sábado, 2 de agosto de 2014

Implementar Programas de Qualidade e de Segurança do Doente: Que Ganhos Podemos Esperar?

Autores: Paulo Sousa e João Lage

A segurança e a qualidade num sistema de saúde têm uma expressão individual e sistémica: o doente submete-se a cuidados progressivamente mais tecnológicos, invasivos e fragmentados numa organização que pretende garantir que o ganho em complexidade não se traduza simultaneamente em maior risco e lesão. 

Qualidade e segurança são habitualmente difíceis de quantificar. Que definições usar? Quais as medidas adequadas para avaliar lesão, erro ou fiabilidade? São necessárias medidas objetivas e úteis que permitam a monitorização, pelas equipas de saúde, dos ganhos obtidos na implementação de planos de melhoria da prática clínica. Nas equipas de saúde é frequente a incompreensão dos conceitos de qualidade e segurança. 

Com base na experiência de 12 anos da implementação de um programa de Qualidade e Gestão de Risco num Centro Hospitalar de Lisboa, tentamos aqui responder a algumas das questões que são habitualmente levantadas sobre o tema.

Para acesso ao artigo:

domingo, 20 de julho de 2014

Os médicos cometem erros. Podemos falar sobre isso?

Todos os médicos cometem erros (aliás, todos os profissionais que trabalham no setor da saúde - Enfermeiros, Fisioterapeutas, TDT's, Assistentes Operacionais e Técnicos, Administradores, etc...).

Mas,  o médico Brian Goldman diz que a cultura de negação (e vergonha) da medicina impede os médicos de alguma vez falarem sobre esses erros, ou utilizá-los para aprender e melhorar.

Ele conta histórias de sua própria longa prática clínica e convida os médicos a começarem a falar sobre “estar errado”. (Filmado em TEDxToronto.)

sábado, 19 de julho de 2014

What Can We Learn From Stories of Self-Diagnosis?

O que podemos aprender com as histórias de Doentes que definem o seu próprio diagnóstico, quando os médicos não o conseguem fazer?


Isso é o que podemos descobrir nesta newsletter (em inglês) que contêm histórias bem interessantes e principalmente sobre a importância de uma COMUNICAÇÃO eficaz de parte-a-parte.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Botões dos Elevadores nos Hospitais Mais Contaminados do Que os WC’s

De acordo com uma pesquisa publicada recentemente no “Open Medicine” os botões dos elevadores de um Hospital estão normalmente colonizados por bactérias, e têm uma maior prevalência de colonização do que as superfícies das casas-de-banho (WC’s).

Os investigadores realizaram zaragatoas em 120 botões de elevadores – quer em botões no interior quer no exterior dos elevadores – e em 96 superfícies de WC’s em três hospitais de cuidados agudos em Toronto.
A prevalência de colonização por bactérias nos botões dos elevadores foi de 61%, em oposição à prevalência de 43% dos WC’s. No entanto, a maioria das bactérias encontradas não eram clinicamente relevantes.
De acordo com os investigadores o risco de transmissão de microorganismos através dos botões do elevador pode ser mitigado por medidas preventivas simples. Eles sugeriram a colocação estratégica de distribuidores de solução desinfectante das mãos de base alcoólica, dentro e fora dos elevadores e aumentar a educação pública sobre a necessidade de higiene das mãos para as pessoas que utilizam frequentemente os elevadores.
Fazer os botões do elevador suficientemente grandes para permitir que sejam pressionados com os cotovelos também poderia reduzir a transmissão de microorganismos.

E na sua Instituição, ou Prédio de Habitação, com que frequência são limpos os botões do elevador?

Fonte: Open Medicine
Fernando Fausto M Barroso

domingo, 6 de julho de 2014

Segundo Relatório da Comissão Europeia sobre a implementação da RECOMENDAÇÃO DO CONSELHO sobre a segurança dos pacientes, incluindo a prevenção e o controlo de infecções associadas aos cuidados de saúde

A Comissão Europeia divulgou a 19 de Junho de 2014 o Segundo Relatório ao Conselho Europeu (em inglês) relativo à implementação da RECOMENDAÇÃO DO CONSELHO de 9 de Junho de 2009 sobre a segurança dos pacientes, incluindo a prevenção e o controlo de infecções associadas aos cuidados de saúde (2009/C 151/01).

