sábado, 22 de agosto de 2020

Como comemorar o Dia Internacional da Segurança do Doente em 2020 | #SD393

A OMS publicou no seu site (https://www.who.int/campaigns/world-patient-safety-day/2020/campaign-essentials ) alguns aspectos essenciais a considerar para a Campanha Do Dia Mundial Da Segurança Do Doente Para 2020.

O tema da campanha em 2020 é: 

Segurança do Profissional de Saúde: Uma Prioridade para a Segurança do Doente

A OMS vai assinalar o Dia Mundial da Segurança do Doente a 17 de Setembro de 2020 e lançará uma campanha global para enfatizar a importância da SEGURANÇA DO PROFISSIONAL DE SAÚDE como uma prioridade para a segurança do doente.

A OMS exorta todos os seus parceiros e países a desenvolverem campanhas nacionais e locais com base nesta campanha global, a apoiar e assinalar este dia em todo o mundo para torná-lo um sucesso e a estabelecer um compromisso para que se tomem medidas urgentes e sustentáveis para reconhecer a segurança do profissional de saúde como um pré-requisito para a segurança do doente.

A campanha visa mobilizar doentes, profissionais de saúde, líderes de saúde, legisladores, académicos, investigadores, redes profissionais, o sector privado e a indústria da saúde para falar pela segurança do profissional de saúde para melhorar a segurança dos cuidados de saúde e reduzir o risco de danos, tanto para os profissionais de saúde quanto para os doentes.

Objectivos do Dia Mundial da Segurança do Doente 2020:

Aumentar a consciência global sobre a importância da segurança do profissional de saúde e as suas interligações com a segurança do doente

Envolver as várias partes interessadas e adoptar estratégias multimodais para melhorar a segurança dos profissionais de saúde e dos doentes

Implementar acções urgentes e sustentáveis por todas as partes interessadas que reconheçam e invistam na segurança dos profissionais da saúde, como prioridade para a segurança do doente

Fornecer o devido reconhecimento pela dedicação e trabalho árduo dos profissionais de saúde, particularmente no momento de actual luta contra o COVID-19

A OMS faz ainda as seguintes sugestões a diferentes actores

Profissionais de Saúde

A sua própria segurança começa com você: Cuide da sua saúde física e psicológica

Proteja a sua segurança e a das pessoas de quem cuida

Certifique-se de que você tem formação e está ciente da prevenção e controlo de infecções e que implementa as medidas adequadas

Contribua de forma proactiva para construir e fortalecer uma cultura de segurança no trabalho

Aperfeiçoe os seus conhecimentos, habilidades e competências sobre segurança no trabalho

Conheça os seus direitos e responsabilidades e solicite um ambiente de trabalho seguro

Relate sempre os riscos de segurança, violência, assédio ou ameaças às autoridades

Promova e implemente práticas de segurança inovadoras na sua organização

 

Legisladores, Reguladores, Parlamentares, Seguradoras e Pessoas Jurídicas, Organizações de Avaliação Externa (Sectores da Saúde, Trabalho, Meio Ambiente e Segurança)

Formular, actualizar e implementar políticas e legislação para garantir a segurança dos profissionais de saúde e doentes

Desenvolver e promover legislação para a protecção dos direitos dos profissionais de saúde e direitos dos doentes

Garantir equipamentos de protecção individual adequados e suficientes e materiais para a higiene das mãos, bem como a existência de um ambiente de trabalho seguro e que apoie o profissional e existência de recursos suficientes para melhorar a segurança das condições de trabalho em ambientes de cuidados de saúde

Aumentar os níveis de pessoal e criar os meios para capacitar os profissionais de saúde: isso irá prevenir infecções, melhorar a qualidade do atendimento e garantir uma cultura de segurança do doente

Desenvolver programas de segurança em parceria com associações profissionais, profissionais de saúde, organizações de doentes, organizações da sociedade civil, comunidades e sindicatos

Implementar princípios éticos para gestores e legisladores que incluem o dever de fornecer cuidados de saúde seguros e o dever de proteger a segurança dos profissionais da saúde e dos doentes

Promulgar legislação e regulamentos que proíbem a violência contra profissionais de saúde e doentes

 

Líderes, Administradores e Gestores de Saúde

Crie uma cultura de segurança aberta, equitativa e transparente para os profissionais de saúde e doentes, que permita relatar incidentes de segurança em tempo útil

Crie um ambiente de trabalho favorável e seguro e implemente práticas de segurança inovadoras com base nos factores humanos e numa abordagem ergonómica

Capacite os profissionais de saúde a fornecer cuidados seguros

Garanta formação e orientação adequados na prevenção e controlo de infecções

Forneça recursos suficientes para melhorar a segurança das condições de trabalho nas instituições de saúde

Envolva os profissionais de saúde, doentes e suas famílias em práticas de melhoria contínua da segurança

Priorize o investimento em saúde e segurança ocupacional para melhorar a segurança do doente

