segunda-feira, 13 de março de 2023

10 Principais Preocupações com a Segurança do Doente para 2023

 

A crise de saúde mental pediátrica é a preocupação de segurança do doente mais premente em 2023, disse o Emergency Care Research Institute (ECRI) a 13 de março de 2023.

O ECRI, que realiza avaliações independentes de dispositivos médicos, compila anualmente literatura científica e eventos de segurança do doente, preocupações relatadas ou investigadas pela organização e outras fontes de dados para criar sua lista “Top 10”.

Estas são as 10 preocupações com a segurança do doente para 2023, de acordo com o relatório:

1. A crise de saúde mental pediátrica

2. Violência física e verbal contra os profissionais de saúde

3. Necessidades clínicas em tempos de incerteza em torno da medicina materno-fetal

4. Impacto sobre os médicos que devem trabalhar fora de seu âmbito de prática e competências

5. Identificação e tratamento tardio da sépsis

6. Consequências da má coordenação de cuidados para doentes com condições clínicas complexas

7. Riscos de não olhar além dos "cinco certos" para alcançar a segurança do medicamento

8. Erros de medicação resultantes de listas imprecisas de medicamentos do doente

9. Administração acidental de bloqueadores neuromusculares

10. Danos evitáveis para o doente devido à omissão de cuidados ou tratamento

Fonte: https://www.ecri.org/

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Fernando Barroso

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domingo, 12 de fevereiro de 2023

Cursos DGS online - Segurança nos Cuidados de Saúde | #SD456

A Direção-Geral da Saúde, através da Divisão de Planeamento e Melhoria da Qualidade, do Departamento da Qualidade na Saúde, e em parceria com a Ordem dos Farmacêuticos, disponibilizam a todos os cidadãos a nova edição de três cursos online, no âmbito da “Segurança nos Cuidados de Saúde”, integrados no Projeto NAU-Ensino e Formação à Distância da Administração Pública para Grandes Audiências*.

Os 3 cursos são:

  • Uso Seguro e Responsável do Medicamento
  • Prevenção de Infeções e Resistência aos Antibióticos
  • Higiene das Mãos na Prevenção de Infeções

Link acesso à informação https://www.dgs.pt/?ci=2353&ur=1&newsletter=582





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sábado, 4 de fevereiro de 2023

12º Aniversário do Blog Segurança do Doente | #SD455


Hoje assinalo o 12º aniversário do blog "Segurança do Doente"

Ao longo destes 12 anos tenho testemunhado a forma como este conceito tem evoluído e como, aos poucos, tem entrado no discurso e principalmente na atenção dos profissionais.

Mas ainda estamos longe de dizer, verdadeiramente, que a segurança do doente é uma prioridade. Pode ser no "papel", mas não nas ações.

Continuamos a discutir a forma como nos devemos organizar melhor para prestar cuidados, mas nem sempre colocamos o Doente no centro do cuidado.

Continuamos a discutir dotações (de todos os grupos profissionais), sem conseguir verdadeiramente contabilizar a eficiência daquilo que fazemos.

Aceitamos umas regras como importantes e imprescindíveis para a segurança do doente, quando ao mesmo tempo não as cumprimos (a higiene das mãos por exemplo).

Todos querem a "acreditação em qualidade na saúde", mas não queremos cumprir com o processo.

Falta-nos foco e verdadeira vontade.

Dissemos "presente" durante a pandemia, mas sinto que já "desaprendemos" muito.

Mas vou continuar por aqui, até que o tempo me permita, a dar a minha opinião e a apontar o caminho.

Muito obrigado pela tua presença e parabéns por seres leitor do blog "Segurança do doente"

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Nova Versão do NOTIFICA está on-line | #SD454

 

Foi hoje (19/12/2022) disponibilizada a nova versão do NOTIFICASistema Nacional de Notificação de Incidentes - Segurança do Doente.

Link de acesso: https://notifica.dgs.min-saude.pt/ 


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Citação

"Os Doentes essencialmente querem três coisas dos seus hospitais: 

não me faça mal,

cure-me,

e seja simpático comigo.

E querem-nos nessa ordem."

Dr. Bala Chandrasekhar, 2019


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domingo, 11 de dezembro de 2022

Nós, o SNS, a Governança Clínica e o percurso na melhoria da qualidade e segurança dos cuidados em saúde | #SD452

 

    Enquanto enfermeira coordenadora de um centro de responsabilidade integrada deparo-me diariamente com os desafios de gerir um serviço no nosso velhinho SNS (Serviço Nacional de saúde). 

