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domingo, 10 de abril de 2016

TABELA DE PERFIL DE SENSIBILIDADES DAS PRINCIPAIS BACTÉRIAS ISOLADAS | UMA FERRAMENTA PARA O USO RACIONAL DE ANTIBIÓTICOS

 A resistência bacteriana aos antimicrobianos é uma problemática conhecida em todas as instituições de saúde. A sua monitorização é fundamental para o controlo das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS) e deverá ser tida como uma prioridade, de forma a desenvolver processos de resposta rápida e eficiente.

Neste sentido o Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA) emanou estratégias específicas de intervenção, onde se salienta a vigilância epidemiológica (VE). Esta carece da participação dos hospitais e dos laboratórios de microbiologia nos sistemas de vigilância das infeções, resistência aos antimicrobianos e consumo de antibióticos.

A VE é uma estratégia fundamental do planeamento em saúde e desenvolve-se internamente nas instituições através de um trabalho de parceria entre os serviços, o laboratório de microbiologia, a farmácia e o grupo coordenador local (GCL) do PPCIRA.
O laboratório tem a responsabilidade de notificar o GCL PPCIRA e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge de todos os “microrganismos alerta” e “microrganismos problema” identificados conforme expresso na norma da Direção Geral de Saúde (DGS) nº 004/2013 (https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0042013-de-21022013.aspx).
Esta notificação é de carater obrigatório e permite aos hospitais a obtenção de indicadores de forma automática por meio de uma base de dados sediada na plataforma INSA-RIOS.

A par com este trabalho, importa divulgar junto da equipa de saúde dados sobre o número de microrganismos isolados e suas resistências aos antimicrobianos, monitorizando a sua tendência ao longo dos anos, promovendo o benchmarking intrainstitucional.


Uma das ferramentas que os GCL PPCIRA pode adotar é a elaboração e divulgação anual da tabela de perfil de sensibilidades dos principais microrganismos isolados “dentro” da instituição, permitindo aos profissionais de saúde terem um fácil acesso ao(s):
  • Principais microrganismos isolados no último ano;
  • Número de amostras para cada microrganismo isolado;
  • Perfil de sensibilidades aos antimicrobianos de cada microrganismo;
  • Padrão de evolução das resistências antimicrobianas das bactérias identificadas;
  • “Microrganismos alerta” notificados à DGS;

TABELA DE PERFIL DE SENSIBILIDADES DAS PRINCIPAIS BACTÉRIAS ISOLADAS - CHS
Neste sentido a tabela microbiológica é tida como uma informação para a ação, contribuindo para uma prescrição médica mais segura, adequada e eficaz. Esta informação deve promover a discussão interna das práticas de prescrição antibiótica, bem como a identificação de necessidades formativas.
Assim, a eficácia da tabela dependerá do plano de ação traçado, ou seja das intervenções no terreno para promover e corrigir as práticas de uso de antibióticos. As unidades de saúde devem operacionalizar o programa de apoio à prescrição antimicrobiana (PAPA), tal como preconizado pela DGS. A adoção destes programas leva à redução da prevalência da resistência aos antibióticos e à redução de custos com os cuidados de saúde.

A redução da taxa de IACS passa pelo cumprimento das precauções básicas de controlo de infeção e das precauções baseadas nas vias de transmissão, a par com a correta utilização de antimicrobianos. Urge na atualidade a necessidade de se reduzir a pressão antibiótica, prevenindo todas as infeções evitáveis, não utilizando antibióticos indeterminadamente, quando não existe infeção e reduzindo a duração do tratamento ao mínimo indispensável.

Em conclusão, o GCL PPCIRA do Centro Hospitalar de Setúbal tem vindo a elaborar anualmente a tabela de perfil de sensibilidade desde 2008, com divulgação a todos os profissionais de saúde através da intranet, bem como da entrega em formato postal, obtendo desde sempre um feedback positivo.
Felisbela Barroso
Verónica Florêncio

2 comentários:

  1. Boa Noite Sr. Enfª Fernando Barroso. Enquanto Enfermeira e única no GCL PPCIRA do meu ACeS continuo muito preocupada com o fraco investimento no acompanhamento destas estruturas nos ACeS e ausência de instrumentos/mecanismos, que nos ajudem a monitorizar/controlar as IACS em Cuidados de Saúde Primários. Nesta área específica o risco parece menor mas não é face à dimensão da população alvo de cuidados de saúde e graças à desvalorização dos profissionais relativamente às IACS na comunidade e resistência aos antimicrobianos. Quando pensa a DGS investir nesta área?

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    1. Olá Maria Antunes.
      Compreendo e partilho da sua preocupação e angustia face à realidade das IACS nos cuidados de saúde primários.
      A “última” que ouvi (de forma indirecta pois foi-me contado por alguém que esteve presente) foi relativamente a umas colegas pertencentes a um ACES onde, segundo elas “um dos 5 momentos preconizados pela OMS para a lavagem das mãos não se aplica”.
      Quando a nossa incapacidade de compreensão está a este nível, não conseguindo “transpor” para as nossas realidades as recomendações que foram testadas e estudadas até à exaustão, encontrando alternativas “criativas” ou “inventando” desculpas para não fazer como nos recomendam, estamos de facto no mau caminho.
      Quanto à sua pergunta que envolve a DGS, eu não posso responder-lhe nem para tal estou mandatado. Pode sempre colocar a questão directamente enviando-a para o email ppcira@dgs.pt
      Obrigado pelos seus comentários.

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