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sábado, 7 de abril de 2018

Fármacos e Materiais de Consumo Clínico na Prestação de Cuidados Paliativos Domiciliários – Segurança do Doente 290


NORMA 
1. A lista de fármacos considerados essenciais para o exercício da atividade assistencial das Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos e que exige prescrição por médico da referida equipa, com formação específica em Cuidados Paliativos, é a seguinte:  Ler norma no link abaixo)

Norma DGS nº 009/2018 de 06/04/2018

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Reclamações dos Utentes – Uma Janela para a Qualidade dos Cuidados | Segurança do Doente 289


Há uma tarefa anual que detesto fazer. E não, não é ir ao dentista...

 Blog Segurança do Doente

Estou a falar da Análise das Reclamações dos Utentes, que estejam tipificadas como “Cuidados de Saúde e Segurança do Doente”, disponibilizadas pelo Gabinete do Utente da Instituição.
Acredita! Não é nada fácil!

Já alguma vez o fizeste?
Já te sentaste a uma mesa com 130 reclamações do ano anterior à tua frente?
Começas a ler uma, e outra, e mais uma…

Ok. Eu sei que “as pessoas escrevem tudo no calor do momento”, mas esses desabafos têm todos (ou praticamente todos) uma base de fundamento real que não podemos ignorar.

Este ano, na primeira tentativa tive de parar à 10ª reclamação. Simplesmente não conseguia continuar.

Diariamente são prestados cuidados de qualidade aos nossos doentes.
Literalmente milhares de atos são praticados de forma correta e humana. Mas não é isso que encontramos quando analisamos as reclamações dos Utentes ou dos seus Familiares.

São histórias de perda, dor e desespero. E é isso que doí, que nos retira o alento.

Muitas vezes, quando lemos estas reclamações, identificamos claramente os profissionais envolvidos, os serviços, os locais onde a situação descrita ocorreu e não conseguimos deixar de nos solidarizar com quem reclama.

A baixa literacia em saúde da população portuguesa não ajuda. Há relatos que resultam de puro desconhecimento, mas acima de tudo, de uma enorme falta de capacidade de comunicação do profissional de saúde para com o doente/acompanhante/família.
E às vezes basta explicar.

E há também uma manifesta falta de sensibilidade, de humanidade se quiseres chamar-lhe assim. Isso é o que custa mais.

O desafio é identificar medidas concretas para melhorar este cenário. Promover um melhor cuidado e acima de tudo, uma melhor comunicação.

Nenhum de nós tem o direito de, protegido por uma armadura de “profissional de saúde” diminuir os direitos do doente.

Eu ainda não encontrei a melhor forma de completar esta tarefa. Não sem me sentir esmagado com a violência que leio em algumas descrições. Mas não vou desistir.

Amanhã será um novo dia e tudo farei ao meu alcance para passar esta mensagem.

E tu? Estás comigo?

Fernando Barroso


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

sábado, 31 de março de 2018

ORIENTAÇÃO DGS Nº 001/2018 - SARAMPO: Controlo de Infeção em unidades de saúde | Segurança do Doente 288



A DGS publicou a 17-03-2018 a ORIENTAÇÃO DGS Nº OO1/2018 com indicações sobre o Controlo de Infeção em unidades de saúde

Nesta orientação pode ler-se:

“As instituições prestadoras de cuidados de saúde, através das direções clínicas e dos Grupo de Coordenação Regional do PPCIRA (GCR-PPCIRA) e Grupo de Coordenação Local do PPCIRA (GCLPPCIRA), devem:

a) Elevar o seu nível de suspeita clínica perante casos que possam configurar a hipótese diagnóstica de sarampo;

b) Cumprir rigorosamente as normas de isolamento adequadas à forma de transmissão preferencial do vírus em causa, medidas essas que são eficazes na prevenção da transmissão do vírus, se corretamente aplicadas – Aplicação das Precauções de Via Aérea, adicionais às Precauções Básicas de Controlo de Infeção (PBCI);

c) Assegurar prova documentada de imunidade contra o sarampo de todos os profissionais com registo de história credível de sarampo ou registo de 2 doses de vacina contra o sarampo. Não está recomendada a determinação serológica prévia à vacinação.