    O meu contexto profissional, à semelhanças das instituições que prestam cuidados de saúde, reflete uma realidade de prestação de cuidados  cada vez mais complexas com especificidades muito próprias. Vivemos numa era de constantes mudanças em todas as vertentes, tendo que, constantemente, nos adaptar às mesmas. O SNS não é exceção, necessitando também de se adaptar e adequar às mesmas. Existe uma grande alteração nas características populacionais, nomeadamente multiculturalidade, envelhecimento, nos padrões de doença. Existem também mudanças nas oportunidades para utilizar novas intervenções médicas associadas a novos conhecimentos e tecnologias. Perante esta realidade, torna-se premente que as instituições que integram o SNS se transformem e adaptem não só fisicamente, como também na atitude com relação ao doente.

    O alargamento dos cuidados de saúde a um número cada vez maior de pessoas conduziu a uma maior exigência por parte dos cidadãos, exigindo uma contínua melhoria da qualidade dos cuidados, no que se refere às mais avançadas tecnologias, a uma cultura de eficiência no uso dos recursos que são escassos, e a uma prestação de cuidados de saúde cada vez mais segura, tolerando cada vez menos os erros dos profissionais e/ou do sistema. Neste universo torna-se essencial qua as práticas de governança clínica, sejam orientadas pelo princípio da Efetividade (ganhos em saúde), Eficiência (conseguir esses “ganhos” com o menor custo possível, sem desperdícios ou gastos desnecessários), Equidade (reduzir desigualdades inaceitáveis em saúde) e Qualidade (melhoria contínua dos cuidados). 

    Durante todo este processo assiste-se a práticas que promovam a motivação e satisfação dos profissionais envolvidos, ao mesmo tempo que se desenvolvem mecanismos de capacitação e autonomia dos utentes e satisfação dos utentes envolvidos. 

    Compreende-se e de acordo com o preconizado pela Organização Mundial da Saúde, a boa governança para a saúde é a capacidade de ativar a participação de todos, os que estão interessados na formulação e no desenvolvimento de políticas, programas e práticas que conduzam a sistemas de saúde mais equitativos e sustentáveis. Desta forma, a boa governança em saúde significa ter em consideração um conjunto de boas práticas de qualidade na tomada de decisão, na implementação de soluções, na sua avaliação e monitorização e, consequentemente, na correção de eventuais desvios. Neste sentido, refere-se à capacidade de implementar mudanças efetivas que permitam melhorar o sistema de saúde, dando resposta às reais necessidades dos seus utilizadores e garantindo princípios de equidade e de igualdade. As principais mudanças que estão a ocorrer na governança da saúde no século XXI são fundamentais para a obtenção de ganhos de saúde nas próximas décadas.

    Assim considero que a governança clínica representa uma estratégia que permite assegurar a melhoria contínua dos cuidados de saúde prestados salvaguardando elevados níveis de qualidade e segurança nos mesmos. A governança clínica assume-se como uma estratégia de gestão transformadora num contexto de cuidados com necessidades de cuidados cada vez mais emergentes, diferenciadas e por si só mais exigentes. É ainda importante referir que a governança clínica potencia de forma sistemática e contínua o desenvolvimento de um ambiente que estimule a excelência dos cuidados clínicos, a afirmação e concretização plena do conhecimento gerado e acumulado no seio dos profissionais de saúde e das suas organizações através de um estilo de liderança efetiva, capaz de envolver toda a equipa multidisciplinar prestadora de cuidados assim como deve também envolver o alvos das práticas de cuidados (doente/família).

    A OMS define a qualidade dos cuidados de saúde como “a medida em que os cuidados de saúde prestados aos indivíduos e populações doentes melhoram os resultados em saúde desejados. De modo que esse objetivo seja atingível, os cuidados de saúde devem ser: seguros, eficazes, oportunos, eficientes, equitativos e centrados nas pessoas”. Simplificadamente, esta definição pode ser entendida como “a prestação dos cuidados de saúde com qualidade envolvem os cuidados certos, à hora certa, em resposta às necessidades e preferências dos doentes, enquanto é minimizada a probabilidade de ocorrência de danos e desperdício de recursos”. Desta forma, recomendam que adotar uma perspetiva de governança clínica, sistémica e orientada para os sistemas de saúde para a melhoria da qualidade é fundamental, não só para corresponder às expetativas dos doentes, mas também às dos profissionais de saúde envolvidos neste processo.    

