segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Antibióticos: Use-os com cuidado! - Dia Europeu e Semana Mundial dos Antibióticos 2017 | SD273

Antibióticos: Use-os com cuidado!
Dia Europeu e Semana Mundial dos Antibióticos 2017
Artigo de Autores Convidados
Felisbela Barroso e Verónica Florêncio
O Dia Europeu dos Antibióticos consiste numa iniciativa do ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control), a agência da União Europeia para a área da Saúde. A Semana Mundial dos Antibióticos é uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde.
  • As infecções causadas por bactérias resistentes provocam 700.000 mortes anuais no mundo inteiro.
  • Novas estirpes resistentes, em particular bactérias Gram negativas, têm-se tornado emergentes.
  • Estas infeções causam um acréscimo de 10.000 a 40.000€ por doente.
  • Entre 30 a 50% dos antibióticos são incorretamente prescritos.
  • Se nada for feito, estima-se que em 2050 morram 10 milhões de pessoas em todo o mundo por infecções causadas por bactérias resistentes.


A RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS É UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA CADA VEZ MAIS GRAVE

  • Evolução preocupante dos Gram negativo resistentes, em particular das Klebsiellas  resistentes aos Carbapenemos.
  • Portugal continua na linha da frente no MRSA, VRE e Acinetobacter resistente aos carbapanemos, embora em melhoria.
Fonte: EARS-Net, 2016

COMO PROMOVER O USO RACIONAL DE ANTIBIÓTICOS?

  • Não use antibióticos em colonizações bacterianas ou infecções virais.
  • Não peça uroculturas por rotina sem que exista suspeita clínica de infecção urinária. Muitos utentes estão colonizados com bactérias e não requerem terapêutica.
  • Não prescreva antibióticos para bacteriúrias assintomáticas (exceto situações específicas).
  • Evite prescrever empiricamente carbapenemos, quinolonas e cefalosporinas de 3ª geração, as quais estão associadas à emergência de Gram negativos produtores de ESBL ou resistentes aos carbapenemos, além de MRSA e Clostridium difficile.
  • A maioria das infeções trata-se com uma duração máxima de 7 dias de terapêutica.
O ECDC propõe a utilização do seguinte instrumento para os médicos prescritores:


O ECDC lançou ainda uma campanha nas redes sociais chamada: #keepAntibioticWorking. #KeepAntibioticsWorking.

Para aceder a mais conteúdos: https://antibiotic.ecdc.europa.eu/en #KeepAntibioticsWorking.#KeepAntibioticsWorking.

Autoras:
Felisbela Barroso e 
Verónica Florêncio
Enfermeiras no Grupo Coordenador Local de Controlo de Infecção e Prevenção de Resistências aos Antimicrobianos do Centro Hospitalar de Setúbal

O Blog "Segurança do Doente" agradece a partilha à autoras deste artigo.
Dia Europeu e Semana Mundial dos Antibióticos 2017
UM DIA, SERÁS TU O DOENTE!

domingo, 12 de novembro de 2017

Quando As Bactérias Multirresistentes Têm Alta – SD272

Artigo de Autores Convidados
Felisbela Barroso e 
Verónica Florêncio

Os Microrganismos Multirresistentes (MoMR) constituem uma ameaça à saúde pública, com fortes implicações económico-sociais.
O Grupo Coordenador Local de Controlo de Infeção e Prevenção de Resistências aos Antimicrobianos (GCLCIPRA) do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) implementou um conjunto de medidas de prevenção e controlo de infecção de MoMR:
  • Elaboração de um procedimento para controlo de MoMR, com base na Norma DGS nº 018/2014 actualizada a 27/04/2015 - Prevenção e Controlo de Colonização e Infeção por Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina (MRSA) nos hospitais e unidades de internamento de cuidados continuados integrados (Disponível em https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0182014-de-09122014.aspx)
  • Formação aos profissionais;
  • Rastreio de MRSA na admissão hospitalar;
  • Higiene pré-operatória com clorohexidina;
  • Notificação activa dos MoMR aos serviços;
  • Análise e divulgação semestral dos resultados;
  • Emissão de alertas e boletins informativos;
  • Criação de ficha de notificação para o exterior.