Fernando Barroso



UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

Vídeo DGS | Sarampo

sexta-feira, 30 de março de 2018

Divulgação - I Simpósio Internacional de Segurança para o Doente


O IBSP transmite ao vivo para fora do Brasil a 24 de Abril de 2018 o evento mais esperado do ano. Com tradução em simultâneo, estará disponível o acesso para assistir às palestras de ilustres profissionais na área da segurança do doente:
 - Charles Vincent, Jan Compton, Ayse Gurses

Será um excelente momento para partilha e reflexão sobre as questões da Segurança do Doente e os novos desafios que se colocam.

Para mais informações consulte o link: http://www.simposio-ibsp.com.br/exterior/

sábado, 24 de março de 2018

WHO: BreatheLife - Como a poluição do ar afecta o seu corpo

A poluição do ar é um assassino invisível que se esconde à nossa volta, atacando jovens e idosos. Aprenda como ele passa desapercebido pelas defesas do nosso corpo, causando mortes por ataques cardíacos, derrames, doenças pulmonares e cancro.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Checklist - Dados a Incluir na Informação de Alta/Transferência | Despacho n.º 2784/2013 | Segurança do Doente 287

Produzimos uma cheklist numa única página para facilitar a divulgação da informação orientadora dos dados a incluir nas notas de alta/transferência (Despacho nº 2784/2013 de 20 de Fevereiro de 2013), em formato word, editável e livre, para que possa ser adaptada a cada contexto, e que está disponível, grátis, através DESTE LINK.

A Checklist contêm a seguinte informação:

"Nos serviços e estabelecimentos integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a partir de 1 de julho de 2013, as notas de alta médica e de enfermagem, bem como as notas de transferência das unidades de cuidados intensivos, em formato digital, contemplam obrigatoriamente os dados a seguir referidos, devendo as mesmas estar em condições de ser acedidas, em formato digital, pelos profissionais de saúde habilitados, para o efeito, através da Plataforma de Dados de Saúde (PDS).
  • Identificação do utente (nome completo, data nascimento, sexo, nacionalidade e pais de residência habitual);
  • Data de admissão, data de alta médica, data de alta administrativa;
  • Número de utente do SNS (independentemente de se tratar de utente beneficiário de um subsistema de saúde);
  • Nome do médico responsável pela alta médica, email profissional e n.º de cédula profissional;
  • Nome do enfermeiro responsável pela alta de enfermagem, email profissional e n.º de cédula profissional;
  • Nome do médico de medicina geral e familiar e n.º de cédula profissional, ou menção confirmada da sua inexistência;
  • Destino (óbito; outro hospital, serviço hospitalar, domicílio, estabelecimento da RNCCI, abandono, saída contra parecer médico ou outro);

domingo, 11 de março de 2018

Aumentar a Segurança Cirúrgica| PNSD-15-20 | Segurança do Doente 286

Aumentar a Segurança Cirúrgica é o 3º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
  • O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
  • METAS PARA O 3º OBJECTIVO
  • ACÇÕES A DESENVOLVER
  • ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

A Organização Mundial da Saúde estima que, pelo menos, metade dos incidentes decorrentes da prestação de cuidados de saúde ocorre durante o ato cirúrgico, num universo em que o número de cirurgias major, realizadas no mundo, é superior ao número de nascimentos.
Estima, ainda, que 50% das complicações associadas à prática cirúrgica são evitáveis.

É no bloco operatório que parece constatar-se um dos ambientes de trabalho mais complexos da prestação de cuidados de saúde.

A tecnologia sofisticada, de acordo com o procedimento cirúrgico a realizar e a multidisciplinaridade a que obriga, constituída por anestesistas, cirurgiões, enfermeiros e outros técnicos, obriga a uma interacção perfeita num contexto de elevada complexidade.

