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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Aumentar a Segurança da Comunicação | PNSD-15-20 | Segurança do Doente 283

Aumentar a Segurança da Comunicação é o 2º objectivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).
Neste artigo partilho contigo sugestões para implementar este objectivo no terreno.
 
O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
 
Sendo a comunicação um pilar fundamental para a segurança do doente, em especial quando existe transferência de responsabilidade da prestação de cuidados de saúde, como é o caso das transições, como as mudanças de turno e as transferência ou altas dos doentes, as instituições prestadoras de cuidados de saúde devem implementar procedimentos normalizados para assegurar uma comunicação precisa e atempada de informações entre os profissionais de saúde, evitando lacunas na comunicação, que podem causar quebras graves na continuidade de cuidados e no tratamento adequado, potenciando, assim, os incidentes com dano para o doente.
 
O texto do PNSD 15-20 continua depois referindo áreas de especial atenção, a saber:
  • “assegurar o diálogo seguro entre sistemas electrónicos de informação e a integração de múltiplos desses sistemas
  • partilha interprofissional, interinstitucional e entre nível de cuidados, do conhecimento na área da qualidade e da segurança dos doentes.
  • difusão de orientações e de normas nacionais de boa prática profissional”.
  • informação disponibilizada aos profissionais de saúde e aos cidadãos (que) permita a comparação entre produtos, técnicas, práticas profissionais, estruturas ou modelos de organização.”
  • “os doentes sejam informados e integrados na equipa que lhes presta cuidados de saúde”.
  • informação e esclarecimento do cidadão, (…), procurando garantir que, para além de receber informação sobre os riscos e benefícios potenciais de cada procedimento diagnóstico ou terapêutico que lhe é dirigido, o doente dê o seu consentimento informado, esclarecido e livre para a sua prestação.”
  • “(…) promover acções locais de sensibilização e de informação ao cidadão, em especial nas áreas da prevenção e controlo da infecção, da resistência aos antibióticos, do uso seguro da medicação e do consentimento informado.”
No PNSD-15-20, para este 2.º objectivo estratégico (Aumentar a Segurança da Comunicação) foram definidas as seguintes Metas para o final de 2020:
 
  1. 90% dos sistemas informáticos dos Serviços de Urgência e dos Serviços de Internamento das instituições hospitalares intercomunicam.
  2. 100% das instituições prestadoras de cuidados de saúde têm plano de contingência de recuperação das aplicações e dados/processo clínico dos doentes em situações extremas (disaster recovery).
  3. 100% das instituições prestadoras de cuidados de saúde têm de garantir disponibilidade dos sistemas de informação superior a 99,9%, para garantir que não ocorram paragens de funcionamento.
  4. 90% dos Agrupamentos de Centros de Saúde têm acesso às notas de alta das entidades hospitalares de referência.
É verdade que estas metas estão relacionadas com sistemas informáticos, mas ao analisar as acções propostas encontramos orientação para, como profissionais de saúde no terreno, contribuir para o aumento da segurança da comunicação com os nossos doentes e colegas de trabalho. As acções propostas às “Instituições prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde e com ele convencionadas” são:
  • Executar acções de sensibilização e de informação ao cidadão
  • Realizar auditorias internas à transferência de informação nas transições, transferências e altas dos doentes.
SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS OU ACÇÕES CONCRETAS QUE PODEMOS IMPLEMENTAR
 
  • Divulgar a norma na Instituição/Serviços.
  • Promover acções de formação institucional em grupos multiprofissionais.
  • Criar um modulo de formação interna replicável pelos diferentes Serviços de forma autónoma.
  • Auditar a aplicação da norma (nota, o documento já contem uma grelha de auditoria pronta a utilizar.

- Promover reuniões estruturadas nos serviços sobre a temática da “Comunicação”.
 
- Promover reuniões periódicas entre as Comissões da Qualidade e Segurança das Instituições da mesma área de influencia (Hospitais e Agrupamentos de Centros de Saúde) para partilha de informação/boas práticas em segurança do doente.

- Difundir técnicas de melhoria da comunicação via telefone, por exemplo o “readback” (ler de volta: leia o que você escreveu ou reler) em que o objectivo é que seja confirmada a informação recebida, após a sua anotação.
 
