Porque é importante saber mais...
sexta-feira, 24 de abril de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
Feridas - Respondendo a uma questão sobre feridas
Uma Colega contactou connosco colocando a seguinte questão:
Bom dia
Sou enfermeira no Centro Hospitalar (...) e
pretendia saber se existe alguma informação recente relativamente à
utilização da técnica assética cirúrgica, no que diz respeito à execução
de pensos nas feridas crónicas e cirúrgicas .
Obrigada (Assinatura)
Como resposta enviamos o seguinte texto (que aqui partilho pois pode ser útil para outros profissionais)
Olá Colega,
Sugiro a consulta dos
seguintes links:
Livro (recente e
grátis) sobre feridas e o seu tratamento: http://risco-clinico.blogspot.pt/2014/12/livro-gratis-prevencao-e-tratamento-de.html
Se tiver dificuldade
em fazer o download do livro tem aqui instruções detalhadas: http://risco-clinico.blogspot.pt/2015/02/como-guardar-o-pdf-do-livro-prevencao-e.html
Guidelines
Internacionais Úlceras de Pressão - Guia de referência rápida – Prevenção -
Link: http://gaif.net/sites/default/files/Guideline_Prevencao_da_UPressao_PT.pdf
e a versão + recente
(em inglês) no link: http://www.npuap.org/wp-content/uploads/2014/08/Updated-10-16-14-Quick-Reference-Guide-DIGITAL-NPUAP-EPUAP-PPPIA-16Oct2014.pdf
Não deixe de consultar
(sempre) o site da EPUAP - European Pressure
Ulcer Advisory Panel no link: http://www.epuap.org/ é
aqui que está a informação fresquinha...
Gostava de a convidar
a participar num "Curso de actualização em gestão de feridas" que
realizamos anualmente aqui em Setúbal no CHS (ainda não sei a data deste ano),
dado por uma Colega - Diana Sousa - com Mestrado na área e sempre muito
concorrido.
Se estiver interessada avise.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
E foi assim.
E tu, que informação recente sobre esta temática podes partilhar connosco?
Deixa o teu comentário e ajuda-nos a partilhar esta informação.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
10 Perigos evitáveis relacionados com Dispositivos Médicos
Eles podem ser o resultado de problemas relacionados a tecnologia de informação, tais como sistemas incorrectamente configurados, dados incompletos, ou inadequada protecção contra malware (vírus informáticos).
Os perigos podem ainda ser causados por uma inapropriada interacção homem-dispositivo, tais como técnicas incorrectas de reprocessamento, inapropriada manutenção do dispositivo e uma má gestão de um processo de recolha voluntária de dispositivos.
Podem também ocorrer problemas que são intrínsecos aos próprios dispositivos: Questões
relacionadas com a facilidade de utilização, falhas de design do projecto, questões de qualidade e ainda a insuficiência do
dispositivo em desempenhar uma tarefa como deveriam. Todas estas questões podem
contribuir para eventos relacionados com os dispositivos.
É
de vital importância reconhecer esses perigos e resolvê-los antes que causem
problemas.
Mas
a grande questão é: por onde começar?
É
aí que entra a lista dos 10 Perigos evitáveis
relacionados com Dispositivos Médicos (2015), elaborada pelo ECRI Institute
segunda-feira, 6 de abril de 2015
“Incidente” Clínico no H.S. João resulta em indeminização de 222 mil euros a Doente
Numa notícia do “Jornal de Noticias” de 03 de Abril de 2015,
vem descrito um “incidente”, ocorrido no ano 2000, que resultou em dado grave e permanente a um doente.
Durante uma cirurgia, a médica que operava o doente “não
procedeu à referenciação ou isolamento do nervo cubital, o qual foi seccionado no
decurso da intervenção”.
Com a leitura da notícia ficamos também a saber que “o
tribunal deu como provado que o ortopedista mais graduado da equipa que operou
o doente “não orientou” a médica, que ainda estava em formação, “no sentido de
proceder à referenciação ou isolamento do nervo cubital do doente”.
Certamente muita informação ficou por escrever nesta curta notícia (que pode ler na integra aqui),
mas uma coisa é certa - Ocorreu um incidente grave (um evento adverso) do qual
resultou um dano permanente para um jovem (na altura com 28 anos), que o vai
impedir de ter uma vida normal para o resto da sua vida.