Como a segurança cirúrgica não era reconhecida como um problema de saúde pública e os sistemas de informação, quando existentes, não permitiam monitorizar os procedimentos nem avaliar os resultados e, ainda, como não existia padronização dos procedimentos de garantia da segurança cirúrgica na maioria dos países, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu, em 2007, o projecto “Cirurgia Segura Salva Vidas”.

domingo, 4 de março de 2018

1ª Aula de Segurança do Doente na Pós-Graduação em Literacia em Saúde – ISPA | 03-03-2018 | Segurança do Doente 285


Foi com enorme orgulho e privilégio que dei a 1ª Aula de "Segurança do Doente" na  Pós-Graduação em Literacia em Saúde que decorre no ISPA.


Segundo o relatório Literacia em Saúde em Portugal – 2015 da Fundação Calouste Gulbenkian, a literacia em saúde condiciona a forma como cada um de nós é capaz de tomar decisões acertadas sobre saúde.

Afecta, por isso, não apenas a nossa qualidade de vida e daqueles que nos são próximos e que dependem de nós (como as crianças ou os idosos), mas pode ter também implicações nas despesas de saúde e nos custos e formas de organização dos sistemas de saúde nacionais.

A literacia em saúde remete para as competências e os conhecimentos dos indivíduos necessários para acederem, compreenderem, avaliarem e utilizarem informação sobre saúde, que lhes permita tomar decisões sobre cuidados de saúde, prevenção da doença e modos de promoção de uma vida saudável.

Uma baixa Literacia em Saúde pode dar origem, por exemplo, a um maior número de internamentos e a uma utilização mais frequente de serviços de urgência e, também, a uma menor prevalência de atitudes individuais e familiares preventivas no campo da saúde. Ou seja, a uma menor qualidade de vida.

E não podemos nunca esquecer que a Literacia em Saúde não é uma questão apenas dos Doentes, mas também dos profissionais de saúde.

“Extensive research has shown that no matter how knowledgeable a clinician might be, if he or she is not able to open good communication with the patient, he or she may be of no help.” - Institute for Healthcare Communication

Temos, pois, de melhorar a nossa comunicação e a literacia de doentes e profissionais de saúde.

Parabéns ao ISPA por esta iniciativa.
Fernando Barroso


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Nova Norma DGS | Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais | Segurança do Doente 284

A DGS publicou a 20-02-2018 a Norma nº 005/2018 de 20/02/2018 - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais.

Esta norma revoga a anterior Norma da DGS nº 025/2013 de 24/12/2013,
bem como a sua actualização de 19/11/2015.


Esta norma, que operacionaliza o 1º objetivo estratégico (Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno) do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20), estabelece para os Hospitais do SNS o seguinte cronograma:
  1. inscrição através de um formulário on-line disponibilizado pela DGS às instituições (fevereiro);
  2. resposta ao questionário pelos profissionais da instituição (março - abril);
  3. análise e divulgação dos resultados institucionais (julho);
  4. análise e divulgação dos resultados nacionais (novembro);
  5. implementação de medidas de melhoria (ano seguinte ao da inscrição) e
  6. monitorização das medidas implementadas (ano seguinte ao da implementação de medidas de melhoria).

Para o preenchimento do formulário referido na 1ª alínea necessitas de saber previamente o nº de funcionários distribuídos da seguinte forma



E o tempo já está a contar...
Fernando Barroso


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Aumentar a Segurança da Comunicação | PNSD-15-20 | Segurança do Doente 283

Aumentar a Segurança da Comunicação é o 2º objectivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).
Neste artigo partilho contigo sugestões para implementar este objectivo no terreno.
 
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
 
Sendo a comunicação um pilar fundamental para a segurança do doente, em especial quando existe transferência de responsabilidade da prestação de cuidados de saúde, como é o caso das transições, como as mudanças de turno e as transferência ou altas dos doentes, as instituições prestadoras de cuidados de saúde devem implementar procedimentos normalizados para assegurar uma comunicação precisa e atempada de informações entre os profissionais de saúde, evitando lacunas na comunicação, que podem causar quebras graves na continuidade de cuidados e no tratamento adequado, potenciando, assim, os incidentes com dano para o doente.
 
