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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE | Facto nº 3 | (#SD310)


10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE 
10 facts on patient safety 
Actualizado pela OMS em Março de 2018


Facto #3 - O uso inseguro de medicamentos prejudica milhões e custa biliões de dólares por ano

As práticas de medicação inseguras e erros de medicação são uma das principais causas de danos evitáveis nos sistemas de saúde em todo o mundo.

Globalmente, o custo associado aos erros de medicação é estimado em 42 biliões de dólares/ano, sem contar com os salários perdidos, a produtividade ou os custos com assistência médica.
Isto equivale a quase 1% das despesas globais em saúde.

Os erros de medicação ocorrem quando sistemas de medicação deficientes e/ou factores humanos como a fadiga dos profissionais, más condições de trabalho, interrupções no fluxo de trabalho ou escassez de recursos humanos afectam a prescrição, transcrição, dispensa, administração e monitorização, o que pode resultar em danos graves, incapacidade e até a morte.

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE | Facto nº 2 (#SD309)


10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE 
10 facts on patient safety 
Actualizado pela OMS em Março de 2018

Facto #2 - Durante a permanência no hospital,
1 em cada 10 doentes sofre danos

As estimativas mostram que nos países com um “rendimento económico elevado”, 1 em cada 10 doentes sofre um dano durante o atendimento hospitalar.
O dano pode ser causado por uma série de incidentes ou eventos adversos, sendo que quase 50% deles serão evitáveis.

Num estudo sobre frequência e evitabilidade de eventos adversos em 26 países com um rendimento económico baixo ou médio, a taxa de eventos adversos foi de cerca de 8%, dos quais 83% poderiam ter sido evitados e 30% levaram à morte.

Aproximadamente dois terços de todos os eventos adversos ocorrem em países com um rendimento económico baixo ou médio.

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente

sábado, 29 de setembro de 2018

10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE | Facto nº 1 | (#SD308)


10 FACTOS SOBRE A SEGURANÇA DO DOENTE 

10 facts on patient safety 

Actualizado pela OMS em Março de 2018

A segurança do doente é uma séria preocupação global de saúde pública.

uma hipótese em 1 milhão de uma pessoa ser prejudicada enquanto viaja de avião.
Em comparação, existe uma probabilidade de 1 em 300 de um doente ser prejudicado durante os cuidados de saúde.

As indústrias com maior risco percebido, como as indústrias de aviação e nuclear, têm um registo de segurança muito melhor do que os serviços de saúde.
Facto #1 - Os danos causados a doentes representam a 14ª maior causa de doença global, sendo comparável a doenças como a tuberculose e a malária.


Estima-se que existam 421 milhões de internamentos/ano em todo o mundo, e que ocorrem aproximadamente 42,7 milhões de eventos adversos/ano em doentes durante essas hospitalizações.


Usando estimativas conservadoras, os dados mais recentes mostram que o dano provocado ao doente é a 14ª causa principal de morbilidade e mortalidade em todo o mundo.

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!
#umdiaserastuodoente

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

ALERTA DE SEGURANÇA DO DOENTE - Possível Queda de Roupeiro Sobre o Doente (#SD304)


Após tomar conhecimento de um incidente que envolveu a queda de um roupeiro sobre um doente venho desta forma informar e alertar todos os leitores do Blog para esta possibilidade, que pode ocorre com mobiliário hospitalar idêntico ou semelhante.
  


Risco para o Doente: Traumatismos com diferentes graus de gravidade.

Este tipo de incidente ocorre quando o mobiliário não se encontra fixo à parede. Está também documentado este tipo de incidente em residências, nomeadamente com mobiliário idêntico aquele que pode identificar na imagem abaixo.

imagem do site: http://www.pieuvre.ca/2016/06/28/mort-denfants-rappel-majeur-de-commodes-chez-ikea/
Relativamente ao incidente foram apuradas as seguintes causas:
  • Roupeiro não se encontrava fixo à parede.
  • O roupeiro não estava em equilíbrio perfeito. Um 1 dos pés da frente estava danificado, o que o fazia inclinar ligeiramente para um dos lados, situação que não sendo claramente percetível se veio a verificar após a queda do móvel.
  • A doente era de estatura baixa e usou a porta e a prateleira interior do roupeiro para aceder à prateleira superior.
RECOMENDAÇÃO:

sábado, 18 de agosto de 2018

Avaliação da Segurança do Doente à saída de um Serviço de Saúde (#SD303)

Há uns dias, passando por um aeroporto nacional encontro um equipamento que me questionava sobre a qualidade de um serviço (naquele caso sobre o controlo de passaportes, mas também já vi igual em supermercados).