E que lições podemos
retirar deste incidente?
A notícia uma vez mais não esclarece. Mas podemos fazer aqui o exercício académico de tentar sugerir
um caminho para obter essa tão necessária aprendizagem para que incidentes
futuros semelhantes não se repitam. Assim, sugerimos:
- Revelação (disclosure) dos contornos do incidente ao doente/família.
- Explicar o que aconteceu, como, qual a sequência de eventos e factores contribuintes deste incidente.
- O que será feito para “reparar/compensar o doente” pelo dano
- Que medidas estão a ser implementadas para que o mesmo incidente não se repita.
- Revisão das práticas de formação utilizadas.
E se um dia um doente infectado num hospital coloca um processo a um hospital e ganha?
Já não falta muito...
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
Post de Convidado - Relação entre conhecimentos, habilidades, atitudes e notificação de incidentes/eventos adversos
Ex.mo(a) Profissional de Saúde
A
segurança do doente e a gestão do risco clínico tornou-se uma parte importante
da gestão hospitalar. A redução da probabilidade de risco nos hospitais é de
vital importância para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde.
Com
este trabalho pretende-se conhecer a relação entre o conhecimento, competências
e atitudes, dos profissionais de saúde, relativamente à segurança do doente, e
a notificação de incidentes/eventos adversos.
Deste
modo, com vista à recolha de informação pertinente para o êxito do referido
trabalho, foi elaborado o questionário que se segue.
Apela-se
à sua compreensão e colaboração no preenchimento.
Para
garantir a fiabilidade dos resultados solicita-se que leia atentamente os
enunciados colocados. É importante que responda a todas as questões formuladas,
tendo em conta que toda a informação obtida é estritamente confidencial.
Não
há respostas certas ou erradas, apenas pretende-se conhecer a sua opinião.
Os
questionários são anónimos e os dados recolhidos serão utilizados unicamente
para a finalidade indicada.
Agradece-se
desde já a sua colaboração,
Nélia
Faria e Luís Mendes
Para responder ao formulário Relação entre
conhecimentos, habilidades, atitudes e notificação de incidentes/eventos
adversos. vá a:
Fim do Período de recolha de dados a 27/05/2015, por indicação da Autora do estudo.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
NHS publica uma lista atualizada de “Eventos Nunca” (Never Events) 2015-2016
Os “Eventos Inadmissíveis” ou “Eventos Nunca” são incidentes graves que são totalmente evitáveis uma vez que existem orientações ou recomendações de segurança que fornecem fortes barreiras protetoras, disponíveis a nível nacional e que devem ter sido implementadas por todos os prestadores de cuidados de saúde.
Cada tipo de “Evento Inadmissível” tem o potencial de causar dano grave ou morte ao doente. No entanto, não é obrigatória a ocorrência de dano grave ou morte como resultado de um incidente específico para que esse incidente seja classificado como um “Evento Inadmissível”.
A lista de
eventos inadmissíveis (never events) apresenta os seguintes 14 eventos:
CIRURGIA
A informação original e informação adicional (e muito útil) pode ser consultada aqui: http://www.england.nhs.uk/ourwork/patientsafety/never-events/