Os MoMR mais identificados no CHS nos anos 2016/2017 foram o Staphylococcus aureus meticilino-resistente (MRSA) e as Enterobacteriáceas produtoras de Betalactamases de Espectro Alargado (ESBL).
Na actualidade assiste-se a um aumento crescente de pessoas portadoras de MoMR com alta hospitalar, situação que levou o GCLCIPRA a desenvolver uma estratégia de melhoria da comunicação com as unidades de saúde da comunidade:
  • Envio da ficha de notificação; 
  • Folheto informativo
  • Contacto via email e/ou telefónico;
  • Apoio presencial aos profissionais/cuidadores.

Apurou-se no período 2016/2017 48 notificações para o exterior, 70% exsudados nasais MRSA, 16% exsudado de feridas MRSA, e 8% exsudado de feridas Enterobacteriáceas produtoras de ESBL. A sua maioria foi dirigida a lares – 33%, seguido das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP)/ Unidades de Saúde Familiar (USF) – 27%, e das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) - 8%, tal como consta no gráfico abaixo apresentado.

Este trabalho tem sido muito valorizado pelos profissionais e cuidadores da comunidade, que vêm nesta parceria uma oportunidade de aumentar conhecimentos, e melhorar as práticas da equipa, evitando a transmissão cruzada de MoMR.
A adopção de uma abordagem sistémica e integrada entre as diversas instituições de saúde, assente numa comunicação bidireccional, permite assegurar a continuidade e qualidade dos cuidados, aumentando a segurança dos doentes e dos profissionais.

Propostas para o futuro:

  • Notificação para o exterior em suporte informático;
  • Acesso/Registo Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados;
  • Workshops dirigidos às direções técnicas das Unidades de Saúde da Comunidade;
  • Reuniões periódicas GCLCIPRA e os Elementos Dinamizadores de Controlo de Infecção das UCSP/USF/UCC.

Segundo a DGS (2016) mais de 1/3 das infecções podem ser evitadas. Importa garantir condições de funcionamento nos serviços, adequação dos processos, boas práticas dos profissionais.

Autoras:
Felisbela Barroso e 
Verónica Florêncio
Enfermeiras no Grupo Coordenador Local de Controlo de Infecção e Prevenção de Resistências aos Antimicrobianos do Centro Hospitalar de Setúbal

O Blog "Segurança do Doente" agradece a partilha à autoras deste artigo.

UM DIA, SERÁS TU O DOENTE!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

VI Curso de Auditoria Clínica - Queres saber quais as auditorias que construímos de raiz? - SD270

Foi com entusiasmo que realizei mais um Curso de Auditoria Clínica (o 6º) desta vez para Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA).

O primeiro dia constitui sempre um momento de aprendizagem intenso mas também (pela componente prática do workshop de construção da grelha de auditoria) uma consciencialização de que nem sempre os documentos orientadores da prática dos profissionais - Normas de Orientação; Procedimentos, etc. – estão construídos da forma mais correta não sendo sequer, em alguns dos seus aspectos, passíveis de serem auditados.

Segue-se um período de intenso trabalho autónomo com supervisão do formador em que cada formando de forma individual ou em grupo:
  • Expande o seu conhecimento;
  • Experimenta no terreno a nova metodologia e ferramenta que criou, realizando uma auditoria em contexto real, e;
  • Se surpreende com os resultados que obtém e o conhecimento que adquire.

O segundo dia (que ocorre 3 semanas depois do 1º dia) é um dia fantástico com apresentação do trabalho realizado e intensa discussão dos dados obtidos.
Invariavelmente todos aprendem com o partilhar das experiências e com o volume incrível de dados concretos (evidências) que não podem, a partir daí, ser ignoradas.

Neste curso foram realizadas as seguintes auditorias:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...