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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quem são as "partes interessadas" num relato de incidente?


Em todas as situações existem "partes interessadas". Esses Stakeholders podem ter opiniões diferentes e até opostas, mas todos tem uma opinião sobre essa questão.

Num incidente ocorre o mesmo.

Quando ocorre um incidente, quem são os Stakeholders?

  1. O Doente/Família - Desde logo o principal interessado é o Doente. Não, não estou a dizer que todos os Doentes têm consciência do que ocorreu (por vezes nem ficam a saber porque ninguém lhes diz). Quando digo "Doente" refiro-me a todos nós - cidadãos - que um dia, muito provavelmente no encontraremos nessa condição;
  2. O Profissional de Saúde - Seja quem for, médico, enfermeiro, técnico de diagnóstico e terapêutica, todos são partes interessadas. Todos gostavam de ter melhores condições de trabalho. Todos gostavam de ter dispositivos ou equipamentos médicos que funcionam bem. Todos querem que os medicamentos não faltem. Todos querem que os procedimentos e protocolos sejam simples e cumpridos por todos. Mas não é isso que ocorre.
  3. O Superior Hierárquico - Sim, "o Chefe". Ele tem (ou deve ter) um interesse especial. Não, não estou a falar em punir ou acusar. Isso não é um chefe, é apenas uma pessoa que não sabe liderar. O interesse especial está em saber o que aconteceu para poder melhorar. Retirar do incidente as lições e a aprendizagem necessárias para mudar o sistema (a forma como uma determinada sala está arrumada; a falta de material; um equipamento que não funcionou; um procedimento que não foi cumprido). É para isso que um chefe deve utilizar o relato de incidente. Para crescer e fazer crescer a sua equipa, prestando melhores cuidados ao Doente.
  4. A Gestão de Topo da Instituição - O Conselho de Administração é também uma parte interessada. O tipo e número de incidentes permitem à gestão de topo obter uma imagem diferente da qualidade dos cuidados prestados, mas também da gestão que está em curso na instituição. Incidentes que indicam a falta de medicamentos ou DM denunciam falta de organização na Farmácia/Aprovisionamento ou problemas financeiros? Falhas nos cuidados diretos ao Doente são incidentes “inevitáveis” ou demonstram a falta de orientações clinicas precisas e compreensíveis por todos? A existência de elevadores constantemente avariados são resultado de utilização indevida, manutenção mal planeada ou desinteresse dos responsáveis? A lista é quase interminável, mas a responsabilidade do Conselho de Administração não pode ser "esquecida".
  5. O Governo/Sociedade Civil - Imaginem, apenas por um instante que de um momento para o outro, todos os profissionais e doentes/famílias começavam a notificar todos os incidentes que conhecem num Sistema Nacional de Notificação de Incidentes e Eventos Adversos?

Imaginem que de repente, Portugal ficava a conhecer a verdadeira dimensão do dano que os cuidados de saúde causam aos seus cidadãos? Não estou a falar de guerras "estéreis" entre Ordens Profissionais. Estou a falar da realidade. Das horas de espera nos serviços, dos erros de marcação, da falta de profissionais e de recursos. Estou a falar de dispositivos "baratos" que não funcionam. Da falta de formação. De quedas e úlceras por pressão evitáveis.

Que bom seria se, com base nesse conhecimento, pudéssemos começar a mudar?

Stakeholders somos todos nós.

Todos temos a ganhar.

O SNNIEA já existe. Tem de ser melhorado, mas também tem de ser alimentado para que possa crescer.

Vais participar na mudança?
Fernando Fausto M. Barroso - 2013/09/25