1. Cirurgia no local errado.
2. Colocação de implante/prótese errado.
3. Retenção de objeto estranho pós-procedimento.
MEDICAÇÃO
4. Seleção errada de uma solução concentrada de potássio.
5. Administração de medicamentos através da via de administração errada.
6. Overdose de insulina devido a abreviaturas ou dispositivo incorreto.
7. Overdose de metotrexato para o tratamento não relacionado com o cancro.
8. Seleção errada de midazolam com alta concentração durante uma sedação consciente.
SAÚDE MENTAL
9. A não instalação de calhas e/ou cortinados “colapsáveis” funcionais nos chuveiros.
GERAL
10. Quedas de janelas sem sistemas de restrição.
11. Doente com o tórax ou pescoço “entalado” nas grades da cama/maca.
12. A transfusão ou transplante de componentes sanguíneos ABO-incompatíveis ou órgãos.
13. Colocação errada de tubos naso- ou oro- gástricos.
14. Queimadura de Doentes (com água quente na instituição de Saúde).
2. Colocação de implante/prótese errado.
3. Retenção de objeto estranho pós-procedimento.
MEDICAÇÃO
4. Seleção errada de uma solução concentrada de potássio.
5. Administração de medicamentos através da via de administração errada.
6. Overdose de insulina devido a abreviaturas ou dispositivo incorreto.
7. Overdose de metotrexato para o tratamento não relacionado com o cancro.
8. Seleção errada de midazolam com alta concentração durante uma sedação consciente.
SAÚDE MENTAL
9. A não instalação de calhas e/ou cortinados “colapsáveis” funcionais nos chuveiros.
GERAL
10. Quedas de janelas sem sistemas de restrição.
11. Doente com o tórax ou pescoço “entalado” nas grades da cama/maca.
12. A transfusão ou transplante de componentes sanguíneos ABO-incompatíveis ou órgãos.
13. Colocação errada de tubos naso- ou oro- gástricos.
14. Queimadura de Doentes (com água quente na instituição de Saúde).
A informação original e informação adicional (e muito útil) pode ser consultada aqui: http://www.england.nhs.uk/ourwork/patientsafety/never-events/
NGS publishes an updated list of Never Events 2015-2016
(Author of the text: NHS)
A revised Never Events Policy and Framework was published on 27 March 2015, this includes changes to
the definition of what a Never Event is and adjustments to the types of
incident that are included on the Never Events list, reducing the list from 25
to 14 incident types.
Never Events are serious incidents that are wholly
preventable as guidance or safety recommendations that provide strong systemic
protective barriers are available at a national level and should have been
implemented by all healthcare providers.
Each Never Event type has the potential to cause
serious patient harm or death. However, serious harm or death is not required
to have happened as a result of a specific incident occurrence for that
incident to be categorised as a Never Event.
The never events list 2015/16
SURGICAL
1.
Wrong site surgery
2.
Wrong implant/prosthesis
3.
Retained foreign object post-procedure
MEDICATION
4. Mis – selection of a strong potassium containing
solution
5.
Wrong route administration of medication
6. Overdose of Insulin due to abbreviations or
incorrect device
7. Overdose of methotrexate for non-cancer treatment
8. Mis – selection of high strength midazolam during
conscious sedation
MENTAL HEALTH
9. Failure to install functional collapsible shower or
curtain rails
GENERAL
10. Falls from poorly restricted Windows
11. Chest or neck entrapment in bedrails
12. Transfusion or transplantation of ABO-incompatible
blood components or organs
13.
Misplaced naso- or oro-gastric tubes
14. Scalding of patients
The original information and additional information
can be found here: http://www.england.nhs.uk/ourwork/patientsafety/never-events/
domingo, 29 de março de 2015
Accountability - Uma reflexão sobre “Liderança e Responsabilidade”
Ao longo deste texto pretendo
responder às seguintes questões:
- Do superior hierárquico espera-se que “lidere” de forma “responsável”. E o que quer dizer esta afirmação?
- Ao que é que assistimos em muitas instituições/locais de trabalho?
- E de quem é a “responsabilidade”? Onde falhou a “liderança”?
- O que fazer para mudar?
O CONCEITO
Accountability
é um termo da língua inglesa que remete à obrigação de membros de um órgão
administrativo ou representativo de prestar contas a instâncias controladoras
ou aos seus representados. O termo pode ser traduzido como "responsabilização".
quarta-feira, 25 de março de 2015
20 Web sites indispensáveis para a Qualidade e Segurança do Doente
Título original: 2015 Gift ... 20 Websites Necessary for Any
Qualitician
Este post foi efetuado com autorização expressa do Dr. Mahmoud
Radwan, autor do post original e do blog “The Qualitician”, disponível em
http://thequalitician.blogspot.pt/
Neste post o Dr. Mahmoud Radwan compilou um conjunto
de 20 sites indispensáveis aos profissionais que tem com paixão a área da
qualidade e da Segurança do Doente.