    Apesar da amplitude do conceito e das diferentes perspetivas de o analisar, existe um consenso em relação à importância da qualidade em saúde e à compreensão de que esta está diretamente relacionada com as condições onde os profissionais de saúde trabalham e com as crescentes necessidades e expetativas dos doentes. É clara a necessidade de implementação de políticas de qualidade em saúde que introduzam medidas de melhoria da qualidade de uma forma mais consistente e sistemática ou seja, é premente a introdução de boas práticas de governança clínica, por si só facilitadoras do processo de melhoria continua de qualidade de cuidados.

    O contexto atual que se vive é marcado pelas alterações populacionais e de padrões de doença, pelo aumento da tecnologia e do conhecimento, o que consequentemente leva a um aumento de expetativas por parte dos utilizadores, que exigem cuidados com crescente qualidade. Atualmente, a qualidade é vista como um atributo essencial e fundamental dos cuidados de saúde que tem por base algumas especificidades, tais como: evolução ajustada às necessidades demonstradas; preventiva e responsiva; integrativa ao nível da efetividade, da eficiência, da aceitabilidade e equidade. A implementação de políticas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde é atualmente imperativa sendo que, durante os últimos anos, o conhecimento e a experiência neste âmbito aumentaram significativamente.  Segundo a OMS, a qualidade pode ser alcançada em todos os contextos, independentemente das possibilidades financeiras, através de uma boa liderança, de um bom planeamento e de investimentos inteligentes.

Concluindo a governança clínica surge assim como uma nova abordagem de melhoria da qualidade, que nos permite através de um conjunto de iniciativas de regulação, a promoção de uma cultura e clima que potencie a melhoria contínua da qualidade na prestação dos cuidados no SNS.

Ana Rita Leal de Nóbrega
Enfermeira Coordenadora do Centro de Responsabilidade Integrada de Dermatovenereologia do Hospital Garcia de Orta EP.E.
Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Estamos a Forçar a Literacia aos nossos Doentes? #SD451


Tenho por hábito observar com alguns distanciamento o meu Serviço (Consulta Externa) para sentir como o processo está a decorrer e o que podemos melhorar na experiência do Doente.

Há cerca de 2 meses que a inovação está na utilização de quiosques automáticos de atendimento "que fazem tudo".

Efetivamente, fazem um excelente trabalho (especialmente quando funcionam de forma correta), sendo inegavelmente uma evolução no atendimento do Doente.

O problema é que muitos doentes que tenho observado, ouvido, acompanhado, simplesmente "não querem" usar o sistema.

E não é uma questão de baixa literacia em saúde ou literacia tecnológica.

O sistema não difere muito da forma como utilizamos um terminal multibanco ou mesmo um Smartphone.

Já vi e ouvi de tudo:

  • Eu nunca mexi nisto!
  • Onde é que se "toca"?
  • Ouço um doente a "aconselhar" outro; - Eu cá digo que não sei ler...
  • Um doente tenta a todo o custo inserir um Bilhete de Identidade no quiosque (explico com calma que não vai dar).
  • Chega ao quiosque, e sem ler nada do que está no ecrã, ou nas indicações escritas que se encontram próximo, coloca simplesmente o cartão do cidadão no quiosque.

Também devemos reconhecer que há doentes (pela sua patologia, capacidades cognitivas, etc.) que necessitam de apoio (isso é inegável), mas, para muitos outros, provávelmente não há estratégia de literacia que resulte. 

Quando o Doente não quer, não há sistema que funcione...


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Fernando Barroso

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domingo, 30 de outubro de 2022

Auditoria Clínica - O Coordenador é um Médico ou um Enfermeiro? #SD450

Recebi um pedido de parecer em que era colocada a seguinte questão: Faço parte da Comissão de Auditorias Clínicas Internas do Hospital (…), à qual pertencem profissionais médicos e enfermeiros e temos um coordenador. (...) O coordenador desta equipa pode ser um médico ou enfermeiro, ou por se tratar de auditorias de âmbito clínico tem de ser médico?

É este o meu parecer: 

Do meu ponto de vista, existem 2 questões. Uma questão relaciona-se com a Coordenação da Comissão de Auditorias Clínicas, e outra questão relaciona-se com a atribuição da coordenação de uma determinada auditoria.

E estas não são a mesma coisa.

