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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

5 Erros na Caminhada para a Segurança do Doente | SD261

Será que a tua Instituição comete estes erros na caminhada para a Segurança do Doente?

Apesar do movimento de segurança do doente ter alcançado grandes progressos desde o final da década de 1990, o sector da saúde desviou-se desse percurso durante a caminhada.

No 19º Congresso Anual de Segurança do Doente do National Patient Safety Foundation de 2017, o Dr. Berwick (O ex-administrador da CMS e actual membro do Institute for Healthcare Improvement) falou para uma multidão. No seu discurso, ele apontou alguns erros na abordagem que a comunidade de segurança do doente cometeu ao longo de sua caminhada de melhoria contínua.

Cinco desses erros são destacados abaixo.

1. O dinheiro tornou-se mais importante do que a segurança.
O Dr. Berwick observou que a maioria dos membros dos conselhos dos hospitais e outros executivos estão cada vez mais preocupados com a redução de custos e em “não ficar no vermelho” do que com a segurança do doente.
Na verdade, a “qualidade” e a “segurança” nem sequer alcançaram as cinco principais preocupações dos executivos hospitalares que participaram no Questionário Anual aos Conselhos de Administração da área da Saúde 2017.

2. Acreditar na ilusão de que o sector da saúde alcançou a segurança do doente.
"Nunca teremos terminado", afirmou o Dr. Berwick sobre o movimento de segurança do doente. Ele chamou ao conceito de considerar a melhoria da segurança como um simples exercício de verificação de uma checklist um ponto final "letal" para futuros doentes.

3. Pensar que os incentivos irão melhorar a segurança.
Quase todos os profissionais de saúde vêm trabalhar todos os dias querendo fazer bem, disse o Dr. Berwick. Isso torna ineficaz a teoria do incentivo à melhoria da segurança do doente; Como os incentivos provêm da ideia de que os trabalhadores querem fazer algo errado e precisam de um incentivo para fazer o que é certo. "Até que ... desistamos [da] orientação pelo incentivo à segurança, não faremos progressos".

4. Demasiados indicadores.
A “Saúde” está submersa em indicadores" afirmou o Dr. Berwick. "Nós temos que seguir uma dieta". Ele enfatizou a importância de identificar os indicadores mais críticos e medir apenas aqueles, e não mais.

5. Separação dos movimentos de qualidade e segurança.
Em algum momento desta caminhada, a qualidade e a segurança foram colocadas em dimensões separadas – ao que o Dr. Berwick chamou de "um erro". Ele aplaudiu a fusão entre o Institute for Healthcare Improvement e o NPSF como forma de reunir os dois movimentos. "A fragmentação é um erro. Não temos recursos para desperdiçar em tribalismos", afirmou.


A tua Instituição comete estes erros na caminhada para a Segurança do Doente?
Como podemos “retomar o caminho”?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A utilização de Smartphone no Bloco Operatório compromete a Segurança do Doente? | SD260

Manny Alvarez é médico, Professor Adjunto de Obstetrícia e Ginecologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York. Ele ponderou os prós e contras do uso do smartphone na sala de operações num recente editorial para a Fox News Health.

Aqui estão cinco pensamentos sobre este assunto do Dr. Alvarez.
  1. Os smartphones permitem que os médicos no bloco operatório acedam a aplicativos médicos úteis, procure informações críticas ou solicitem ajuda rápida, se necessário. No entanto, de acordo com o Dr. Alvarez, os hospitais não podem monitorizar adequadamente os médicos para garantir que estes estejam a usar os seus telefones apenas para fins de trabalho.
  2. Os médicos e outros profissionais de saúde que usam os seus smartphones no bloco operatório para simplesmente "matar o tempo" prejudicam a segurança do doente, afirma o Dr. Alvarez.
  3. Ele também observou que os smartphones, que muitas vezes transportam bactérias, quando usados no bloco operatório aumentam o risco de infecção do doente.
  4. Os médicos usam o smartphone para aceder e compartilhar informações privadas do doente. Um relatório de 2016 da Skycure descobriu que 14% dos médicos armazenam dados do doente nos seus smartphones sem uma password e mais de 60% dos médicos transferem a informação do doente por meio de mensagem de texto (SMS).
  5. 5. "Embora os especialistas não consigam dar um número exacto de erros clínicos relacionados com os smartphones, estes dispositivos claramente aumentam o risco da segurança do doente", concluiu o Dr. Alvarez. "Os médicos (e outro pessoal clínico) devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se manterem alerta e diminuir as infecções durante a cirurgia. Os Hospitais e o pessoal clínico devem actuar em conjunto para implementar uma estratégia e aplicá-la. Afinal, é a segurança do doente que está em jogo".
Será que estamos preparados para "limitar" o uso do smartphone em áreas sensíveis dos nossos Serviços de saúde?