Não pude deixar de pensar numa analogia:
- E se fizéssemos o mesmo com equipamento semelhante, nos Serviços de Saúde, sobre a Segurança do Doente?
- Qual seria a maioria das respostas? Haverá literacia suficiente?
- Que implicações para os Serviços, Profissionais e todo o Sistema?

Seria algo assim:

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente




 
Esta é a foto original

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Erro Médico | Revista Super Interessante Brasil - Julho 2018 (#SD302)

A Revista Super Interessante (Brasil) publicou no seu numero de Julho de 2018 o artigo "Erro Médico".

Leia neste artigo "Cinco casos impressionantes de erros em hospitais, contados pelas próprias vítimas"

Qualquer semelhança com a realidade de outros países é pura coincidência...
Revista Super Interessante - Julho 2018
Pode ler ou descarregar o artigo AQUI

Fernando Barroso
UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente

sábado, 7 de abril de 2018

Fármacos e Materiais de Consumo Clínico na Prestação de Cuidados Paliativos Domiciliários – Segurança do Doente 290


NORMA 
1. A lista de fármacos considerados essenciais para o exercício da atividade assistencial das Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos e que exige prescrição por médico da referida equipa, com formação específica em Cuidados Paliativos, é a seguinte:  Ler norma no link abaixo)

Norma DGS nº 009/2018 de 06/04/2018

domingo, 11 de março de 2018

Aumentar a Segurança Cirúrgica| PNSD-15-20 | Segurança do Doente 286

Aumentar a Segurança Cirúrgica é o 3º objetivo estratégico do Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Este artigo está dividido da seguinte forma:
  • O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20
  • METAS PARA O 3º OBJECTIVO
  • ACÇÕES A DESENVOLVER
  • ESTRATÉGIAS E ACÇÕES CONCRETAS A IMPLEMENTAR

O QUE NOS DIZ O PNSD-15-20

A Organização Mundial da Saúde estima que, pelo menos, metade dos incidentes decorrentes da prestação de cuidados de saúde ocorre durante o ato cirúrgico, num universo em que o número de cirurgias major, realizadas no mundo, é superior ao número de nascimentos.
Estima, ainda, que 50% das complicações associadas à prática cirúrgica são evitáveis.

É no bloco operatório que parece constatar-se um dos ambientes de trabalho mais complexos da prestação de cuidados de saúde.

A tecnologia sofisticada, de acordo com o procedimento cirúrgico a realizar e a multidisciplinaridade a que obriga, constituída por anestesistas, cirurgiões, enfermeiros e outros técnicos, obriga a uma interacção perfeita num contexto de elevada complexidade.

Como a segurança cirúrgica não era reconhecida como um problema de saúde pública e os sistemas de informação, quando existentes, não permitiam monitorizar os procedimentos nem avaliar os resultados e, ainda, como não existia padronização dos procedimentos de garantia da segurança cirúrgica na maioria dos países, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu, em 2007, o projecto “Cirurgia Segura Salva Vidas”.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O PNSD-15-20 e a sua importância para a Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde | SD278

Com o Despacho nº 1400-A/2015 o Governo Português vincula as Administrações das Instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 (PNSD-15-20).

Importa tomar consciência de que a concretização do PNSD-15-20 não está apenas à responsabilidade das Administrações ou das Comissões de Qualidade e Segurança do Doente (CQSD) das Instituições, mas sim atribuída a TODOS os actores dentro da Instituição. Senão veja-se.

Logo na sua introdução pode ler-se:
"O Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 visa, principalmente, apoiar os gestores e os clínicos do Serviço Nacional de Saúde na aplicação de métodos e na procura de objectivos e metas que melhorem a gestão dos riscos associados à prestação de cuidados de saúde …)."

Mais à frente lê-se que “O presente Plano,(…), obriga ao envolvimento das responsabilidades de governação, de coordenação e da prática operacional da prestação de cuidados (…)."

