domingo, 18 de junho de 2023
Apresentação - Comunicar para não errar
sábado, 17 de junho de 2023
Comunicar para não errar | SD#461
Comunicar de forma eficaz é fundamental para a segurança do doente.
Estes são alguns dos principais motivos para comunicar eficazmente como princípio base para a segurança do doente:
1. Transmissão de informações precisas: A comunicação
eficaz permite a transmissão precisa de informações relacionadas ao
diagnóstico, tratamento, medicação e cuidados do doente. Uma comunicação eficaz
ajuda a evitar erros de comunicação que possam levar a consequências
prejudiciais para o doente.
2. Cooperação entre profissionais de saúde: Uma
comunicação clara e eficaz entre os membros da equipa de saúde promove a
colaboração e o trabalho em equipa. A cooperação é essencial para garantir a
segurança do doente, pois cada membro da equipa precisa entender o seu papel e
responsabilidades, compartilhar informações relevantes e coordenar os cuidados
prestados ao doente.
3. Compreensão das necessidades do doente: Através de
uma comunicação eficaz, os profissionais de saúde podem obter informações
importantes sobre as necessidades, preocupações e preferências do doente. Uma
boa compreensão das necessidades do doente ajuda a personalizar o cuidado e
tomar decisões informadas, levando em consideração os valores e desejos
individuais do doente.
4. Educação do doente: A comunicação eficaz permite a
educação adequada do doente, fornecendo informações claras e compreensíveis
sobre a sua condição de saúde, tratamento e medidas preventivas. Uma boa
estratégia de edução capacita o doente a participar ativamente no seu próprio
cuidado, tomar decisões informadas e aderir ao tratamento recomendado.
5. Identificação e resolução de problemas: Através de uma comunicação eficaz, os profissionais de saúde podem identificar rapidamente problemas ou preocupações relacionadas com a segurança do doente. Identificar e resolver problemas inclui a capacidade de relatar erros, eventos adversos ou condições de risco, a fim de tomar medidas corretivas e implementar melhorias nos processos de cuidado.
E se apenas conseguir adotar uma única estratégia, permita-me sugerir que aposte na “Identificação Inequívoca do Doente” (Ver Orientação 18/2011 da DGS) , com uma frase simples: Pode confirmar-me o seu nome completo e a sua data de nascimento, por favor?
A comunicação eficaz desempenha um papel fundamental na
segurança do doente, melhorando a qualidade do cuidado, evitando erros e
promovendo a colaboração entre os profissionais de saúde. É importante investir
em estratégias e práticas de comunicação que promovam a segurança e o bem-estar
dos doentes.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
segunda-feira, 29 de maio de 2023
sexta-feira, 19 de maio de 2023
Não partilhamos o conhecimento suficientemente

Foto de Bernd Klutsch na Unsplash
De uma conversa completamente informal com um colega, a mesma evolui-o para as nossas atividades profissionais e para aquilo que de diferente e inovador cada um de nós faz todos os dias.
O meu colega tem uma atividade incrível no âmbito da Hospitalização Domiciliária.
Em poucos minutos questionei sobre indicadores, sobre os resultados positivos dos Doentes, sobre estratégias de gestão da equipa, sobre ganhos em saúde e ganhos económicos.
Sobre todos estes aspetos o colega - e a sua equipa - tem informação e exemplos, dados, apresentações em congressos, e investigação realizada.
Acabo a perguntar o obvio. Onde está a publicação/artigo com toda essa informação?
Há certamente muitos outros profissionais que querem saber essa informação e aprender com toda esta experiencia acumulada.
O colega não tem nada publicado - ainda.
Desafiei, como faço sempre, a fazê-lo.
Temos de publicar - PARTILHAR - o que fazemos. Sem isso acontecer o crescimento é mais lento. De nada me serve ficar fechado no meu dia-a-dia, na minha equipa ou instituição.