O texto do PNSD 15-20 continua depois referindo áreas de especial atenção, a saber:
  • “assegurar o diálogo seguro entre sistemas electrónicos de informação e a integração de múltiplos desses sistemas
  • partilha interprofissional, interinstitucional e entre nível de cuidados, do conhecimento na área da qualidade e da segurança dos doentes.
  • difusão de orientações e de normas nacionais de boa prática profissional”.
  • informação disponibilizada aos profissionais de saúde e aos cidadãos (que) permita a comparação entre produtos, técnicas, práticas profissionais, estruturas ou modelos de organização.”
  • “os doentes sejam informados e integrados na equipa que lhes presta cuidados de saúde”.
  • informação e esclarecimento do cidadão, (…), procurando garantir que, para além de receber informação sobre os riscos e benefícios potenciais de cada procedimento diagnóstico ou terapêutico que lhe é dirigido, o doente dê o seu consentimento informado, esclarecido e livre para a sua prestação.”
  • “(…) promover acções locais de sensibilização e de informação ao cidadão, em especial nas áreas da prevenção e controlo da infecção, da resistência aos antibióticos, do uso seguro da medicação e do consentimento informado.”
No PNSD-15-20, para este 2.º objectivo estratégico (Aumentar a Segurança da Comunicação) foram definidas as seguintes Metas para o final de 2020:
 
  1. 90% dos sistemas informáticos dos Serviços de Urgência e dos Serviços de Internamento das instituições hospitalares intercomunicam.
  2. 100% das instituições prestadoras de cuidados de saúde têm plano de contingência de recuperação das aplicações e dados/processo clínico dos doentes em situações extremas (disaster recovery).
  3. 100% das instituições prestadoras de cuidados de saúde têm de garantir disponibilidade dos sistemas de informação superior a 99,9%, para garantir que não ocorram paragens de funcionamento.
  4. 90% dos Agrupamentos de Centros de Saúde têm acesso às notas de alta das entidades hospitalares de referência.
É verdade que estas metas estão relacionadas com sistemas informáticos, mas ao analisar as acções propostas encontramos orientação para, como profissionais de saúde no terreno, contribuir para o aumento da segurança da comunicação com os nossos doentes e colegas de trabalho. As acções propostas às “Instituições prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde e com ele convencionadas” são:
  • Executar acções de sensibilização e de informação ao cidadão
  • Realizar auditorias internas à transferência de informação nas transições, transferências e altas dos doentes.
SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS OU ACÇÕES CONCRETAS QUE PODEMOS IMPLEMENTAR
 
  • Divulgar a norma na Instituição/Serviços.
  • Promover acções de formação institucional em grupos multiprofissionais.
  • Criar um modulo de formação interna replicável pelos diferentes Serviços de forma autónoma.
  • Auditar a aplicação da norma (nota, o documento já contem uma grelha de auditoria pronta a utilizar.

- Promover reuniões estruturadas nos serviços sobre a temática da “Comunicação”.
 
- Promover reuniões periódicas entre as Comissões da Qualidade e Segurança das Instituições da mesma área de influencia (Hospitais e Agrupamentos de Centros de Saúde) para partilha de informação/boas práticas em segurança do doente.

- Difundir técnicas de melhoria da comunicação via telefone, por exemplo o “readback” (ler de volta: leia o que você escreveu ou reler) em que o objectivo é que seja confirmada a informação recebida, após a sua anotação.
 