E não só em "áreas sensíveis", mas também quando se está a cuidar de um doente, por exemplo, durante um transporte interno (é comum encontrar profissionais a empurrar uma cama ao mesmo tempo que consultam o seu smartphone).

Que mensagem estamos a passar ao nosso doente?

Estamos verdadeiramente atentos ao que se está a passar com ele? 

Reconhecemos estas questões como um risco potencial para a segurança do doente? Provavelmente não.

Fernando Barroso

sábado, 15 de julho de 2017

O Plano de Acção da União Europeia contra a Resistência Antimicrobiana - SD259

Clica na imagem para aceder ao vídeo EM PORTUGUÊS
Os antibióticos são recursos preciosos usados todos os dias para ajudar a curar doenças comuns e prevenir infecções durante a cirurgia.
Infelizmente, devido ao uso excessivo, as bactérias tornam-se resistentes, levando à resistência antimicrobiana. Como resultado, os antibióticos tornam-se menos eficazes e, em última análise, inúteis.

A resistência antimicrobiana apresenta um grave fardo social e económico. Estima-se que seja responsável por 25 mil mortes por ano apenas na UE e custa anualmente 1,5 mil milhões de euros.

A UE está a liderar o caminho com um Plano de Acção que apoia os Estados Membros e promove a colaboração em todos os sectores e a sociedade para combater a resistência antimicrobiana.

sábado, 8 de julho de 2017

2 Mudanças que os hospitais podem fazer para lidarem melhor com doentes idosos no Serviço de Urgência – SD258

À medida que a geração dos “baby boomer” envelhece, os hospitais recebem cada vez mais doentes idosos nos seus Serviços de Urgência (SU) - de acordo com os dados CDC, 1 em cada 6 visitas ao SU foram feitas por uma pessoa idosa em 2013.

"É um lugar terrível para se estar se você é mais velho, porque os idosos são mais propensos a infecções e delírios. Além disso, as tácticas agressivas geralmente usadas no SU não podem realmente prolongar as suas vidas.” Afirma Corita Grudzen, médica especializada em emergência médica do NYU Langone Medical Center.

Por causa da grande quantidade de pessoas mais velhas que chegam aos SU em todo o país (EUA), os hospitais estão a começar a adaptar os seus Serviços para se tornarem mais “amigáveis” ​​para os idosos.

Estas são duas intervenções que os hospitais implementaram para tratar melhor os doentes idosos no SU.

1. Triagem para consultas de cuidados paliativos.
Uma ferramenta de triagem chamada P-CaRES é utilizada pelos clínicos respondendo a um conjunto simples de perguntas. Essas perguntas permitem assinalar os doentes que podem beneficiar de uma consulta de cuidados paliativos. "Ter essa conversa no SU, que é o ponto de entrada para o hospital, é vital. Esta abordagem pode ajudar a reduzir o sofrimento e colocar os doentes onde eles podem receber um atendimento melhor e mais adequado”, afirma Kalie Dove-Maguire, uma médica que usa esta ferramenta no UCSF Medical Center.

2. Criar uma sala de emergência geriátrica separada.
Já muitos hospitais implementaram salas de urgência dedicadas exclusivamente a doentes geriátricos. Estas salas estão geralmente dotadas com clínicos especialmente treinados para diagnosticar e cuidar de pessoas mais velhas. Embora estas salas geriátricas variem de hospital para hospital, o American College of Emergency Physicians estabeleceu normas de orientação (Geriatric Emergency DepartmentGuidelines) que oferecem orientações para o pessoal, equipamentos, educação, políticas e procedimentos para os Serviços de Urgência.