Escrever um artigo também não tem de ser uma coisa complexa. Eu sei que para algumas publicações ou percursos académicos o cumprimento de regras muito apertadas de publicação é mandatório, mas essa não tem de ser a regra. Veja-se por exemplo todos os artigos publicados neste blog há mais de 10 anos...
Partilhar o conhecimento, uma ideia, uma forma de fazer diferente, é fundamental e permite o crescimento do outro.
Escreve, partilha, não tenhas medo.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
sábado, 6 de maio de 2023
10 motivos pelos quais a VIOLÊNCIA contra profissionais é INTOLERÁVEL nos serviços de saúde (podia arranjar 1000)
A Violência contra Profissionais nos Serviços de Saúde é INTOLERÁVEL
Estes são apenas 10 motivos pelos quais a VIOLÊNCIA contra profissionais é INTOLERÁVEL nos serviços de saúde (podia arranjar 1000)
1. Direito à segurança: Todo trabalhador tem o direito à
segurança no trabalho e isso inclui profissionais de saúde. A violência no
local de trabalho é inaceitável e pode colocar em risco a vida e o bem-estar do
profissional.
2. Dificuldade na prestação de serviços: A violência pode
impedir os profissionais de saúde de prestar serviços adequados e eficazes aos doentes,
o que pode levar a resultados negativos na saúde.
3. Trauma emocional: A violência pode causar trauma
emocional duradouro nos profissionais de saúde que a experienciam, levando a
problemas de saúde mental como ansiedade, depressão e transtorno de estresse
pós-traumático (TEPT).
4. Perda de profissionais: A violência pode levar à perda de
profissionais de saúde que optam por deixar o serviço/instituição devido a
experiências traumáticas, o que pode levar a uma escassez de profissionais e
dificultar o acesso aos cuidados de saúde.
5. Perda de confiança: A violência pode minar a confiança
dos profissionais de saúde nos doentes, o que pode dificultar o estabelecimento
de um relacionamento de confiança e a prestação de cuidados eficazes.
6. Prejuízos econômicos: A violência pode levar a custos
financeiros significativos para os serviços de saúde, incluindo despesas com
tratamento médico e compensação por danos.
7. Ameaça à saúde pública: A violência nos serviços de saúde
pode representar uma ameaça à saúde pública, especialmente quando os
profissionais de saúde são incapazes de prestar serviços adequados devido à
violência.
8. Violação dos direitos humanos: A violência contra
profissionais de saúde é uma violação dos direitos humanos e deve ser tratada
como tal.
9. Impacto na qualidade dos cuidados: A violência pode
impactar negativamente a qualidade dos cuidados de saúde prestados, pois pode
impedir a comunicação adequada entre doentes e profissionais de saúde.
10. Prejuízos sociais: A violência nos serviços de saúde pode ter prejuízos sociais significativos, incluindo a perda de confiança na capacidade do sistema de saúde de prestar serviços de qualidade e o aumento da polarização e tensão na sociedade.
A violência contra profissionais de saúde é intolerável, inaceitável, degradante e repugnante.
Não te cales. Denuncia. Faz uma queixa formal na polícia.
Conhece a legislação: Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
segunda-feira, 13 de março de 2023
10 Principais Preocupações com a Segurança do Doente para 2023
A crise de saúde mental pediátrica é a preocupação de
segurança do doente mais premente em 2023, disse o Emergency Care Research
Institute (ECRI) a 13 de março de 2023.
O ECRI, que realiza avaliações independentes de dispositivos médicos, compila anualmente literatura científica e eventos de segurança do doente, preocupações relatadas ou investigadas pela organização e outras fontes de dados para criar sua lista “Top 10”.
