente o outro e o compreendemos, e isto seja em que direção for.

Fico sempre incomodado com os artigos que colocam esta responsabilidade apenas num dos lados da interação. "Chefias Vs Chefiados" é algo que é sempre apresentado como uma luta. Não entendo que deva ser assim.

Acredito sim que todos podem e devem contribuir com os seus saberes e capacidades. Todos (entenda-se chefias e chefiados) tem muito a aprender uns com os outros. E só assim, apenas desta forma, poderão verdadeiramente crescer.

Apontar o dedo, impor, "Eu contra todos", o certo sou Eu, Ele(s) está(ão) contra mim.

Estas são formas cegas de ver o mundo que nos rodeia. Elimina a nossa responsabilidade individual de aproximação, de reconhecimento das nossas próprias fragilidades, da nossa incapacidade de crescimento.

- São os outros que tem de mudar. Não sou Eu!

Esta atitude é redutora, incapaz de criar crescimento e promover a (inevitável) mudança.

Nada ocorre sem mudança, e no entanto, ficamos agarrados ao passado, como se isso fosse verdadeiramente uma possibilidade. Não é.

E ao mesmo tempo, queremos mudar tudo.

Mais dinheiro (todos o queremos). Menos Trabalho. Mais tempo livre (para fazer o quê?). 

E queremos tudo para nós próprios, para os "nossos". Os outros? isso logo se vê.

É assim em todo o lado. Mas assim não vamos lá.

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domingo, 1 de dezembro de 2024

O “Mobbing” como estratégia dos fracos

“Se não puderes fazer o bem,

pelo menos não faças mal.

Fazer o mal é fazeres mal e ti mesmo.

Cometeres uma injustiça é fazeres a ti mesmo uma injustiça.

Degrada-te a ti.”

Marco Aurélio

 

“O bem que fazemos em vida é facilmente esquecido.

Mas o mal que fazemos perdura para sempre.”

William Shakespeare

 

“Se alcançares algo bom com o teu trabalho árduo,

o trabalho passa rápido, mas o bem permanece.

Se fizeres algo vergonhoso em busca do prazer,

o prazer passa rápido, mas a vergonha permanece.”

Musónio Rufo

 

“O que prejudica a colmeia, também prejudica a abelha."

6.54, Meditações, Marco Aurélio

 

Na passada semana tomei conhecimento do que entendo ser uma ação de mobbing no local de trabalho, entre profissionais do meu serviço.

Feito de forma dissimulada e mesquinha, como muitas vezes estas coisas são, apenas identifiquei a “vitima” a quem dou e darei sempre o meu apoio.

Quanto ao(s) perpetrado(res), que não identifiquei, resta-me estar atento, vigilante e preparado.

Num serviço à minha responsabilidade esse tipo de atitudes não será, nunca, tolerado. E haverá consequências.


"O assédio laboral, ou mobbing, é uma violação dos direitos humanos e uma forma de discriminação. Envolve comportamentos repetitivos, que visam humilhar e intimidar pessoas trabalhadoras, criando um ambiente de trabalho hostil. Esta prática afeta negativamente a saúde das vítimas e a produtividade das organizações." Fonte: https://www.spms.min-saude.pt/2024/07/assedio-laboral-combater-e-prevenir/ 


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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Se a AUDITORIA é uma FARSA, então não faças!

Em conversa informal com uma formanda do curso de auditoria clínica, ela comentou:

- Quando se faz auditoria à higiene das mãos, os profissionais ainda gozam e fazem um teatro a cumprirem as boas práticas. Quando ninguém está a auditar, muitos deixam de higienizar as mãos

Este tipo de atitude é revelador do nível de cultura de segurança do doente deste serviço.

As boas práticas existem suportadas em saber científico e na melhor evidência e prática clínica.

Saber como se deve proceder e não o fazer é um ato negligente, que coloca em risco o doente.

Não basta fazer bem algumas vezes. Temos de fazer bem sempre.