Fica aqui a partilha e o convite para visitarem o seu site e
em particular o post com a indicação dos 20 Web sites indispensáveis para a Qualidade
e Segurança do Doente em http://thequalitician.blogspot.pt/2015/01/2015-gift-20-websites-necessary-for-any.html
Thank you Dr. Mahmoud Radwan
domingo, 22 de março de 2015
Be Safe - Um vídeo diferente (e animado) sobre a Segurança Do Doente
Hoje quero partilhar convosco um vídeo muito bom e inovador sobre a Segurança do Doente.
BE SAFE - É uma canção escrita e composta pelo Dr. Geoff Randolf o chief medical officer (CMO) do Lutheran Hospital e produzido pelo hospital para consolidar a cultura de segurança do Doente como uma prioridade de topo do hospital.
Ele destaca de uma forma muito simples, inovadora e atraente muitos dos conceitos intimamente relacionados com a segurança do doente, ferramentas e práticas como a comunicação eficaz, marcação do local da cirurgia, ordens verbais pelo telefone, queda do doente, verificação de erros de medicação, etc.
Assista a este vídeo. Ligue o som e deixe-se encantar. Não vai arrepender-se. “BE SAFE”
Fernando Barroso
quinta-feira, 12 de março de 2015
Norma DGS - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Cuidados de Saúde Primários
Foi publicada ontem a Norma nº 3/2015 de 11/03/2015 que estabelece a obrigatoriedade da avaliação da
cultura de segurança do doente nos cuidados de saúde primários (ACSD-CSP) a
realizar-se nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), através de um
questionário a preencher por todos os profissionais e colaboradores .
terça-feira, 10 de março de 2015
Sistemas de Administração de Sangue com defeito provocam eliminação de Unidades de Sangue
São inúmeros os fatores contribuintes que influenciam a prestação de cuidados. Alguns conseguimos controlar de forma mais direta. Outros não.
Hoje quero partilhar como uma falha no processo de fabrico/controle dos Dispositivos Médicos (DM’S), neste caso foram os Sistemas de Administração de Sangue, provocaram a eliminação de duas unidades de concentrado de eritrócitos.
Quando uma empresa nos apresenta um dispositivo médico (DM) a concurso, disponibilizando a respetiva “Ficha Técnica” e uma “Declaração de Conformidade” com todas as normas possíveis, não estamos obviamente à espera que isto aconteça:
1º Caso - “O Sistema de Administração de Sangue que foi acoplado à unidade de sangue CE XX/XXX destinada ao Doente com o processo clínico nº xxx apresentava uma solução de continuidade (um buraco) que levou ao derrame de sangue da unidade e inutilização da mesma.
2º Caso - “O Sistema de Administração de Sangue que foi acoplado à unidade de sangue CE XX/XXX destinada ao Doente com o processo clínico nº xxx apresenta uma fuga junto à parte inferior da camara de gotejo, na zona de solda entre a câmara de gotejo e o tubo. Desta fuga resultou o derrame de sangue, o que originou a inutilização da unidade de sangue.
Como é óbvio o Serviço de Sangue teve de compatibilizar, para ambos os Doentes, novas unidades de sangue que foram posteriormente administradas.
O que fazer nestas situações?
- Identificar claramente o problema – Neste caso uma falha clara dos Sistemas de Administração de Sangue;
- Identificar a Marca, Referência e Lote dos DM’s envolvidos (NOTA: é fundamental reter os DM’s para entrega ao Fabricante/Fornecedor);
- Informar imediatamente o Fabricante/Fornecedor, para que tome conhecimento dos incidentes, e inicie um processo de investigação próprio;
- Notificar o INFARMED/Divisão de Dispositivos Médicos – através da Ficha de Notificação para Utilizadores disponível no site do INFARMED, que é enviada por correio electrónico. É um processo muito simples e é uma responsabilidade de todos os profissionais, e neste caso uma responsabilidade acrescida dos Gestores de Risco/Grupos de Gestão do Risco de cada instituição.
É claro que depois de resolvidas as questões “técnicas” da notificação, sobram ainda inúmeras questões, igualmente importantes.
Por exemplo. Mais do que “compensar financeiramente” a Instituição onde ocorrem os incidentes, pelo valor dos sistemas de sangue com defeito, importa não esquecer o mais importante - foram duas unidades de sangue – um bem escasso e sem preço – para o lixo com o consequente atraso na prestação de cuidados aos Doentes.