- Implementar um processo normalizado para os momentos de transição (passagem de turno) que promova uma comunicação clara entre os profissionais (podemos por exemplo utilizar checklists para que não se esqueçam aspectos importantes). (Já publicámos um artigo sobre este tema que podes reler AQUI)
 
- Garantir a existência de procedimentos internos na Instituição que orientem a transferência e alta do doente.
Para esta tarefa não devemos esquecer o Despacho (do Gabinete do Secretário de Estado da Saúde) nº 2784/2013 de 20 de Fevereiro, que determina que “A partir de 1 de julho de 2013, as notas de alta médica e de enfermagem, bem como as notas de transferência das unidades de cuidados intensivos, em formato digital, contemplam obrigatoriamente os dados referidos no número anterior, (…)”.
Os dados referidos no despacho são extensos e não os irei aqui reproduzir pelo que recomendo a sua leitura atenta (podes aceder ao documento AQUI)
 
- Realizar acções de sensibilização e de informação aos doentes, por exemplo, através da distribuição de folhetos informativos ou a passagem de vídeos nas salas de espera com informação sobre as temáticas sugeridas (prevenção e controlo da infecção, da resistência aos antibióticos, uso seguro da medicação e consentimento informado).
 
Estas são as sugestões.
E na tua instituição que acções ou estratégias são implementadas para aumentar a segurança da comunicação?
Partilha connosco as tuas ideias, comentários e sugestões.
Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

domingo, 11 de fevereiro de 2018

We Are The Patient Safety Movement | Segurança do Doente 281

We are the Patient Safety Movement Foundation and our mission is to eliminate preventable patient deaths by 2020. Join us on the journey to ZERO by 2020 (0X2020).

Somos a Patient Safety Movement Foundation e nossa missão é eliminar as mortes evitáveis de doentes até 2020. Junte-se a nós na viagem para ZERO até 2020 (0X2020).

sábado, 27 de janeiro de 2018

Relatório Anual Notifica – Uma obrigação do Gestor Local da Instituição-SD280

Caro Gestor Local, já preparou a informação para elaborar o Relatório Anual Notifica?


Esta é uma obrigação do Gestor Local de todas as Instituições de saúde do SNS, que deverá proceder ao preenchimento deste relatório anualmente.

A DGS define o Gestor Local como “o garante da qualidade dos registos que são mantidos no Sistema a nível local e, por agregação, a nível nacional.” (Manual do Gestor Local – DGS)

Para o fazer, o Gestor Local da instituição deve aceder à área reservada no site da DGS (Canto superior direito) e de seguida aceder aos formulários
No inicio da página de preenchimento do formulário pode ler-se a seguinte informação:
"A tipologia de incidente deve respeitar a Norma 017/2012 - Taxonomia para notificação de incidentes de 19/12/2012, pelo que devem ser incluídos neste relatório apenas e só os incidentes de natureza clínica.
O “nº de incidentes notificados” inclui o somatório do nº total de incidentes notificados através do NOTIFICA, referentes à Instituição e o nº total de incidentes notificados através do sistema de notificação local da Instituição (caso este exista).”

O formulário apresenta de seguida as tipologias de incidente, de acordo com a norma 017/2012, um campo para indicação do numero de incidentes (no notifica + sistema interno) e um campo para indicação das Ações de Melhoria/Plano de Ação/Medidas Corretivas implementadas por Tipologia de incidente s notificados. (Ver imagem abaixo).
No final do formulário existe ainda um espaço onde é possível inscrever “Sugestões de Áreas que careçam de orientação técnica ou formação por parte da Direção-Geral da Saúde”


O formulário referente a 2017 deve ser preenchido pelo Gestor Local até ao dia 31 de Janeiro de 2018.

Na tua instituição, sabes quem é o Gestor Local nomeado?


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso

domingo, 14 de janeiro de 2018

Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno | SD279


Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno é o 1º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Na parte final deste artigo encontras quais as estratégias que desenvolvemos para promover a participação dos profissionais do CHS.

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

O PNSD-15-20 refere que “A melhoria da cultura de segurança do ambiente interno das instituições prestadoras de cuidados de saúde é um imperativo e uma prioridade consignada na Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde.”

Para alcançar esta melhoria, é adotada a recomendação da Organização Mundial de Saúde do Conselho da União Europeia para que os Estados-Membros procedam à avaliação da perceção dos profissionais de saúde sobre a cultura de segurança da instituição onde trabalham, como condição essencial para a introdução de mudanças nos seus comportamentos e para o alcance de melhores níveis de segurança e de qualidade nos cuidados que prestam aos doentes.