A atividade de auditoria, está bem enquadrada na Norma ISO NP EN ISO 19011 2019 (Linhas de Orientação para auditorias a sistemas de gestão).

A Direção Geral da Saúde, através da Orientação nº 002/2017, atualizada a 03/06/2022 (Preparação e Condução de Auditorias da Qualidade e Segurança da Prestação de Cuidados de Saúde) resume, para acesso livre, a referida NP EN ISO 19011 2019.

Nesta Orientação, está claramente definido o papel e requisitos de competência do Coordenador da Auditoria. A saber:

O Auditor Coordenador deve possuir "Qualificação e idoneidade (...) para a atividade/área a auditar" (Orientação nº 002/2017, ponto 5.2)

Sempre que a equipa auditora é constituída por mais de um elemento, a responsabilidade de coordenação da auditoria é atribuída a um auditor coordenador com comprovada experiência na metodologia de auditoria, nos critérios de auditoria, no referencial e nos processos em questão. (Orientação nº 002/2017, ponto 5.2)

No ponto 5.10 (sobre “Conhecimento e saber fazer”) da referida Orientação, pode ainda ler-se:  Para que os auditores possam ter os conhecimentos e saber fazer necessários às funções que desempenham nas diferentes auditorias devem ter participado numa formação de auditores, reconhecida e ministrada por formadores qualificados eles próprios como auditores.

Esta exigência incide com maior relevância sobre os auditores coordenadores, pois estes têm, cumulativamente, de ter conhecimentos e saber fazer para coordenar toda a atuação da equipa auditora e para apoiar os auditores com menor experiência. (Orientação nº 002/2017, ponto 5.10)

Eu compreendo a exigência da DGS, pois eu ministro este tipo de formação, que não é fácil para o formando, e nem todos conseguem alcançar os objetivos propostos.

Apesar de todas as referências existentes na Orientação nº 002/2017 em nenhum momento está explicito se o auditor coordenador tem de ser de uma ou outra categoria profissional.

O importante é a sua competência, no âmbito do conhecimento de como realizar uma auditoria e também a competência técnica relativa ao âmbito da própria auditoria.

Assim sendo, e imaginando por exemplo uma auditoria ao trabalho realizado por Enfermeiros numa área de atuação específica, percebe-se claramente que um coordenador, apenas por ser médico, dificilmente teria a "competência técnica adequada".

O mesmo se pode dizer para uma auditoria específica a um campo de atuação médico. Dificilmente um Enfermeiro poderia argumentar estar capacitado tecnicamente para o fazer.

Não se trata, pois, de uma questão de categoria profissional, mas da competência para executar corretamente uma auditoria. E isso só pode ser decidido "auditoria-a-auditoria".


Outra questão que entendo ter sido colocada é o assunto da Coordenação da Comissão de Auditorias Clínicas.

Sobre isto, entendo que não existe efetivamente uma orientação formal da tutela, embora seja conhecida a tendência nacional de atribuir a profissionais médicos a coordenação deste tipo de comissões.

O meu entendimento é que, quem coordena uma Comissão de Auditoria Clínica (eu colocaria no singular), deve ser antes de mais, uma pessoa de reconhecido mérito, no seu trabalho, no âmbito da Qualidade em Saúde e da Segurança do Doente, com capacidade de intervenção e com Autoridade reconhecida pela Equipa Multidisciplinar, nomeada pelo Órgão Máximo de Gestão da Instituição e contando com o seu suporte para planear e implementar um Plano de Auditorias abrangente na Instituição.

Não existe - salvo melhor opinião - obrigatoriedade desta pessoa ser de uma ou de outra profissão da área da saúde, desde que cumpra os requisitos expostos anteriormente.

É este o meu parecer.

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sábado, 17 de setembro de 2022

Medicação Sem Dano – 17 Setembro – Dia Mundial da Segurança do Doente | #SD447


Hoje - 17 de Setembro - assinala-se mais um Dia Mundial da Segurança do Doente

Este ano sob o tema "Medicação sem Dano"

Dos profissionais de saúde espera-se que consigam:

  • Manter as suas competências atualizadas em práticas seguras na utilização da medicação
  • Envolver os doentes por meio de tomadas de decisão compartilhadas usando ferramentas como os 5 Momentos para Segurança do Medicamento e implementar ações relacionadas com a campanha “Saber. Verificar. Perguntar”.
  • Fornecer informações claras e completas relacionadas com a medicação a todos os elementos da equipa de saúde durante todo o processo de atendimento
  • Relatar incidentes de segurança do medicamento e compartilhe e aplique as lições aprendidas com a sua equipa e doentes quando possível
  • Estar atento a situações em que o risco com origem nos medicamentos é alto e garanta que as medidas de segurança são seguidas
  • Acompanhar e ser o mentor dos novos membros da sua equipa sobre sistemas e práticas de medicação segura

(OMS, 2022)

Sobre este tema já escrevi vários artigos sobre medicação, e sobre o medicamento ao longo dos anos, e que te convido a revisitar.

