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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Categorias dos Eventos Adversos Evitáveis



As causas dos Eventos Adversos Evitáveis (EAE) podem ser separadas nas seguintes categorias:
Erros de Comissão;
Erros de Omissão;
Erros de Comunicação;
Erros de Contexto e;
Erros de Diagnóstico.

Estas distinções são importantes porque os investigadores que procuram o dano que pode ser prevenido, devem estar conscientes do que podem encontrar e do que não conseguem encontrar.

O erro mais fácil de detetar nos registos clínicos é o erro de comissão. Este erro ocorre quando uma ação errada provoca dano no doente, quer seja porque era a ação errada ou, apesar de ser a ação correta, esta foi executada de forma inadequada. Por exemplo, um doente pode necessitar de remover a vesícula biliar, mas durante a cirurgia, o intestino é inadvertidamente perfurado e o doente desenvolve uma infeção grave.

O erro de omissão pode ser detetado nos registos clínicos quando uma ação obvia era necessária para tratar o doente, no entanto essa ação não é efetuada. Por exemplo, um doente pode necessitar de um β-bloqueante, mas porque este não foi prescrito, o doente morre prematuramente. Os erros de omissão devido à falha em aplicar orientações ou normas baseadas na evidência são mais difíceis de detetar, em parte porque existem inúmeras orientações ou normas complexas e também porque as consequências adversas da falha em aplicar estas orientações ou normas podem manifestar-se apenas após a alta.

Os erros de comunicação podem ocorrer entre 2 ou mais profissionais de saúde ou entre profissionais de saúde e o doente. Um exemplo de um erro fatal de comunicação entre um profissional de saúde e um doente ocorreu quando um cardiologista falhou ao não alertar um doente de 19 anos para que não corresse. O doente tinha tido um desmaio quando estava a correr e após 5 dias de internamento para efetuar testes de diagnóstico estes foram inconclusivos; No entanto, o seu cardiologista sabia que ele não estava apto para voltar a correr mas falhou ao não o avisar relativamente a este risco. Não tendo sido avisado deste rico, o doente voltou a correr e morreu, três semanas depois enquanto corria[1].

Os erros de contexto ocorrem quando um clínico não tem em conta constrangimentos particulares na vida do doente que podem condicionar o sucesso do tratamento após a alta. Por exemplo, pode faltar ao doente a habilidade cognitiva para cumprir com o plano de tratamentos proposto ou pode não ter acesso à continuidade dos cuidados apropriados.

Os erros de diagnóstico resultam em atraso no tratamento, tratamento incorreto ou tratamento ineficiente. Todos podem ser considerados separadamente, embora uma pequena parte possa ser incluída nos erros de comissão ou omissão. Por exemplo, um diagnóstico errado pode levar a dano para o doente devido a erros de comissão devido à “aplicação” de um tratamento superior ou inferior ao necessário até que o erro seja identificado. A aparente predisposição de alguns sistemas de saúde em “híper-diagnosticar” os seus doentes resulta frequentemente em consequências com dano para os doentes.

Fernando Fausto M Barroso


[1] James JT. A Sea of Broken HeartsVPatient Rights in a Dangerous, Profit-Driven Health Care System. Bloomington, IN: AuthorHouse; 2007.