Implemente actividades de promoção da saúde mental para aliviar o stress no local de trabalho

Garanta que mecanismos de recompensa e motivação dos profissionais de saúde estejam em vigor e sejam usados de forma adequada

 

Instituições académicas e de investigação

Produzir evidências na área da segurança do trabalho e segurança do doente, incluindo a prevenção e controlo de infecções, para informar a política, regulamentos e padrões de prática

Incorporar a segurança do trabalho, a segurança do doente e a prevenção e controlo de infecções nos currículos educacionais e no desenvolvimento profissional contínuo, com foco em factores humanos e princípios de design ergonómico

Desenvolver módulos de e-learning para fornecer formação apropriada para profissionais de saúde e doentes

Priorizar a pesquisa sobre segurança nos cuidados de saúde primários e em ambientes com recursos baixos ou médios.

Realizar pesquisas para identificar estratégias para apoiar o bem-estar mental e emocional dos profissionais de saúde

Desenvolver indicadores para medir o progresso e melhorias na segurança do profissional de saúde e segurança do doente, incluindo a prevenção e controlo de infecções

 

Doentes, Famílias, Cuidadores, Comunidades e Público em Geral

Forneça informações precisas sobre o seu estado de saúde e historial médico

Um cuidado mais seguro para você começa consigo: esteja atento e exija práticas adequadas de prevenção e controlo de infecções

Aperfeiçoe o seu conhecimento sobre segurança em cuidados de saúde

Discuta questões de segurança com o profissional de saúde que lhe presta cuidados

Seja um defensor da segurança e protecção dos profissionais de saúde nas instituições de saúde e na comunidade

Envolva-se activamente no seu próprio cuidado

É bom fazer perguntas: cuidados de saúde seguros começam com uma boa comunicação

 

Associações Profissionais, Organizações Internacionais, Parceiros de Desenvolvimento, Sindicatos

Trabalhar com os governos para desenvolver e promover legislação para a protecção dos direitos dos profissionais de saúde e dos doentes

Trabalhar com os governos para desenvolver e promover legislação para a implementação de programas de prevenção e controlo de infecções, incluindo o acesso a equipamentos de protecção individual adequados e suficientes

Priorizar e investir na segurança do profissional de saúde e segurança do doente

Promover e proteger a segurança dos profissionais de saúde por meio de capacitação, defesa e assistência na implementação de padrões de segurança

Denunciar condições de trabalho inseguras e a violência contra os profissionais de saúde

Apoiar os profissionais de saúde no seu direito de ter um ambiente de trabalho seguro

Monitorizar sistematicamente o cumprimento das regulamentações relacionadas com a saúde e segurança dos profissionais de saúde

 

Associações de Doentes e da Sociedade Civil

Envolva diferentes partes interessadas e defenda mudanças nos sistemas, práticas e políticas para alcançar cuidados de saúde mais seguros

Promova a voz dos doentes na sua própria segurança e a segurança dos profissionais de saúde

Um cuidado mais seguro para você, com você: fique atento e exija a implementação de práticas adequadas de prevenção e controlo de infecção

Defenda a segurança nos cuidados de saúde, incluindo condições de trabalho seguras para todos os profissionais de saúde e em todas as instituições de cuidados de saúde, como requisito mínimo

Defenda a prevenção e o controlo de infecções, incluindo a existência de equipamento de protecção individual para os profissionais de saúde, bem como a higiene das mãos

Mobilize a comunidade local para fornecer apoio aos profissionais de saúde da comunidade e proteger a sua segurança

Defenda mais investigação na área da segurança em saúde

 

Indústria/Sector Privado (p. Ex: Indústria Farmacêutica, Fabricantes de Dispositivos Médicos, Industria de Software)

Investir na inovação de intervenções económicas para melhorar a segurança de doentes e profissionais de saúde

Garantir a gestão contínua e regular da cadeia de abastecimento para evitar ruturas de stock de produtos de segurança

Garantir a gestão contínua e regular da cadeia de abastecimento de equipamentos de protecção individual e de solução de base alcoólica para a higiene das mãos

Desenhar dispositivos médicos em parceria com os profissionais de saúde e doentes com base em factores humanos e numa abordagem ergonómica, para garantir a segurança

Fornecer acesso a dados (p. ex: sobre o uso seguro de dispositivos médicos) para promover as intervenções de segurança


A OMS disponibiliza ainda uma página com sugestões e ideias sobre como podes planear a comemoração deste dia na tua instituição/localidade.

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Desabafos sobre a Segurança do Doente | #SD392


Permite-me um desabafo...

Hoje fui eu o doente.

Uma simples consulta em que é injectada uma substancia na axila para controlar a sudorese.

O médico vestiu-se da mesma forma que o faria para cuidar, por exemplo, de um doente ventilado com COVID-19.
Fato de circulação; Bata impermeável com mangas; Luvas; Máscara P2; Viseira e Barrete...