Porque os medicamentos não podem ser tratados como guloseimas.

e porque

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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Auditoria Clínica - parte 1 | #SD444

 

Photo by Stephen Dawson on Unsplash

São inúmeros os desafios com que hoje nos deparamos numa instituição de saúde. Os cuidados de saúde nunca foram tão complexos, seja pela evolução verificada com a introdução de novas tecnologias e avanços no conhecimento científico, seja por constrangimentos de vária ordem que condicionam a forma como os cuidados de saúde são prestados aos cidadãos. A Pandemia de COVID-19 veio agravar e evidenciar estes desafios e ao mesmo tempo colocou o sistema de saúde à prova.

Apesar da enorme evolução verificada nos cuidados de saúde, ainda não conseguimos encontrar um equilíbrio definitivo entre esse avanço e a garantia de uma prestação de cuidados de qualidade e eficiente.

Continuamos a debater-nos com problemas relacionados com questões “antigas”, como seja por exemplo a implementação de medidas básicas de higienização das mãos que garantam um cuidado seguro, sem risco de propagação de microrganismos multirresistentes entre doentes.

Desenvolvemos “programas de integração”, mas existem profissionais nas instituições de saúde sem formação adequada (em todas as categorias profissionais), a quem é exigido um desempenho exemplar ou mesmo acima das suas competências. A supervisão desses profissionais é por vezes entendida como uma atividade menor ou que “pode esperar”, e os mecanismos existentes para fazer face à necessidade de mudança são escassos ou encontram-se demasiadas vezes reféns da burocracia, da legislação laboral ou do corporativismo.

Os recursos materiais disponíveis são por vezes escassos ou de menor qualidade. Escolher um dispositivo médico é um verdadeiro desafio quando, para escolher, existe como critério principal o artigo “ao mais baixo preço” ficando excluídos dessa forma todos os materiais (dispositivos médicos, material de penso, etc.) a que estávamos acostumados e que davam garantia do resultado esperado à primeira utilização.

Os recursos humanos são igualmente um desafio. Reajustamos continuamente os profissionais atuais às tarefas e funções já existentes, evitando reduzir a oferta de serviços, ou cortando (inevitavelmente) onde é necessário.

Para quem gere (a todos os níveis) o desafio é enorme. Ser criativo já não é suficiente. Há que encontrar formas de analisar, quantificar e fundamentar todas as decisões tomadas. O envolvimento nos cuidados e principalmente o conhecimento dos seus resultados, baseados na eficiência clínica, têm de estar na primeira linha de quem tem responsabilidades de gestão. E a verdade é que todos nós individualmente, mesmo que não o compreendamos, somos responsáveis pela gestão do nosso trabalho diário.

A auditoria clínica é uma ferramenta que devemos compreender e utilizar sem receio. Ela permite conhecer, pormenorizadamente, como são prestados os cuidados (seja ao nível da estrutura, do processo ou dos resultados) aos doentes à nossa responsabilidade. Uma coisa é certa, um profissional apenas poderá prestar um “cuidado de qualidade e eficiente” se tiver disponível um conjunto de conhecimentos, recursos e uma organização adequados.

A Auditoria Clínica permite identificar quais os fatores que carecem de mudança e de quais nos devemos orgulhar. Com a Auditoria Clínica promove-se a deteção sistemática de pontos fracos no processo, a identificação de oportunidades de melhoria, promovendo o refinamento da organização e a sofisticação da prestação de cuidados.

Para concretizar uma auditoria existem um conjunto de metodologias que devem ser conhecidas, desenvolvidas e aplicadas e ao contrário do que possa por vezes pensar-se, a auditoria não é um processo inalcançável. Com a orientação, e empenho adequados, a maioria dos processos pode ser auditado.

Não podemos esquecer a importância e a interligação entre a qualidade em saúde e a segurança do doente, a governação clinica e a eficiência clínica e como a auditoria clinica as pode potenciar.