Ou seja, somos todos responsáveisE quando digo todos incluo também os doentes - utilizadores dos serviços- e todos os profissionais, peças indispensáveis ao seu funcionamento, mas também beneficiários do serviço quando nos encontramos na condição de doente/utilizador.

O PNSD-15-20 vincula-nos a todos à “aplicação de métodos” e à “procura de objectivos e metas”.

Ora o PNSD-15-20 é generoso ao apresentar e sugerir os métodos e acções que devemos desenvolver para alcançar as metas propostas, também elas explícitas e facilmente mensuráveis. Já quanto à capacidade que teremos de as alcançar já muito haverá a discutir (mas fica para um próximo artigo).

Também é importante clarificar que este PNSD-15-20  faz parte integrante da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015-2010 (ENQS-15-20).

Na ENQS-15-20 pode ler-se que “(…) a nova versão da Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015 -2020 pretende contribuir para o reforço da equidade como dimensão essencial do Serviço Nacional de Saúde, entendida como a garantia de que o acesso à prestação de cuidados de saúde se realiza em condições adequadas às necessidades, impondo o desafio, aos serviços prestadores de cuidados, de incorporarem, num quadro de melhoria contínua da qualidade e da segurança, as acções de promoção da saúde e de prevenção das doenças, da mesma forma que incorporam os cuidados curativos, de reabilitação e de paliação.”

“A Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde 2015 -2020 mantém e reforça os destinatários da Estratégia 2009 -2014. Redefine as suas prioridades estratégicas e as acções que destas decorrem, através do reforço acentuado da melhoria da segurança dos cuidados de saúde, com a criação de um Plano Nacional para a Segurança dos Doentes, que dela faz parte integrante.”
“A prioridade dada pela presente Estratégia à segurança dos doentes inscreve -se no quadro de uma política pública de luta contra os incidentes de segurança associados à prestação de cuidados de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, respeitando a Recomendação do Conselho da União Europeia, de 9 de junho de 2009.”

Fica assim claro o peso cada vez maior da Segurança do Doente enquanto estratégia abrangente a perseguir para alcançar um cuidado de qualidade em saúde, definida nesta estratégia como “a prestação de cuidados acessíveis e equitativos, com um nível profissional óptimo, que tem em conta os recursos disponíveis e consegue a adesão e satisfação do cidadão, pressupõe a adequação dos cuidados às necessidades e expectativas do cidadão.”

A ENQS-15-20 adopta as seguintes prioridades estratégicas de actuação:
a) Enfoque nas intervenções locais, nos serviços, unidades prestadores e instituições;
b) Melhoria da qualidade clínica e organizacional;
c) Aumento da adesão a normas de orientação clínica;
d) Reforço da segurança dos doentes;
e) Reforço da investigação clínica;
f) Monitorização permanente da qualidade e segurança;
g) Divulgação de dados comparáveis de desempenho;
h) Reconhecimento da qualidade das unidades de saúde;
i) Informação transparente ao cidadão e aumento da sua capacitação.

Parece inequívoca a nossa obrigação (enquanto profissionais de saúde) em orientar os cuidados, a sua gestão e organização aos princípios definidos na ENQS-15-20 e ao PNSD-15-20.

Permite-me colocar algumas questões:
  • Na tua instituição este compromisso é visível?
  • Tens conhecimento de iniciativas desenvolvidas na tua instituição que possas associar à ENQS-15-20 e ao PNSD-15-20?
  • O que podes tu fazer para contribuir para a implementação das medidas previstas na ENQS-15-20 e ao PNSD-15-20?


Na Instituição onde trabalho a CQSD têm em marcha desde 2016 um plano interno com o objectivo de dar resposta efectiva ao solicitado.
Foram constituídos grupos de trabalho, cada um responsável por um objectivo especifico do PNSD-15-20.

Alem desta estratégia, a verdade é que como Instituição Acreditada pelo CHKS, muitas das metodologias e ferramentas necessárias para alcançar as metas definidas no PNSD-15-20 estão já em marcha e fazem parte da nossa forma de funcionar.

Estamos todos (no CHS) empenhados em conseguir o melhor resultado possível para cada um dos objectivos estabelecidos.


No próximo artigo vamos dar seguimento à proposta que vos fiz a 01/01/2018. Vamos analisar e discutir o primeiro objectivo estratégico do PNSD-15-20 - Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno - e partilhar as estratégias utilizadas para o conseguir.