Não me parece que tenha sido efectuada nenhuma técnica geradora de aerossóis... 

Não pude deixar de me sentir incomodado. O medo não justifica tudo

Somos profissionais e devemos respeitar o conhecimento científico e, se não o conhecemos, devemos estudar e procurar ajuda junto de quem sabe.

É apenas um desabafo...

Fernando Barroso

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#segurancadodoente

sábado, 11 de julho de 2020

Especificações Técnicas sobre Instalações e Equipamentos da ACSS | #SD391

Por diversas vezes recorri aos
documentos técnicos da ACSS sobre Instalações e Equipamentos.

Esta é uma página web muito importante para os serviços de instalações e equipamento, mas também para quem gere um serviço e tem de decidir muitas vezes sobre obras para o seu serviço.

Conhecer o que está recomendado, não só permite tomar as melhores decisões do ponto de vista técnico, mas permite também garantir uma melhor segurança para o Doente e para o profissionais do Serviço.

Deixo aqui o link para a página da ACSS - PUBLICAÇÕES TÉCNICAS

Fernando Barroso

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#segurancadodoente

domingo, 5 de julho de 2020

O que fazer a seguir? | #SD390

Photo by Nick Fewings on Unsplash

O que fazer a seguir?

Temos por vezes a ideia preconcebida de que temos pouco controlo sobre o que fazer a seguir. Cada vez mais tenho a certeza de que não é assim.

O momento actual pede ainda mais o nosso foco na segurança do Doente e dos profissionais e temos de estabelecer uma prioridade relativamente aos próximos passos.

Uma forma de responder à pergunta inicial é com aquilo que é mais importante no momento, e isso varia com cada um de nós.

 

O meu Serviço (Consultas Externas) continua em mudança com a necessidade de nos reinventarmos relativamente ao que estávamos habituados a fazer.

Nas últimas semanas voltámos a fazer formação em serviço (3 sessões para Enfermeiros, Assistentes Operacionais e Assistentes Técnicos) e explorámos um tema pouco habitual – Atendimento ao Publico.

Com a pressão das medidas de prevenção COVID, a forma como recebemos e falamos com os nossos doentes é cada vez mais importante.

É natural que surjam duvidas e conflitos à medida que implementamos (e mudamos) as regras de funcionamento.

O nosso processo de acolhimento teve de ser reorientado, eu diria mesmo, reinventado. E para que o processo seja bem implementado, o componente humano tem de estar reparado e pronto a responder.

Também implementamos um novo inquérito epidemiológico a todos os doentes à entrada no Serviço. Fazê-lo com o mínimo de perturbação no fluxo de acolhimento do doente, e com o mínimo de tempo de espera é um desafio.

Esta semana irei questionar os doentes sobre a sua perceção sobre o novo processo.

- Compreende o objectivo do inquérito?

- Há alguma sugestão que queira fazer?

São perguntas simples, mas logo vos contarei o resultado.


E tu, o que vais fazer a seguir para a Segurança do Doente?


Fernando Barroso

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#segurancadodoente

sábado, 27 de junho de 2020

Como Marcar a Transição da Equipa para o pós-COVID | #SD389

Photo by Perry Grone on Unsplash


Eu sei que é no mínimo polémico falar em "pós-COVID", mas as nossas vidas tem de continuar e devemos o mais rapidamente possível aceitar o "novo normal".

Foi com base neste princípio que, no meu Serviço, realizámos uma reunião/formação de Equipa em que o tema foram os sentimentos e experiências vividas durante o período da pandemia.

Para contextualizar um pouco importa explicar que, de um momento para o outro, a equipa de enfermagem do meu Serviço foi dividida em 3 grupos:
  • As colegas que foram seleccionadas para irem reforçar outros serviços do Centro Hospitalar;
  • As colegas que ficaram no Serviço e asseguraram a continuidade da actividade do Serviço;
  • As colegas que estavam/ficaram ausentes por diversos motivos.
Não é fácil descrever os sentimentos que todos vivenciamos durante este período; Incerteza do que poderíamos esperar. Medo de que nos afectasse directamente ou à nossa família. Coragem e resiliência para fazer "o que tinha de ser feito"

Estes foram apenas alguns dos sentimentos que todos sentimos e com os quais tivemos de aprender a viver.

A nossa reunião foi realizada na primeira semana a seguir a um marco que tínhamos estabelecido em comum. Que todas as colegas que iam sair do Serviço voltassem ao nosso serviço novamente. Esta foi uma promessa cumprida e só assim poderíamos continuar em frente e reforçar o nosso sentimento de equipa e de pertença ao Serviço.

A reunião foi muito simples, mas carregada de significado e partilha. De forma sincera todos partilhámos os nossos sentimentos, experiências (boas e más) e as estratégias desenvolvidas de apoio mútuo.

Ao proporcionar este momento conseguimos estabelecer um marco. Passou a existir um "antes" e um "depois", num período muito difícil para todos.