Vamos discutir (ao longo dos próximos artigos) os passos que nos vão colocar no melhor caminho para concretizar uma auditoria, e com os seus resultados, melhorar os processos, alcançando mais qualidade dos cuidados e melhor segurança do doente (dos profissionais e da instituição).

Fernando Barroso

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segunda-feira, 16 de maio de 2022

Uma baixa Literacia em Saúde pode ser fatal e coloca em risco a Segurança do Doente | #SD443


Já muito se falou e escreveu sobre a nossa (dos profissionais de saúde) capacidade de comunicar com o doente, de promover a educação para a saúde e também sobre a capacidade da pessoa para concretizar o que lhe é proposto. 

Falamos de Literacia em Saúde.

“A literacia em saúde remete para as competências e os conhecimentos dos indivíduos necessários para acederem, compreenderem, avaliarem e utilizarem informação sobre saúde, que lhes permita tomar decisões sobre cuidados de saúde, prevenção da doença e modos de promoção de uma vida saudável.

Uma baixa Literacia em Saúde pode dar origem, por exemplo, a um maior número de internamentos e a uma utilização mais frequente de serviços de urgência e, também, a uma menor prevalência de atitudes individuais e familiares preventivas no campo da saúde. Ou seja, a uma menor qualidade de vida. (In: Literacia em Saúde em Portugal – 2015 |Fundação Calouste Gulbenkian)"

Da minha janela observei hoje um doente (como faço muitas vezes). Este chamou-me a atenção. 

Com um equipamento de fornecimento de oxigénio na mão esquerda e um cigarro na mão direita, não consegui deixar de ter um sentimento de pena e de tristeza para com este Sr. Quão desesperado deve estar uma pessoa para continuar com um vício que certamente o fará sentir-se pior?

E mais, não saberá que o ato simples que pratica (fumar um cigarro) com uma fonte de O2 mesmo ao lado (estava a usar uns óculos nasais) pode resultar numa catástrofe?

O que estará no pensamento deste Sr? Qual o nivel da sua literacia em saúde? 

O que está certamente presente é um sentimento de derrota, de quase desespero.

Temos tanto para aprender uns com os outros...


Fernando Barroso

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sábado, 14 de maio de 2022

Todos erramos na Segurança do Doente | #SD442

"Errar é Humano"

Não só esta é uma frase "feita" como também é o titulo de uma publicação que marcou (e marca) o início de uma consciência global sobre o erro nos cuidados de saúde, sobre a "Segurança do Doente" e sobre como todos nós - profissionais e doentes - estamos sujeitos ao erro, mas também, de forma consciente, podemos melhorar a forma como organizamos o trabalho (os cuidados prestados) para diminuir a probabilidade do erro ocorrer.

Esta semana, ao dirigir-me a pé para o meu local de trabalho, passei por um painel publicitário colocado numa paragem de autocarro. Depois de passar pelo local senti que algo não estava "bem". Voltei atrás e percebi o erro.

O trabalhador que colocou o painel enganou-se e colocou o painel de "pernas para o ar". Errou.

Lembrei-me de uma definição de erro da qual gosto particularmente.

"Errar é fazer a coisa errada, pensando que estou a fazer a coisa certa."

Este trabalhador errou a colocar a publicidade e não percebeu o seu erro. Daí não virá certamente grande mal ao mundo.

Na prestação de cuidados ao Doente, um erro pode ser fatal. 

Um profissional de saúde não se pode dar ao luxo de estar distraído (mas estamos); temos de verificar tudo o que fazemos (mas nem sempre o fazemos); não devemos falhar, mas todos somos humanos e todos estamos sujeitos aos mesmos factores humanos que potenciam o erro.

Falhamos  porque não damos a devida atenção à nossa Carga de trabalho cognitiva e mental, falhamos porque aceitamos as Distrações como algo normal, falhamos porque nos sujeitamos a um Ambiente físico prejudicial ao trabalho, falhamos ao ultrapassar as Exigências físicas do trabalho. Falhamos quando trabalhamos com um Desenho do produto/equipamento defeituoso. Falhamos quando não conseguimos implementar um verdadeiro Trabalho em equipa, e quando nos deixamos levar por um Desenho do processo repleto de complexidade.

Hoje, quando fores trabalhar, pensa nisto, sê vigilante e evita o erro.

Fernando Barroso

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E-book Factores Humanos

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