Recomendamos a leitura atenta deste documento, e salientamos aqui alguns pontos das suas conclusões:

Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS)

Ao conduzir à adopção de uma definição geral e específica para IACS e fornecer uma metodologia e moldura padronizada para a vigilância nacional de IACS, a acção a nível da União Europeia (EU) contribuiu para o fortalecimento dos sistemas de vigilância das IACS na UE.
Em particular, o estudo europeu de prevalência do ECDC de IACS e uso de antimicrobianos em 2011-12 contribuiu para a melhoria da recolha de dados sobre a IACS, mesmo em Estados-Membros que ainda não haviam começado com esta actividade.

Os relatórios “pointprevalence report - ECDC” e “Commission’sfirst implementation report” indicam que os Estados-Membros devem concentrar os seus esforços em assegurar a vigilância orientada das IACS do local cirúrgico, unidades de cuidados intensivos, casas-de-repouso e outras instalações de cuidados de longa duração.
São necessárias novas medidas a implementar pelos Estados-Membros para melhorar a recolha de informação de rotina sobre IACS, desenvolvimento de directrizes de diagnóstico nacionais, formação continuada dos profissionais de saúde na aplicação de definições de IACS e o reforço da capacidade dos laboratórios e outras capacidades de diagnóstico em instituições de saúde.

Mais especificamente, o estudo de prevalência efectuado em toda a Europa - destacou a necessidade de assegurar:
● um número suficiente de profissionais especializados em controle de infecção a colocar em hospitais e outras instituições de saúde;
● capacidade de isolamento suficiente para doentes infectados com microorganismos clinicamente relevantes nos hospitais de cuidados agudos;
● vigilância padronizada do consumo de Solução alcoólica para as mãos.
(…)

Segurança do Doente

A recomendação tem levantado com sucesso a consciencialização sobre a segurança do doente a nível político e provocou mudanças, como o desenvolvimento de estratégias e programas nacionais de segurança dos doentes e o desenvolvimento de sistemas de informação e de aprendizagem em muitos Estados-Membros da UE. Foi criado um clima propício para a melhoria da segurança dos doentes na UE.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Injeções - Práticas Seguras

O Centers for Disease Control and Prevention  (CDC) criou dois vídeos para promover práticas de injeção segura através da sua campanha “One & Only"” em conjunto com a Safe InjectionPractices Coalition.

Os vídeos, intitulados "Check Your Steps! Make Every Injection Safe” e "Managing Patient Safety, One Injection at a Time", contêm informações direccionadas ao prestadores de cuidados e gestores de instituições de saúde, destinadas a reforçar o conhecimento sobre o controlo da infecção.
Pode ver a seguir os vídeos desta campanha.

Vídeo - "Check Your Steps! Make Every Injection Safe”

Vídeo - "Managing Patient Safety, One Injection at a Time"

Caso esteja interessado, pode aceder aqui a mais material da campanha One & Only

Fernando Fausto M. Barroso

domingo, 29 de junho de 2014

Quanto Custam os Eventos Adversos

Artigo Original - Impacto económico de los eventos adversos en los hospitales espanoles a partir del Conjunto Mínimo Básico de Datos.

Este é um excelente artigo que contribui para um melhor conhecimento acerca dos custos associados aos eventos adversos, e cuja leitura recomendamos (pode fazer o dowload clicando no link acima).

Todos temos consciência que prevenir custa menos dinheiro do que “remediar ou reparar”, mas existe uma enorme dificuldade em demonstrar este principio. Com este artigo podemos procurar soluções que apontem para uma resposta mais fácil a este problema, tornando evidente os benefícios dos programas de Segurança do Doente nas Instituições de Saúde.

domingo, 22 de junho de 2014

5 Ferramentas para observação do cumprimento da Higiene das Mãos

A seguir indicamos cinco ferramentas para ajudar as organizações de saúde a observar e documentar o cumprimento da higiene das mãos.