É claro que todos percebemos que o COVID-19 não desapareceu, e que temos de desenvolver estratégias de prevenção interna que garantam a Segurança do Doente e a Segurança dos Profissionais, mas com esta experiência, conseguimos "arrumar" um período extremamente desafiante para todos, e ter esperança no futuro.

Obrigado Equipa. Vocês são todas fantásticas!
Vamos continuar.

Fernando Barroso

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#segurancadodoente

quinta-feira, 11 de junho de 2020

COVID-19: Equipa e Fatores Humanos para melhorar a Segurança do Doente

A rápida transmissão do COVID-19 resultou numa pandemia internacional, com a taxa de mortalidade acumulada prevista para aumentar ainda mais nos próximos meses. A maioria das mortes até maio de 2020 tem sido altamente concentrada em determinadas áreas geográficas, colocando uma tremenda pressão nos sistemas de saúde locais e nas equipas de saúde.

Dar atenção à nossa condição humana no contexto mais amplo da segurança do doente pode aumentar a consciência sobre como as fraquezas humanas afectam os profissionais de saúde e as equipas ao ponto de poderem degradar a segurança e a qualidade do atendimento e aumentar o risco para os doentes com COVID-19 e para as equipas que cuidam deles.

Estas fraquezas são exacerbadas por fadiga e esgotamento, falta de confiança da equipa, falta de tempo, doenças e baixa segurança psicológica, cada uma das quais pode resultar num desempenho reduzido e contribuir para falhas como diagnósticos incorrectos e eventos adversos.

É aqui que uma equipa forte e a consciência sobre os factores humanos que nos condicionam pode fazer a diferença.

OS PROBLEMAS DE SEGURANÇA

Fadiga e burnout

A fadiga e a exaustão entre os profissionais de saúde e a equipa são predominantes durante o curso normal da prestação de cuidados, e ainda mais em tempos de crise em que a sobrecarga cognitiva e emocional é exacerbada por condições ambientais e situacionais críticas. Estratégias para lidar com o cansaço e a exaustão, cuja implementação requer liderança e adesão organizacional, surgiram de países atingidos desde o início pela pandemia do COVID-19. Estas estratégias concentram-se em melhorar as condições do local de trabalho e incentivar a procura de ajuda.

• um estudo com profissionais de saúde da província de Hunan, na China, descobriu que directrizes explícitas de controle de infecções baseadas em evidências, equipamentos específicos e instalações especializadas para o tratamento do COVID 19 ajudaram a mitigar o desgaste psicológico.

• as recomendações baseadas na experiência italiana do COVID-19 incentivam a remoção do estigma associado à procura de ajuda, estabelecendo infraestruturas e oportunidades prontamente disponíveis para o apoio de colegas durante e após a crise.

Ausência de confiança entre os elementos da equipa de atendimento

O fluxo extraordinário de profissionais de saúde reunidos para reforçar as equipas de atendimento nos “pontos quentes” do COVID-19 exige a formação rápida de equipas e o estabelecimento de confiança nos líderes das equipas, etapas essenciais para garantir práticas seguras. Os processos para apoiar o desenvolvimento da equipa, que já devem estar incorporados nos procedimentos gerais da assistência na saúde, incluem:

pequenas reuniões iniciais (Huddles): estas pequenas reuniões de equipa operacionalizam a partilha direccionada de informações para actualizar os novos membros da equipa sobre a situação, fornecer ajuda com o esclarecimento de funções e as atribuições de tarefas clínicas.

reuniões finais (De-briefings): é um processo através do qual os novos membros da equipa são convidados a compartilhar as suas ideias depois que um episódio de assistência; esses resumos oferecem oportunidades para aprender com as suas experiências e destacam as oportunidades de melhoria.

listas de verificação (Checklist): os novos membros da equipa devem ser incentivados a seguir processos e a desafiar quaisquer lacunas observadas nesses processos, sem a necessidade de levar em consideração hierarquias e convenções com as quais eles não estão familiarizados.

Falta de tempo adequado para o doente e para o autocuidado

A natureza sem precedentes da prestação de cuidados no âmbito do COVID-19 torna as equipas que prestam cuidados directos vulneráveis às pressões de produção, o que pode afectar negativamente a tomada de decisões, a precisão das tarefas, o civismo, a atenção plena, a consciência situacional e a troca de informações – ou seja, todos os comportamentos e actividades essenciais para a segurança do doente. Embora o ritmo do local de trabalho nem sempre esteja sob o controle da equipa, o reconhecimento colectivo do impacto negativo de demandas substanciais, constantes e implacáveis ​​sobre os indivíduos exige maior atenção à saúde da equipa. Como é lógico garantir que os membros da equipa tenham pausas, alimentos e hidratação quando necessário pode ajudar a reduzir o potencial de erro em circunstâncias stressantes.

