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sábado, 21 de janeiro de 2017

SD240 - Baixa Participação dos Profissionais na Avaliação da Cultura de Segurança do Doente. Devo ficar preocupado?

No dia 20/01/2017 a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), promoveu uma sessão denominada Plano Nacional para a Segurança do Doente - Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno.

Um dos temas mais comentado foi o da Avaliação da Cultura de Segurança do Doente.

O questionário da "Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais Portugueses” passou a ser aplicado, a partir de 2014, em todos os hospitais do Sistema de Saúde Português (DGS- Norma nº 025/2013 de 24/12/2013 atualizada a 19/11/2015 - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Hospitais).
Também nos Cuidados de Saúde Primários, essa avaliação é agora uma realidade (DGS- Norma nº 003/2015 de 11/03/2015 - Avaliação da Cultura de Segurança do Doente nos Cuidados de Saúde Primários).

Uma das principais dificuldades da generalidade das Instituições é garantir a adesão voluntária dos seus profissionais ao preenchimento do questionário por forma a obter uma % de participação “representativa”.
Há mesmo quem advogue uma alteração da estratégia de aplicação do questionário passando-o de voluntário para “obrigatório”.

Na minha opinião esta é uma discussão desnecessária, veja-se:

Reconhecendo que não são idênticas, considero no entanto que não existe variação significativa nas dimensões normalmente bem classificadas nem nas dimensões classificadas com os valores mais baixos (dimensões problemas).

Isto verifica-se nos resultados das avaliações internacionais que tem ocorrido (fonte dados DGS),
 assim como nos resultados das instituições nacionais (fonte dados DGS), independentemente da % de participação ser elevada ou baixa.
Arrisco a dizer que, mesmo numa instituição que nunca tenha sido avaliada, se o questionário for aplicado, os resultados serão praticamente sobreponíveis àqueles que já conhecemos de outras instituições nacionais.

Na maioria dos casos, seja qual for a % de participação obtida, os resultados devem ser analisados e implementadas as medidas de promoção da cultura de segurança do doente adequado.

Neste ponto é importante frisar que, mesmo que a % de participação seja baixa, os dados devem ser divulgados (por respeito a quem participou). Quem promove o estudo não pode reter os dados (seja a instituição ou a DGS).

As medidas recomendadas pela DGS/APDH, por cada dimensão problema, são semelhantes para todas as Instituições. Elas estão definidas e são conhecidas – Veja-se o Relatório Segurança dos Doentes, Avaliação da Cultura nos Hospitais, Agosto de 2015 da DGS.

Então, se existe já tanta informação, e as dimensões problema estão identificadas, o que podemos fazer?
  • Considerar como “guião orientador” as recomendações já conhecidas e divulgadas pela DGS por cada dimensão;
  • Rever internamente (em cada instituição) os procedimentos e orientações internas sobre cada uma das dimensões da cultura de segurança;
  • Promover um debate interno, livre e honesto, sobre as medidas que necessitam de ser revistas/alteradas, agregando todas as partes interessadas;
  • Implementar as recomendações/medidas necessárias.

Sinceramente coloco muito em causa a necessidade de reavaliar de 2/2 anos a Cultura de Segurança do Doente. Acredito que, mesmo com a implementação de medidas, que as dimensões problema vão continuar a ser as mesmas, ainda por muito tempo (veja-se os estudos internacionais).
Mas cá estaremos para o avaliar.
Fernando Barroso

Dimensões da cultura de segurança do doente avaliadas:
1. Trabalho em equipa
2. Expectativas do supervisor/gestor e acções que promovam a segurança do doente
3. Apoio à segurança do doente pela gestão
4. Aprendizagem organizacional - melhoria contínua
5. Percepções gerais sobre a segurança do doente
6. Feedback e comunicação acerca do erro
7. Abertura na comunicação
8. Frequência da notificação de eventos
9. Trabalho entre as unidades
10. Dotação de Profissionais
11. Transições
12. Resposta ao erro não punitiva.

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