Estas são as 10 preocupações com a segurança do doente
para 2023, de acordo com o relatório:
1. A crise de saúde mental pediátrica
2. Violência física e verbal contra os profissionais de
saúde
3. Necessidades clínicas em tempos de incerteza em torno da
medicina materno-fetal
4. Impacto sobre os médicos que devem trabalhar fora de seu âmbito de prática e competências
5. Identificação e tratamento tardio da sépsis
6. Consequências da má coordenação de cuidados para doentes
com condições clínicas complexas
7. Riscos de não olhar além dos "cinco certos"
para alcançar a segurança do medicamento
8. Erros de medicação resultantes de listas imprecisas de
medicamentos do doente
9. Administração acidental de bloqueadores neuromusculares
10. Danos evitáveis para o doente devido à omissão de
cuidados ou tratamento
Fonte: https://www.ecri.org/
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Fernando Barroso
domingo, 12 de fevereiro de 2023
Cursos DGS online - Segurança nos Cuidados de Saúde | #SD456
A Direção-Geral da Saúde, através da Divisão de Planeamento e Melhoria da Qualidade, do Departamento da Qualidade na Saúde, e em parceria com a Ordem dos Farmacêuticos, disponibilizam a todos os cidadãos a nova edição de três cursos online, no âmbito da “Segurança nos Cuidados de Saúde”, integrados no Projeto NAU-Ensino e Formação à Distância da Administração Pública para Grandes Audiências*.
Os 3 cursos são:
- Uso Seguro e Responsável do Medicamento
- Prevenção de Infeções e Resistência aos Antibióticos
- Higiene das Mãos na Prevenção de Infeções
Link acesso à informação https://www.dgs.pt/?ci=2353&ur=1&newsletter=582
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#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
sábado, 4 de fevereiro de 2023
12º Aniversário do Blog Segurança do Doente | #SD455
Hoje assinalo o 12º aniversário do blog "Segurança do Doente"
Ao longo destes 12 anos tenho testemunhado a forma como este conceito tem evoluído e como, aos poucos, tem entrado no discurso e principalmente na atenção dos profissionais.
Mas ainda estamos longe de dizer, verdadeiramente, que a segurança do doente é uma prioridade. Pode ser no "papel", mas não nas ações.
Continuamos a discutir a forma como nos devemos organizar melhor para prestar cuidados, mas nem sempre colocamos o Doente no centro do cuidado.
Continuamos a discutir dotações (de todos os grupos profissionais), sem conseguir verdadeiramente contabilizar a eficiência daquilo que fazemos.
Aceitamos umas regras como importantes e imprescindíveis para a segurança do doente, quando ao mesmo tempo não as cumprimos (a higiene das mãos por exemplo).
Todos querem a "acreditação em qualidade na saúde", mas não queremos cumprir com o processo.
Falta-nos foco e verdadeira vontade.
Dissemos "presente" durante a pandemia, mas sinto que já "desaprendemos" muito.
Mas vou continuar por aqui, até que o tempo me permita, a dar a minha opinião e a apontar o caminho.
Muito obrigado pela tua presença e parabéns por seres leitor do blog "Segurança do doente"
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
Nova Versão do NOTIFICA está on-line | #SD454
Foi hoje (19/12/2022) disponibilizada a nova versão do NOTIFICA - Sistema Nacional de Notificação de Incidentes - Segurança do Doente.
Link de acesso: https://notifica.dgs.min-saude.pt/
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
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Fernando Barroso
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
Citação
"Os Doentes essencialmente querem três coisas dos seus hospitais:
não me faça mal,
cure-me,
e seja simpático comigo.
E querem-nos nessa ordem."
Dr. Bala Chandrasekhar, 2019
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
domingo, 11 de dezembro de 2022
Nós, o SNS, a Governança Clínica e o percurso na melhoria da qualidade e segurança dos cuidados em saúde | #SD452
Enquanto enfermeira coordenadora de um centro de responsabilidade integrada deparo-me diariamente com os desafios de gerir um serviço no nosso velhinho SNS (Serviço Nacional de saúde).