Falta de segurança psicológica

Em resposta à pandemia do COVID-19, não só as equipas se reúnem com pouco ou nenhum conhecimento umas das outras em comparação com as equipas clínicas estabelecidas, mas muitas dessas novas equipas incluem profissionais de saúde cujas habilidades podem precisar de actualização; as habilidades e competências colectivas dessas novas equipas de atendimento, das quais dependem muitos aspectos das práticas seguras da prestação de cuidados de saúde, podem ser menos do que ideais, acrescentando stressores emocionais, físicos e morais aos membros da equipa que já estão sob condições de stress elevado. A ansiedade associada à prestação de cuidados numa situação incerta também pode reduzir o desempenho do profissional. Por causa do COVID-19, os profissionais de saúde e restante pessoal estão actualmente a trabalhar em ambientes onde está a ocorrer uma perda de vidas sem precedentes; essa grave situação cria uma tensão psicológica individual e colectiva difícil e um sofrimento moral. Além disso, os profissionais podem encontrar-se a trabalhar em situações clínicas que consideram desconfortáveis, o que diminui a confiança na sua produção, a confiança na equipa e no desempenho individual. Os esforços para aumentar a segurança psicológica dos profissionais de saúde, especialmente durante as pandemias, devem idealmente concentrar-se em:

estabelecer uma cultura de segurança: incentivar todos os indivíduos de uma equipa de cuidados a expressar quaisquer preocupações que identifiquem como potencias ameaças à segurança da equipa e/ou doentes é fundamental para aumentar o bem-estar psicológico dos membros da equipa. Isso é mais difícil de conseguir durante os períodos de rápida implantação da equipa em ambientes desconhecidos, porque eles não estão familiarizados com as normas culturais, processos e hierarquia. Além disso, com o estabelecimento de novas unidades ou hospitais inteiros para aumentar a capacidade de resposta à pandemia do COVID-19, as demandas cognitivas, a fadiga e o stress na prestação de cuidados podem tornar este um momento particularmente desafiador para estabelecer ou melhorar a cultura de segurança.

experiência das indústrias de alto risco: as experiências obtidas noutras indústrias de alto risco, como a aviação, prospecção de petróleo em alto mar e energia nuclear nas quais ocorreram desastres em grande escala, enfatizam o valor do pessoal que expõe as condições em tempo real, evitando assim falhas catastróficas. Portanto, embora mais difícil de alcançar durante uma pandemia, promover uma cultura na qual os membros da equipa de cuidados sejam incentivados a expressar suas preocupações é um objectivo que vale a pena perseguir.

suporte organizacional à segurança do trabalhador: a escassez de protecções básicas, como equipamento de protecção individual (EPI), reduz a confiança dos trabalhadores na capacidade de uma organização em mantê-los seguros ao prestar assistência em situações perigosas e afecta adversamente o seu bem-estar físico e psicológico. Portanto, as organizações de saúde devem fazer todo o possível para proporcionar um ambiente de trabalho o mais seguro possível, o que inclui o fornecimento de EPI adequados. A falta de EPI adequado pode contribuir para reduzir a confiança do profissional e da comunidade nas organizações de saúde; para promover a segurança psicológica, as organizações de saúde devem seguir as orientações emitidas pelas entidades nacionais e manter os seus profissionais informados sobre os stocks locais actuais de EPI e os esforços da organização para obter mais. Uma revisão sistemática recente e meta-análise da literatura relacionada com equipas de saúde que trabalham com doentes durante surtos infecciosos relataram que vários factores clínicos, de treino, experiência, psicológicos e relacionados com o serviço (consistentes com os factores mencionados acima) podem aumentar o risco de stress psicológico. Pausas adequadas, maior experiência, feedback positivo, confiança nas medidas de controle de infecção e equipamento de protecção adequado demonstraram diminuir o risco de stress psicológico.

 

Estratégias para Melhorar a Segurança através da Engenharia dos Factores Humanos

A engenharia de factores humanos (HFE) pode ajudar a abordar respostas e mitigar os riscos decorrentes dos desafios discutidos acima. As abordagens de segurança que empregam HFE são cada vez mais aplicadas nos ambientes de saúde para reduzir os possíveis impactos negativos dos comportamentos individuais nos cuidados diários, seja de rotina ou durante uma crise. A HFE pode ajudar a realinhar os fluxos de trabalho para aumentar a confiança do trabalhador sob pressão, projectando processos para o proteger contra as falhas de sistemas decorrentes de erro humano. Conforme vai ser descrito abaixo, as estratégias para reduzir os erros humanos e que exigem recursos relativamente mínimos para serem empregues durante a pandemia do COVID-19 incluem, sinalização proeminente, revisão do fluxo de trabalho para identificar pontos de falha, listas de verificação (checklist) para colocar e retirar o EPI e simulações para testar processos.