“A cultura de segurança de uma instituição prestadora de cuidados de saúde é, segundo a Organização Mundial da Saúde, para além de um estilo e de uma competência de gestão, um produto de valores individuais e de grupo, de atitudes, de perceções e de padrões de comportamento, que determinam o compromisso dessa instituição para com a segurança dos doentes.”

Ou seja, a segurança do Doente de uma instituição resulta do conjunto da “cultura individual de segurança do doente” de cada um dos seus profissionais, desde o profissional de “1ª linha”, aos profissionais dos serviços de apoio e á gestão do topo da instituição. Assim, cada instituição possui a sua própria cultura de segurança.

Podemos argumentar que essa cultura de segurança é mais ou menos propicia à promoção de cuidados seguros para o doente. O que não podemos afirmar é que “não existe” uma cultura de segurança.

O PNSD-15-20 determina que “A avaliação da cultura de segurança dos doentes, em Portugal, irá decorrer anualmente, de forma alternada, nos hospitais e nos agrupamentos de centros de saúde. Em 2018 esta avaliação vai ocorrer nos hospitais.

Esta avaliação é realizada com base na aplicação do Hospital Survey on Patient Safety Culture da Agency for Healthcare Research and Quality dos Estados Unidos da América, traduzido e adaptado ao contexto português.
Trata‐se de um questionário autopreenchido, com uma distribuição multidimensional (12 dimensões), composto por 42 itens, incluindo, ainda, duas variáveis de item único: Grau de Segurança do Doente e Número de Eventos Notificados nos últimos 12 meses.

As dimensões avaliadas são:
1. Trabalho em equipa
2. Expectativas do supervisor/gestor e acções que promovam a segurança do doente
3. Apoio à segurança do doente pela gestão
4. Aprendizagem organizacional - melhoria contínua
5. Percepções gerais sobre a segurança do doente
6. Feedback e comunicação acerca do erro
7. Abertura na comunicação
8. Frequência da notificação de eventos
9. Trabalho entre as unidades
10. Dotação de Profissionais
11. Transições
12. Resposta ao erro não punitiva.

No PNSD-15-20, é enfatizada a necessidade duma ampla adesão dos profissionais das instituições de saúde a esta metodologia.

É solicitado de forma directa às direcções clínicas, aos conselhos clínicos e de saúde e às comissões da qualidade e segurança, que promovam a adesão dos seus profissionais à avaliação da cultura de segurança dos doentes. Em 2014 (últimos dados disponíveis), a taxa de adesão nacional foi de 18,3%.

À DGS foi atribuída a competência de definir os valores-padrão das taxas de adesão das instituições à avaliação da cultura de segurança dos doentes e dos valores-padrão nacionais para as várias dimensões.
À Administração Central do Sistema de Saúde compete incluir os valores-padrão nas metas dos contratos programa das instituições prestadoras de cuidados de saúde.

No PNSD-15-20 foram definidas as seguintes Metas para o final de 2020:

1). Atingir uma taxa de adesão nacional à avaliação da cultura de segurança ≥ 90%.
2). Atingir uma média nacional ponderada de todas as dimensões do questionário da avaliação da cultura de segurança do doente ≥ 50%.


QUAL A EXPERIÊNCIA DO CENTRO HOSPITALAR DE SETÚBAL, E.P.E.

No Centro Hospitalar de Setúbal E.P.E. realizámos um primeiro estudo em 2013, tendo os dados obtidos sido aceites pela DGS, após validação da metodologia utilizada. Nesse estudo, obtivemos uma taxa de adesão por parte dos profissionais de 30,45%.
A estratégia de divulgação interna envolveu vários componentes:
  • Divulgação inicial do estudo do através da Circular Interna do CHS, na qual era divulgado o link de acesso para resposta ao questionário;
  • A informação foi também divulgada através de uma mensagem interna dirigida a todos os Profissionais do CHS com correio electrónico institucional;