- Implementar um processo normalizado para os momentos de transição (passagem de turno) que promova uma comunicação clara entre os profissionais (podemos por exemplo utilizar checklists para que não se esqueçam aspectos importantes). (Já publicámos um artigo sobre este tema que podes reler AQUI)
 
- Garantir a existência de procedimentos internos na Instituição que orientem a transferência e alta do doente.
Para esta tarefa não devemos esquecer o Despacho (do Gabinete do Secretário de Estado da Saúde) nº 2784/2013 de 20 de Fevereiro, que determina que “A partir de 1 de julho de 2013, as notas de alta médica e de enfermagem, bem como as notas de transferência das unidades de cuidados intensivos, em formato digital, contemplam obrigatoriamente os dados referidos no número anterior, (…)”.
Os dados referidos no despacho são extensos e não os irei aqui reproduzir pelo que recomendo a sua leitura atenta (podes aceder ao documento AQUI)
 
- Realizar acções de sensibilização e de informação aos doentes, por exemplo, através da distribuição de folhetos informativos ou a passagem de vídeos nas salas de espera com informação sobre as temáticas sugeridas (prevenção e controlo da infecção, da resistência aos antibióticos, uso seguro da medicação e consentimento informado).
 
Estas são as sugestões.
E na tua instituição que acções ou estratégias são implementadas para aumentar a segurança da comunicação?
Partilha connosco as tuas ideias, comentários e sugestões.
Fernando Barroso

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

domingo, 11 de fevereiro de 2018

We Are The Patient Safety Movement | Segurança do Doente 281

We are the Patient Safety Movement Foundation and our mission is to eliminate preventable patient deaths by 2020. Join us on the journey to ZERO by 2020 (0X2020).

Somos a Patient Safety Movement Foundation e nossa missão é eliminar as mortes evitáveis de doentes até 2020. Junte-se a nós na viagem para ZERO até 2020 (0X2020).

sábado, 27 de janeiro de 2018

Relatório Anual Notifica – Uma obrigação do Gestor Local da Instituição-SD280

Caro Gestor Local, já preparou a informação para elaborar o Relatório Anual Notifica?


Esta é uma obrigação do Gestor Local de todas as Instituições de saúde do SNS, que deverá proceder ao preenchimento deste relatório anualmente.

A DGS define o Gestor Local como “o garante da qualidade dos registos que são mantidos no Sistema a nível local e, por agregação, a nível nacional.” (Manual do Gestor Local – DGS)

Para o fazer, o Gestor Local da instituição deve aceder à área reservada no site da DGS (Canto superior direito) e de seguida aceder aos formulários
No inicio da página de preenchimento do formulário pode ler-se a seguinte informação:
"A tipologia de incidente deve respeitar a Norma 017/2012 - Taxonomia para notificação de incidentes de 19/12/2012, pelo que devem ser incluídos neste relatório apenas e só os incidentes de natureza clínica.
O “nº de incidentes notificados” inclui o somatório do nº total de incidentes notificados através do NOTIFICA, referentes à Instituição e o nº total de incidentes notificados através do sistema de notificação local da Instituição (caso este exista).”

O formulário apresenta de seguida as tipologias de incidente, de acordo com a norma 017/2012, um campo para indicação do numero de incidentes (no notifica + sistema interno) e um campo para indicação das Ações de Melhoria/Plano de Ação/Medidas Corretivas implementadas por Tipologia de incidente s notificados. (Ver imagem abaixo).
No final do formulário existe ainda um espaço onde é possível inscrever “Sugestões de Áreas que careçam de orientação técnica ou formação por parte da Direção-Geral da Saúde”


O formulário referente a 2017 deve ser preenchido pelo Gestor Local até ao dia 31 de Janeiro de 2018.

Na tua instituição, sabes quem é o Gestor Local nomeado?


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso

domingo, 14 de janeiro de 2018

Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno | SD279


Aumentar a Cultura de Segurança do Ambiente Interno é o 1º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Na parte final deste artigo encontras quais as estratégias que desenvolvemos para promover a participação dos profissionais do CHS.

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

O PNSD-15-20 refere que “A melhoria da cultura de segurança do ambiente interno das instituições prestadoras de cuidados de saúde é um imperativo e uma prioridade consignada na Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde.”

Para alcançar esta melhoria, é adotada a recomendação da Organização Mundial de Saúde do Conselho da União Europeia para que os Estados-Membros procedam à avaliação da perceção dos profissionais de saúde sobre a cultura de segurança da instituição onde trabalham, como condição essencial para a introdução de mudanças nos seus comportamentos e para o alcance de melhores níveis de segurança e de qualidade nos cuidados que prestam aos doentes.

“A cultura de segurança de uma instituição prestadora de cuidados de saúde é, segundo a Organização Mundial da Saúde, para além de um estilo e de uma competência de gestão, um produto de valores individuais e de grupo, de atitudes, de perceções e de padrões de comportamento, que determinam o compromisso dessa instituição para com a segurança dos doentes.”