Para ultrapassar esta dificuldade há que encontrar outras formas de auditar, menos exuberantes, para conseguir recolher evidências da realidade, e com os seus resultados consciencializar os profissionais.

Também não devemos esquecer a necessidade de uma maior intervenção do superior hierárquico, que detém responsabilidades específicas na defesa e garantia da segurança do doente, sempre que isso se revelar necessário.

Não basta defender uma cultura de segurança também temos de implementar uma cultura justa. Saber elogiar quem cumpre e penalizar quem simplesmente “não quer saber”.

Se a AUDITORIA é uma FARSA, então não faças!


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domingo, 22 de setembro de 2024

Alerta - Relato difícil da perda de um filho (ou a Insensibilidade de alguns Profissionais de Saúde)


Nem todos os profissionais de Saúde, mas sempre um profissional de Saúde(*)

Em 48 horas tivemos a informação de que estava tudo bem com a nossa filha. De que afinal não estava. E agora que faríamos um feticídio, sem qualquer aviso ou preparação para tal.

Antes de mais: a minha profunda gratidão a todos os profissionais de saúde que cuidam dos seus doentes com eficiência, vocação, rigor e…empatia.

O título deste artigo prende-se precisamente pela, cada vez maior, escassez desta última característica.

Todos os dias somos bombardeados com várias notícias que nos fazem constatar o óbvio: os serviços de saúde em Portugal estão sobrecarregados. São listas de espera intermináveis, urgências a fechar, falta de recursos humanos. O sistema — por motivos variados — não funciona tão bem quanto devia.

As consequências são várias, mas um episódio recente fez-me “regressar ao passado” e voltar a lidar com um em particular: a total falta de empatia com os doentes.

Sim, é verdade que são milhares os doentes que passam por cada unidade de saúde diariamente. Cada um com os seus males e maleitas. E se essa maleita parece gravíssima ao doente, é “só mais uma” para quem o atende.

Segundo o Relatório de Saúde STADA 2023, que entrevistou 2.000 pessoas em Portugal, 74% da população portuguesa estava satisfeita com o serviço nacional de saúde em 2021. Este valor baixou para 53% em 2023. A tendência é continuar a descer.

Não farei distinção entre o serviço privado e o público pois, a meu ver, a linha que os separa é cada vez mais ténue.

Bem, vamos ao tal episódio. Uma história banal: uma amiga de longa data, nos seus 40 anos, decide que quer engravidar. Marca uma consulta para ver se está tudo bem com ela e com o seu companheiro.

O que não é banal nesta história: esta amiga já perdeu uma filha com uma doença genética raríssima. A mãe tem, portanto, este gene e, para saber se pode avançar ou não com uma gravidez, precisa de saber se o seu companheiro, que nunca teve filhos, também o é.

Feitos os exames (caros, por sinal), têm agora que aguardar 5 semanas pelos resultados. Findas as 5 semanas, não há resultados. A ansiedade começa a instalar-se. O laboratório ainda não os tem e ao telefone é dito que “não sei porque não temos os resultados. Conte com eles só daqui a 10 dias”.  Respiremos fundo. Atrasos acontecem.

Um breve resumo: foi feito o primeiro estudo genético e, devido aos resultados, a médica – sem informar a doente — pediu um segundo estudo. Ao telefone, ao perceberem a ansiedade da minha amiga com esta situação, alguém fez questão de dar a seguinte informação: “Foi mesmo necessário este segundo estudo. A médica depois explica…e vocês enquanto casal terão que tomar uma decisão”.

Calma, vamos com calma. Uma decisão? Que decisão? Que diz nesse estudo que os fará, enquanto casal, terem que tomar uma decisão?!

Não há respostas do outro lado, mas há nesta doente — que é uma mãe que já perdeu uma filha — um reviver do passado e um desespero que se instala. Será possível que terá que passar por esta situação novamente?