Estas são apenas duas formas de aumentar a Segurança do Doente nos Serviços de Urgência. Temos muito que aprender.

sábado, 10 de junho de 2017

O que acontece quando uma UCIN implementa uma zona “Livre de apertos-de-mão”? - SD257

Numa tentativa de reprimir a propagação de microorganismos, dois Centros Médicos da UCLA instituíram as chamadas “zonas livres de apertos-de-mãos” nas suas unidades de cuidados intensivos neonatais (UCIN) e publicaram os resultados sobre os efeitos dessa mudança no American Journal of Infection Control.

Pesquisas anteriores demonstraram que o “aperto-de-mão” é uma importante fonte de transferência de microorganismos – por exemplo, um estudo de 2014 publicado no American Journal of Infection Control, refere que um “aperto-de-mão” transfere quase o dobro das bactérias do que um “high-five”.

Mark Sklansky, um dos autores do estudo mais recente refere que "Estamos a tentar fazer tudo, excepto a coisa mais óbvia e mais fácil de fazer, na minha opinião, o que é parar de apertar as mãos".

Investigadores da UCLA testaram a viabilidade de estabelecer zonas livres de apertos-de-mão implementando-as em duas Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN).

Eles afixaram cartazes por toda a UCIN, explicando a nova política, distribuíram materiais educativos impressos pelos profissionais e familiares dos doentes e encorajaram outras formas de saudações, como acenos, sorrisos ou “toques de punho”. Adicionalmente, eles inquiriram os profissionais e os familiares dos doentes antes e depois da implementação das zonas livres de apertos-de-mão para avaliar as reacções aquela medida e se o número de apertos-de-mão realmente diminuía.

A pesquisa revelou que as famílias dos doentes preferiam uma saudação envolvendo contacto visual, um sorriso, ser abordada pelo seu nome próprio e ser questionada sobre o seu bem-estar em vez de uma saudação que envolvesse um aperto de mão.

No entanto, mesmo após a implementação das zonas, cerca de um terço dos profissionais das unidades ainda não apoiavam as zonas livres de aperto de mão. Um profissional comentou: "Se eu já fiz o meu trabalho, o risco de espalhar microorganismos é mínimo... lavar as mãos é a chave, não o aperto de mão". Outros acreditavam que não apertar as mãos não teria impacto nas taxas de infecção, e que não corresponder a um “aperto de mão” de um pai poderia ser entendido como uma atitude grosseira.

A maioria dos que apoiavam uma política sem apertos de mão eram enfermeiros/as e alunos da faculdade de medicina, enquanto os médicos do sexo masculino eram mais resistentes à mudança.

Embora nem todos os profissionais tenham apoiado a experiência da zona livre de apertos de mão, o número de vezes que este tipo de cumprimento ocorria nas duas UCIN diminuiu como resultado desta experiência.
Este estudo identificou os grupos que podem mostrar resistência ao estabelecimento de “zonas livres de apertos-de-mão” e demonstrou ser possível implementar essas zonas, no entanto, não examinou se as infecções diminuíram como resultado desse programa. No entanto, o Dr. Sklansky "espera responder a essa pergunta num estudo futuro".

Cumprimentar alguém com um aperto de mão é um gesto “automático” e difícil de eliminar. Mas, quem nunca ficou com a sensação de ficar com as suas mãos sujas após cumprimentar alguém?


Fica aqui mais um exemplo de uma estratégia para diminuir a “transmissão da infecção” nos nossos serviços de saúde.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Citações inspiradoras dirigidas a Médicos e Enfermeiros nos discursos de fim de curso em 2017 - SD256

Os discursos realizados no final de um curso de Enfermagem ou de Medicina devem inspirar optimismo e motivar a mudança entre os novos médicos e enfermeiros - mas estes discursos também podem motivar aqueles que já estão na linha de frente dos cuidados de saúde à vários anos.

Estas são cinco citações notáveis de discursos de fim de curso proferidos nesta primavera.

1. "A alegria mais doce que qualquer um pode ter é a oportunidade, de uma forma amorosa, de se aproximar e ajudar o outro. É isto que a sua profissão significa. É isto que define a medicina. Que possa ser sempre assim," disse Francis Collins, MD, PhD, director of the National Institutes of Health, at the University of Michigan Medical School commencement in Ann Arbor May 12.