Ou seja, a segurança do Doente de uma instituição resulta do conjunto da “cultura individual de segurança do doente” de cada um dos seus profissionais, desde o profissional de “1ª linha”, aos profissionais dos serviços de apoio e á gestão do topo da instituição. Assim, cada instituição possui a sua própria cultura de segurança.

Podemos argumentar que essa cultura de segurança é mais ou menos propicia à promoção de cuidados seguros para o doente. O que não podemos afirmar é que “não existe” uma cultura de segurança.

O PNSD-15-20 determina que “A avaliação da cultura de segurança dos doentes, em Portugal, irá decorrer anualmente, de forma alternada, nos hospitais e nos agrupamentos de centros de saúde. Em 2018 esta avaliação vai ocorrer nos hospitais.

Esta avaliação é realizada com base na aplicação do Hospital Survey on Patient Safety Culture da Agency for Healthcare Research and Quality dos Estados Unidos da América, traduzido e adaptado ao contexto português.
Trata‐se de um questionário autopreenchido, com uma distribuição multidimensional (12 dimensões), composto por 42 itens, incluindo, ainda, duas variáveis de item único: Grau de Segurança do Doente e Número de Eventos Notificados nos últimos 12 meses.

As dimensões avaliadas são:
1. Trabalho em equipa
2. Expectativas do supervisor/gestor e acções que promovam a segurança do doente
3. Apoio à segurança do doente pela gestão
4. Aprendizagem organizacional - melhoria contínua
5. Percepções gerais sobre a segurança do doente
6. Feedback e comunicação acerca do erro
7. Abertura na comunicação
8. Frequência da notificação de eventos
9. Trabalho entre as unidades
10. Dotação de Profissionais
11. Transições
12. Resposta ao erro não punitiva.

No PNSD-15-20, é enfatizada a necessidade duma ampla adesão dos profissionais das instituições de saúde a esta metodologia.

É solicitado de forma directa às direcções clínicas, aos conselhos clínicos e de saúde e às comissões da qualidade e segurança, que promovam a adesão dos seus profissionais à avaliação da cultura de segurança dos doentes. Em 2014 (últimos dados disponíveis), a taxa de adesão nacional foi de 18,3%.

À DGS foi atribuída a competência de definir os valores-padrão das taxas de adesão das instituições à avaliação da cultura de segurança dos doentes e dos valores-padrão nacionais para as várias dimensões.
À Administração Central do Sistema de Saúde compete incluir os valores-padrão nas metas dos contratos programa das instituições prestadoras de cuidados de saúde.

No PNSD-15-20 foram definidas as seguintes Metas para o final de 2020:

1). Atingir uma taxa de adesão nacional à avaliação da cultura de segurança ≥ 90%.
2). Atingir uma média nacional ponderada de todas as dimensões do questionário da avaliação da cultura de segurança do doente ≥ 50%.


QUAL A EXPERIÊNCIA DO CENTRO HOSPITALAR DE SETÚBAL, E.P.E.

No Centro Hospitalar de Setúbal E.P.E. realizámos um primeiro estudo em 2013, tendo os dados obtidos sido aceites pela DGS, após validação da metodologia utilizada. Nesse estudo, obtivemos uma taxa de adesão por parte dos profissionais de 30,45%.
A estratégia de divulgação interna envolveu vários componentes:
  • Divulgação inicial do estudo do através da Circular Interna do CHS, na qual era divulgado o link de acesso para resposta ao questionário;
  • A informação foi também divulgada através de uma mensagem interna dirigida a todos os Profissionais do CHS com correio electrónico institucional;

Como estratégias de divulgação/promoção adicionais:
  • Foi solicitado às hierarquias dos Serviços do CHS colaboração na divulgação do estudo e apoio no acesso a um computador para os profissionais que não utilizam este equipamento regularmente no desempenho das suas funções;
  • Para maximizar a taxa de respostas, relembrar e incentivar à participação no estudo, foram enviados a cada semana lembretes (por correio eletrónico e mensagem na intranet do CHS);
  • O grupo de trabalho esteve sempre disponível para apoiar todos os profissionais/serviços no preenchimento do questionário;
  • O questionário esteve disponível para preenchimento durante o mês de outubro de 2013 nos dois hospitais que constituem o CHS.

A recolha e análise dos questionários foi feita pelo grupo de trabalho, através de um link para um formulário on-line, o qual garante a confidencialidade e o anonimato de todas as respostas.