Em março de 2022, era eu a futura mãe em desespero. Ao fim de uma hora numa consulta de ecografia, sem o médico proferir uma palavra, é me dito que não está tudo bem e devo entregar com urgência o relatório da ecografia ao meu médico de família.

No mesmo momento, dirijo-me ao centro de saúde. O médico respondeu-me que, pelo que ele viu, estava tudo bem e era um manifesto exagero de quem tinha feito a ecografia. Só para não haver nenhum problema, iria pedir-me uma consulta para a Maternidade Alfredo da Costa.

Poderia dizer que senti alívio nesse momento, mas não é verdade. As dúvidas e a ansiedade de uma mãe de primeira viagem instalaram-se. Saí do centro de saúde e dirigi-me ao Hospital da Luz para fazer uma nova ecografia.

Expliquei a situação à médica e mostrei-lhe o relatório do seu colega. Vamos a nova ecografia. Demorou menos de 5 minutos para que esta médica confirmar que havia um problema. A bebé que carregava, tão amada e desejada, era incompatível com a vida.

Mas há menos de 2 horas atrás o médico de família tinha-me dito que estava tudo bem…

Várias voltas dadas, acabei com uma amniocentese marcada para daí a dois dias no hospital de Loures. Uma amniocentese é um exame algo arriscado, mas comum. Preparei-me para o mesmo com alguma descontração.

Dois dias depois, lá estávamos eu e o meu marido, no gabinete médico para o exame. O médico começa a descrever o procedimento e diz algo como “como sabem a bebé tem um problema e o feticídio funciona da seguinte forma…”.

Lembro-me de cruzar, incrédula, os olhos com o meu marido. De que estava o médico a falar? Eu ia apenas fazer uma amniocentese.

O médico, ao ver as nossas caras apercebe-se da situação e pergunta se não nos foi dito o que iríamos fazer. A nossa resposta foi que não. Não foi para aquilo que nos preparamos.

Em 48 horas tivemos a informação de que estava tudo bem com a nossa filha, de que afinal não estava e agora que faríamos um feticídio sem qualquer aviso ou preparação para tal. O meu marido pediu de imediato que eu recebesse apoio psicológico naquele momento. O médico respondeu que poderia solicitar, se ele considerava importante. Haveria dúvidas de que era importante?

Foi feito o que tinha que ser feito. Daí a dois dias fiz o parto desta bebé. Sozinha num quarto de hospital. Sim, sozinha. Sem enfermeiros, nem médicos pois estavam ocupados noutros quartos.

Comigo, com a bebé sem vida nos braços, uma enfermeira entrou disparada no quarto, tirou-ma e chamou uma colega que me deu uns papéis de autópsia para assinar.

Doei o corpo da menina à ciência. Já a empatia… ninguém pode doar.


O Texto é da autoria de Mónica Fernandes

(*) O texto original foi publicado no Jornal OBSERVADOR  a 17/09/2024 e está neste link: https://observador.pt/opiniao/nem-todos-os-profissionais-de-saude-mas-sempre-um-profissional-de-saude/ 

(No texto original, a palavra “paciente” foi substituída por “doente” para respeitar a Classificação Internacional para a Segurança Dos Doentes, e o espírito deste Blog)


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sábado, 21 de setembro de 2024

Sugestão - Curso Europeu sobre Segundas Vítimas (em Português)


Gostaria de te fazer a sugestão de frequentares o Curso Europeu sobre Segundas Vítimas (em Português)

A Segunda Vítima é definida como "Qualquer profissional de saúde que esteja direta ou indiretamente envolvido num evento adverso, ou num incidente imprevisto não intencional, ou numa situação em que um doente sofreu dano, e que se torna uma vítima na medida em que sofre um impacto negativo decorrente dessa experiência." (Vanhaech et al., 2022)

O curso vai permitir-te conhecer melhor esta temática, ter acesso a estudos de caso, exemplos práticos e conhecer as melhores estratégias de intervenção e apoio às "segundas vitimas".