O representante do Fabricante/Fornecedor voltou a assegurar que tais incidentes não voltaram a ocorrer e que não tem conhecimento de incidentes semelhantes noutras Instituições a nível nacional. Será mesmo assim, ou são os Profissionais e as Instituições que não notificam ou o fazem apenas “informalmente” não ficando disso registo oficial no INFARMED?
- Como é que tais garantias podem ser dadas? Quando um incidente semelhante já tinha ocorrido em 2012, tendo nessa altura sido devidamente identificado e notificado ao Fabricante/Fornecedor e ao INFARMED?
- Quando é que a Instituição toma a decisão de substituir o fornecedor do DM, deixando de basear a sua decisão de adjudicação no fator “preço mais baixo” e passa a utilizar como principais critérios os aspetos técnicos (definidos pelos utilizadores), a boa experiência de utilização, a correta adequação à função, e só depois o facto “preço”?
- Não deveria o INFARMED publicitar no seu site uma lista das notificações recebidas, de forma a alertar todas as Instituições onde os DM’s são utilizados?
Apenas com uma ação conjunta podemos esperar mudar alguma coisa.
Por outro lado, se estes são os únicos incidentes, com este tipo de DM, a nível Nacional, a sua relevância é pouca, mas tenho muitas dúvidas se de facto tal seja verdade.
Fica aqui a partilha e o apelo à notificação.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Promover uma Cultura de Segurança em Cuidados de Saúde Primários
A qualidade de resposta do sistema de saúde português, na perspectiva
do cidadão, está ainda longe de alcançar um nível razoável de satisfação,
contribuindo para tal uma deficiente cultura de segurança nos serviços de saúde
portugueses e em particular nos cuidados de saúde primários, onde esta temática
não tem sido incluída nas prioridades de quem organiza e presta este tipo de
cuidados.
O presente artigo apresenta uma revisão de literatura sobre
o tema da cultura de segurança nas organizações de saúde, fundamentando a
pertinência da sua implementação nos cuidados de saúde primários.
(Clique na imagem para ter acesso ao artigo na integra)
Autores
Carla Maria Ferreira Guerreiro da Silva Mendes, e
Fernando Fausto Margalho Barroso
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Um Guia para a Reconciliação Terapêutica e Melhoria da Qualidade – Manual de Implementação MARQUIS
| (Clique imagem para 1 cópia doc.) |
A Reconciliação
Terapêutica é um processo que consiste na identificação da lista mais
precisa de todos os medicamentos que um doente está a tomar e que deve tomar -
incluindo o nome, dosagem, frequência, via finalidade e a duração - e usar essa
lista para fornecer/prescrever medicamentos corretos aos doentes em qualquer
lugar dentro do sistema de saúde.
A Reconciliação Terapêutica consiste nos seguintes componentes:
- No momento da Admissão, um profissional de saúde obtém a Melhor História de Medicação Possível (MHMP). A MHMP é a lista mais precisa da medicação que o doente deve estar a tomar e inclui os medicamentos que o doente está efetivamente a tomar no momento imediatamente anterior à admissão. Esta lista deve ser claramente documentada e atualizada durante o internamento se existir mais informação disponível.
- Utilizar a MHMP e a condição clínica do doente para prescrever corretamente a medicação no momento da admissão. Qualquer discrepância não intencional entre a MHMP e a prescrição inicial no momento da admissão deve ser identificada e resolvida.
- Aquando de uma transferência hospitalar ou alta, deve comparar-se a MHMP e a medicação que o doente está a receber no internamento para criar um conjunto correto de indicações de transferência/alta. Qualquer discrepância não intencional entre a medicação pré-admissão, a medicação actual e a prescrição para a transferência/alta deve ser identificada e resolvida. A razão para a existência de qualquer discrepância intencional (por exemplo por motivos clínicos) deve ser documentada.
- No momento da alta, deve ser entregue ao doente/família/prestador de cuidados, uma lista precisa e informação/educação adequadas relativamente ao regime terapêutico, incluindo o nome, dosagem, frequência, via, finalidade e a duração. Qualquer nova medicação, mudança na dose ou frequência e medicação que foi cancelada quando comparada com a medicação no momento da admissão deve ser claramente identificada e explicada. A importância de manter e atualizar uma lista de medicação deve ser explicada ao doente/família/prestador de cuidados.