2. "As boas intenções não são suficientes, mas existe uma qualidade essencial para o sucesso na medicina: humildade," disse Tom Frieden, MD, former director of the CDC at the May 24 commencement for Albert Einstein College of Medicine in New York City. "Um interno perigoso não é o interno que não sabe nada. É o interno que não sabe que não sabe nada".
Ele acrescentou ainda: "Mas, a humildade não significa falta de confiança. A humildade não significa insegurança. É necessária confiança para o cirurgião cortar, o internista para prescrever, o investigador para experimentar, o especialista em prevenção para implementar. Todos compartilhamos um compromisso para curar, para agir apesar da inevitabilidade da certeza incompleta ".

3. "Quando assistimos a um filme e um momento importante está prestes a acontecer, como sabemos? Porque há um close-up e a música muda. Bem, na vida, não há close-up e não há mudança de música," disse Jon LaPook, MD, chief medical correspondent for CBS News, at the Quinnipiac University Frank H. Netter, MD, School of Medicine commencement May 14. "Vais ter de ser tu a “tocar” a banda sonora dentro da tua cabeça. Vais ter de ser tu a controlar o botão de zoom. Vais ter de agarrar esse momento quando o doente - consciente ou inconscientemente – te disser qual é o seu problema. Vais precisar que ele se abra contigo como um ser humano para outro. E ele não fará isso a menos que ele saiba que está a falar com um ser humano".

4. "A tua obrigação a partir de hoje é defender os vulneráveis e os sem voz. E se isso significar envolver-se em controvérsias, então faça-o de qualquer maneira," disse Vivek Murthy, MD, the 19th Surgeon General of the United States, at the May 15 UCSF School of Medicine commencement. "Se isso significar assumir o risco de ser rotulado como político, faça-o de qualquer maneira porque só vale a pena ter princípios se você tiver a coragem de agir de acordo com esses princípios".

5. "Você precisa tomar o seu lugar na mesa. Você é o futuro dos cuidados de saúde," disse Sylvia Trent-Adams, PhD, RN, at the UTHealth School of Nursing commencement May 9 in Houston. "Eu gostaria de poder dizer-lhe que a estrada será fácil. Haverá momentos em que você vai questionar a sua competência. Mas, você não estaria aqui se não fosse feito do material certo".

Que estes discursos sejam inspiradores para ti também e que te ajudem a perseverar na Segurança do Doente

sábado, 3 de junho de 2017

Kit de Ferramentas Essenciais para a Melhoria da Qualidade - IHI - SD255


O Institutefor Healthcare Improvement divulgou recentemente as suas 10 ferramentas mais populares num KIT DE FERRAMENTAS DE MELHORIA DA QUALIDADE. Estas são ferramentas fundamentais para um correta planeamento e análise em Segurança do Doente. 

Este kit inclui as seguintes ferramentas (em inglês)
  • Cause and Effect Diagram
  • Driver Diagram
  • Failure Modes and Effects Analysis (FMEA)
  • Flowchart
  • Histogram
  • Pareto Diagram
  • PDSA Worksheet
  • Project Planning Form
  • Run Chart & Control Chart
  • Scatter Diagram


Podes fazer o download grátis do KIT DE FERRAMENTAS DE MELHORIA DA QUALIDADE aqui (tens de estar registado no IHI).

terça-feira, 9 de maio de 2017

SD252 - 7 Características De Um Gestor De Risco Clínico

Recentemente uma leitora do blog colocou um conjunto de perguntas relacionadas com a sua actividade como Gestora de Risco Clínico (GRC) no hospital onde trabalha.

As questões eram múltiplas e entre-cruzadas pelo que tiveram de ser respondidas com um telefonema. Mas não quero deixar de partilhar aqui a minha visão daquilo que um gestor de risco clínico pode e deve ser numa instituição de saúde.