sinalização: para reduzir a ansiedade, a ineficiência e as oportunidades de erro, deve ser usada uma sinalização de destaque para as localizações dos equipamentos; lembretes sobre higiene das mãos, uso de equipamentos de protecção individual e higiene e limpeza ambiental para evitar a transmissão de microrganismos; identificação das áreas restritas para tratamento do doente, espaços exclusivos para profissionais e saídas. Por exemplo, quando os espaços precisam de ser reconfigurados e usados ​​de maneiras diferentes para mitigar o risco de exposição e infecção, a sinalética pode ajudar a tranquilizar profissionais e doentes, minimizar as explicações necessárias e alinhar as acções. Os factores humanos e considerações sobre o fluxo de trabalho devem ser aplicados ao determinar o tamanho, a cor e fonte, a terminologia e o local da colocação dos sinais.

revisão e redesenho do fluxo de trabalho: os pontos de falha potenciais devem ser identificados quando estão a ser desenvolvidos fluxos de trabalho para novos processos, a fim de evitar proativamente oportunidades de erros que, de outra forma, poderiam ocorrer enquanto os que seguem os processos estão sob pressão adicional, seja durante uma pandemia ou durante a prática normal. Por exemplo, a metodologia de “avaliação do risco” e outras ferramentas de análise de tarefas podem ser implantadas rapidamente para avaliar a prontidão de uma área para uso seguro. Os resultados da análise podem ser usados ​​para desenvolver processos padronizados para triagem e encaminhamento de doentes, testes de diagnóstico, admissões, tratamentos, coordenação de cuidados e envolvimento do doente e da família.

listas de verificação(Checklist): além de serem úteis para a nova equipa (como mencionado acima), as listas de verificação também podem ser extremamente úteis para garantir que as etapas de segurança sejam executadas adequadamente, mesmo em situações particularmente stressantes, como durante a pandemia do COVID-19. Muitas vezes, as listas de verificação são fáceis de usar no contexto do atendimento, pois podem ser alinhadas e sincronizadas com os fluxos de trabalho e outros processos existentes de atendimento.

simulações: há muito reconhecidas como uma ferramenta de aprendizagem e aprimoramento em indústrias de alto risco, as simulações podem preparar as equipas e as organizações com experiências que podem ser usadas para optimizar a sua preparação para situações de crise, obtidas num ambiente de baixo risco. O conhecimento colectivo criado por meio do uso de simulações pode contribuir para novos métodos de treino, desenvolvimento de protocolos, actividades de colocação e remoção de equipamentos de protecção individual, identificação de problemas na utilização das instalações e fluxos de trabalho.

Este artigo descreve os factores de stress relevantes para a resposta do sector de saúde à pandemia de COVID-19 na perspectiva dos profissionais de saúde. Ele chama a atenção para a pressão significativa a nível pessoal com que a pandemia está a afectar os indivíduos que trabalham no sistema de saúde. As estratégias destacadas neste documento baseiam-se em conceitos fundamentais de segurança do doente, em vez de questões mais amplas (e também importantes) relacionadas com o COVID-19, como a melhoria da qualidade, epidemiologia, cuidados clínicos, e protecção do pessoal. Os profissionais de saúde e as organizações de saúde já estavam a aplicar essas estratégias antes do início da pandemia para reduzir as ameaças aos cuidados seguros, mas a sua implementação é mais importante do que nunca para manter os doentes e profissionais de saúde seguros na era do COVID-19.

Caso queiras saber mais, sugiro que faças o curso - A influência dos Factores Humanos na segurança do doente 

Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

Este é um artigo adaptado de Lorri Zipperer, membro da AHRQ PSNet team

domingo, 31 de maio de 2020

Como garantir a Segurança do Doente quando és tu que precisas de Ajuda? | #SD386

 Eu não sei como tu estás neste momento, mas aposto que todo o teu mundo foi colocado em causa nestes últimos meses.

 Aquilo que era sólido e conhecido deixou de ser, e de repente, todos na área da saúde fomos chamados a fazer mais, a ser mais. Há muitos que chegaram a chamar-nos heróis.

 

Herói - Eu não quero esse titulo.

Aquilo que fiz resultou de todas as minhas experiências anteriores e da minha personalidade:

Lidar com o medo de algo que era desconhecido.

Reorganizar o Serviço quase diariamente.

Trabalhar com uma torrente de informação de hora a hora.

Ver sair metade da equipa para outros Serviços sem saber quando regressariam.

Reorganizar o restante da equipa para o que ficou para fazer e reinventar novas formas de fazer aquilo que não era hábito.

 

Não fiz nada sozinho. Não seria capaz.

Foi a minha equipa, os meus colegas Enfermeiros e Enfermeiras, os Assistentes Operacionais e Assistentes Técnicos, os Médicos e Técnicos que em conjunto fizeram tanto.

Reorganizamos uma Morgue e oferecemos segurança a todos os seus atores, impedindo que fechasse.

Ajudamos a gerir um fluxo constante de pedidos de Equipamentos de Proteção Individual, muitas vezes carregados do medo do desconhecido e da incerteza.