Conto com a tua colaboração nos comentários abaixo e com a partilha destes artigos pelas tuas redes sociais.


UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Proposta de trabalho| PLANO NACIONAL PARA A SEGURANÇA DOS DOENTES 2015-2020 | SD277


A importância da Segurança do Doente é inegável. Está por todo o lado. É “abertura de jornais”, é uma preocupação quando o Presidente é operado (esperemos que não “apanhe” nenhuma infecção) ou usada como arma de arremesso quando se pretendem esgrimir argumentos face ao aumento do numero de doentes em espera nas urgências.
Mas todos podemos, e devemos fazer a nossa parte.
Neste início de ano propus aos subscritores da Newsletter do blog um “desafio ainda maior de partilha e de crescimento”.
Este plano foi publicado no Diário da República de 10 de Fevereiro de 2015 e têm já praticamente 3 anos de implementação. Faltam, pois, mais 3 anos até ao fim do seu prazo de concretização plena.
Na maioria das Instituições todos nós desenvolvemos diferentes estratégias para cumprir com os objectivos estratégicos propostos no PNSD-15/20:
1. Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno.
2. Aumentar a segurança da comunicação.
3. Aumentar a segurança cirúrgica.
4. Aumentar a segurança na utilização da medicação.
5. Assegurar a identificação inequívoca dos doentes.
6. Prevenir a ocorrência de quedas.
7. Prevenir a ocorrência de úlceras de pressão.
8. Assegurar a prática sistemática de notificação, análise e prevenção
de incidentes.
9. Prevenir e controlar as infeções e as resistências aos antimicrobianos.
Aquilo a que me propus foi a analisar a cada mês um dos objectivos estratégicos, desconstruir os seus conceitos base, as dificuldades, os desafios e as oportunidades da sua implementação.

O grande objectivo é partilhar aqui no blog as estratégias para alcançar o que o PNSD-15/20 nos propõe.
A cada mês irei apresentar aqui no blog essa discussão através da publicação de diferentes artigos ao ritmo de um objectivo estratégico por mês.
Acredito que será muito útil se todos os leitores do blog aceitarem discutir, de forma alargada, sem barreiras ou constrangimentos, as diferentes “formas de fazer”, partilhando as boas práticas que muitos vão implementando nos nossos Serviços e Instituições.

A ti, como leitor do blog, peço para esta ideia a tua especial atenção e se possível o teu apoio e compromisso.
Tenho a certeza que juntos vamos conseguir tornar mais fácil os desafios que o PNSD-15/20 nos coloca a todos.

Espero poder contar contigo.

UM DIA SERÁS TU O DOENTE!

#umdiaserastuodoente
Fernando Barroso


sábado, 9 de dezembro de 2017

Quais os 10 Principais Riscos relacionados com a Tecnologia na Saúde para 2018 | SD275

À medida que a tecnologia se torna mais avançada, também surgem mais perigos e riscos potenciais.

É com base nesta premissa que o Emergency Care Research Institute – ECRI revelou os 10 Principais Riscos relacionados com a Tecnologia na Saúde para 2018.

Para criar esta lista anual, a equipa de especialistas da ECRI sugere tópicos para consideração. De seguida um painel de peritos, estratifica-os com base nos seguintes critérios:
  • Gravidade. Qual a probabilidade de o perigo causar ferimentos graves ou a morte?
  • Frequência. Quão provável é o perigo? Isso ocorre com frequência?
  • Abrangência. Se o risco ocorrer, as suas consequências podem afetar um grande número de pessoas, dentro de uma instituição ou em várias instituições?
  • Insidiosa. O problema é difícil de reconhecer? O problema poderia levar a uma cascata de erros a jusante antes de ser identificado ou corrigido?
  • Perfil. O perigo é suscetível de receber publicidade significativa? Foi relatado nos média, e um hospital afetado provavelmente receberá atenção negativa? O risco tornou-se um foco de órgãos reguladores ou agências de acreditação?
  • Prevenção. Podem ser tomadas ações agora para evitar o problema ou pelo menos minimizar os riscos? O aumento da consciencialização sobre o risco ajudará a reduzir futuras ocorrências?
Todos os tópicos seleccionados para a lista são, até certo ponto, evitáveis.