7 Características de um Gestor De Risco Clínico
  1. O GRC é detentor de experiência clínica reconhecida que lhe permita intervir com base no seu conhecimento e prática clínica, sendo reconhecido pela equipa multidisciplinar;

sexta-feira, 5 de maio de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

SD249 - ALERTA DE SEGURANÇA DO DOENTE – Aspiração de micropartículas de vidro na preparação de medicação de ampolas de vidro

Apesar do desenvolvimento científico, continuamos a ter nos nossos serviços ampolas de vidro com medicação que devem ser partidas para que seja possível aspirar o seu conteúdo para uma seringa e posteriormente administrado o medicamento ao doente.

Algo que parece muito simples, esconde riscos para o doente que não podem ser negligenciados.

No artigo - Ampolas de Vidro: Riscos e BenefíciosRevista Brasileira de Anestesiologia Vol. 61, No 4, Julho-Agosto, 2011, os seus autores escrevem:
“No ato da abertura de alguns tipos de ampolas, é comum haver contaminação do conteúdo por partículas de vidro. Há muito esse fato vem sendo observado e relatado dentro da comunidade científica. Esses pequenos fragmentos de vidro podem ser injectados através de várias vias de administração. O anestesista poderá administrar essas partículas tanto no intravascular como através dos espaços peridural e subaracnoídeo. As partículas de vidro podem ainda carregar alguns tipos de metais utilizados na sua fabricação”

Foi exactamente este fenómeno que nos foi transmitido recentemente através de um relato de incidente clínicoO profissional (enfermeiro) escreveu:
“Durante a preparação de uma ampola de hidrocortisona constatámos que existiam resíduos de tinta (vermelha) proveniente da ampola.
Verificamos que ao partir ampola, por vezes, esta tinta "estala" e cai para o interior da ampola.”

terça-feira, 28 de março de 2017

SD248 - Os 10 Eventos Sentinela mais comuns de 2016 relatados à Joint Commission

Os 10 eventos sentinela mais comuns revistos pela Joint Commission não mudaram muito entre 2015 e 2016 - somente os eventos relacionados com a diálise e a morte/lesão perinatal deixaram esta lista. Os “erros de medicação” e “eventos criminosos” tomaram seus lugares.
A Joint Commission procedeu à revisão de menos eventos sentinela em 2016 do que 2015 - 824 em 2016 em comparação com 936 em 2015.
A “retenção involuntária de um corpo estranho” continuou a ser o evento mais comum de dano no doente ocorrido em hospitais, ambulatórios e outros locais de atendimento pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com o Sumário de Dados de Eventos Sentinela da Joint Commission divulgado no início do mês de março de 2017.
Os 10 eventos sentinela mais relatados em 2016 são os seguintes:
  1. Retenção involuntária de um corpo estranho - 120 relatos
  2. Doente-errado, local-errado, procedimento-errado – 104 relatos
  3. Queda – 92 relatos
  4. Suicídio - 87 relatos
  5. Não categorizado (categoria não atribuída no momento do relatório) - 70 relatos
  6. Atraso no tratamento - 54 relatos
  7. Outros eventos imprevistos (incluindo asfixia, queimadura, asfixia por alimentos, afogamento ou doente encontrado inanimado) - 47 relatos
  8. Complicações operatórias/pós-operatórias - 45 relatos
  9. Erro de medicação - 33 relatos
  10. Acontecimento criminoso - 32 relatos
Na tua instituição existe uma lista divulgada de "eventos sentinela"?
Quais foram os mais comuns em 2016?

sábado, 25 de março de 2017

SD247 - 10 Principais Preocupações de Segurança do Doente em 2017

O Emergency Care Research Institute (ECRI)  divulgou no início de Março de 2017 o seu relatório "10 Principais Preocupações de Segurança do Doente para Organizações de Saúde em 2017", colocando a gestão da informação do processo clínico electrónico, o uso de suporte à decisão clínica e a stewardship à prescrição de antibióticos no topo da lista.

Este relatório anual baseia-se nos dados da Organização de Segurança do Doente do Instituto ECRI, nas preocupações levantadas pelas instituições de saúde e no julgamento de peritos e pretende ajudar as instituições a priorizar as questões e criar planos de acção correctivos.