1. A OrganizaçãoMundial da Saúde oferece um formulário de observação livre, para download, que inclui uma tabela de cálculo de conformidade básica, bem como recomendações gerais para uma observação eficiente da higiene das mãos. Pode ainda encontrar todo o material em português no microsite do PPCIRA da DGS no item “Campanha de Precauções Básicas”

2. O  IndianaState Department of Health’s disponibiliza uma ferramenta de observação da higienização das mãos que inclui instruções detalhadas para a equipa de controlo de infecção e pessoal designado para atuar como observadores. Ela permite efectuar 30 observações separadas.

3. O Johns Hopkins Medicine desenvolveu duas ferramentas para ajudar as organizações a observar e documentar o cumprimento da realização da higiene das mãos. Uma inclui quatro regras para a realização de observações da higiene das mãos, e a outra ferramenta permite mais detalhes, como o tipo de quarto e tipo profissional de saúde.

4. A empresa GOJO oferece um formuláriode observação da higienização das mãos adaptável para centros de cirurgia de ambulatório.

5. A Park Nicollet Hospital, em St. Louis Park, Minnesota, oferece uma ferramentade observação que apresenta uma auditoria básica da adesão à higienização das mãos.

Basta clicar nos link’s existentes no texto para ter acesso a todas as ferramentas.
Fernando Fausto M. Barroso

domingo, 8 de junho de 2014

Violência nos Serviços de Saúde. Como Evitar?

Ninguém está completamente imune ou protegido da violência no local de trabalho. No entanto, existem soluções que podem ser implementadas para a sua segurança e para minimizar esta ameaça. Um factor chave na prevenção e diminuição destes actos de violência é a nossa própria formação. Para começar, devemos primeiro ser capazes de definir o que é a “violência no local de trabalho”.

A OSHA define a violência no local de trabalho como qualquer acto ou ameaça de violência física, assédio, intimidação ou outro comportamento ameaçador disruptivo que ocorra no local de trabalho. Pode variar entre ameaças e agressões verbais para agressões físicas e até mesmo homicídio. Ela pode afectar e envolver funcionários, doentes e visitantes.
A violência nos serviços de saúde pode ser dividida em três categorias:
  • Violência por parte de um colega de trabalho, um doente ou antigo doente, ou o familiar de um doente. Estas são as formas mais comuns de violência nos serviços de saúde. Lidar com a doença, lesões ou a morte causa uma variedade de respostas emocionais que podem conduzir à violência.
  • Violência envolvendo um parceiro. Este é o clássico episodio do parceiro rejeitado que aparece no local de trabalho para cometer um ato de violência contra o/a seu/sua anterior parceiro(a).
  • Ato aleatório de violência. Neste cenário, alguém chega ao serviço de saúde com a única intenção de roubar ou causar estragos. Isto pode incluir também indivíduos mentalmente instáveis, sem qualquer história prévia com o serviço de saúde.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Observação como ferramenta de Segurança do Doente

Estamos habituados a executar o nosso trabalho de uma determinada forma. Possuímos procedimentos e normas de orientação pensados para responder "a todas as situações".
Mas funcionam corretamente?

A verdade é que muitas vezes não sabemos responder a esta questão.
Auditar é uma ferramenta válida, mas ao fazê-lo necessitamos de conhecer antecipadamente qual é o padrão de comparação e possuir uma ferramenta de registo válida (uma checklist de auditoria por exemplo).

Mas existe outra ferramenta. A observação não estruturada.
Observar os cuidados, enquanto elemento externo e não interventivo, constitui uma fonte de informação que é sobrestimada.
Observar de forma critica a prática de cuidados permite identificar falhas latentes do sistema de trabalho. Acompanhar o percurso do doente permite observar os momentos de transição (passagem de informação) tão críticos para a qualidade dos cuidados.

Quais as vantagens e princípios básicos a respeitar numa observação?
    Obter autorização prévia dos responsáveis no Serviço.
    Reservar tempo suficiente à tarefa. Em 15 minutos as oportunidades são certamente poucas.
    Devemos conhecer e compreender bem os cuidados que estamos a observar para podermos ser críticos da ação.
    Quem observa deve ser um elemento “neutro” para a equipa (nem superior nem subordinado).
    Devemos registar livremente e sem interferir tudo o que está a ser executado, como está a ser executado, e quais as oportunidades de melhoria identificadas.
    Devemos respeitar a confidencialidade de todos os envolvidos (profissionais e doentes).
    Devemos elaborar um relatório com as observações efetuadas, sugerindo medidas corretivas.
    Devemos disponibilizar explicações adicionais sobre o relatório se solicitado.