Lidamos com a crítica infundada, baseada no puro desconhecimento e na maldade.

Lidámos com os “peritos de bancada”, quando há anos travamos uma batalha pelo conhecimento em Controlo de Infecção que ninguém queria ouvir.

 

Não sou nenhum herói.

Estou absolutamente farto e cansado das exigências fundamentadas apenas na “categoria profissional” ou na recomendação de uma qualquer sociedade cujo histórico na elaboração de recomendações práticas com base nos princípios das Precauções Básicas e nas Precauções Específicas em Controlo de Infecção era, até agora, inexistente.

Estou farto da arrogância e de muitos acharem que agora tudo é justificado, ou por outro lado, que já não têm que justificar nada.

Estou, acima de tudo, farto da falta de educação e da falta de civismo, características de uma sociedade avançada. Afinal não avançamos nada!


E no meio de tudo isto, o Doente.

O Doente que tem medo e não quer vir ter connosco.

O Doente que foi impedido de vir porque lhe desmarcaram tudo (muito além do razoável).

O Doente que agora querem que regresse, ultrapassando algumas práticas de segurança se assim for conveniente.

 

Nunca como agora, a Segurança do Doente e os seus princípios fizeram tanto sentido.

 

Desculpa-me este desabafo. Mas se não falar contigo, falo com quem?

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

sábado, 18 de abril de 2020

Roteiro para retomar Cirurgias Electivas após a 1ª onda do COVID-19 | #SD385


Quatro importantes grupos de saúde desenvolveram um roteiro para orientar médicos, enfermeiros e instituições de saúde na retomada das cirurgias electivas quando terminar a primeira onda da pandemia do COVID-19.

Este roteiro foi elaborado em conjunto pelo American College of SurgeonsAmerican Society of AnesthesiologistsAssociation of periOperative Registered Nurses e pela American Hospital Association. Este grupo afirma que a disponibilidade das instituições para retomar a cirurgia electiva variará de acordo com a localização geográfica, actividade local do COVID-19 e recursos. O seu roteiro oferece princípios e considerações gerais sobre quando e como retomar com segurança as cirurgias electivas.

Antes de retomar os procedimentos electivos, as instalações de saúde devem:
  • Garantir uma redução sustentada na taxa de novos casos de COVID-19 na sua área de influência, por pelo menos 14 dias;
  • Ter pessoal treinado assim como materiais e equipamentos suficientes para tratar doentes não-eletivos sem recorrer a um padrão de atendimento de nível de crise;
  • Implementar uma política para testar a equipa e os doentes para o COVID-19, considerando a precisão e a disponibilidade dos testes, e estar preparado para responder quando os resultados forem positivos;
  • Estabelecer um comité - incluindo líderes da cirurgia, anestesiologia e enfermagem - para desenvolver uma política de priorização das cirurgias que considere as necessidades imediatas do doente;
  • Adoptar políticas específicas para o COVID-19 para todas as fases do tratamento cirúrgico;
  • Recolher e avaliar dados relacionados com o COVID-19 para reavaliar frequentemente políticas e procedimentos;
  • Desenvolver e implementar uma política de distanciamento social para funcionários, doentes e visitantes em áreas não restritas, a fim de se preparar para uma segunda onda de casos COVID-19



Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Segurança do Uso prolongado Vs Reutilização de um respirador N95 | #SD384



O Instituto ECRI realizou uma avaliação actualizada das evidências clínicas para compreendermos os riscos e benefícios da reutilização dos respiradores N95 durante a pandemia.

O Instituto ECRI (uma organização sem fins lucrativos de segurança e qualidade) examinou 21 estudos de laboratório sobre a reutilização de máscaras durante uma escassez extrema, uma vez que os estudos clínicos sobre o tema ainda não foram publicados.

O ECRI encontrou evidências limitadas que apoiam o uso prolongado de um respirador N95 em vez da sua reutilização, uma vez que vestir e tirar a mesma máscara aumenta o risco de espalhar o COVID-19 através do toque.

Estudos envolvendo mais de 30 modelos do N95 descobriram que cobrir os respiradores com máscaras cirúrgicas não causou efeitos adversos ao utilizador, como por exemplo a limitação da capacidade respiratória ou as trocas gasosas.

O ECRI observou que estas descobertas têm como objectivo fornecer orientação clínica às organizações de saúde e não são uma orientação definitiva à prática.



Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 12 de abril de 2020

Calculadora da Taxa de Consumo de EPI's | SD#383


A “Calculadora da Taxa de Consumo do Equipamento de Proteção Individual (EPI)” é um modelo baseado numa tabela de Excel que ajuda as unidades de saúde a planear e optimizar o uso do EPI na resposta à doença de coronavírus 2019 (COVID-19).

A escassez de EPI's no mercado é assustadora e causa uma enorme pressão sobre os profissionais e sobre aqueles que tem a responsabilidade de garantir que não existe falta (os Serviços de Aprovisionamento).