As 10 escolhas do Instituto ECRI para as principais preocupações de segurança dos doentes em 2017 são:
  1. Gestão da informação do processo clínico electrónico;
  2. Não reconhecimento da deterioração do estado clínico do doente;
  3. Implementação e uso de ferramentas de suporte à decisão clínica;
  4. Divulgação e acompanhamento dos resultados dos meios complementares de diagnóstico;
  5. Stewardship à prescrição de antibióticos;
  6. Correcta identificação do doente;
  7. Correcta Administração e monitorização de opiáceos;
  8. Problema de “saúde mental/comportamental” em instituições/serviços de cuidados gerais (“não-comportamentais”);
  9. Gestão adequado de novos anticoagulantes orais;
  10. Sistemas ou processos organizacionais inadequados à melhoria da segurança e a qualidade.
Concordas com esta lista?
Que outras preocupações gostarias de ver incluídas nesta lista?

sexta-feira, 24 de março de 2017

SD246 - Vídeo Transparência na Prática Clínica


A Hofstra North Shore-LIJ School of Medicine realizou um estudo onde foi monitorizado, de forma aleatória através de câmaras de vídeo, a implementação de actividades chave de segurança do doente (por exemplo, checklist cirúrgica), dando feedback em tempo real.

Com esta actividade foi observado um aumento de 14% na conformidade com as políticas e procedimentos de segurança do doente. Este aumento da conformidade perdurou após a conclusão do estudo.

Se hoje não nos surpreende que as forças de segurança gravem as suas actividades, seria possível fazer o mesmo na prática clínica e nas nossas instituições de saúde?
Partilhado inicialmente por Gonzalo Carreño (Manager na Antares Consulting) 
Resumo do estudo disponível em:
e
http://qualitysafety.bmj.com/content/qhc/early/2016/01/28/bmjqs-2015-005058.full.pdf

sábado, 4 de fevereiro de 2017

SD242 - Orientação para substituição de óculos nasais e humidificadores

Existem orientações relativamente ao tempo de substituição de óculos nasais e humidificadores (ex. aquapack)?

Esta foi a pergunta de uma leitora do blog, demonstrando a sua preocupação com medidas de controlo de infecção, pois a informação que encontrava não era totalmente esclarecedora.

Com a colaboração do Grupo Coordenador Local de Controlo de Infecção e Prevenção da Resistência aos Antimicrobianos (GCLCIPRA) do Centro Hospitalar de Setúbal, elaboramos as seguintes orientações:
  • Os óculos nasais e os humidificadores são de uso único/descartável (artigo disposable), devendo ser substituídos sempre que não reúnam condições de higiene e segurança;
  • Quanto ao tempo máximo de permanência dos óculos nasais no doente, o fornecedor (Intersurgical Portugal) recomenda 7 dias, de acordo com estudos realizados em circuitos ventilatórios, pois não há estudos (nesta data) realizados especificamente em óculos nasais;
  • No que respeita aos humidificadores, salienta-se que o seu uso não se encontra recomendado para administração de oxigénio a baixo débito (≤4l/min), segundo a Guidelinefor emergency oxygen use in adult patients da British Thoracic Society, cuja leitura se recomenda.

Este artigo foi preparado com a colaboração das Enfermeiras Felisbela BarrosoVerónica Florêncio, GCLCIPRA - CHS

sábado, 21 de janeiro de 2017

SD240 - Baixa Participação dos Profissionais na Avaliação da Cultura de Segurança do Doente. Devo ficar preocupado?

No dia 20/01/2017 a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), promoveu uma sessão denominada Plano Nacional para a Segurança do Doente - Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno.

Um dos temas mais comentado foi o da Avaliação da Cultura de Segurança do Doente.

O questionário da "Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais Portugueses” passou a ser aplicado, a partir de 2014, em todos os hospitais do Sistema de Saúde Português (DGS- Norma nº 025/2013 de 24/12/2013 atualizada a 19/11/2015 - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais).
Também nos Cuidados de Saúde Primários, essa avaliação é agora uma realidade (DGS- Norma nº 003/2015 de 11/03/2015 - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Cuidados de Saúde Primários).

Uma das principais dificuldades da generalidade das Instituições é garantir a adesão voluntária dos seus profissionais ao preenchimento do questionário por forma a obter uma % de participação “representativa”.
Há mesmo quem advogue uma alteração da estratégia de aplicação do questionário passando-o de voluntário para “obrigatório”.