O meu contexto profissional, à semelhanças das instituições que prestam cuidados de saúde, reflete uma realidade de prestação de cuidados cada vez mais complexas com especificidades muito próprias. Vivemos numa era de constantes mudanças em todas as vertentes, tendo que, constantemente, nos adaptar às mesmas. O SNS não é exceção, necessitando também de se adaptar e adequar às mesmas. Existe uma grande alteração nas características populacionais, nomeadamente multiculturalidade, envelhecimento, nos padrões de doença. Existem também mudanças nas oportunidades para utilizar novas intervenções médicas associadas a novos conhecimentos e tecnologias. Perante esta realidade, torna-se premente que as instituições que integram o SNS se transformem e adaptem não só fisicamente, como também na atitude com relação ao doente.
O alargamento dos cuidados de saúde a um número cada vez maior de pessoas conduziu a uma maior exigência por parte dos cidadãos, exigindo uma contínua melhoria da qualidade dos cuidados, no que se refere às mais avançadas tecnologias, a uma cultura de eficiência no uso dos recursos que são escassos, e a uma prestação de cuidados de saúde cada vez mais segura, tolerando cada vez menos os erros dos profissionais e/ou do sistema. Neste universo torna-se essencial qua as práticas de governança clínica, sejam orientadas pelo princípio da Efetividade (ganhos em saúde), Eficiência (conseguir esses “ganhos” com o menor custo possível, sem desperdícios ou gastos desnecessários), Equidade (reduzir desigualdades inaceitáveis em saúde) e Qualidade (melhoria contínua dos cuidados).
Durante todo este processo assiste-se a práticas que promovam a motivação e satisfação dos profissionais envolvidos, ao mesmo tempo que se desenvolvem mecanismos de capacitação e autonomia dos utentes e satisfação dos utentes envolvidos.
Compreende-se e de acordo com o preconizado pela Organização Mundial da Saúde, a boa governança para a saúde é a capacidade de ativar a participação de todos, os que estão interessados na formulação e no desenvolvimento de políticas, programas e práticas que conduzam a sistemas de saúde mais equitativos e sustentáveis. Desta forma, a boa governança em saúde significa ter em consideração um conjunto de boas práticas de qualidade na tomada de decisão, na implementação de soluções, na sua avaliação e monitorização e, consequentemente, na correção de eventuais desvios. Neste sentido, refere-se à capacidade de implementar mudanças efetivas que permitam melhorar o sistema de saúde, dando resposta às reais necessidades dos seus utilizadores e garantindo princípios de equidade e de igualdade. As principais mudanças que estão a ocorrer na governança da saúde no século XXI são fundamentais para a obtenção de ganhos de saúde nas próximas décadas.
Assim considero que a governança clínica representa uma estratégia que permite assegurar a melhoria contínua dos cuidados de saúde prestados salvaguardando elevados níveis de qualidade e segurança nos mesmos. A governança clínica assume-se como uma estratégia de gestão transformadora num contexto de cuidados com necessidades de cuidados cada vez mais emergentes, diferenciadas e por si só mais exigentes. É ainda importante referir que a governança clínica potencia de forma sistemática e contínua o desenvolvimento de um ambiente que estimule a excelência dos cuidados clínicos, a afirmação e concretização plena do conhecimento gerado e acumulado no seio dos profissionais de saúde e das suas organizações através de um estilo de liderança efetiva, capaz de envolver toda a equipa multidisciplinar prestadora de cuidados assim como deve também envolver o alvos das práticas de cuidados (doente/família).
A OMS define a qualidade dos cuidados de saúde como “a medida em que os cuidados de saúde prestados aos indivíduos e populações doentes melhoram os resultados em saúde desejados. De modo que esse objetivo seja atingível, os cuidados de saúde devem ser: seguros, eficazes, oportunos, eficientes, equitativos e centrados nas pessoas”. Simplificadamente, esta definição pode ser entendida como “a prestação dos cuidados de saúde com qualidade envolvem os cuidados certos, à hora certa, em resposta às necessidades e preferências dos doentes, enquanto é minimizada a probabilidade de ocorrência de danos e desperdício de recursos”. Desta forma, recomendam que adotar uma perspetiva de governança clínica, sistémica e orientada para os sistemas de saúde para a melhoria da qualidade é fundamental, não só para corresponder às expetativas dos doentes, mas também às dos profissionais de saúde envolvidos neste processo.