É crucial que todos compreendam que a gestão criteriosa deste recurso é fundamental para garantir (e dar tempo) ao mercado para fornecer o que for necessário. Até lá teremos todos de ser o mais racionais possível, sem colocar em causa a segurança de todos.

Neste momento é imoral consumir um EPI para uma ação que o não justifique. 


Este é um recurso disponibilizado pelo CDC
Link para a página original para fazer o download da ferramenta
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

terça-feira, 24 de março de 2020

Como COLOCAR e REMOVER EPI - Kit de Proteção | #SD382

Vídeo elaborado por:
Ana Botas (Enf.ª)
Diana Sousa (Enf.ª)
Felisbela Barroso (Enf.ª)
Fernando Barroso (Enf.)
Luís Caldas (Enf.)
Verónica Florêncio (Enf.ª)

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 15 de março de 2020

Checklist de preparação dos hospitais para recepção e atendimento de doentes com covid-19 | #SD381

Tradução e adaptação do documento do ECDC

Checklist para hospitais que se preparam para a recepção e atendimento de doentes com coronavírus 2019 (covid-19).

Esta checklist foi desenvolvida pelo ECDC para apoiar a preparação do hospital para o tratamento de doentes com COVID-19.
Os elementos descritos na lista podem não ser aplicáveis a todos os hospitais e podem precisar de ser adaptados às características específicas do hospital, ao sistema nacional de saúde individual, à legislação e à comunidade onde o hospital está localizado.

Os elementos a serem avaliados foram divididos nas seguintes áreas:
I.   Estabelecer uma Equipa Principal e principais Pontos de Contacto internos e externos
II.  Recursos humanos, materiais e de instalações
III. Comunicação e protecção de dados
IV.  Procedimentos de formação
V.   Higiene das mãos, equipamento de protecção individual (EPI) e gestão de resíduos
VI.  Triagem, primeiro contacto e priorização
VII. Internamento do doente, movimentação dos doentes na instituição e acesso de visitas
VIII. Limpeza ambiental


Se ainda não o fizeram, preparem-se por favor!
Boa sorte a todos.
Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente

domingo, 8 de março de 2020

Política, Dotações Seguras e Segurança do Doente | #SD380



E se, num exercício de pura imaginação, os serviços de saúde estivessem dotados com o número de profissionais adequado ao fluxo de trabalho habitual e existissem planos de contingência flexíveis para aumentar esse número em momentos de crise.

Eu sei. É imaginação. Alguns dirão até que é “uma ilusão”. Mas porque é que, não é assim?

Possíveis motivos:
1. Os responsáveis por libertar a verba necessária para a contratação não compreendem o que significa cuidar de um doente complexo, de um doente em estado grave, ou de um indigente com problemas psiquiátricos que é levado contra a sua vontade para dentro de um serviço de urgência que já não tem sequer macas próprias para o receber com dignidade.

2. Os Conselhos de Administração existem para “executar” da melhor forma possível a política definida pela tutela (ler novamente o ponto 1).

3. Na sua maioria os directores de serviço não compreendem as dificuldades dos outros profissionais sob a sua hierarquia funcional (leia-se Enfermeiros, Técnicos, Assistentes Operacionais, Assistentes Técnicos, entre outros).

4. As chefias intermédias (Enfermeiros Gestores, Técnicos Coordenadores, Encarregados Operacionais, Coordenadores Técnicos) não conseguem (ou não sabem) contabilizar o trabalho produzido, adequar os recursos existentes à carga de trabalho actual e prever as necessidades futuras.

5. Muitos dos profissionais de "primeira linha" desresponsabilizam-se dos seus deveres e não ajudam a resolver os problemas. 

6. As solicitações da população são cada vez maiores. Foi vendida a “falácia da vida eterna” em que os cuidados de saúde resolvem qualquer doença. E por mais que se alerte para as más práticas a maioria da população insiste em comportamentos de risco (comer alimentos pouco saudáveis, beber demasiado, fumar e não praticar exercício físico) negligenciando a sua própria saúde.

O sistema parece não ter solução.

A segurança do doente é definida como a redução do risco de danos desnecessários, relacionados com os cuidados de saúde, para um mínimo aceitável.

Para que esta definição seja aplicada todos temos de dar o nosso contributo.

No meu serviço (Consultas Externas) passaram no dia 03 de Março, pela sala de espera do balcão de atendimento, entre as 8h00 e as 11h00 mais de 300 doentes.

A capacidade instalada, a dotação de profissionais existente e as decisões indirectas tomadas por outros, em conjunto com a literacia em saúde da nossa população colocaram claramente em risco centenas de doentes e profissionais.

A segurança dos doentes deve ser a nossa principal preocupação todos os dias.

É urgente reservamos todos os dias algum tempo para reflectir sobre este assunto e perguntar:
- O que é que eu posso fazer, que esteja ao meu alcance, para melhorar a segurança dos meus doentes?


Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#segurancadodoente