No topo da lista para 2018 está o pedido de “resgate” (ransomware) e outras ameaças à segurança on-line.

"Num ambiente de saúde, um ciberataque pode afetar significativamente a prestação de cuidados de saúde, tornando inutilizáveis os sistemas informáticos, impedindo o acesso aos registros de dados do doente e afetando a funcionalidade de dispositivos médicos em rede", observa o relatório da ECRI.

Os problemas de segurança informática podem prejudicar o fornecimento de consumíveis, causar o cancelamento de procedimentos, expor informações privadas e colocar a segurança dos doentes em risco.

E apesar dos esforços contínuos, o tema continua a ser problemático. A 15-05-2017 a ACSS emitia um comunicado que começava assim: “Como é do conhecimento geral, está a decorrer um ciberataque sem precedentes na história. A apreciação dos factos disponíveis leva à necessidade de medidas cautelares adicionais.”

Os outros nove perigos na lista incluem:

sábado, 28 de outubro de 2017

A Formação em Segurança do Doente não tem de ser Complicada - SD268

Depois de mais um período intenso de formação e partilha com mais de 120 formandos de diferentes categorias profissionais (Médicos, Enfermeiros, Assistentes Operacionais, Assistentes Técnicos e TDT's), confirmo o que à muito venho a defender:

- Uma formação em "Segurança do Doente" estruturada de forma simples e apelativa, que incorpora mais de 50% de prática simulada e exemplos práticos, cativa qualquer profissional e “prende” à sala até o profissional mais renitente.

Como é que eu estruturo as minhas sessões?

1. Estabelecer os conceitos chave
Ao estabelecer os conceitos chave não me limito a ler ou apresentar a definição do conceito.
Eu explico aos formandos a minha própria interpretação de cada conceito e de seguida apresenta exemplos práticos. Desta forma o conceito é mais facilmente compreendido por todos.

2. Utilizar a “prática simulada”.
Nem sempre é possível ir ao “terreno” e praticar a aplicação de algumas ferramentas – Avaliação do Risco; Análise das Causas Raiz; HFMEA; Notificação de incidentes – Mas é sempre possível transportar essas ferramentas para a sala e fazer prática simulada com resultados muito bons para experiência do formando.

3. Não ter medo de partilhar casos e exemplos reais
Em segurança do doente tenho aprendido que tudo pode acontecer.
Também sei que aquilo que ocorre numa instituição pode não acontecer noutra, ou que os profissionais de diferentes em instituições notificam de formas diferentes e tem diferentes preocupações.
A verdade é que a partilha de casos e exemplos reais é cativante e constitui uma excelente forma de deixar bem claro que a segurança do doente deve ser uma prioridade e que o dano para o doente como resultado da prestação de cuidados de saúde é muitas vezes catastrófico.

Tão importante como “saber” é “fazer”.
Para alcançar os meus formandos eu não posso ser “enfadonho”.
Acredito que todos querem “fazer bem” e sei que todos querem conhecer o que efectivamente acontece aos doentes através da minha experiência.
Pelas reacções que recebo - por vezes emocionadas – sei que este é o caminho.

Obrigado a todos os meus formandos. E não se esqueçam.


Um dia serás tu o doente!

sábado, 7 de outubro de 2017

Se os membros do governo tivessem de observar os doentes com dor talvez eles agissem para reduzir a falta de pessoal - SD267

"Se os membros do governo tivessem de observar os doentes com dor talvez eles agissem para reduzir a falta de pessoal."

Este é um texto construído com base num artigo de Jenni Middleton, publicado no Nursing Times.

O que é que te frustrou mais no último turno? O que é que te vai impedir de providenciar o nível de cuidado que desejarias dar aos teus doentes no próximo turno?

“Recentemente ocorreu um Congresso Anual de Enfermeiros Directores, em Manchester, durante 2 dias. Este é um evento onde os Enfermeiros Diretores se reúnem para discutir assuntos chave do momento e encontrar soluções para os desafios realmente difíceis que eles e as suas equipas têm de enfrentar.”

“Consegues imaginar qual foi o principal tópico de conversa - em cada uma das sessões individuais do programa independentemente do seu assunto? É a mesma resposta que tu provavelmente destes às duas primeiras perguntas colocadas no início deste artigo. A Falta de pessoal.”