Como estratégias de divulgação/promoção adicionais:
  • Foi solicitado às hierarquias dos Serviços do CHS colaboração na divulgação do estudo e apoio no acesso a um computador para os profissionais que não utilizam este equipamento regularmente no desempenho das suas funções;
  • Para maximizar a taxa de respostas, relembrar e incentivar à participação no estudo, foram enviados a cada semana lembretes (por correio eletrónico e mensagem na intranet do CHS);
  • O grupo de trabalho esteve sempre disponível para apoiar todos os profissionais/serviços no preenchimento do questionário;
  • O questionário esteve disponível para preenchimento durante o mês de outubro de 2013 nos dois hospitais que constituem o CHS.

A recolha e análise dos questionários foi feita pelo grupo de trabalho, através de um link para um formulário on-line, o qual garante a confidencialidade e o anonimato de todas as respostas.

OS RESULTADOS POR DIMENSÃO FORAM OS SEGUINTES:
Dimensão 1 Trabalho em Equipa (68%);
Dimensão 2 Expetativas do supervisor/gestor e ações que promovem a Segurança do Doente (62%);
Dimensão 3 Apoio à Segurança do Doente pela gestão (45%);
Dimensão 4 Aprendizagem Organizacional – melhoria contínua (70%).
Dimensão 5 Perceções gerais sobre a Segurança do Doente (57%);
 Dimensão 6 Comunicação e feedback acerca do erro (59%).
Dimensão 7 Abertura na Comunicação (55%);
Dimensão 8 Frequência da notificação (48%);
Dimensão 9 Trabalho entre unidades (46%);
Dimensão 10 Dotação de profissionais (39%);
Dimensão 11 Transições (50%);
Dimensão 12 Resposta ao erro não punitiva (34%);

De salientar que os resultados obtidos estavam perfeitamente “em linha” com os resultados de outros estudos (nacionais e internacionais) conhecidos.

Sobre a questão do nível de adesão, já em 21 de Janeiro de 2017 publiquei um artigo (que vos convido a ler ou a reler) com a minha análise - SD240- Baixa Participação dos Profissionais na Avaliação da Cultura de Segurança doDoente. Devo ficar preocupado? – considerando que na verdade, a percentagem de adesão pode não ser assim tão importante.

Mas mais do que a “taxa de adesão” era importante implementar as medidas sugeridas de promoção da cultura de segurança.
Para além de várias recomendações por dimensão, e com base em toda a informação recolhida, o Grupo de Trabalho identificou como prioritárias as seguintes recomendações a implementar no Centro Hospitalar de Setúbal:
  • Promover os instrumentos institucionais existentes (Normas de Orientação Clínica, Políticas e Procedimentos) que contribuem para a promoção da Segurança do Doente, garantindo a sua divulgação, aplicação, auditoria e revisão regulares;
  • Incentivar a notificação dos incidentes e a sua discussão multidisciplinar nos Serviços/Unidades numa perspectiva positiva de aprendizagem com o erro, identificação de oportunidades de melhoria e implementação de medidas correctivas;
  • Promover a formação interna de todos/as os profissionais, sensibilizando e desenvolvendo competências em segurança do doente, gestão do risco e melhoria da comunicação;
  • Abordar o tema da Segurança do Doente como uma oportunidade de melhoria da equipa multidisciplinar, destacando a importância da comunicação interna e entre Serviços/Unidades;
  • Promover o envolvimento e informação do doente/família.


Este é o caminho que temos vindo a realizar.

Estamos assim no ano (2018) em que deveremos reavaliar a nossa cultura de segurança do doente.
É com expectativa que o faremos, revendo as nossas estratégias de divulgação para conseguirmos aumentar a nossa taxa de participação.

E agora solicito a tua participação:
  • Na tua instituição já procederam à aplicação do estudo?
  • Qual o resultado da taxa de adesão?
  • Que estratégias consideras terem sido mais eficazes para promover a participação dos profissionais?


Partilha connosco as tuas ideias, comentários e sugestões.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

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Fernando Barroso