O desafio maior recairá depois na utilização da informação.

O objetivo é melhorar sem recriminar.
Fernando Fausto M. Barroso

domingo, 11 de maio de 2014

17 Coisas Que Cada Enfermeiro/a Devia Vivenciar

(Texto original de Katie Morales - Apr 21, 2014; Adaptado por Fernando Barroso)

Na minha opinião, existem 17 coisas que cada enfermeiro/a deve vivenciar num ponto ou noutro da sua carreira.

No entanto, nem todas as experiências são positivas. Algumas são edificantes, algumas são assustadoras, e algumas são trágicas.

No entanto, todas vão ajudar a moldá-lo(a) para que se transforme no(a) melhor enfermeiro(a) que você pode ser.
  1. A honra de estar presente quando um doente tem sua primeira respiração ou seu último suspiro.
  2. A alegria de ter um doente a solicitar que seja você o seu enfermeiro(a).
  3. A agonia de ter um doente a solicitar outro(a) enfermeiro(a).
  4. O horror quando você percebe que cometeu um erro ou omissão.
  5. A emoção de ser um defensor do doente quando você desafia uma ordem insegura.
  6. A coragem de se recusar a executar uma ordem insegura.
  7. A alegria de ver um "doente sem esperança" a receber alta e a andar de forma independente.
  8. Ser um herói quando você denunciar suspeitas de negligência/abuso.
  9. Sentir admiração quando você presencia uma família a honrar o seu ente querido, expressando a sua vontade de que ele seja um doador de órgãos.
  10. Ser um herói ao salvar o dia aceitando um turno extra de um colega de trabalho em necessidade.
  11. Sacrificar-se ao doar o seu tempo pessoal, dinheiro ou esforço a um colega de trabalho ou um doente em necessidade.
  12. A gratificação de receber uma nota escrita de um doente agradecido.
  13. O medo e a realização de executar suporte imediato de vida (SIV) que salvam vidas fora do hospital enquanto está como “civil”.
  14. O dom de salvar uma vida.
  15. Experimentar o papel de ser você o doente.
  16. Estar no lugar certo na hora certa com a palavra ou ação correta.
  17. “Dar de volta” através de tutoria à próxima geração de enfermeiros(as).


E para si? Que outras experiências não podem faltar?

terça-feira, 6 de maio de 2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Incidentes de Segurança do Doente. Porquê Relatar?

Na última década, verificou-se uma preocupação crescente dos profissionais e instituições de saúde, pelas questões associadas à segurança dos doentes e vários estudos revelaram ao mundo que nos hospitais os incidentes associados aos cuidados de saúde são frequentes. O relatório “To Err is Human” reforçou a evidência de que ocorriam cerca de dez eventos adversos, em cada 100 episódios de internamento e que 50% destes, poderiam ter sido evitados. Em Portugal um estudo epidemiológico sobre eventos adversos em contexto hospitalar levado a cabo pela Escola Nacional de Saúde Pública, evidenciou em 2010 uma taxa de incidência de 11,1%.

Torna-se evidente a necessidade de uma intervenção global nas questões da segurança do doente, pelo que, a organização Mundial de Saúde lançou vários desafios, sendo um deles a criação e implementação de Sistemas de Relatos de Incidentes nas organizações de saúde. A principal finalidade destes sistemas é a partilha e aprendizagem com os erros de forma a encontrar soluções para a sua prevenção.

Este artigo tem como objetivo apresentar a experiência do Centro Hospitalar de Lisboa Central na implementação de um sistema de relato de incidentes de segurança do doente ao longo de treze anos.
Pode aceder ao artigo aqui: http://repositorio.chlc.min-saude.pt/handle/10400.17/1662


AutoresSusana Ramos e Lurdes Trindade
Contato: susana.ramos@chlc.min-saude.pt; mlurdes.trindade@hsmarta.min-saude.pt
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