OS RESULTADOS POR DIMENSÃO FORAM OS SEGUINTES:
Dimensão 1 Trabalho em Equipa (68%);
Dimensão 2 Expetativas do supervisor/gestor e ações que promovem a Segurança do Doente (62%);
Dimensão 3 Apoio à Segurança do Doente pela gestão (45%);
Dimensão 4 Aprendizagem Organizacional – melhoria contínua (70%).
Dimensão 5 Perceções gerais sobre a Segurança do Doente (57%);
 Dimensão 6 Comunicação e feedback acerca do erro (59%).
Dimensão 7 Abertura na Comunicação (55%);
Dimensão 8 Frequência da notificação (48%);
Dimensão 9 Trabalho entre unidades (46%);
Dimensão 10 Dotação de profissionais (39%);
Dimensão 11 Transições (50%);
Dimensão 12 Resposta ao erro não punitiva (34%);

De salientar que os resultados obtidos estavam perfeitamente “em linha” com os resultados de outros estudos (nacionais e internacionais) conhecidos.

Sobre a questão do nível de adesão, já em 21 de Janeiro de 2017 publiquei um artigo (que vos convido a ler ou a reler) com a minha análise - SD240- Baixa Participação dos Profissionais na Avaliação da Cultura de Segurança doDoente. Devo ficar preocupado? – considerando que na verdade, a percentagem de adesão pode não ser assim tão importante.

Mas mais do que a “taxa de adesão” era importante implementar as medidas sugeridas de promoção da cultura de segurança.
Para além de várias recomendações por dimensão, e com base em toda a informação recolhida, o Grupo de Trabalho identificou como prioritárias as seguintes recomendações a implementar no Centro Hospitalar de Setúbal:
  • Promover os instrumentos institucionais existentes (Normas de Orientação Clínica, Políticas e Procedimentos) que contribuem para a promoção da Segurança do Doente, garantindo a sua divulgação, aplicação, auditoria e revisão regulares;
  • Incentivar a notificação dos incidentes e a sua discussão multidisciplinar nos Serviços/Unidades numa perspectiva positiva de aprendizagem com o erro, identificação de oportunidades de melhoria e implementação de medidas correctivas;
  • Promover a formação interna de todos/as os profissionais, sensibilizando e desenvolvendo competências em segurança do doente, gestão do risco e melhoria da comunicação;
  • Abordar o tema da Segurança do Doente como uma oportunidade de melhoria da equipa multidisciplinar, destacando a importância da comunicação interna e entre Serviços/Unidades;
  • Promover o envolvimento e informação do doente/família.


Este é o caminho que temos vindo a realizar.

Estamos assim no ano (2018) em que deveremos reavaliar a nossa cultura de segurança do doente.
É com expectativa que o faremos, revendo as nossas estratégias de divulgação para conseguirmos aumentar a nossa taxa de participação.

E agora solicito a tua participação:
  • Na tua instituição já procederam à aplicação do estudo?
  • Qual o resultado da taxa de adesão?
  • Que estratégias consideras terem sido mais eficazes para promover a participação dos profissionais?


Partilha connosco as tuas ideias, comentários e sugestões.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O PNSD-15-20 e a sua importância para a Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde | SD278

Com o Despacho nº 1400-A/2015 o Governo Português vincula as Administrações das Instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Importa tomar consciência de que a concretização do PNSD-15-20 não está apenas à responsabilidade das Administrações ou das Comissões de Qualidade e Segurança do Doente (CQSD) das Instituições, mas sim atribuída a TODOS os actores dentro da Instituição. Senão veja-se.

Logo na sua introdução pode ler-se:
"O Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 visa, principalmente, apoiar os gestores e os clínicos do Serviço Nacional de Saúde na aplicação de métodos e na procura de objectivos e metas que melhorem a gestão dos riscos associados à prestação de cuidados de saúde …)."

Mais à frente lê-se que “O presente Plano,(…), obriga ao envolvimento das responsabilidades de governação, de coordenação e da prática operacional da prestação de cuidados (…)."

Ou seja, somos todos responsáveisE quando digo todos incluo também os doentes - utilizadores dos serviços- e todos os profissionais, peças indispensáveis ao seu funcionamento, mas também beneficiários do serviço quando nos encontramos na condição de doente/utilizador.

O PNSD-15-20 vincula-nos a todos à “aplicação de métodos” e à “procura de objectivos e metas”.

Ora o PNSD-15-20 é generoso ao apresentar e sugerir os métodos e acções que devemos desenvolver para alcançar as metas propostas, também elas explícitas e facilmente mensuráveis. Já quanto à capacidade que teremos de as alcançar já muito haverá a discutir (mas fica para um próximo artigo).