Apesar da amplitude do conceito e das diferentes perspetivas de o analisar, existe um consenso em relação à importância da qualidade em saúde e à compreensão de que esta está diretamente relacionada com as condições onde os profissionais de saúde trabalham e com as crescentes necessidades e expetativas dos doentes. É clara a necessidade de implementação de políticas de qualidade em saúde que introduzam medidas de melhoria da qualidade de uma forma mais consistente e sistemática ou seja, é premente a introdução de boas práticas de governança clínica, por si só facilitadoras do processo de melhoria continua de qualidade de cuidados.
O contexto atual que se vive é marcado pelas alterações populacionais e de padrões de doença, pelo aumento da tecnologia e do conhecimento, o que consequentemente leva a um aumento de expetativas por parte dos utilizadores, que exigem cuidados com crescente qualidade. Atualmente, a qualidade é vista como um atributo essencial e fundamental dos cuidados de saúde que tem por base algumas especificidades, tais como: evolução ajustada às necessidades demonstradas; preventiva e responsiva; integrativa ao nível da efetividade, da eficiência, da aceitabilidade e equidade. A implementação de políticas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde é atualmente imperativa sendo que, durante os últimos anos, o conhecimento e a experiência neste âmbito aumentaram significativamente. Segundo a OMS, a qualidade pode ser alcançada em todos os contextos, independentemente das possibilidades financeiras, através de uma boa liderança, de um bom planeamento e de investimentos inteligentes.
Concluindo
a governança clínica surge assim como uma nova abordagem de melhoria da
qualidade, que nos permite através de um conjunto de iniciativas de regulação,
a promoção de uma cultura e clima que potencie a melhoria contínua da qualidade
na prestação dos cuidados no SNS.
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
Estamos a Forçar a Literacia aos nossos Doentes? #SD451
Tenho por hábito observar com alguns distanciamento o meu Serviço (Consulta Externa) para sentir como o processo está a decorrer e o que podemos melhorar na experiência do Doente.
Há cerca de 2 meses que a inovação está na utilização de quiosques automáticos de atendimento "que fazem tudo".
Efetivamente, fazem um excelente trabalho (especialmente quando funcionam de forma correta), sendo inegavelmente uma evolução no atendimento do Doente.
O problema é que muitos doentes que tenho observado, ouvido, acompanhado, simplesmente "não querem" usar o sistema.
E não é uma questão de baixa literacia em saúde ou literacia tecnológica.
O sistema não difere muito da forma como utilizamos um terminal multibanco ou mesmo um Smartphone.
Já vi e ouvi de tudo:
- Eu nunca mexi nisto!
- Onde é que se "toca"?
- Ouço um doente a "aconselhar" outro; - Eu cá digo que não sei ler...
- Um doente tenta a todo o custo inserir um Bilhete de Identidade no quiosque (explico com calma que não vai dar).
- Chega ao quiosque, e sem ler nada do que está no ecrã, ou nas indicações escritas que se encontram próximo, coloca simplesmente o cartão do cidadão no quiosque.
Também devemos reconhecer que há doentes (pela sua patologia, capacidades cognitivas, etc.) que necessitam de apoio (isso é inegável), mas, para muitos outros, provávelmente não há estratégia de literacia que resulte.
Quando o Doente não quer, não há sistema que funcione...
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
domingo, 30 de outubro de 2022
Auditoria Clínica - O Coordenador é um Médico ou um Enfermeiro? #SD450
É este o meu parecer:
Do meu ponto de vista, existem 2 questões. Uma questão relaciona-se com a Coordenação da Comissão de Auditorias Clínicas, e outra questão relaciona-se com a atribuição da coordenação de uma determinada auditoria.