“Enquanto se debate a implementação de inúmeros programas de saúde repletos de acrónimos e jargão técnico aquilo que realmente sabemos é que nenhum destes programa irá realmente funcionar se eles não forem implementados pelas equipas de enfermagem.”

“Não restou qualquer dúvida de que todos os enfermeiros directores que se encontravam no congresso estavam bastante preocupados com a forma como eles iriam conseguir enfermeiros suficientes para as suas enfermarias e cuidados de saúde primários.”

“As decisões tomadas pela tutela relacionadas com os recursos humanos e os seus níveis não são baseados na evidência nem tão pouco na segurança do doente. Elas são condicionadas directamente pelo dinheiro disponibilizado e isso toda a gente sabe.”

“Em 2017 ainda se tomam decisões acerca dos recursos humanos baseados no orçamento decidido pelo ministro das finanças em vez de dar atenção às necessidades ditadas pela procurar de cuidados pelos doentes.”

“Este assunto não se trata de chamar atenção sobre uma ou outra profissão. É sobre os cuidados aos doentes. Se o número de enfermeiros e outros profissionais diminui isso afectará negativamente os doentes, os seus resultados em saúde e a sua mortalidade.”

“Uma das enfermeiras presentes no congresso falou sobre as difíceis decisões que tem que tomar enquanto enfermeira directora. Ela afirmou: “Eu tenho 90 doentes no meu hospital que precisam de ajuda para se alimentar. Eu nunca tenho 90 enfermeiros em cada turno, portanto como é que eu faço para lhes entregar a comida a tempo? E o mesmo se passa com a administração de medicação. O que é que eu faço quando um doente tem de esperar uma hora para receber a sua medicação analgésica no pós-operatório?”

“Na realidade são os enfermeiros na linha da frente que tem de fazer face à agonia destas decisões e à agonia dos seus doentes. Mas são as decisões tomadas por órgãos de gestão que se encontram bem longe dos cuidados que prejudicam mais os doentes.”

“Talvez se fossem o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças ou o Ministro da Saúde a administrar estas drogas fora de tempo, olhando para os doentes que estão à espera em camas molhadas porque não há tempo para mudar os lençóis e encarar os doentes com dor desnecessária, talvez assim eles considerassem olhar para os recursos humanos na saúde como uma prioridade.”

Como referi no inicio, o texto anterior é uma tradução de grande parte do artigo original. Mas a verdade que este artigo (do Reino Unido) contém não é muito diferente daquilo que se passa em Portugal.


E a Segurança do Doente. Como fica?
Fernando Fausto M. Barroso

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Segurança do Doente na Transfusão Sanguínea - SD266

Quais os principais aspectos que devemos considerar para garantir a segurança do doente antes da administração de sangue? + Fluxograma para Administração de Componentes Sanguíneos (disponível no final do artigo)
Diariamente são administrados nas nossas instituições de saúde centenas unidades de sangue. Apesar de comum, a segurança transfusional é algo que deve merecer a nossa máxima atenção e deve estar presente na nossa mente ao longo de todo o Ciclo Transfusional:
  • Prescrição médica: Na prescrição inicial devem constar pelo menos três elementos identificadores do doente (nome completo, data de nascimento e nº de processo clínico), indicação da transfusão, exames laboratoriais recentes que justifiquem o pedido de transfusão e quaisquer eventos adversos anteriores a esta nova solicitação.
  • Colheita de amostras:  O profissional que faz a colheita de amostra para estudo de compatibilidade (Enfermeiro ou Técnico de Diagnóstico e Terapêutica) deve garantir que o tubo de colheita possui uma etiqueta de identificação completa do doente (nome completo, data de nascimento e nº de processo clínico). As amostras deverão ser transportadas imediatamente ao Serviço de sangue acompanhadas do pedido de transfusão.
  • Selecção Pré- transfusional: Deve ser praticada por profissional qualificado com competência para identificar e resolver, se possível, os problemas que por ventura possam surgir na selecção da bolsa de sangue  a ser transfundida.
  • Dispensa:  A(s) bolsa(s) seleccionada(s) são enviadas, de acordo com a prescrição, para o Serviço onde o doente se encontra, transportadas em contentores adequados e devidamente identificados. É importante referir que as malas de transporte de sangue não podem ser utilizadas para armazenamento do mesmo – apenas são adequadas ao transporte interno entre o serviço de sangue e o serviço onde o doente se encontra, dentro da instituição de saúde.
  • Transfusão:  O profissional de Enfermagem que administra a unidade de sangue deve verificar:
    • A existência da prescrição;
    • A correcta identificação da unidade de sangue e da sua compatibilidade com a prescrição;
    • A correcta identificação do doente confirmando os dados existentes na etiqueta da unidade de sangue com os dados de identificação da pulseira do doente;
    • Verificação dos sinais vitais pré-transfusionais e da permeabilidade do acesso venosa
    • Administração de pré-medicação (se prescrita)
    • Apenas depois destes procedimentos é que a unidade de sangue deve ser preparada (perfurada), iniciando-se posteriormente a transfusão, mantendo uma vigilância constante a possíveis intercorrências/reacções adversas. É fundamental que o profissional que iniciou a administração do sangue permaneça junto do doente nos primeiros 15 minutos para observar possíveis reacções transfusionais graves que podem ocorrer durante este período. Após o término da transfusão são registados os sinais vitais pós transfusionais.
São inúmeros os factores contribuintes que contribuem para um aumento do risco para o doente.
De seguida partilho contigo um pequeno vídeo (de apenas 10 minutos) que merece a tua atenção.