Também é importante clarificar que este PNSD-15-20  faz parte integrante da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015-2010 (ENQS-15-20).

Na ENQS-15-20 pode ler-se que “(…) a nova versão da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015 -2020 pretende contribuir para o reforço da equidade como dimensão essencial do Serviço Nacional de Saúde, entendida como a garantia de que o acesso à prestação de cuidados de saúde se realiza em condições adequadas às necessidades, impondo o desafio, aos serviços prestadores de cuidados, de incorporarem, num quadro de melhoria contínua da qualidade e da segurança, as acções de promoção da saúde e de prevenção das doenças, da mesma forma que incorporam os cuidados curativos, de reabilitação e de paliação.”

“A Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015 -2020 mantém e reforça os destinatários da Estratégia 2009 -2014. Redefine as suas prioridades estratégicas e as acções que destas decorrem, através do reforço acentuado da melhoria da segurança dos cuidados de saúde, com a criação de um Plano Nacional para a Segurança dos Doentes, que dela faz parte integrante.”
“A prioridade dada pela presente Estratégia à segurança dos doentes inscreve -se no quadro de uma política pública de luta contra os incidentes de segurança associados à prestação de cuidados de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, respeitando a Recomendação do Conselho da União Europeia, de 9 de junho de 2009.”

Fica assim claro o peso cada vez maior da Segurança do Doente enquanto estratégia abrangente a perseguir para alcançar um cuidado de qualidade em saúde, definida nesta estratégia como “a prestação de cuidados acessíveis e equitativos, com um nível profissional óptimo, que tem em conta os recursos disponíveis e consegue a adesão e satisfação do cidadão, pressupõe a adequação dos cuidados às necessidades e expectativas do cidadão.”

A ENQS-15-20 adopta as seguintes prioridades estratégicas de actuação:
a) Enfoque nas intervenções locais, nos serviços, unidades prestadores e instituições;
b) Melhoria da qualidade clínica e organizacional;
c) Aumento da adesão a normas de orientação clínica;
d) Reforço da segurança dos doentes;
e) Reforço da investigação clínica;
f) Monitorização permanente da qualidade e segurança;
g) Divulgação de dados comparáveis de desempenho;
h) Reconhecimento da qualidade das unidades de saúde;
i) Informação transparente ao cidadão e aumento da sua capacitação.

Parece inequívoca a nossa obrigação (enquanto profissionais de saúde) em orientar os cuidados, a sua gestão e organização aos princípios definidos na ENQS-15-20 e ao PNSD-15-20.

Permite-me colocar algumas questões:
  • Na tua instituição este compromisso é visível?
  • Tens conhecimento de iniciativas desenvolvidas na tua instituição que possas associar à ENQS-15-20 e ao PNSD-15-20?
  • O que podes tu fazer para contribuir para a implementação das medidas previstas na ENQS-15-20 e ao PNSD-15-20?


Na Instituição onde trabalho a CQSD têm em marcha desde 2016 um plano interno com o objectivo de dar resposta efectiva ao solicitado.
Foram constituídos grupos de trabalho, cada um responsável por um objectivo especifico do PNSD-15-20.

Alem desta estratégia, a verdade é que como Instituição Acreditada pelo CHKS, muitas das metodologias e ferramentas necessárias para alcançar as metas definidas no PNSD-15-20 estão já em marcha e fazem parte da nossa forma de funcionar.

Estamos todos (no CHS) empenhados em conseguir o melhor resultado possível para cada um dos objectivos estabelecidos.


No próximo artigo vamos dar seguimento à proposta que vos fiz a 01/01/2018. Vamos analisar e discutir o primeiro objectivo estratégico do PNSD-15-20 - Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno - e partilhar as estratégias utilizadas para o conseguir.


Conto com a tua colaboração nos comentários abaixo e com a partilha destes artigos pelas tuas redes sociais.