E estas não são
a mesma coisa.
A atividade de auditoria, está bem enquadrada na Norma ISO NP EN ISO 19011 2019 (Linhas de Orientação para auditorias a sistemas de gestão).
A Direção Geral da Saúde, através da Orientação nº 002/2017, atualizada a 03/06/2022 (Preparação e Condução de Auditorias da Qualidade e Segurança da Prestação de Cuidados de Saúde) resume, para acesso livre, a referida NP EN ISO 19011 2019.
Nesta Orientação, está claramente definido o papel e requisitos de competência do Coordenador da Auditoria. A saber:
O Auditor Coordenador deve possuir "Qualificação e idoneidade (...) para a atividade/área a auditar" (Orientação nº 002/2017, ponto 5.2)
Sempre que a equipa auditora é constituída por mais de um elemento, a responsabilidade de coordenação da auditoria é atribuída a um auditor coordenador com comprovada experiência na metodologia de auditoria, nos critérios de auditoria, no referencial e nos processos em questão. (Orientação nº 002/2017, ponto 5.2)
No ponto 5.10
(sobre “Conhecimento e saber fazer”) da referida Orientação, pode ainda ler-se: Para que os auditores possam ter
os conhecimentos e saber fazer necessários às funções que desempenham nas diferentes
auditorias devem ter participado numa formação de auditores, reconhecida
e ministrada por formadores qualificados eles próprios como auditores.
Esta exigência incide com maior relevância sobre os auditores coordenadores, pois estes têm, cumulativamente, de ter conhecimentos e saber fazer para coordenar toda a atuação da equipa auditora e para apoiar os auditores com menor experiência. (Orientação nº 002/2017, ponto 5.10)
Eu compreendo a exigência da DGS, pois eu ministro este tipo de formação, que não é fácil para o formando, e nem todos conseguem alcançar os objetivos propostos.
Apesar de todas
as referências existentes na Orientação nº 002/2017 em nenhum momento está explicito se o auditor coordenador tem de
ser de uma ou outra categoria profissional.
O importante é a sua competência, no âmbito do conhecimento de como realizar uma auditoria e também a competência técnica relativa ao âmbito da própria auditoria.
Assim sendo,
e imaginando por exemplo uma auditoria ao trabalho realizado por Enfermeiros numa
área de atuação específica, percebe-se claramente que um coordenador, apenas por
ser médico, dificilmente teria a "competência técnica adequada".
O mesmo se pode dizer para uma auditoria específica a um campo de atuação médico. Dificilmente um Enfermeiro poderia argumentar estar capacitado tecnicamente para o fazer.
Não se trata, pois, de uma questão de categoria profissional, mas da competência para executar corretamente uma auditoria. E isso só pode ser decidido "auditoria-a-auditoria".
Outra questão
que entendo ter sido colocada é o assunto da Coordenação da Comissão de Auditorias
Clínicas.
Sobre isto, entendo que não existe efetivamente uma orientação formal da tutela, embora seja conhecida a tendência nacional de atribuir a profissionais médicos a coordenação deste tipo de comissões.
O meu entendimento é que, quem coordena uma Comissão de Auditoria Clínica (eu
colocaria no singular), deve ser antes de mais, uma pessoa de reconhecido mérito,
no seu trabalho, no âmbito da Qualidade em Saúde e da Segurança do Doente, com capacidade
de intervenção e com Autoridade reconhecida pela Equipa Multidisciplinar, nomeada
pelo Órgão Máximo de Gestão da Instituição e contando com o seu suporte para planear
e implementar um Plano de Auditorias abrangente na Instituição.
Não existe - salvo melhor opinião - obrigatoriedade desta pessoa ser de uma ou de outra profissão da área da saúde, desde que cumpra os requisitos expostos anteriormente.
É este o meu parecer.
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso












