sábado, 17 de janeiro de 2026

Comunicação Digital na Saúde: Quando a Agilidade se Torna um Risco

 Comunicação Digital na Saúde: Quando a Agilidade se Torna um Risco

A comunicação eficaz entre equipas de saúde é um dos pilares fundamentais da segurança do doente, tendo as ferramentas de mensagens instantâneas revolucionado esta interação. No entanto, um estudo recente realizado com 3.239 médicos revela que o aumento desregrado do volume de mensagens está diretamente associado a um maior risco de erros, especificamente no envio de solicitações para o doente errado.

O IMPACTO DO VOLUME DE MENSAGENS

A investigação, que acompanhou profissionais em 14 hospitais, concluiu que aqueles que enviavam mais mensagens (os 25% no topo da lista) apresentavam uma probabilidade 10% superior de cometer erros de identificação do doente. Entre os grupos analisados, os médicos assistentes foram os mais afetados, com um risco de erro 20% mais elevado.

Este fenómeno explica-se por três fatores principais:

• O aumento substancial da carga cognitiva dos profissionais;

• A maior probabilidade de confusão na identificação dos doentes;

• A complexidade clínica dos casos, que exige uma coordenação mais intensa entre equipas.

OS PERIGOS DAS FERRAMENTAS NÃO-ESPECÍFICAS

Embora o uso de aplicações como o WhatsApp seja comum para ultrapassar barreiras geográficas e facilitar a resposta em situações de emergência, estas ferramentas não foram desenhadas para o contexto da saúde. Segundo Lucas Zambon, diretor científico do IBSP, a utilização destas plataformas digitais sem o devido controlo pode conduzir a erros de medicação, falhas na indicação de exames e problemas de priorização.

RECOMENDAÇÕES PARA UMA PRÁTICA SEGURA

Para mitigar estes riscos, os especialistas sugerem que os gestores hospitalares e as equipas adotem as seguintes medidas:

1. Monitorizar o tráfego de mensagens como um indicador de sobrecarga de trabalho.

2. Implementar protocolos rígidos de identificação, utilizando sempre o nome completo e o número do processo clínico em todas as interações.

3. Privilegiar soluções integradas no registo clínico eletrónico, que garantam a mobilidade da tecnologia, mas com barreiras de segurança que ajudem a erradicar erros de identificação.

A tecnologia deve ser uma aliada da segurança, mas a sua utilização exige consciência, protocolos estruturados e foco constante na proteção do doente.


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso
https://fernandobarroso.gumroad.com/