O curso decorre on-line e é de acesso gratuito e está disponível através deste link: https://course.cost-ernst.eu/courses/curso-europeu-sobre-segundas-vitimas-pt/

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sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Video OMS - Dia Mundial Segurança Do Doente - Improving diagnosis for patient safety: Get it right, make it safe!

Um diagnóstico identifica o problema de saúde de um doente. Para chegar a um diagnóstico, os doentes e as suas equipas de cuidados de saúde têm de trabalhar em conjunto para percorrer o complexo e por vezes moroso processo de diagnóstico. 

Um diagnóstico tardio, incorreto, falhado ou mal comunicado pode prolongar a doença e, por vezes, causar incapacidade ou mesmo a morte. 

Juntos, todos nós temos um papel a desempenhar na melhoria do diagnóstico para a segurança dos doentes.

O tema do Dia Mundial da Segurança do Doente de 2024 centra-se na melhoria do diagnóstico para a segurança do doente, utilizando o slogan “Get it right, make it safe!”.

Mais informações sobre a campanha: https://www.who.int/campaigns/world-patient-safety-day/world-patient-safety-day-2024 

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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Dia Mundial da Segurança do Doente 2024 - Vídeo da DGS


A Direção-Geral da Saúde celebra o Dia Mundial da Segurança do Doente 2024 com o lançamento de um vídeo, com o mote “Segurança do Doente: Por Todos, Para Todos, Em Todos os Momentos”

Esta iniciativa visa sublinhar a importância da colaboração de todos para aumentar a qualidade e a segurança na prestação de cuidados saúde, em todos os contextos: desde cuidados hospitalares, domiciliários e telessaúde, e em todas as fases do ciclo de vida.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

22º Curso Auditoria Clínica para Profissionais de Saúde

Está a decorrer mais uma edição (é já a 22ª) do Curso de Auditoria Clínica para profissionais de saúde.

É incrível a capacidade de trabalho destes profissionais de saúde (Médicos, Enfermeiros, TSDT) que em "apenas" uma semana já construíram as "grelhas de auditoria", elaboraram os "planos de auditoria" e conseguiram obter as necessárias autorizações para iniciarem a recolha de evidências no terreno.


A metodologia de auditoria obedece a regras simples que todos (com dedicação) podem aprender e implementar nos seus serviços.

A Norma Portuguesa - NP EN ISO 19011 2019, define “Auditoria” como um: Processo sistemático, independente e documentado para obter evidência objetiva e respetiva avaliação objetiva com vista a determinar em que medida os critérios da auditoria são cumpridos.

Muito mais do que uma definição formal (ISO) o que importa é verificar a conformidade dos cuidados prestados ao doente, tendo por base a melhor evidência cientifica, o melhor cuidado de saúde possível.

É este cuidado de excelência que procuramos quando desenvolvemos uma auditoria. Identificar o que fazemos bem (a conformidade) mas também o que não fazemos bem (a não conformidade) que a seguir transformamos num plano de ação (oportunidades de melhoria).

Em equipa, é possível melhorar e prestar um melhor cuidado. Um cuidado de qualidade.
A auditoria é uma ferramenta que permite exatamente isso.

O próximo curso (o 23º) vai ser em outubro de 2024 nos Açores, e em breve on-line, na ESCOLA DE SEGURANÇA DO DOENTE.

Para acompanhares a divulgação do curso podes subscrever a newsletter da ESD neste link.

Espero por ti.

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terça-feira, 17 de setembro de 2024

Feliz Dia Mundial Segurança Do Doente - 2024


A 17 de setembro comemoramos o

Dia Mundial Da Segurança Do Doente

Este ano, 2024, a OMS propõe o tema

“Melhorar o diagnóstico para a segurança do doente”

 

Este pode parecer um tema restrito apenas a um grupo profissional, mas não é assim.

Como é óbvio um diagnóstico médico correto é fundamental para o doente.

Mas a verdade é que todos os profissionais de saúde fazem o seu diagnóstico de doente.