- O regime terapêutico no momento da alta deve ser documentado e comunicado, conjuntamente com a restante informação relativa ao internamento, evidenciando as alterações relativamente ao regime terapêutico existente na pré-admissão e as razões dessas alterações.
(Texto adaptado de "A Guide for Medication
Reconciliation Quality Improvement - Prepared by MARQUIS
Investigators - October 2014). Pode obter mais informação no site: http://www.hospitalmedicine.org/MARQUIS
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domingo, 15 de fevereiro de 2015
Controlo de Infeção – Porque é tão difícil "controlar"?
Depois de assistir a mais umas Jornadas onde o “Controlo
de Infeção” era o principal tema condutor, dei por mim a reflectir sobre a
questão – Se estamos todos de acordo, porque é tão difícil "controlar"?
As infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS)
são, como o próprio nome indica, resultantes dos cuidados de saúde prestados, e
não a consequência “natural” do estado do doente. Se quiserem, por outras
palavras, são infecções que resultam do ambiente envolvente do doente (disponibilizado pela
Instituição de saúde) e principalmente das acções ou omissões dos profissionais
de saúde que cuidam do doente (a qualquer nível).
Ouvimos há anos palestras e estudos sobre a higiene das mãos, sobre os riscos da
utilização de técnicas invasivas
quando não são absolutamente necessárias (a algaliação vesical é um exemplo) ou
ainda sobre a necessidade de um ambiente
protector (a higiene e limpeza do ambiente hospitalar, dos equipamentos –
desde o estetoscópio que percorre todo o hospital ao dispositivo de avaliação
de tensão arterial que “é único no serviço” e que por isso tem de servir a
todos – e da higiene dos próprios profissionais de saúde – unhas de gel, batas
que são guardadas nas malas dos carros, fardas imundas, profissionais doentes que
vão trabalhar e prestar cuidados a quem está numa cama de hospital).
Sabemos há décadas que tratar uma infecção é mais dispendioso do que
preveni-la. Vejam-se por exemplo estes dois estudos
- The Direct Medical Costs of Healthcare-Associated Infections in U.S. Hospitals and the Benefits of Prevention - R. Douglas Scott II, March 2009
- UmEstudo Caso Sobre os Custos das Infecções no Centro Hospitalar Cova da Beira –Martins, Margarida e outros – Junho 2007
Para mudar, temos todos de o
querer fazer, e aqueles que não o querem devem ser responsabilizados por isso.
Então, como mudar? Algumas sugestões:
- Garantir a existência de recursos adequados. Há países onde a CCI é um Serviço completo. Em Portugal ainda se discute se teremos capacidade de implementar o Despacho n.º 2902/2013 e os seus subsequentes documentos orientadores, tendo à cabeça a dotação de recursos adequados.
- Tem de existir condições à concretização dentro de cada Instituição do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos. Para já não há!
- Devem existir objectivos claros relacionados com as taxas de IACS, ao nível institucional e por Serviços, inscritos nos contratos programa/planos de acção, e penalizar o seu incumprimento. Será que o recente Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (Publicado a 10-02-2015), vai sequer ser lido por todos os responsáveis, a todos os níveis das Instituições?
- Monitorizar o cumprimento das medidas de higienização das mãos (com auditorias internas e externas) ligando-as também ao sistema de avaliação individual dos profissionais.
Poderia aqui sugerir muitas mais, mas o actual quadro legislativo e os
poderes instituídos não o permitem.
Provavelmente amanhã vamos continuar a receber profissionais de saúde
nas instituições para quem as precauções básicas no controlo de infecção são um
mistério (Assistentes Operacionais, Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, Médicos
recém formados a quem nunca foi ensinada a "técnica da lavagem das mãos” ou o que é um “isolamento
de contacto”. Aqui os Enfermeiros tem efectuado um esforço na sua formação base,
embora seja por demais evidente que esquecem rapidamente essas regras quando passam
de aluno a profissional.
Todos, todos sem excepção temos o dever moral e ético de fazer mais e
de fazer melhor (aqui me incluo também). Até lá, o Controlo de Infeção está sem "controlo".
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