Ao longo dos últimos anos tenho acompanhado vários incidentes relacionados com a administração de sangue (administração ao doente errado; identificação incorrecta de amostra para estudos de compatibilidade, preparação indevida da unidade e consequente desperdício do sangue, etc.)

Em consequência desse acompanhamento produzimos um Fluxograma para Administração de Componentes Sanguíneos com os principais aspectos que devemos ter em atenção e que agora partilhamos.

domingo, 3 de setembro de 2017

As ferramentas da Qualidade em Saúde e da Segurança do Doente são aplicáveis aos Cuidados de Saúde Primários? -SD265

Será que as ferramentas actuais relacionadas com a Qualidade em Saúde e a Segurança do Doente são aplicáveis aos Cuidados de Saúde Primários?

Esta é uma pergunta que têm surgido sistematicamente e que está relacionada com a aplicação dos princípios da qualidade em saúde, da segurança do doente ou da Avaliação do Risco aos Cuidados de Saúde Primários (CSP).

Falo várias vezes com colegas que trabalham nos CSP e quase todos referem que as ferramentas relacionadas com a segurança do doente e a qualidade em saúde não estão adaptadas aos seus locais de trabalho, ou que todos os exemplos disponíveis têm como origem nos cuidados hospitalares.

Eu considero que todos os princípios e ferramentas que existem se podem adaptar aos CSP respeitando a realidade de cada local de trabalho.

É possível atender aos mesmos problemas, às mesmas dificuldades aos mesmos desafios com ferramentas que estão actualmente disponíveis:
Com estas ferramentas é possível, em cada um dos locais onde são prestados cuidados de saúde, desenvolver um plano de qualidade com vista à segurança do doente e à melhoria da prestação de cuidados.

Considero que não é correcta a alegação de que os instrumentos disponíveis não são aplicáveis aos cuidados de saúde primários. Aquilo que tem efectivamente de ser feito é adaptar as perguntas, instrumentos e metodologias existentes a cada um dos diferentes contextos de trabalho.

Tem de realizar-se um esforço de aplicação das ferramentas existentes. Mas acima de tudo na documentação, aplicação e divulgação dessas experiências para que possam ser partilhadas com outros colegas do mesmo nível de cuidados.
Todos temos a responsabilidade de desenvolver esse esforço.

É imperioso documentar o que está a acontecer publicando artigos, histórias, pequenas informações  e tudo aquilo que seja possível com o objectivo da partilha.

Neste âmbito, o Blog Segurança do Doente estará sempre disponível para colaborar, publicando toda a informação relevante.


Pessoalmente, eu próprio tenho feito um esforço na divulgação de questões mais adaptadas aos CSP e irei continuar a fazê-lo.

Para isso, conto também com a vossa ajuda, com as vossas sugestões e perguntas.

Quais as ferramentas que utilizas no teu contexto de CSP? e como?

Que dificuldades encontras na sua aplicação?

Quais as ferramentas que gostavas de ver aqui analisadas numa óptica de CSP?
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