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Proposta de trabalho| PLANO NACIONAL PARA A SEGURANÇA DOS DOENTES 2015-2020 | SD277


A importância da Segurança do Doente é inegável. Está por todo o lado. É “abertura de jornais”, é uma preocupação quando o Presidente é operado (esperemos que não “apanhe” nenhuma infecção) ou usada como arma de arremesso quando se pretendem esgrimir argumentos face ao aumento do numero de doentes em espera nas urgências.
Mas todos podemos, e devemos fazer a nossa parte.
Neste início de ano propus aos subscritores da Newsletter do blog um “desafio ainda maior de partilha e de crescimento”.
Este plano foi publicado no Diário da República de 10 de Fevereiro de 2015 e têm já praticamente 3 anos de implementação. Faltam, pois, mais 3 anos até ao fim do seu prazo de concretização plena.
Na maioria das Instituições todos nós desenvolvemos diferentes estratégias para cumprir com os objectivos estratégicos propostos no PNSD-15/20:
1. Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno.
2. Aumentar a segurança da comunicação.
3. Aumentar a segurança cirúrgica.
4. Aumentar a segurança na utilização da medicação.
5. Assegurar a identificação inequívoca dos doentes.
6. Prevenir a ocorrência de quedas.
7. Prevenir a ocorrência de úlceras de pressão.
8. Assegurar a prática sistemática de notificação, análise e prevenção
de incidentes.
9. Prevenir e controlar as infeções e as resistências aos antimicrobianos.
Aquilo a que me propus foi a analisar a cada mês um dos objectivos estratégicos, desconstruir os seus conceitos base, as dificuldades, os desafios e as oportunidades da sua implementação.

O grande objectivo é partilhar aqui no blog as estratégias para alcançar o que o PNSD-15/20 nos propõe.
A cada mês irei apresentar aqui no blog essa discussão através da publicação de diferentes artigos ao ritmo de um objectivo estratégico por mês.
Acredito que será muito útil se todos os leitores do blog aceitarem discutir, de forma alargada, sem barreiras ou constrangimentos, as diferentes “formas de fazer”, partilhando as boas práticas que muitos vão implementando nos nossos Serviços e Instituições.

A ti, como leitor do blog, peço para esta ideia a tua especial atenção e se possível o teu apoio e compromisso.
Tenho a certeza que juntos vamos conseguir tornar mais fácil os desafios que o PNSD-15/20 nos coloca a todos.

Espero poder contar contigo.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso


FELIZ 2018 PARA TODOS

Para todos os leitores e Amigos do Blog "Segurança do Doente"
os meus desejos de um 2018 repleto de sucessos, com muita saúde e Segurança do Doente.

Obrigado pelo vosso apoio.
Fernando Barroso

sábado, 9 de dezembro de 2017

Quais os 10 Principais Riscos relacionados com a Tecnologia na Saúde para 2018 | SD275

À medida que a tecnologia se torna mais avançada, também surgem mais perigos e riscos potenciais.

É com base nesta premissa que o Emergency Care Research Institute – ECRI revelou os 10 Principais Riscos relacionados com a Tecnologia na Saúde para 2018.

Para criar esta lista anual, a equipa de especialistas da ECRI sugere tópicos para consideração. De seguida um painel de peritos, estratifica-os com base nos seguintes critérios:
  • Gravidade. Qual a probabilidade de o perigo causar ferimentos graves ou a morte?
  • Frequência. Quão provável é o perigo? Isso ocorre com frequência?
  • Abrangência. Se o risco ocorrer, as suas consequências podem afetar um grande número de pessoas, dentro de uma instituição ou em várias instituições?
  • Insidiosa. O problema é difícil de reconhecer? O problema poderia levar a uma cascata de erros a jusante antes de ser identificado ou corrigido?
  • Perfil. O perigo é suscetível de receber publicidade significativa? Foi relatado nos média, e um hospital afetado provavelmente receberá atenção negativa? O risco tornou-se um foco de órgãos reguladores ou agências de acreditação?
  • Prevenção. Podem ser tomadas ações agora para evitar o problema ou pelo menos minimizar os riscos? O aumento da consciencialização sobre o risco ajudará a reduzir futuras ocorrências?
Todos os tópicos seleccionados para a lista são, até certo ponto, evitáveis.

No topo da lista para 2018 está o pedido de “resgate” (ransomware) e outras ameaças à segurança on-line.

"Num ambiente de saúde, um ciberataque pode afetar significativamente a prestação de cuidados de saúde, tornando inutilizáveis os sistemas informáticos, impedindo o acesso aos registros de dados do doente e afetando a funcionalidade de dispositivos médicos em rede", observa o relatório da ECRI.

Os problemas de segurança informática podem prejudicar o fornecimento de consumíveis, causar o cancelamento de procedimentos, expor informações privadas e colocar a segurança dos doentes em risco.

E apesar dos esforços contínuos, o tema continua a ser problemático. A 15-05-2017 a ACSS emitia um comunicado que começava assim: “Como é do conhecimento geral, está a decorrer um ciberataque sem precedentes na história. A apreciação dos factos disponíveis leva à necessidade de medidas cautelares adicionais.”