Na minha opinião esta é uma discussão desnecessária, veja-se:

Reconhecendo que não são idênticas, considero no entanto que não existe variação significativa nas dimensões normalmente bem classificadas nem nas dimensões classificadas com os valores mais baixos (dimensões problemas).

Isto verifica-se nos resultados das avaliações internacionais que tem ocorrido (fonte dados DGS),
 assim como nos resultados das instituições nacionais (fonte dados DGS), independentemente da % de participação ser elevada ou baixa.
Arrisco a dizer que, mesmo numa instituição que nunca tenha sido avaliada, se o questionário for aplicado, os resultados serão praticamente sobreponíveis àqueles que já conhecemos de outras instituições nacionais.

sábado, 14 de janeiro de 2017

SD239 - Desafios de Segurança do Doente para 2017


Com um novo ano, os desafios de Segurança do Doente nas nossas Instituições ganham um novo impulso. É necessário concluir a informação relativa ao ano que terminou, mas também planear o novo ano, melhorando o nosso desempenho e desenvolvendo novas estratégias que promovam a Segurança Do Doente.

Foi com base nesta ideia simples que lancei um desafio aos leitores do blog, através da nossa Newsletter.

Pedi que partilhassem comigo “Quais consideravam ser os Principais Desafios de Segurança do Doente para o ano de 2017”

Para responder, foi disponibilizado um simples formulário on-line e informado que os dados seriam posteriormente partilhados no blog.
A adesão foi excelente e agradeço publicamente a todos aqueles que participaram.

Foram enviados um total de 186 comentários entre o dia 04 e o dia 12 de Janeiro de 2017.

Fazendo uma análise de conteúdo por temáticas à informação enviada, esta pode ser agregada da seguinte forma:

domingo, 8 de janeiro de 2017

SD238 - Falta de civismo na sala de Operações | Como Responder?

A falta de civismo e bullying na sala de operações é um problema comum, mas perigoso.
De acordo com um artigo na edição de Janeiro de 2017 do AORN Journal, 88% dos enfermeiros têm testemunhado falta de civismo por parte de médicos e 48% dos médicos têm notado falta de civismo por parte dos enfermeiros.
Não só o bullying e a falta de civismo afectam a saúde dos trabalhadores, bem-estar e satisfação no trabalho, como também podem afectar negativamente os doentes. "A constelação de acções de falta de civismo mas também de inacção pode resultar em erros fatais, complicações evitáveis e até mesmo a morte de um doente", escreveram as autoras.
No artigo do AORN Journal, escrito por Cynthia Clark, PhD, RN, e Diane Kenski, BSN, RN, é descrito um exemplo de falta de civismo envolvendo um cirurgião que não quis participar num “time-out” dirigido por uma enfermeira recentemente chegada ao Bloco Operatório, menosprezando a enfermeira na frente dos outros.
Clark e Kenski dão de seguida exemplos de como o hospital, o enfermeiro chefe e o enfermeiro afectado devem responder a essa situação.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SD237 - Josie King - Um caso real de falha de Segurança do Doente

Em 2001, a pequena Josie King, de 18 meses, morreu de desidratação e da incorrecta administração de um narcótico, no Hospital Johns Hopkins. A sua história é apresentada pela sua mãe num vídeo de 10 minutos. Um testemunho arrepiante de como a segurança do doente pode ser facilmente descurada.

Este é um testemunho que merece ser ouvido e "reflectido". Não é "voyeurismo" nem serve para "ter pena". Temos de perceber que a desorganização (por vezes não reconhecida) dos serviços de saúde tem repercussões naqueles que cuidamos e em nós próprios, profissionais de saúde.


Partilho de seguida o vídeo que me foi enviado pela APDH, acompanhado do seguinte texto: 
"Uma morte motivada por um conjunto de erros médicos…a partilha de uma comovente história que impõe a nossa reflexão e nos motiva na procura de tentarmos fazer mais e melhor para a melhoria da qualidade e da segurança do doente nos serviços de saúde."
Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar
Portuguese Association for Hospital Development



A mãe de Josie criou a JOSIE KING FUNDATION  com o objectivo de promover a cultura de segurança do doente.

Todos devemos esse compromisso à pequena Josie.
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