Todos os profissionais avaliam as limitações, necessidades e o conhecimento do doente a cada momento

É com base nesse diagnóstico que são definidas as atividades a realizar com esse doente, as suas reais limitações e necessidades especificas.

 É por isso que realizar um diagnóstico correto e seguro é tão importante

 Um diagnóstico correto e seguro é fundamental para a segurança do doente

Eu sou o Fernando Barroso e quero desejar-te um

Feliz Dia Mundial da Segurança do Doente


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domingo, 15 de setembro de 2024

Entrevista Para Ficar Vs Entrevista De Saída

É muito importante ficar a conhecer os motivos pelos quais um Trabalhador resolve abandonar o seu local de trabalho (Instituição/ Serviço/ Unidade/ Empresa). Algumas empresas aplicam a esses trabalhadores uma "entrevista de saída" para tentarem aprender aquilo que pode ter corrido mal.

Ouvi num podcast do THE ONE THING  o entrevistado Brian Gottlieb a falar num conceito diferente e muito interessante. Em vez de realizar uma entrevista de saída quando o trabalhador vai embora, realizar antes uma entrevista para ficar, quando o trabalhador ainda está na empresa.

A ideia é recolher informação que permita proporcionar um melhor ambiente de trabalho para que o trabalhador queira continuar a trabalhar na empresa (aumentar a retenção) e ao mesmo tempo perceber o que pode ser melhorado (na empresa e nos seus responsáveis)

O Brian apontou 4 perguntas muito interessantes e eu achei que era importante partilhar estas perguntas contigo. Inclusivamente gostava de as colocar também à minha própria equipa (e acho que irei fazê-lo).

As 4 perguntas são as seguintes

1 – O que é que te faz vir trabalhar todos os dias?

2 - O que é que um dia pode quer fazer-te ir embora?

3 – Onde é que achas que a Instituição/Serviço está a fazer alguma coisa errada?

4 – O que é que tu precisas do teu Líder que não está a obter hoje?


Vou lançar-te um desafio.

Se quiseres e de forma completamente anónima podes responder a estas perguntas no formulário a seguir. 

Link para o formulário da ENTREVISTA PARA FICAR 

Será realizada uma análise qualitativa e os dados agregados posteriormente divulgados no blog "Segurança do Doente" durante o mês de novembro de 2024 

Conhecer o que motiva os trabalhadores a desenvolver um bom trabalho, quais são as suas necessidades e preocupações, são fatores muito importantes para a promoção de um ambiente de trabalho saudável e promotor da Segurança Do Doente.

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domingo, 1 de setembro de 2024

Setembro - Mês da Segurança do Doente


Setembro, mês da SEGURANÇA DO DOENTE

A 17 de setembro iremos celebrar o DIA MUNDIAL PARA A SEGURANÇA DO DOENTE sobre o tema “Melhorar o diagnóstico para a segurança do doente”

A OMS refere que um diagnóstico identifica o problema de saúde de um doente. Para chegar a um diagnóstico, os doentes e as suas equipas de cuidados de saúde têm de trabalhar em conjunto para percorrer o complexo e por vezes moroso processo de diagnóstico. Este processo envolve discussões com o doente, exames, testes e análise dos resultados antes de se chegar ao diagnóstico final e ao tratamento. Os erros podem ocorrer em qualquer fase e podem ter consequências significativas. Um diagnóstico tardio, incorreto ou falhado pode prolongar a doença e, por vezes, causar incapacidade ou mesmo a morte.  

O tema do Dia Mundial da Segurança dos Doentes deste ano (2024) centra-se na melhoria do diagnóstico para a segurança dos doentes, utilizando o slogan “Faça-o corretamente, torne-o seguro!”. Neste dia, os doentes e as suas famílias, os profissionais de saúde, os dirigentes dos cuidados de saúde, os decisores políticos e a sociedade civil salientarão o papel fundamental de um diagnóstico correto e atempado na melhoria da segurança dos doentes.

Fonte OMS


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