Os outros nove perigos na lista incluem:

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

INFEÇÕES URINÁRIAS RELACIONADAS COM CATETER VESICAL | Desafios à implementação da norma da DGS | SD274

INFEÇÕES URINÁRIAS RELACIONADAS COM CATETER VESICAL
Desafios à implementação da norma da DGS

Resumo da apresentação nas II Jornadas da Qualidade e Segurança do Doente, decorridas no IPO de Coimbra, a 10 de novembro de 2017.
Autor: Filipe Santos | Enfermeiro – GCL-PPCIRA |Pós-graduado em Gestão de Unidades de Cuidados | Mestrando em Enfermagem

As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) têm uma taxa de prevalência de 10,5%, quase o dobro da verificada na União Europeia (UE). A taxa de incidência verificada na UE é de 6,1%. As infeções custam a cada cidadão da UE cerca de 3000€/ano.

As principais localizações das IACS, consoante a bibliografia pesquisada, são as vias respiratórias e as vias urinárias.

Os microrganismos mais frequentemente isolados são Staphylococcus áureos resistentes à meticilina (nas vias respiratórias) e Escherichia coli, Staphylococcus saprophyticus, Proteus sp., Klebesiella sp. e Enterococcus faecalis (nas vias urinárias).

A problemática das IACS é silenciosa e desvalorizada. Para se ter uma ideia, em Portugal, por ano, morre-se 7,2 vezes mais de IACS do que de acidentes de viação. Contas feitas, morrem diariamente 12,6 doentes devido a IACS.

A resistência aos antimicrobianos tem sido uma preocupação crescente. Acredita-se que se não forem encontrados novos antibióticos podem morrer anualmente 390000 pessoas em 2050 só na UE. Estimativas apontam para que 10000000 de pessoas em todo o mundo possam morrer devido à resistência aos antimicrobianos em 2050.

A prescrição de antibióticos perante bacteriúria assintomática não deve acontecer. Se a bacteriúria for sintomática deve ser tratada com antibiótico de baixo espectro, baseado no cultura da urina e no perfil de sensibilidade.

As infeções urinárias (IU) são das mais frequentes e aumentam em 2,4 dias o internamento de doentes cirúrgicos. 17% das bacteriemias nosocomiais são de fonte urinária e têm uma mortalidade associada de 10%. No entanto, as IU têm baixa morbilidade comparativamente a outra IACS.

De todas as IU, entre 70% a 80% são devidas à presença de cateter vesical (CV).

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Antibióticos: Use-os com cuidado! - Dia Europeu e Semana Mundial dos Antibióticos 2017 | SD273

Antibióticos: Use-os com cuidado!
Dia Europeu e Semana Mundial dos Antibióticos 2017
Artigo de Autores Convidados
Felisbela Barroso e Verónica Florêncio
O Dia Europeu dos Antibióticos consiste numa iniciativa do ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control), a agência da União Europeia para a área da Saúde. A Semana Mundial dos Antibióticos é uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde.
  • As infecções causadas por bactérias resistentes provocam 700.000 mortes anuais no mundo inteiro.
  • Novas estirpes resistentes, em particular bactérias Gram negativas, têm-se tornado emergentes.
  • Estas infeções causam um acréscimo de 10.000 a 40.000€ por doente.
  • Entre 30 a 50% dos antibióticos são incorretamente prescritos.
  • Se nada for feito, estima-se que em 2050 morram 10 milhões de pessoas em todo o mundo por infecções causadas por bactérias resistentes.


A RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS É UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA CADA VEZ MAIS GRAVE

  • Evolução preocupante dos Gram negativo resistentes, em particular das Klebsiellas  resistentes aos Carbapenemos.
  • Portugal continua na linha da frente no MRSA, VRE e Acinetobacter resistente aos carbapanemos, embora em melhoria.
Fonte: EARS-Net, 2016

COMO PROMOVER O USO RACIONAL DE ANTIBIÓTICOS?

  • Não use antibióticos em colonizações bacterianas ou infecções virais.
  • Não peça uroculturas por rotina sem que exista suspeita clínica de infecção urinária. Muitos utentes estão colonizados com bactérias e não requerem terapêutica.
  • Não prescreva antibióticos para bacteriúrias assintomáticas (exceto situações específicas).
  • Evite prescrever empiricamente carbapenemos, quinolonas e cefalosporinas de 3ª geração, as quais estão associadas à emergência de Gram negativos produtores de ESBL ou resistentes aos carbapenemos, além de MRSA e Clostridium difficile.
  • A maioria das infeções trata-se com uma duração máxima de 7 dias de terapêutica.
O ECDC propõe a utilização do seguinte instrumento para os médicos prescritores:


O ECDC lançou ainda uma campanha nas redes sociais chamada: #keepAntibioticWorking. #KeepAntibioticsWorking.

Para aceder a mais conteúdos: https://antibiotic.ecdc.europa.eu/en #KeepAntibioticsWorking.#KeepAntibioticsWorking.

Autoras:
Felisbela Barroso e 
Verónica Florêncio
Enfermeiras no Grupo Coordenador Local de Controlo de Infecção e Prevenção de Resistências aos Antimicrobianos do Centro Hospitalar de Setúbal

O Blog "Segurança do Doente" agradece a partilha à autoras deste artigo.
Dia Europeu e Semana Mundial dos Antibióticos 2017
UM DIA, SERÁS TU O DOENTE!

domingo, 12 de novembro de 2017

Quando As Bactérias Multirresistentes Têm Alta – SD272

Artigo de Autores Convidados
Felisbela Barroso e 
Verónica Florêncio

Os Microrganismos Multirresistentes (MoMR) constituem uma ameaça à saúde pública, com fortes implicações económico-sociais.
O Grupo Coordenador Local de Controlo de Infeção e Prevenção de Resistências aos Antimicrobianos (GCLCIPRA) do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) implementou um conjunto de medidas de prevenção e controlo de infecção de MoMR:
  • Elaboração de um procedimento para controlo de MoMR, com base na Norma DGS nº 018/2014 actualizada a 27/04/2015 - Prevenção e Controlo de Colonização e Infeção por Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina (MRSA) nos hospitais e unidades de internamento de cuidados continuados integrados (Disponível em https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0182014-de-09122014.aspx)
  • Formação aos profissionais;
  • Rastreio de MRSA na admissão hospitalar;
  • Higiene pré-operatória com clorohexidina;
  • Notificação activa dos MoMR aos serviços;
  • Análise e divulgação semestral dos resultados;
  • Emissão de alertas e boletins informativos;
  • Criação de ficha de notificação para o exterior.

Os MoMR mais identificados no CHS nos anos 2016/2017 foram o Staphylococcus aureus meticilino-resistente (MRSA) e as Enterobacteriáceas produtoras de Betalactamases de Espectro Alargado (ESBL).
Na actualidade assiste-se a um aumento crescente de pessoas portadoras de MoMR com alta hospitalar, situação que levou o GCLCIPRA a desenvolver uma estratégia de melhoria da comunicação com as unidades de saúde da comunidade:
  • Envio da ficha de notificação; 
  • Folheto informativo
  • Contacto via email e/ou telefónico;
  • Apoio presencial aos profissionais/cuidadores.

Apurou-se no período 2016/2017 48 notificações para o exterior, 70% exsudados nasais MRSA, 16% exsudado de feridas MRSA, e 8% exsudado de feridas Enterobacteriáceas produtoras de ESBL. A sua maioria foi dirigida a lares – 33%, seguido das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP)/ Unidades de Saúde Familiar (USF) – 27%, e das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) - 8%, tal como consta no gráfico abaixo apresentado.

Este trabalho tem sido muito valorizado pelos profissionais e cuidadores da comunidade, que vêm nesta parceria uma oportunidade de aumentar conhecimentos, e melhorar as práticas da equipa, evitando a transmissão cruzada de MoMR.
A adopção de uma abordagem sistémica e integrada entre as diversas instituições de saúde, assente numa comunicação bidireccional, permite assegurar a continuidade e qualidade dos cuidados, aumentando a segurança dos doentes e dos profissionais.

Propostas para o futuro:

  • Notificação para o exterior em suporte informático;
  • Acesso/Registo Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados;
  • Workshops dirigidos às direções técnicas das Unidades de Saúde da Comunidade;
  • Reuniões periódicas GCLCIPRA e os Elementos Dinamizadores de Controlo de Infecção das UCSP/USF/UCC.

Segundo a DGS (2016) mais de 1/3 das infecções podem ser evitadas. Importa garantir condições de funcionamento nos serviços, adequação dos processos, boas práticas dos profissionais.

Autoras:
Felisbela Barroso e 
Verónica Florêncio
Enfermeiras no Grupo Coordenador Local de Controlo de Infecção e Prevenção de Resistências aos Antimicrobianos do Centro Hospitalar de Setúbal

O Blog "Segurança do Doente" agradece a partilha à autoras deste artigo.

UM DIA, SERÁS TU O DOENTE!